domingo, 28 de abril de 2013

Israel vs Palestina: História de um conflito XXXII (01-04 de 2003)


Em 2003, no Oriente Médio, o sangue foi derramado pela primeira vez no dia 02 de janeiro.
No sul da Faixa de Gaza, soldados mataram três meninos palestinos de 13, 14 e 15 "porque estavam caminhando perto" da colônia judia Eli Seinai, segundo o porta-voz da IDF.
No dia 04, Tony Blair, então Primeiro Ministro britânico e um dos homens que mais cutucavam Yasser Arafat, organizou uma reunião durante a qual os palestinos se comprometeram a apresentar uma nova constituição e um projeto de reforma administrativa.
No mesmo dia Amram Mitzna, candidato do Partido Trabalhista de Israel, anunciou que recusaria participar de um governo de união nacional liderado por Ariel Sharon.
Sua ameaça não soou como queria que soasse. A batalha de Sharon estava ganha.
No dia 05, dois bombas-suicidas das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa explodiram no centro de Tel Aviv em hora de ponta.
Feriram cerca de cem passantes e levaram consigo 23 vítimas.
No dia seguinte a IDF retaliou aterrorizando os cisjordanianos com revistas de casas, violência dobrada nas barragens e na Faixa de Gaza. Onde bombardearam uma fábrica de metal e demoliram casas em Rafah.
O troco desmedido não parou lá. 
No dia 19, a IDF voltou a bombardear Gaza matando quatorze pessoas e ferindo cinco vezes mais.
Mas não bastava.
Desde 1994 que a IDF só atacava Gaza do alto. 
No dia 26, a IDF organizou a primeira operação terrestre desde essa data. Matou doze gazauís e feriu tantos e tantos.
No dia 27, Israel começou a construir o muro de separação no monte Gilboa, engolindo um pedaço da Cisjordânia.

Ariel Sharon estava dando um gostinho aos eleitores do que seria seu novo mandato, caso fosse eleito.
E foi.
No dia 28 o Likud ganhou as eleições com 37 deputados.
A derrota do Partido Trabalhista foi grave. Elegeu só 19 representantes no Knesset, perdendo 6 deputados. Até então, a pior derrota de sua história.
O partido laico Shinui ganhou 17 cadeiras. Fato inusitado.
Ariel Sharon e sua política foram sancionados sem serem de verdade. A maioria o apoiava.
O general interpretou como uma carta branca para continuar a perseguir Yasser Arafat sem conseguir esmagá-lo e a derrubar casas, desapropriar terras, erguer muros e colônias.
Para isto precisava de apoio irrestrito do Knesset e disse estar pronto a compor um governo de "união nacional".

Em fevereiro, cedendo às pressões internacionais que o sufocavam, Yasser Arafat concordou em nomear um Primeiro Ministro.
Enquanto olhava em volta para encontrar um que não o apunhalasse pelas costas, mais quatorze de seus compatriotas morreram em um bombardeio de Gaza e dezenas foram feridos.
No dia 21, Mahmud Abbas, ou melhor, Abu Mazen, braço direito de Arafat anunciou, em nome do líder, a decisão palestina de "desmilitarizar" a Intifada durante um ano.
Uma semana após esta mão estendida para a trégua que ambos os povos queriam, Ariel Sharon aliou-se ao partido nacional religioso (o outro, Shas, de judeus sefaradis, foi descartado) e à União Nacional, de extrema-direita.
Formou o governo "de união nacional" com os extremistas e passou a contar com 68 votos dos 120 parlamentares do Knesset.
A mão que Yasser Arafat estendia ficaria no ar.

No dia 03 de março, a IDF matou mais oito palestinos e feriu muitos em um bombardeio aéreo de Gaza. Apesar dos panos quentes de Arafat, o Hamas achou que trégua unilateral não levava a nada e prometeu represália.
No dia 05, um bomba-suicida explodiu um ônibus em Haifa levando consigo dezessete pessoas e deixando atrás de si cerca de quarenta feridos.
Este atentado pôs fim à trégua unilateral, de ataques dentro de Israel, que os palestinos vinham respeitando há dois meses.
No dia seguinte, a IDF retaliou bombardeando Jabalya, na Faixa de Gaza. Matou onze palestinos e atingiu dez vezes mais.
Na mesma campanha, no dia 08, o Shin Bet assassinou Ibrahim al-Maqadmeh, um dos fundadores do Hama. Em plena cidade. Seus três guarda-costas morreram com ele em Gaza onde a bomba israelense atingiu vários passantes.
No dia 16 de março, um soldado da IDF esmagou a sangue frio a ativista estadunidense Rachel Corrie, do International Solidarity Movement, em Raffah, no sul da Faixa de Gaza.
No dia 19, pressionado por todos os lados, Yasser Arafat cedeu o terreno que seus oponentes reclamavam.
Nomeou Abu Mazen, Mahmoud Abbas - numéro 2 da OLP e pragmático notório - Primeiro Ministro da Autoridade Palestina.
Porém, conservou o controle direto das forças de segurança e das finanças.
No dia 30 de março, um bomba-suicida do Jihad Islamita explodiu em um restaurante em Netaniya.
Morreu sozinho. Mas deixou cinquenta e oito feridos.
O mês terminou com mais este desastre. 

Abril passou rapidinho, nos preparativos para a investitura de Abu Mazen nas rédeas de um governo exaurido de energia e de fundos.
No dia 30, o Quarteto (Estados Unidos, Rússia, União Europeia e Nações Unidas) puseram Yasser Arafat de escanteio e reuniram Mahmoud Abbas e Ariel Sharon para entregar-lhes o Road Map for Peace (intraduzível).
Este plano de estabelecimento de um Estado Palestino compreendia três fases.
A Primeira deveria ser implementada já em maio.
Ela estabelecia que em troca do direito ao Estado, os palestinos teriam de "parar com a violência", fazer reformas políticas democráticas e organizar eleições; os israelenses teriam de retirar-se militarmente das cidades palestinas e congela as invasões judias na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
A Segunda, entre junho e dezembro.
Planejava: um Encontro Internacional para apoiar o restabelecimento da economia palestina e iniciar um processo que culminaria na criação de um Estado da Palestina independente com fronteiras provisórias (estas não eram mencionadas); a retomada de compromissos multilaterais sobre questões regionais, tais quais a dos recursos hídricos, meio-ambiente, desenvolvimento econômico, refugiados e controle de armas (palestinas); o restabelecimento de relações comerciais dos países árabes, interrompidas durante a Intifada.
A Terceira, entre 2004-2005.
Previa um segundo Encontro Internacional; um entendimento permanente e fim do conflito; acordo sobre as fronteiras finais; esclarecimento da controvertida questão de Jerusalém, dos refugiados palestinos e das invasões-assentamentos israelenses nos territórios ocupados; aceitação dos países árabes de pactos de paz com Israel.
Abu Mazen logo concordou com o Road Map, sonhando com o Estado Palestino e em dormir em paz; sem enxergar de imediato o "leão invisível".
Ilusões foram renovadas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e os palestinos antecipavam em bate-papos animados como seria viver livre e deixarem de ser apátridas em suas terras ancestrais.
Mas como veremos em seguida, o Road Map for Peace não passaria de mais uma farsa.


Reservista da IDF Shovrim Shtika - Breaking the Silence 
"We moved our company to a post inside Ramallah. It was a house of a family who stayed there as well, and we were there for two months. They stayed, they were in a room, he used to go to work at his pizzeria in Manara square every morning.
Was it open? The city was open?
The city was. It was a long period, so, even when there was a curfew, sometimes there wasn't a curfew. I remember driving the armored personnel-carrier in the heavy traffic. I would drive around Manara square and honk to the drivers to move. It was crazy.
What did we have?
We set up a post, brought beds, in his house. They lived upstairs, we lived downstairs.
They lived upstairs?
They lived up, we lived down. We were down and we had a sharpshooters' post and an observation post upstairs and across the street. Every time they wanted to go out they would knock on the door quickly and if someone heard them he would open and ask what happened, and maybe let them out and maybe not.
What do you mean, maybe let them out and maybe not?
Depends. It was the duty officer's decision on the spot. We were there a long time. I was there in that room; we were in that building."
Reservista da IDF, forças israelenses de ocupação,
Shovrim Shtika - Breaking the Silence - 1



Global BdS Movement: http://www.bdsmovement.net/

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