domingo, 14 de outubro de 2012

Israel vs Palestina: História de um conflito XXI (02 2002)


No dia primeiro de fevereiro uma pesquisa de opinião feita em Israel, revelou a primeira queda de popularidade do primeiro ministro. 48% de opiniões favoráveis e 43% desfavoráveis.
Ariel Sharon não viu a porcentagem como um veto, mas sim com a ótica que o caracterizava - endureceu o tom e a força das armas.
Três dias depois mandou matar mais quatro resistentes da FDLP (Frente Democrática para a Libertação da Palestina). Subiu então para oitenta, o número de dirigentes palestinos vítimas da política de assassinatos que, em novembro de 2001, o general Ehud Barak iniciara.
No dia 07, o primeiro ministro israelense fez sua quarta visita a George W. Bush - Yasser Arafat ainda não recebera nenhum convite para ir a Washington. Ninguém parecia interessado em escutar a versão palestina dos fatos.
Sharon e Bush desfilaram sorridentes e na Palestina os sorrisos das fotos atingiram o povo como uma punhalada nas costas.
No dia 08 de fevereiro um ativista entrou em uma invasão judia armado e matou um soldado. Escondeu-se em uma casa e na troca de tiros a ocupante da casa foi morta com a filha.
Embora o palestino não fosse diretamente responsável pela morte das duas colonas judias, a IDF voltou ao ataque com seus F-16 no dia seguinte.
O alvo escolhido para os mísseis foi o presídio do complexo administrativo da Autoridade Palestina em Nablus, usado para os presos político-militares.
O ataque resultou em onze feridos graves, os palestinos ferveram de raiva, mas a paciência de muitos israelenses também chegara ao limite. Ariel Sharon estava longe de ser apoiado em massa.
Foi o que cerca de dez mil pessoas demonstraram no dia 09 de fevereiro quando responderam presente ao apelo de uma coalição de movimentos pacifistas encabeçada pelo jornalista Uri Avnery, da ONG Gush Shalom.
A passeata contou com a participação de objetores de consciência e de movimentos árabes israelenses, parou Tel Aviv e mostrou ao primeiro ministro onde estavam os 43% que estavam fartos de sua campanha de ocupação e violência.
A mensagem foi firme e clara, mas as centenas de israelenses não conseguiram dissuadir Sharon de continuar sua empreitada assassina e suicidária.
As investidas da IDF continuaram.
E os movimentos de resistência reagiram com um dos golpes esporádicos que punham em ptrática.
No dia 11, dois resistentes saltaram do carro na frente de um quartel israelense no sul de Beersheba e  atiraram nos soldados que estavam de guarda. Mataram dois, feriram cinco e perderam a vida na troca de balas.
Aí os aviões de combate da IDF voltaram ao ar para "retaliar" a morte dos soldados.
Os mísseis foram lançados bem do alto para não correrem nenhum risco no confronto corporal. Visaram um complexo de segurança próximo do escritório de Yasser Arafat na área de Jabalya, na Faixa de Gaza.
O massacre foi evitado pelo reflexo que os funcionários tiveram de esvaziar os prédios quando os aviões sobrevoaram para localizar o alvo.
As bombas caíram nos edifícios desertados e os reduziram a pedaços. Os caças aproveitaram para terminar de destruir uma fábrica de ferro já atingida em campanhas anteriores.

No dia 12 a IDF investiu uma cidadezinha com tropas e caterpillars armados.
Após cinco horas de terror e demolição desvairada, foram embora deixando um morto e vários feridos.
No dia seguinte, Tel Aviv ameaçou estabelecer mais "zonas de segurança" na Faixa de Gaza para isolar os gazauís e proteger os colonos judeus e os habitantes das cidades isralenses vizinhas.
A operação em que cinco policiais palestinos foram assassinados incluiu o bombardeio de Deir al-Balah, Beit Hanun e Beit Lahiya.
À imprensa, a investida foi apresentada como uma retaliação a dois foguetes lançados pelo Hamas na véspera, sem prejuízo.
No dia 14, em uma operação militar, os palestinos explodiram um tanque em Gaza matando os três soldados que o ocupavam.
Em retaliação, a IDF bombardeou uma cidadezinha na Cisjordânia matando um senhor e deixando vários feridos graves.
Ariel Sharon parecia incontrolável.
Portanto, no dia 17 as ONGs pacifistas voltaram às ruas de Tel Aviv a fim de tentar sacudi-lo com palavras.
Milhares de pessoas expuseram, através de slogans e cartazes, seu desacordo com a ocupação e a violência nos territórios palestinos - a pesquisa que seguiu a passeata revelou que a popularidade de Sharon caíra mais ainda. Passara a 35% de satisfeitos contra 60% de insatisfeitos.
No mesmo dia; o príncipe saudita Abdallah revelou ao New York Times uma oferta de paz que previa "uma normalização total do mundo árabe com Israel em troca da retirada completa da IDF de todos os territórios palestinos ocupados incluindo Jerusalém, em acordo com as resoluções das Nações Unidas".
Esta iniciativa suplantava a do plano do rei Rahd de 1981 - este se limitava a reivindicar "o reconhecimento de direito de todos os Estados da região de viver em paz".
À barganha econômica, o príncipe saudita uniu no dia seguinte uma proposta de normalizar, pela primeira vez na história dos dois países, as relações diplomáticas com Israel. Caso Ariel Sharon procedesse à retirada total dos territórios ocupados.
Shimon Peres foi tentado, já que o domínio econômico regional de Israel era o que o motivara a aderir ao processo de paz nos Acordo de Oslo. Entretanto, não conseguiu tentar o primeiro ministro com a perspectiva de milhões de dólares petroleiros entrando no caixa de Tel Aviv.
Ou talvez Sharon já soubesse ou suspeitasse que mais cedo ou mais tarde os EUA conseguiriam o que o príncipe prometia, sem ele ter de parar sua limpeza étnica e expansão territorial.
Diante da irredutibilidade do primeiro ministro, dois bombas-suicidas explodiram junto com quatro israelenses e a IDF esbaldou-se em um bombardeio que deixou onze palestinos mortos e um monte de feridos espalhados nas calçadas.
No dia 19 chegou um troco acanhado, considerando o número de vítimas que os palestinos recolheram das calçadas.
Um colono foi morto em Belém. A cidade foi sitiada, maltratada, mas enquanto isto, o Tanzim atacava em outra parte. Em uma barreira da IDF perto de Ramallah, seis soldados morreram em uma operação defensiva da ala militar do Fatah.
Poucas horas depois as Forças de ocupação reagiram com toda potência bélica. Varreram as ruas com bombas, balas e em poucas horas os palestinos já contavam 28 mortos e os feridos iam sendo cuidados na medida do possível, já que não havia lugar onde se estivesse a salvo.

No dia 20 as tropas invasoras investiram uma cidadezinha dando cabo de um homem em retaliação a uma bomba que destruiu um de seus tanques em Gaza matando três soldados.
Os ataques da IDF que seguiram fizeram 28 vítimas fatais e deixaram vários feridos.
No dia 21 Ariel Sharon fechou o cerco anunciando que ia estabelecer zonas de segurança ao longo da Linha Verde, além das cercas de arame farpado que concentram os gazauís na Faixa.
A Comissão de Direitos Humanos entendeu o perigo e a ONU preconizou o envio urgente de observadores internacionais aos territórios ocupados. Desta vez, para proteger os palestinos confrontados "ao uso excessivo" de força do exército e da polícia israelense.
Yasser Arafat, em sinal de boa vontade, mandou prender em Ramallah dois suspeitos do assassinato do ministro israelense de turismo, morto em outubro de 2001. Mas não bastava.
Em vez de acalmar-se, Sharon voltou à carga retomando o assunto das zonas de segurança ao longo da Linha Verde, ou seja, as barreiras de arame farpado eletrificado e muros de concreto armado.
E proibiu Arafat de deixar Ramallah.
No dia 23, um resistente palestino matou seis soldados em uma barragem na Cisjordânia e poucas horas depois Ariel Sharon voltou a mostrar do que era capaz.

Os Apaches da IDF retornaram ao ar e visaram alvos estratégicos na Cisjordânia. Inclusive a residência de Yasser Arafat, que escapou por pouco de um míssil que visava seu quarto.
O líder palestino saiu ileso do atentado, mas a bomba destruiu o cômodo destinado aos seus seguranças, que também estavam em outras salas.
Contudo, até o fim do dia, o ataque fez treze vítimas fatais. Civis atingidos nas diversas investidas e bombardeios do dia.
A resistência palestina foi ficando cada vez mais preocupada com a segurança de Arafat e sobretudo, revoltada com o ataque pessoal de seu líder.
Quanto ao general Ariel Sharon, mandou batalhões do exército penetrarem pela primeira vez n Faixa de Gaza - durante os 17 meses precedentes as ofensivas tinham sido apenas da alçada da aeronáutica.
Houve uma tentativa de resistência dos militantes do Fatah e do Hamas, um deles morreu no checkpoint, asism como um soldado das Forças de ocupação, e a ira dos atacantes dobrou.
Os tanques e as tropas percorreram a Faixa atirando no que encontravam e no fim da incursão tinha cinco palestinos mortos, mais de cinquenta feridos e o pânico era total nas casas de portas trancadas.
No dia 27 a bomba-suicida de 21 anos, Dareen Abu Aisheh, de Beit Wazan na Cisjordânia explodiu na barragem Maccabim, no caminho de Jerusalém. Espedaçou-se e feriu levemente dois soldados.
No dia 28 a IDF vingou seus feridos lançando assaltos aéreos brutais contra os campos de refugiados de Balata, perto de Nablus, e de Jenin.
O balanço foi de 21 palestinos mortos - os feridos nem foram contados - e a IDF perdeu dois soldados.
Na ONU, no mesmo dia, os Estados Unidos vetaram no Conselho de Segurança a demanda palestina da proteção de uma Força Militar das Nações Unidas.
Mais um vez a Casa Branca fechou a porta da paz ao dar ouvidos à insensatez de seu aliado.


Entrevista de Jon Elmer com Uri Avnery. 2 
Elmer: According to the US-Israel alliance, it is the Palestinians - more specifically, it is Arafat - who must take the initiative in ending the "cycle of violence".
Edward Said has commented: "Since when does a militarily occupied people have responsibility for a peace movement?" Is it the responsibility of the Palestinians to end the violence?
Avnery: Violence is part of the resistance to occupation.  The basic fact is not the violence; the basic fact is the occupation.  Violence is a symptom; the occupation is the disease - a mortal disease for everybody concerned, [both] the occupied and for the occupiers. Therefore, the first responsibility is to put an end to the occupation.  And in order to put an end to the occupation, you must make peace between the Israeli and Palestinian people.  
This is the real aim, this is the real task.

Reservista da IDF, Forças israelenses de ocupação
 Shovrim Shtika - Breaking the Silence 2
Global BdS Movement: http://www.bdsmovement.net/


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