domingo, 21 de outubro de 2012

Voto na Cisjordânia e pirataria da IDF em Gaza


Esta semana foi agitada no Oriente Médio.
O atentado sangrento em Beirute foi destaque e vai ser abordado neste blog quando, para mim, o  quem e o porquê estiverem mais claros, e minhas fontes jorrarem informações categóricas.
Para não chover no molhado ou especular sem base, prefiro abordar neste domingo o navio sueco com bandeira finlandesa que a IDF investiu enquanto as atenções internacionais estavam desviadas.

Entrada proibida pela Lei de Israel, e não da Háguia
Às 06.15 da manhã deste sábado, soldados da IDF (Forças Armadas israelenses) encapuzados, investiram o navio Estelle em águas internacionais.
O Estelle estava tentando quebrar o bloqueio e ir à Faixa de Gaza levar coisas tão perigosas quanto material de construção, bolas, instrumentos musicais e víveres básicos.
O Estelle tinha cerca de trinta passageiros de oito países ocidentais. Armados apenas de indignação e boa vontade.
Os soldados mascarados e armados para combate letal, forçaram o navio a desviar a rota de Gaza para o porto israelense de Ashdod. Onde se encontram no momento em que estou escrevendo. 
Desta vez, o navio da Flotilha da Liberdade evitou portos da Grécia, cúmplice direta e indireta da sabotagem israelense de navios humanitários, e atracaram na Itália. Luigi de Magistris, o prefeito de Nápole, permitiu o reabastecimento e "benzeu" a empreitada encontrando pessoalmente a tripulação e os passageiros do Estelle.
A "diplomacia" israelense o pressionara tanto quanto as autoridades de Alicante, Barcelona e La Spezia, para que fechassem os portos ao Estelle.
O que não é novidade, pois é o que vêm fazendo abertamente para bloquear a Flotilha da Liberdade. Cada vez que um navio se aproxima das águas territoriais de Gaza.
Porém, os prefeitos das cidades espanholas e italianas resistiram e seguiram sua consciência em vez de se deixarem intimidar.
Biniamin Netanyahu e Ehud Barak já haviam apelado até para a ONU. À qual seu embaixador, Ron Prosor, ousara solicitar que parasse o navio e um dos ativistas a bordo do Estelle respondeu logo: "Se isto significar que Israel decidiu ceder o controle das águas palestinas às nações Unidas, será realmente um passo adiante". 
Mas não era, é claro.
Tanto que o Primeiro Ministro e o Ministro da Defesa israelense deram um passo atrás rapidinho quando viram o erro tático. E resolveram usar as forças armadas da IDF para fazer o trabalho sujo que só a Grécia, que está mendigando até migalha envenenada, concordou em efetuar.
Os passageiros do Estelle são parlamentares europeus, personalidades conhecidas em seus respectivos países - Canadá, EUA, Noruega, e até de Israel.
O pacifista israelense a bordo do navio humanitário é Yonatan Shapira.
Yonatan foi piloto da IDF. E como tal, recusou-se a participar do bombardeio de cidades palestinas.
Cedo  a palavra a Yonatan e a outros refuzeniks para que expliquem o porquê de porem a ética e a consciência na frente da obediência cega.

Refusenik Yonatan Shapira

Flotilha da Liberdade

Shministim, Omer Goldman - refusenik quando o pai era diretor do Mossad

Vale lembrar que o bloqueio da Faixa de Gaza, além de desumano, é considerado ilegal por todas as instâncias jurídicas internacionais e pelas Nações Unidas, que, apesar disso, cruza os braços e deixa Israel à vontade.

Enquanto a IDF voltava a atacar e os israelenses estão em plena campanha eleitoral, os palestinos votavam em 93 vilarejos e cidades da Cisjordânia.
Os cisjordanianos foram às urnas escolher seus representantes municipais.
O Hamas está ausente. Mas este "boicote" não é assim tão grave. Grave seria se fossem eleições legislativas e presidenciais. Aí, sim, seria uma cisão nacional.
O Fatah respondeu presente em todos os lugares, menos em Ramallah, onde um partido independente, mas próximo, foi vitorioso no pleito.
Os resultados gerais ainda não foram divulgados, mas já se sabe que o Fatah garantiu as prefeituras de Hebron, Tulkarm, e Belém - que terá Vera Baboun, à direita, como prefeita. A primeira mulher a obter um cargo executivo importante na Palestina.
O Fatah perdeu em Nablus e Jenin para candidatos independentes da OLP que são ex-membros. Que se desligaram ou foram desligados do partido e provaram que seus concidadãos estão com eles.
A campanha eleitoral tinha sido mediatizada por as eleições terem sido adiadas duas vezes e por causa da alta porcentagem de candidatAS. Vinte e cinco por cento dos 4.700 candidatos a vereador eram mulheres.
A participação feminina na política legislativa e administrativa não é fato novo na Palestina.
O governo conta com seis mulheres nos 24 ministérios, e o Parlamento de 132 deputados, com 17 vozes femininas. Dentre elas Hanan Ashrawi que é um de seus expoentes.
O que foi novo, foi a reunião de mulheres em partidos independentes fora do Fatah.  
Um partido chamado All Female Party.
Em Hebron, ele foi liderado por Maysoun Qawasmi, de 43 anos, com um otimismo negado nas urnas. Acabou não elegendo nenhuma candidata, mas plantou semente. Por enquanto, os eleitores preferiram apoiar o Fatah, que é um valor seguro em tempos de ocupação.
Aliás, a lei eleitoral palestina obriga a presença de no mínimo três mulheres nas chapas dos partidos, embora as mulheres ainda estejam majoritariamente confinadas às "prendas do lar" - apenas 16% das mulheres palestinas são formalmente empregadas.
A criação do Partido de Todas as Mulheres foi bastante admirada. Até pelos machistas das duas cidades em que apresentaram chapa.
Pois a presença feminina é visível na Palestina.
As mulheres sempre tiveram papel importante no dia dia dos municípios, na administração da família e no plano político.
Foram formigas anônimas diligentíssimas de ambas Intifadas.
Sem elas, nada seria possível.
Sem elas, não daria para a Palestina preservar a história, a dignidade, a herança e o desejo de paz que transmitem aos filhos. Junto com a perseverança necessária à conquista da liberdade.
Por incrível que pareça, o movimento político feminino começou em um vilarejo chamado Saffa. Espremido entre muros israelenses, pertinho da Linha Verde.  
Lá, Ibtisam Mansour, uma senhora de olhar vivo e de sabedoria contagiante, abriu as portas de sua casa - uma construção tradicional rodeada de vinhedos, oliveiras e cacti - à camapnha política feminina, a pedido de Ilham Sami. Uma mulher dinâmica e eloquente, de 48 anos.
Tal mãe, tal filha, a de Ibtisam, Suheir, estilista, logo aderiu à proposta feminino-política. E com Iman, professora, e Fida, mãe de família, formaram o grupo das cinco. Elas se reuniram durante dois anos uma vez por semana para pensar e discutir sobre vários temas concretos que pudessem melhorar a vida dos moradores da região.
Foram elas que inspiraram vocações em Hebron.
Embora as mulheres sempre tenham participado do processo político institucional na Palestina, sua participação, na maioria das vezes, tem sido em um patamar de conciliações familiares em substituição aos homens interditados pela ocupação.
Este partido feminino, não. Elas concorreram com programa próprio e falaram em seu próprio nome.
Seu enfoque foi em planejamento urbano, saneamento, reabilitação de ruas e estradas e força jovem em movimento.
"Consideramos a Câmara de Vereadores um mini-governo. Pretendemos focar nossas atividades em educação, saúde, infraestutura, agricultura, ajudar os marginalizados, como os inúmeros deficientes físicos, que perderam algum membro, ficaram paralisados ou traumatizados com ações da ocupação." Disse a anciã.
A campanha destas cinco candidatas foi séria e movimentada. "Formamos o grupo Mulheres da Cidade em 2010 para mostrar que queríamos que os homens parassem de tomar decisões para nós".
As hebronitas lideradas por  Maysoun pensavam a mesma coisa. Foram derrotadas, mas vão perseverar.
Há décadas que os hebronitas vivem um calvário permanente. Literalmente. E se não fossem as mulheres e sua determinação em ficar custe o que custar, o êxodo seria bem maior do que o presente, o derramamento de sangue seria permanente, e os jovens de hoje teriam crescido com um ódio visceral dos ocupantes que os humilham diariamente.
Não é que as mães, irmãs e filhas sejam medrosas e visceralmente conciliatórias.
É que elas são corajosas e transmitem aos parentes masculinos força, quando fraquejam; medida, quando se exaltam esterilmente; coragem, quando o agressor os tolhe e os põe de joelhos; e o bálsamo curador, quando são presos, humilhados, torturados, estuprados e voltam para casa abatidos e alquebrados.
Sem as mulheres, a Palestina seria um caso perdido.
Com elas, as novas gerações são bem-educadas, mobilizadas e o país progride.
Elas, como sempre, responderam presente, e a eleição de Vera Baboun à prefeitura de Belém representa um avanço considerável.
Sua vitória estava quase assegurada. E não pelo Fatah, e sim por ela.
Vera é professora universitária e ativa em ONGs humanitárias importantes em sua cidade. É conhecida, respeitada e seu programa é esmerado.
Pretende incrementar o turismo na cidade para garantir divisas e progresso.
Para isto, precisa da ajuda de todos os cristãos que seguem os passos de Jesus Cristo até Belém.
Portanto, volto a pedir encarecidamente. Quando for ou souber de alguém que vá peregrinar pelos sítios cristãos na Cisjordânia, insista com o agente de viagens que o circuito local seja organizado ou pela Green Olives - se quiser fazer também um turismo informativo, ou por uma agência de turismo palestina - cujos guias conhecem realmente os sítios dos quais são nativos.


Centro Palestino de Turismo: http://travelpalestine.ps/
Agência de Turismo Green Olives: http://www.toursinenglish.com/
Reservista da IDF, Forças de ocupação israelense, breaking the silence:
"....I recall we were in Hebron and we had a whole collection of car keys in our jeep. And IDs. Guys would take IDs from Palestinians and not give them back.
Were there instances at the checkpoints of bribery, like cigarettes, food, money, humiliation, tasks?
That happened all the time. People would receive things, from cigarettes and food… There was a checkpoint in Hebron. I forgot which. Some little checkpoint in Hebron, don't remember where.
In town or outside?
Outside. There were lots of commercial vehicles. The soldiers in the platoon would compete who manages to squeeze the most out of people. Starting with Coke trucks… They would make them stand there until… harass them until the Arab would realize he had to take down something. At the post above the checkpoint there were 5 soldiers. There was a platoon that would man the post and checkpoint and they were the only ones who did the checkpoint. At that post there were whole cases of Coke and Arab snacks, and this got out to the platoon commander, like he knew it was happening. But okay… No, why shouldn't the soldiers get snacks, any car that was carrying stuff, 85-90% certainty the driver would give the soldiers something. Drinks, food, stuff like that."

Nenhum comentário:

Postar um comentário