domingo, 7 de outubro de 2012

Nos EUA, miséria pra escanteio. Ao Barça, cartão vermelho


A campanha presidencial estadunidense tem sido "animada", bilionária e baixa. Como de praxe.
Entre insultos, promessas e fábulas, os candidatos têm abordado temas variados. Entretanto, têm evitado um assunto crucial que o declínio, sem a rede da seguridade social, torna dificilmente solucionável.
A miséria.
O empobrecimento.
A precariedade em que cada vez mais estadunidenses caem de maneira inexorável.
Não é que a miséria seja um assunto novo nos EUA. Ela é conhecida. Pessoalmente e em filmes. Basta andar em certos bairros, em centros de cidades, para ver desabrigados surgirem das sombras como almas penadas.
Em um sistema capitalista que aplica a lei do mais forte sem proteger o fraco, é compreensível que a riqueza não seja distribuída. É também compreensível que haja tanta discrepância entre o desenvolvimento dos EUA e das potências europeias no plano social, humano.
Nos EUA, a tecnologia, o descartável e o desperdício imperam.
Na Europa, imperam a moderação nos gastos, as batalhas e conquistas sociais. Lá os cidadãos têm voz ativa e a utilizam para melhorar suas condições de vida.
Nos Eua quem fala grosso é o capital.
Ao abordar Occupy Wall Street no ano passado, falei por alto na pobreza em que os EUA atola. Assim como os nossos "concorrentes" do BRICs, China e India.
Occupy Wall Street foi perdendo o fôlego por causa da repressão às passeatas e a contra-ofensiva dos patrões da mídia. Porém, o problema levantado só tem se agravado, em vez de ser solucionado.
Não é que a economia esteja fora da campanha dos candidatos Democrata e Republicano. Muito pelo contrário. A economia tem se destacado em palanques e debates.
É o empobrecimento da população que tem sido descartado. De ambos os lados.
Pois Romney sabe que se ganhar, também não vai conseguir tirar esta pedrona do sapato.
Aliás, nem quer tirá-la, já que declarou que não se importa com os indigentes e que o programa social de 1960 criou uma 'cultura da pobreza". Seu foco, diz ele, é a criação de emprego.
Segundo estatísticas oficiais, Obama diminuiu o número de desempregados em setembro. Passando a 12.1 milhões de pessoas. Romney promete que fará melhor. Será?
A Economia dos Estados Unidos está amarrada a Wall Street, à especulação, ao grande capital.
E Wall Street sempre foi indiferente aos que não fazem parte do clube dos 1% que controlam a economia e a campanha presidencial.
Obama expandiu o programa de assistência à criança em 2009, focou na reforma do sistema de saúde prometida por Bill Clinton e deixada de lado; expandiu a assistência alimentar; aumentou a ajuda aos estudos e o salário mínimo federal horário. O oficial é de U$7.25 dólares. O estadual varia, o mínimo sendo de U$5.15 - embora centenas de milhares de pessoas declarem receber menos. O mínimo na França é 8.44€=U$12 por hora.
Apesar de todos os melhoramentos internos, Obama continua vulnerável às bravadas de Mitt Romney.
Por quê?
Um relatório recém-divulgado mostra que a distância entre os ricos e os pobres nos EUA só tem aumentado e Romney usa a ignorância dos eleitores para acenar com miragens e milagres.

Sem tocar nas palavras pobreza, miséria. O que é quase normal nos EUA. Já que erradicar estes dois câncers sociais nunca foi meta de nenhum governo.
O recenseamento do ano passado indicou que mais 51 milhões de estadunidenses estão se aproximando da linha fatídica que marginaliza.
As Nações Unidas divulgou que o índice de pobreza do gigante é o segundo do mundo ocidental. Após a Romênia. Com 21.9 por cento de menores de 18 anos vivendo na precariedade.
O mutismo dos candidatos surpreende, considerando o número de eleitores potenciais interessados no tema do empobrecimento.
 Segundo pesquisas, 50 por cento dos estadunidenses que vivem abaixo do solo de pobreza são Independentes, 32 por cento Democratas e 15 por cento Republicanos.
O Partido Verde está mirando este alvo. Embora nos EUA a ecologia ainda seja assunto que interessa mais a mídia e certos clarividentes. A grande maioria da população, antes de entrar no banho, ainda deixa a torneira aberta até o banheiro ficar enfumaçado de água quente desperdiçada. Isto em um país que está ficando sem água potável.
No Brasil também a proteção dos recursos naturais, o cuidado com a poluição, com a reciclagem, ainda não preocupam a massa. Pra dizer a verdade, nem muita gente estudada que se dá ares.

Mas ainda não somos os reis do mundo. A estrada para o topo é íngrime e exige muito esforço. 
E para chegarmos lá de cabeça alta, temos de evitar os problemas do decadente EUA.
Temos de construir uma sociedade educada e economicamente equilibrada. Cuja preocupação central seja erradicar a miséria.
E parar de invejar a China e a Índia com seus crescimentos econômicos de fachada.
A Dilma precisaria controlar o crédito que permite que o sujeito gaste adiantado o que não tem certeza de poder pagar mais tarde; diminuir as diferenças salariais - o salário dos altos executivos é de tirar o fôlego e o salário mínimo é de chorar; e continuar os programas que tirem nossa população da miséria. Que todo pai de família tenha emprego, condições para proporcionar roupa, comida e estudos aos filhos. Enfim, que todo brasileiro viva com dignidade.

 Cartão vermelho pro Barça
O Barça é famosíssimo pela beleza do seu jogo. Era também pela ética ligada à história de resistência dos barcelonenses durante a Guerra Civil espanhola e à ditadura do general Franco.
Contudo, há pouco o clube pisou na bola feio.
Por sugestão de um ex-ministro israelense, foi o que se soube, o clube resolveu convidar o reservista israelense Gilad Shalit para o clássico do dia 7 de outubro com o Real Madrid no Camp Nou, na capital catalã.
Shalit é o soldado capturado pelo Hamas em 2006 e solto em 2011 em troca de 1027 presos políticos palestinos - Israel ainda detém cerca de cinco mil prisioneiros.
A desculpa dos cartolas do Barça para recompensar Shalit com uma cadeira na tribuna é que ele "adora futebol".
Os torcedores e jornalistas preocupados com os Direitos Humanos e com as vítimas reais do conflito Israel vs Palestina, ao saberem do convite, botaram a boca no trombone e....
No dia seguinte, de saia justa, os cartolas tentaram remediar o fora convidando três palestinos.
O convidado principal era Mahmoud Sarsak. O jovem jogador que foi preso em julho de 2009 em um checkpoint só por ter um futuro promissor na seleção palestina de futebol. Só foi libertado em julho de 2012 sob pressão de várias personalidades internacionais, sobretudo o ex-jogador da França e do Manchester United, Eric Cantona. http://mariangelaberquo.blogspot.fr/2012/06/requiem-por-um-jogador-de-futebol.html
Os cartolas do Barça talvez não soubessem bem quem era quem na história do conflito. Quem era algoz. Quem era vítima.
Aí alguém explicou que Shalit era um francês que tinha feito a escolha de servir Exército em Israel sabendo do trabalho sujo que faria nos Territórios Ocupados. Foi capturado pelo Hamas por ser um soldado da ocupação que se encontrava dentro de um tanque que mantinha o bloqueio da Faixa de Gaza. Foi tratado de acordo com o que reza a Convenção de Genebra.
E outra pessoa explicou que Sarsak era jogador de futebol talentoso, detido sem razão ao ser transferido de seu clube de Gaza para um clube melhor na Cisjordânia. Um cara que nunca mexera com arma. Só com bola. Que até ser preso, era até bem alienado, como é de praxe no meio esportivo - com raríssimas e abençoadas exceções, é claro.
Pois bem. Sobrou para os cartolas do Barça um diplomata e outro cartola - o embaixador da Palestina na Espanha e o  presidente da Federação nacional de futebol aceitaram o convite de última hora.
"Era pedir demais que Mahmoud Sarsak se sentasse na mesma Tribuna que Shalit. O israelense representa a ocupação, as agressões, os sequestros, as torturas, a demolição de moradias e cultura; enfim, a concentração do nosso povo dentro de muros e arames farpados. Seria aceitar que o agressor e o agredido fossem postos em pé de igualdade, no mesmo patamar." Foi o comentário de um compatriota do jogador palestino.
Mahmoud Sarsak recusou o convite declarando sucintamente: Estou pronto para encontrar o Barcelona e qualquer outro clube de futebol fora do contexto de um convite comum com Gilad shalit. Vou com prazer se for convidado como um atleta palestino que teve de fazer greve de fome pela liberdade e dignidade.
O pior da estória é que o Barcelona é, ou era, o time mais popular na Palestina, depois da Seleção Brasileira.
A desilusão dos meninos com a notícia era de dar pena.
Os mais cínicos dizem que Uma desilusão a mais ou a menos não faz muita diferença.
Faz, sim.  
Cartão vermelho pro Barça!
Abusos cometidos por soldados da IDF na Palestina
 
Outra ilustração das camisetas usadas pelos jovens sionistas
You've got to run fast, run fast, before it's all over
  
Artigo de Uri Avnery da ONG israelense Gush Shalom, publicado no dia 29/09/2012.
I am sitting here writing this article 39 years to the minute from that moment when the sirens started screaming, announcing the beginning of the war.
A minute before, total quiet reigned, as it does now. No traffic, no activity in the street, except a few children riding bicycles. Yom Kippur, the holiest day for Jews, reigned supreme. And then…
Inevitably, the memory starts to work.
This year, many new documents were released for publication. Critical books and articles are abundant. The universal culprits are Golda Meir and Moshe Dayan.
They have been blamed before, right from the day after the war, but only for superficial military offences, known as The Default. The default was failing to mobilize the reserves, and not moving the tanks to the front in time, in spite of the many signs that Egypt and Syria were about to attack.
Now, for the first time, the real Grand Default is being explored: the political background of the war. The findings have a direct bearing on what is happening now.
It transpires that in February 1973, eight months before the war, Anwar Sadat sent his trusted aide, Hafez Ismail, to the almighty US Secretary of State, Henry Kissinger. He offered the immediate start of peace negotiations with Israel. There was one condition and one date: all of Sinai, up to the international border, had to be returned to Egypt without any Israeli settlements, and the agreement had to be achieved by September, at the latest.
Kissinger liked the proposal and transmitted it at once to the Israeli ambassador, Yitzhak Rabin, who was just about to finish his term in office. Rabin, of course, immediately informed the Prime Minister, Golda Meir. She rejected the offer out of hand. There ensued a heated conversation between the ambassador and the Prime Minister. Rabin, who was very close to Kissinger, was in favor of accepting the offer.
Golda treated the whole initiative as just another Arab trick to induce her to give up the Sinai Peninsula and remove the settlements built on Egyptian territory.
After all, the real purpose of these settlements – including the shining white new town, Yamit – was precisely to prevent the return of the entire peninsula to Egypt. Neither she nor Dayan dreamed of giving up Sinai. Dayan had already made the (in)famous statement that he preferred “Sharm al-Sheik without peace to peace without Sharm al-Sheik”. (Sharm al-Sheik, which had already been re-baptised with the Hebrew name Ophira, is located near the southern tip of the peninsula, not far from the oil wells, which Dayan was also loath to give up.)
Even before the new disclosures, the fact that Sadat had made several peace overtures was no secret. Sadat had indicated his willingness to reach an agreement in his dealings with the UN mediator Dr. Gunnar Jarring, whose endeavors had already become a joke in Israel.
Before that, the previous Egyptian President, Gamal Abd-al-Nasser, had invited Nahum Goldman, the President of the World Jewish Congress (and for a time President of the World Zionist Organization) to meet him in Cairo. Golda had prevented that meeting, and when the fact became known there was a storm of protest in Israel, including a famous letter from a group of 12th-graders saying that it would be hard for them to serve in the army.
All these Egyptian initiatives could be waved aside as political maneuvers. But an official message by Sadat to the Secretary of State could not. So, remembering the lesson of the Goldman incident, Golda decided to keep the whole thing secret.
Thus an incredible situation was created. This fateful initiative, which could have effected an historic turning point, was brought to the knowledge of two people only: Moshe Dayan and Israel Galili.
The role of the latter needs explanation. Galili was the eminence grise of Golda, as well as of her predecessor, Levy Eshkol. I knew Galili quite well, and never understood where his renown as a brilliant strategist came from. Already before the founding of the state, he was the leading light of the illegal Haganah military organization. As a member of a kibbutz, he was officially a socialist but in reality a hardline nationalist. It was he who had the brilliant idea of putting the settlements on Egyptian soil, in order to make the return of northern Sinai impossible.
So the Sadat initiative was known only to Golda, Dayan, Galili and Rabin and Rabin’s successor in Washington, Simcha Dinitz, a nobody who was Golda’s lackey.
Incredible as it may sound, the Foreign Minister, Abba Eban, Rabin’s direct boss, was not informed. Nor were all the other ministers, the Chief of Staff and the other leaders of the armed forces, including the Chiefs of Army Intelligence, as well as the chiefs of the Shin Bet and the Mossad. It was a state secret.
There was no debate about it – neither public nor secret. September came and passed, and on October 6th Sadat’s troops struck across the canal and achieved a world-shaking surprise success (as did the Syrians on the Golan Heights.)
As a direct result of Golda’s Grand Default 2693 Israeli soldiers died, 7251 were wounded and 314 were taken prisoner (along with the tens of thousands of Egyptian and Syrian casualties).
This week, several Israeli commentators bemoaned the total silence of the media and the politicians at the time.
Well, not quite total. Several months before the war, in a speech in the Knesset, I warned Golda Meir that if the Sinai was not returned very soon, Sadat would start a war to break the impasse.
I knew what I was talking about. I had, of course, no idea about the Ismail mission, but in May 1973 I took part in a peace conference in Bologna. The Egyptian delegation was led by Khalid Muhyi al-Din, a member of the original group of Free Officers who made the 1952 revolution. During the conference, he took me aside and told me in confidence that if the Sinai was not returned by September, Sadat would start a war. Sadat had no illusions of victory, he said, but hoped that a war would compel the US and Israel to start negotiations for the return of Sinai.
My warning was completely ignored by the media. They, like Golda, held the Egyptian army in abysmal contempt and considered Sadat a nincompoop. The idea that the Egyptians would dare to attack the invincible Israeli army seemed ridiculous.
The media adored Golda. So did the whole world, especially feminists. (A famous poster showed her face with the inscription: “But can she type?”) In reality, Golda was a very primitive person, ignorant and obstinate. My magazine, Haolam Hazeh, attacked her practically every week, and so did I in the Knesset. (She paid me the unique compliment of publicly declaring that she was ready to “mount the barricades” to get me out of the Knesset.)
Ours was a voice crying in the wilderness, but at least we fulfilled one function: In her ‘March of Folly”, Barbara Tuchman stipulated that a policy could be branded as folly only if there had been at least one voice warning against it in real time.
Perhaps even Golda would have reconsidered if she had not been surrounded by journalists and politicians singing her praises, celebrating her wisdom and courage and applauding every one of her stupid pronouncements.
The same type of people, even some of the very same people, are now doing the same with Binyamin Netanyahu.
Again, we are staring the same Grand Default in the face.
Again, a group of two or three are deciding the fate of the nation. Netanyahu and Ehud Barak alone make all the decisions, “keeping their cards close to their chest”. Attack Iran or not? Politicians and generals are kept in the dark. Bibi and Ehud know best. No need for any other input.
But more revealing than the blood-curdling threats on Iran is the total silence about Palestine. Palestinian peace offers are ignored, as were those of Sadat in those days. The ten-year old Arab Peace Initiative, supported by all the Arab and all the Muslim states, does not exist.
Again, settlements are put up and expanded, in order to make the return of the occupied territories impossible. (Let’s remember all those who claimed, in those days, that the occupation of Sinai was “irreversible”. Who would dare to remove Yamit?)
Again, multitudes of flatterers, media stars and politicians compete with each other in adulation of “Bibi, King of Israel”. How smoothly he can talk in American English! How convincing his speeches in the UN and the US Senate!
Well, Golda, with her 200 words of bad Hebrew and primitive American, was much more convincing, and she enjoyed the adulation of the whole Western world. And at least she had the sense not to challenge the incumbent American president (Richard Nixon) during an election campaign.
In those days, I called our government “the ship of fools”. Our current government is worse, much worse.
Golda and Dayan led us to disaster. After the war, their war, they were kicked out – not by elections, not by any committee of inquiry, but by the grassroots mass protests that racked the country.
Bibi and Ehud are leading us to another, far worse, disaster. Some day, they will be kicked out by the same people who adore them now - if they survive.
  
Documentário: Palestinians Behind Bars: Prisoners Without Human Rights
do Centro Palestino de Direitos Humanos


 
   


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