domingo, 10 de janeiro de 2016

Rogue Israel vs Faixa de Gaza: Genocídio programado

Um ser humano que honra o juramento de Hipócrates servindo voluntariamente em Gaza, conta que três anos atrás, um adolescente gazauí sofreu um acidente que só pode acontecer lá (e em Beirute pós-bombardeio e durante ocupação israelense) e por isso morreu, bestamente.
O garoto caiu acidentalmente do terceiro andar, de seu apartamento sem parede, bombardeada em 2012 e sem conserto por causa do bloqueio. Foi levado para o serviço de emergência (sempre lotado) do hospital al-Shifa, o maior da Faixa. A partir daqui deixo o médico canadense contar a história: "I began inserting a chest tube to drain the air and blood that had accumulated outside of the boys lungs - a procedure that usually takes only a few minutes to complete. With the power out, however, I struggled to operate because I couldn't see. I was trying to put this [chest tube] in, in the dark. What would have normally taken me five minutes or less, took me about 25 to 30 minutes to complete, and the boy died... because of womething that was easily preventable. He could have survived, had I been able to see what I was doing. People are dying in Gaza quite often, regularly, every single day because of the lack of electricity."
O depoimento de Ben Thomson é um entre centenas que os médicos estrangeiros prestam à imprensa tentando mostrar que o número de mortos decorrentes das operações militares de Israel nos territórios palestinos ocupados não terminam quando acordos de cessar-fogo são assinados. Muito pelo contrário. Além dos bombardeios esporádicos das cidades e dos ataques aos navios pesqueiros quase diários, centenas de menores e recém-nascidos continuam a sofrer as consequências das bombas fragmentadas, cujos 'filhotes' explodem por toda parte; das armas químicas; da falta de energia, de combustível; de subnutrição; trocando em miúdos, da ocupação e do bloqueio.
Em 2016, a Naqba completa 68 anos e a política genocida visível de Israel na Faixa de Gaza completa uma década.
Aproveito então o início do ano para lembrar que o Daesh, comparado com a IDF, é aprendiz de feiticeiro. El Baghdai aplica uma crueldade desordenada, e ostensiva, como Hitler, a fim de atingir seus objetivos.
Netanyahu (e seus entecessores) têm as costas quentes e procedem a uma limpeza étnica maquiavélica, de chacina rápida explícita a extermínio lento imperceptível, em superfície.
É para não deixar a hasbara prevalescer que entro o ano fazendo um balanço sobre o enclave palestino espremido (literalmente) entre Israel (prolongado por uma buffer zone - zona tampão que surrupia mais 44 por cento da já exígua Faixa que sobrevive graças à intervenção divina) e o Mar Mediterrâneo, cujas águas territoriais de 12 quilômetros foram reduzidas pelo ocupante em apenas três, nos quais os pescadores são constantemente agredidos, detidos e destituídos dos meios de vida própria e de seus compatriotas.
(Talvez antes de ler este artigo, quem ainda não leu queira ler um mais antigo, de 12/02/12,  onde apresento a Faixa sob outro prisma)

Em 2006, logo após a vitória do Hamas nas eleições gerais, Dov Zeiglass descreveu da seguinte maneira a resposta de Tel Aviv à punição do voto palestino no exercício da democracia: "The idea is to put the Palestinians on a diet, but not to make them die of hunger" / "A idéia é pôr os palestinos em 'dieta' sem matá-los de fome."   
Na época, este comentário (abusado e abusivo) do conselheiro do então primeiro ministro Ehud Olmert foi interpretado como uma hipérbole para caracterizar o bloqueio que seu país estava começando a impor ao minúsculo enclave palestino já em processo de estrangulamento.
Mais tarde, o quadro clínico provou que a frase acima, assim como outras do mesmo gênero pronunciadas on e off the record por autoridades israelenses, não eram hipérboles nem metáforas e sim conceitos da estratégia política que desde então Israel vem implementando na surdina. Com sucesso de dar inveja a Adolf Hitler e a seus assessores de imaginação tida por fértil, no tocante a limpeza étnica.
Só seis anos após este rompante de Zeiglass que uma longa batalha jurídica de ONGs internacionais de Direitos Humanos forçou Tel Aviv a expor suas intenções e ações reais no documento 'Red Lines' que estabelece diretivas do Ministério da Defesa de como 'tratar' a Faixa com base em dados fornecidos pelo Ministério da Saúde (!) que calculou o mínimo de calorias que os 1.5 milhões de habitantes da Faixa precisavam para não apresentarem sintomas visíveis de subnutrição.
As taxas foram então traduzidas em número de caminhões de aprovisionamento cuja entrada na prisão os burocratas facínoras autorizariam.
Na época, até o jornal israelense Haaretz descreveu esta política extremista de controle de calorias como feita para "make sure Gaza didn't starve". Matar Gaza de fome, mas em um processo de debilitação paulatina, de definhamento dia a dia, invisível aos olhares pouco perspicazes (ou desinteressados) da comunidade internacional.
Segundo o ministério da 'saúde' israelense, os gazauís precisavam de uma média diária de 2.279 calorias para que sua subnutrição fosse apenas interna. Para atingir tal objetivo, era preciso que 170 caminhões aprovisionassem a Faixa diariamente.
Número que na prática foi reduzido, logo no início, por alguns membros do governo o acharem 'excessivo'.
No final das contas, apenas 67 caminhões chegavam ao destino - antes do bloqueio, 400 abasteciam a Faixa diariamente para que a demanda de alimentos básicos fosse satisfeita.
Portanto, além do bloqueio privar os gazauís de alimentos imprescindíveis ao organismo, ele impedia também que tais produtos fossem cultivados e produzidos localmente, já que impossibilitava a entrada de sementes, galinhas, várias matérias primas e maquinário necessário ao bom funcionamento de lavouras e indústrias.
Sem contar que nem esta irrisória quota de 67 caminhões foi podia entrar no enclave porque os soldados israelenses detinham as cargas de alimentos no sol durante horas nos postos de acesso à Faixa - às vezes até deixando as portas abertas para acelerar o apodrecimento dos produtos perecíveis -  e estes chegavam aos armazéns estragados.
Para completar a maldade, Israel 'ajustou' a fórmula para que as cargas de comida pobre em nutrientes fossem dobradas  e as de laticínios, frutas e legumes fossem cortadas pela metade.
Robert Turnerm, diretor de operações da UNRWA (agéncia da ONU responsável pelos refugiados palestinos) observou então que "The facts on the ground in Gaza demonstrate that food imports consistently fell below the red lines". Mas ninguém tomou providências para impedir o crime contra a humanidade.
Como era de se esperar, a hasbara foi posta em marcha e Israel protestou que o Red Lines "jamais seria implementado". Ninguém acreditou e até quem 'acreditou' no inacreditável foi obrigado a perguntar: If the polititians and generals were advised by health experts that Gaza needed at least 170 trucks a day in order to not starve, why the hell they oversee a policy that allowes in only 67? 
Ninguém duvidava que as carências protéicas e a subnutrição registradas na Faixa eram causadas pela 'dieta' preconizada no Red Lines.
Era claro também que a 'dieta' era uma punição coletiva coletiva da população inteira.
Resultado de imagem para gaza malnutritionMas a grande mídia só dedicou algumas linhas ao drama palestino no enclave quando um idôneo funcionário da Cruz Vermelha encaminhou à imprensa o relatório (confidencial) da Cruz Vermelha que confirmava a gravidade do problema: "Chronic malnutrition is on a steadily rising trend and micro-nutrient deficiencies are of great concern".
Isto foi no início de 2008...  E ficou por isso. Por quê?

Por quê?
Porque os Estados Unidos e os demais cúmplices de Israel deram ouvidos ao argumento do general Ehud Barak que o objetivo de tal medida 'aparentemente' cruel era "wage economic warfare that would generate a political crisis, leading to a popular uprising against Hamas."
Advogados chamaram esta frase do War Lord israelense de litigância de má-fé. Eu acho que era mesmo uma visão deformada da realidade. Deformada por uma projeção errônea do caráter palestino, de que sob pressão e esformeados renunciaram ao território que lhes cabe.
Dito isso, quaisquer que fossem os pensamentos traduzidos nesta frase, essas artimanhas e os bombardeios sucessivos provaram que a evacuação dos col:onos e da administração israelennse da Faixa de Gaza em 2005, em vez de marcar o fim da ocupação, marcou o oposto. De fato, Tel Aviv intensificou o monitoramento da vida dos palestinos presos no enclave nos mínimos detalhes. Drones policiam dia e noite o presídio a céu aberto; os celulares não fornecem nenhuma privacidade, os telefones fixos são grampeados sem consulta do judiciário; cada garfada e cada gole d'água insalubre que entra na boca de um palestino  é calculada à risca para que se envenene toda vez que mata a sede e a fome; a energia é racionada abaixo do suportável e o combustível  permitido está aquém do necessário ao aquecimento de hospitais, escolas e lares, como denunciam os médicos estrangeiros voluntários.
E é mais do que provável que existam outros documentos secretos, além do Dahiya Plan*, que ainda não tenham vazado. "The Dahiya doctrine is a "security concept", as the Israeli army termed it, involving the wholesale destruction of a communisty's infrastructure to immerse it so deeply in the problems of survival and reconstruction that other concerns, including fighting back or resisting occupation, are no longer practicable. Seen in this context, Weisglass' "diet" can be understood as just one more refinement of the Dahiya doctrine: a whole society refashioned to accept its subjugation through a combination of violence, poverty, malnutrition and a permanent struggle over limited resources. This experiment of Palestinian despair is both illegal, it goes with saying, and grossly immoral," definiu-o bem o colega Jonathan Cook.

Quando os outros forem descobertos, ver-se-á certamente outras experiências de engenharia social genocida. Afinal, os israelenses aprenderam bem com os nazistas e se aperfeiçoaram ainda mais durante as décadas de ocupação em que puderam testar armas químicas (urânio empobrecido, fósforo branco e sabe-se lá o que mais) e convencionais (bombas a fragmentação, etc.) nos libaneses e nos palestinos antes de junto com seu padrinho semearem zizania e morte pelo mundo. Aliás, ouve-se nas altas esferas que Gaza é um "testing ground" para o mercado mundial israelense e estadunidense de armamento.
É bem provável que futuros historiadores descubram que cientistas sionistas calcularam também o mínimo de horas e minutos que os palestinos precisavam para sobreviver em Gaza; a lotação humana in/suportável; o nível de desemprego in/tolerável; quantos goles d'água mantêm a máquina sem que pare, já que determinaram que o grau de insalubridade provoca doenças crônicas e atrofia física e mental, sem matar.
Pois deve ter sido estes mesmos calculistas da desumanidade que aconselharam a IDF, em 2006, a bombardear a única central elétrica da Faixa e a impedir que fosse devidamente consertada. Os mesmos que se opuseram à central de desalinisação da água - única saída para os gazauís obterem água potável, já que os colonos judeus deixaram atrás de si as fontes exauridas e poços contaminados. E devem ser eles que estão por trás do banimento dos camponeses das áreas agrícolas, no propósito de super-popular ainda mais as cidades e os campos de refugiados já lotados. E a lista de cálculos científicos do mal é interminável em Gaza, incluindo a proibição da pesca**;  a proibição de exportação das flores e outros produtos que levavam divisas para a Faixa. O propósito é claro, destruir o comércio e a iniciativa privada para obrigar a população a dobrar o joelho e mendigar ajuda internacional.
O pior é que Israel está conseguindo realizar seu plano de exterminação sem ser incomodado.
Um relatório das Nações Unidas (Gaza in 2020 - A livable place?) divulgado em 2012 previa que em 2020 a população da Faixa chegasse a 2.1 milhões de pessoas. Mais de 60% destas, menores de 15 anos. Dois milhões que viverão trancadas no espaço mais populoso do planeta, sem recursos, caso o bloqueio e a ocupação continuem.

E por que Israel está praticando este genocídio?
Por simples ódio infundado e racismo como o de Hitler pelos Israelitas?
Também. Mas não apenas.
É também pelo vil metal.
O que neste caso é representado pelo ouro negro que desperta a cobiça de Tel Aviv, de seus comparsas estrangeiros, e também de países árabes que, por cobiça própria, poderiam complicar os planos de exterminação já em andamento.
É difícil acreditar que o Qatar esteja abrigando Khaled Meshaal (presidente do Hamas) por solidariedade...
Mas enquanto os ditadores árabes insasiáveis não mostram as caras às claras, é chocante ver os gazauís passarem sede e fome sabendo da riqueza petroleira que possuem em suas águas territoriais.

As reservas foram descobertas em 2000. Lembro que Yasser Arafat regozijava, repetindo: É um presente de Deus! Que vai puxar nosso povo pro alto!
Deve estar tremendo na cova. Pois em vez disso, puxou seu povo pra mais baixo ainda.
Pois em vez disso, Abu Amar (Arafat) foi assassinado e Israel acelerou a militarização das águas territoriais da Faixa, alegando que era para proteger seus valiosos recursos, sabotando, concomitantemente, qualquer possibilidade dos palestinos acederem ao patrimônio que lhes cabe de direito.
Foi por isso que Tel Aviv restringiu as águas territoriais da nação ocupada que tem o direito de 12 milhas náuticas e ficou reduzida a apenas três. Além de ataca os pescadores diairiamente. Netanyahu nem se lembra (...) de ter prometido ao Hamas no acordo de cessar-fogo do ano passado, que devolveria aos palestinops suas águas territoriais. Os ataques estão cada vez maisfrequentes e violentos; daí o protesto organizado no fim do ano passado.


Em 2014, a Marinha israelense abriu o jogo ao declarar em um jornal de negócios que todos os pesqueiros palestinos que trafegassem perto de sete milhas náuticas de 'suas' plataformas de petróleo seriam "interceptados".
E é o que a Marinha ocupante faz, a fim de seus técnicos roubarem as riquezas naturais palestinas sem serem perturbados.
Portanto, enquanto Israel prepara a plataforma Leviathan o debate que inflama as altas esferas sionistas é se a IDF vai reforçar a já potente Marinha. Isto além do contrato de US$470 milhões assinado em maio com a Alemanha para a compra de quatro novos navios de patrulha armados, e do vergonhoso acordo de cooperação militar com a Grécia(, cujo governo de esquerda vendeu a alma pro diabo.
Tudo isso sem pagar um centavo aos donos das águas territoriais em que instalou gasodutos como o El-Arish em plenas águas do bloqueio naval ilegal de Gaza. Desde 2008 que o Egito o usa para transferir gás para Israel, fornecendo ao rogue state 40 por cento do consumo nacional. Enquanto a entrada de quase nenhum combustível é autorizada na Faixa.
Nesse ínterim, a British Gas assinou um contrato com Mahmoud Abbas e vem negociando com Binyamin Netanyahu o direito de prospectar e de exportar o gás palestino.
O problema é que quando o Hamas ganhou as eleições legislativas, Abbas já pisara na bola, ao negociar com o primeiro ministro israelense da época, Ehud Olmert, o depósito das divisas em uma conta secreta de um paraíso fiscal à qual só a AP teria acesso... Tudo acabou em pizza porque a maior dependência da Palestina com Israel é no plano de energia. Dependência que Israel quer manter custe o que custar, para o ocupado.
(Aliás, Mahmoud Abbas passou da hora de aposentar-se. Só vem causando estrago. Como questiona Lamis Andoni no artigo cujo link ponho abaixo: "Quando uma liderança, eleita ou não, busca legitimidade através da potência ocupante, ela perde automaticamente a legitimidade." Abu Mazen, que foi companheiro de Abu Amar na OLP, deixou de existir há anos. Talvez antes mesmo de assumir o comando. OU talvez sempre tenha sido apenas Mahmoud Abbas, temeroso, conciliador, fraco. Cada vez que vai à ONU, renova esperanças que ele mesmo mata. Barghouti, já!)

A moral da história é que a descoberta de ouro negro nas águas territoriais palestinas só serviu como um prextexto a mais à ocupação e só proporcionou oportunidades a Israel. A maior foi de, com a cumplicidade internacional, manter os palestinos prisioneiros no minúsculo enclave em que aplica a doutrina Dahiya de vez em quando para poder melhor escravizá-los
Escravidão que algumas vozes combatem.
Em um novo relatório, a ONG de Direitos Humanos Al-Haq denuncia: "A apropriação ilegal, expropriação e obstrução da exploração palestina do próprio petróleo e gás constitui pilhagem e quebra do direito de auto-determinação nacional do povo palestino".
E o Annexing Energy aproveita para denunciar os cúmplices de Israel, multinacionais e Estados, inclusive membros da União Européia, que assinam acordos com Israel referentes às plataformas Tamar e Leviathan, "apoiando e aproveitando o bloqueio ilegal das águas territoriais palestinas."
Pois é, no frigir dos ovos, a moral não pesa nada na balança dos petro-dólares.

Quem se preocupa com a nova descoberta de médicos palestinos que as toxinas que Israel despeja em Gaza através de suas bombas químicas e tradicionais estão provocando doenças congênitas que já vêm sendo diagnosticadas em meninos e em recém-nascidos?
Como prova, a Dra. Shirine Abed divulgou rm outubro de 2015 uma análise de doenças cardíacas congênitas baseada em crianças admitidas na UTI do hospital al-Naser logo após as operações militares israelenses em Gaza. This could be attributed to the environmental toxins they are exposed to during the wars. All of us here are exposed to toxins that are carcinogenic, but babies are particularly vulnerable in the first three months of gestation.”
Seu estudo foi confirmado por um casal que perdeu um bebê de 12 dias em abril de 2009. A mãe, Rola, estava grávida de cinco meses quando a IDF regou a Faixa e sua casa com fósforo branco e sabe-se lá o que mais.After the phosphorous explosion she didn’t feel the same,” acrescentou seu marido Wesam, que na época não entendera o perigo da exposição à essa nociva arma química. E falou também na terceira grande operação militar israelense no do ano passado: These were mythic nights; the strikes made a huge noise when they hit the ground and left an acrid smell that would last for days. I kept thinking, if they targeted our house, which ones of my family would I help escape.”
Graças a Deus saíram inteiros da Operação Protective Edge. Incólumes, o futuro dirá. Pois sem dúvida continuam sendo envenenados paulatinamente pela água e armas químicas ainda não identificas.
Shirine explica: "While difficult to measure, artillery fire and airstrikes leave a toxic imprint on the landscape that lasts for years, particularly in places where rubble is not quickly cleared away. We note that an increased prevalence of birth defects are reported in countries after wars." 
Enquanto os gazauís continuam morrendo do efeito das operações militares israelenses (sem serem contabilizadas no número de perdas de guerra) o petróleo jorra no mar Mediterrâneo e os detentos do maior presídio do plaeta ficam, literal e figurativamente, a ver navios, à míngua e sonhando com a liberdade que se distancia com a cumplicidade de países ocidentais que só querem enriquecer-se mais. Que se danem os palestinos e a humanidade!
O Natal já passou e com ele nossa responsabilidade cristã de ajudar os fracos e oprimidos, de cumprir com a justiça implícita na prática do cristianismo?
Vou concluir estas dolências gazauís onde comecei, no crime contra a humanidade de privar a Faixa de Energia. Como Ben Thomson explica: "In Gaza, the availability of light in an emergency room often determines whether a patient lives or dies. The besieged Palestinian territory has been suffering from a chronic power deficit for years amid Israel's blockade - a situation that worsened after the 2014 Israeli assault, which destroyed Gaza's power plant, again. Even before OPE Israel supplied electricity to Gaza met less than half of the territory's estimated needs. The solution is to have a sustainable, consistent, reliable source of energy that can be stored and used. Fortunately, Gaza is one of the richest countries worldwide in such a resource: sunlight. Gaza has an average of 320 days of sunshine a year, making solar energy an attractive alternative power source." 
A partir desta constatação, Ben teve a ideia de lançar junto com sua equipe de médicos canadenses o proejto Empower Gaza, que visa a instalação de painéis solares nos principais hospitais do território. Seis já foram providos. O United Nation Development Programme está apoiando o projeto assegurando o transporte e passagem de baterias e painéis nos postos de fronteira que mantêm o bloqueio. Além desta tarefa difícil (que Israel permitiu por lucrar com isso e por saber que em segundos destruirá tudo na próxima operação militar) ajudou na instalação de panéis em escolas, postos de saúde e reservatórios de água, apedido da Palestinian Solar Initiative,  que visa suprir a demanda urgente de 30 por cento da energia no litoral do enclave com fontes renováveis até 2020, em uma tentativa de reverter o processo da previsão de insolvabilidade financeira e habitacional da Faixa.
(As doações estão abertas e são benvindas. O projeto e os médicos são sérios.)
O uso doméstico de energia solar também está sendo desenvolvido. Uma unidade solar de US$1.500 pode atender as necessidades de uma família, com eletricidade para geladeira, aquecimento (faz muito frio em Gaza no inverno), lâmpadas, bomba d'água, etc. O custo parece baixo, mas inacessível à absoluta maioria dos moradores da Faixa que apresenta o maior índica de desemprego do planeta, devido ao bloqueio. O que obriga as famílias a recorrerem a métodos perigosos: "Some leave the fire on when they go to sleep. Last winter, we had at least three or four incidents where the fire spread in the home because the family left it while they were sleeping... It was a real tragedy", conta Nader Abd el-Naby, um dos residentes do enclave.
Mosab Mostafa, que acabou de formar-se na universidade para engrossar a fila de diplomados desempregados, interveio na conversa: "These days, people are suffering from a lack in cooking gaz. Every one of us wakes up and goes to bed thinking of how to get a filled canister."
A iniciativa privada em Gaza vê a falta de energia um dos maiores empecilhos ao investimento e crescimento revelados no estudo do Banco Mundial sobre a taxa recorde de desemprego - 43 por cento.
Fecho o artigo de hoje com as palavras deste médico de verdade que com seus colegas estrangeiros faz um trabalho voluntário admirável na Faixa. Por ser mesmo bom caráter, Ben Thomson fez questão de dar o crédito a quem merece: "Empower Gaza was inspired by local Palestinian healthcare workers and engineers. This is by Palestinians, for the Palestinians."
Pois é.

Para quem ainda não viu, eis o documentário "Gaza: Left in the dark" abaixo.

Em complemento do artigo, dê uma olhada na exposição interativa da Al Jazeera: Gaza, life under siege.

* Apesar de ter sido exposta no wikileaks em 2008, a doutrina que os generais israelenses chamam Dahiya e aplicam no Líbano e na Palestina desde o início do terceiro milênio contiua sendo ignorada pela grande maioria.
Julian Assange só revelou um cabo piratado no United States State Department com o sumário de um general israelense de planos de guerra aprovados e usados no Líbano em 2006, na Faixa de Gaza em 2006, 2008, 2012, 2014, e em outras 'oportunidades' nos territórios Paletinos ocupados, mas foi o bastante.
Dahiya é o nome de um bairro residencial de Beirute que a IDF (Forças Armadas Israelenses) deixou em escombros durante a Copa do Mundo de 2006. Em seu planejamento guerreiro, a Doutrina Dahiya diz respeito ao massacre intencional de civis e destruição de cidades, bairros, propriedades públicas e privadas, como uma forma de punição coletiva da população.
A estratégia Dahiya não deixa dúvidas quanto à intenção do crime e é um procedimento ilegal conforme a Convenção de Genebra. O que significa que os líderes israelenses, soldados e generais são passivos de prisão e julgamento semelhante ao de Nuremberg que condenou os nazistas após a Segunda Guerra.
O objetivo de Israel é tentar dobrar a resistência e concomitantemente, fazer com que Gaza fique inabitável a médio prazo.
Que os israelenses se julgam superiores aos demais povos e que são capazes de crimes hediondos já se sabe - a Naqba é a prova cabal.
O que choca é saber que os chefes de gabinete do National Security Council, Secretary of state e Secretary of Defence dos EUA receberam o tal cabo, o que implica em que as maiores autoridades estadunidenses estão a par do plano Dahiya de cometer crimes de guerra. Ora, no cabo, o general Eizenkot é claro ao dizer que não eram recomendações e sim um plano aprovado de usar força desproporcional, justificando que aos olhos de Israel não existem civis, todos são bases militares; o que é uma falsificação grotesca da realidade. O plano é uma admissão evidente de sucessivos crimes de guerra friamente premeditados e executados.
A pergunta é Como os grandes deste mundo sabem e deixam as bombas rolarem? Como o Presidente oe o Congresso estadunidense continuar a financiar um governo estrangeiro que admite cometer crimes e não ter nenhuma intenção de parar? Eles não deveriam estar todos na Háguia sendo julgados e condenados?
O problema é que hoje em dia a população israelense em sua grande maioria é cúmplice ativa ou passiva. Maioria absolutíssima. Poucos têm a lucidez de entender que Dahiya é a médio e longo prazo, um suicídio.
Most of the world have never heard of what Israeli generals call the Dahiya doctrine. Even though it was in Julian Assange's wikileaks in 2008.  It summarizes an Israeli general's statement on approved war plans that were used in Lebanon during the FIFA World Cup in 2006, in the Gaza Strip in 2006, 2008, 2012, 2014, and in other occasions.
The name Dahiya refers to a civilian neighbourhood of Beirut that was leveled, utterly destroyed by Israel in the Second Lebanon War in 2006. In Israel's war planning, the Dahiya doctrine refers to Tel Aviv's intentional and massive killing of civilians and destruction of civilian villages, neighbourhoods, homes and properties, as a collective punishment of the population.
The Dahiya plan leaves no doubt, none, that it involves the knowing and intentional commission in carrying out of war crimes. This procedure is flagrantrly illegal under the Geneva Conventions and Israeli leaders, soldiers and generals could be tried for the crimes that the Nazis were tried for in Nuremberg, for carrying out intentional mass killings.
Last year we saw the latest application of the Dahiya doctrine in Israel's Operation Protective Edge in Gaza. Israel purpose was and is to try and end resistance to the occupation, and on the process, to make Gaza uninhabitable over a few years to drive the Gazans survivors out.
What is interesting about this extermination plan is that in the USA, Chiefs of Staff of National Security Council, secretary of state and secretary of Defence got the cable. Which means that all Amecrican officials know about this Dahiya doctrine plan to commit war crimes, as Israeli general Eizenkot makes very clear that was not a recommendation of what Israel should do, but an already approved plan to use disproportionate force. From Israeli perspective, he says, there are not civilian villages: they are military bases; which is a complete falsification. The plan is a clear admission of repeated war crimes.
The question is: How can the world stand by? How can the US President and Congress continue to fund a government that openly admits it commits and will continue to commit war crimes? 
Shouldn't they all be in the Hague by now?
The Settlers

** PCHR-Gaza: Israeli Buffer Zone Policies Typically Enforced with Live FireMay 11, 2015.
Following disengagement from the Gaza Strip in September 2005, Israel unilaterally and illegally established a so-called "buffer zone", an area prohibited to Palestinians along the land and sea borders of the Gaza Strip. The precise area designated by Israel as a "buffer zone" is not clear and this Israeli policy is typically enforced with live fire. The establishment of the 'buffer zone' is illegal under both Israeli and international law.
gazamappnn.png
Preventing Palestinians from accessing their lands and fishing areas violates numerous provisions of international human rights law, including the right to work, the right to an adequate standard of living, and the right to the highest attainable standard of health. Enforcing the "buffer zone" through the use of live fire often results in, inter alia, the direct targeting of civilians and/or indiscriminate attacks, both of which constitute war crimes.
Following the Israeli offensive on the Gaza Strip in November 2012, a ceasefire agreement between Israel and Palestinian armed groups was brokered by the Egyptian government, which included terms related to access to land and sea. In an online statement on 25 February 2013, the Israeli Coordinator of Government Activities in the Territories (COGAT) declared that fishermen could now access the sea up to six nautical miles offshore, and that farmers could now access lands in the border area up to 100m from the border fence. However, both references have since been removed from the statement.
Then, on 21 March 2013, the Israeli forces' spokesperson announced re-reducing the fishing area allowed for Palestinian fishermen from 6 nautical miles to 3 nautical miles. However, on 21 May 2013, Israeli authorities decided to allow fishermen to sail up to 6 nautical miles.
Following the latest Israeli offensive on the Gaza Strip (08 July - 26 August 2014), a ceasefire agreement between Israel and Palestinian armed groups was brokered by the Egyptian government, which allowed fishermen to sail up to 6 nautical miles. However, the Israeli naval forces have not allowed fishermen to sail up to this limit as all Israeli attacks have taken place within the 6-nautical- mile fishing area.
Dimensions on land, inside Palestinian territory

Distance from the border fence, up to which access is permitted:
· Second Intifada (2000): 150 metres
· According to Israel (2010) :300 metres
· 22 November 2012: unclear parameters
· 21 March 2013: 300 metres.
In reality, attacks against civilians take place anywhere upto approximately 1.5 kilometres inside the border fence. This constitutes approximately 17% of the total territory of the Gaza Strip.

At sea, off the coast of the Gaza Strip

Distance from the shore, up to which access is permitted:
· Oslo Accords (1994): 20 nautical miles (nm)
· Bertini Commitment (2002): 12 nm
· October 2006: 6 nm
· End of 2007 : 3 nm
· 22 November 2012: 6 nm
· 25 February 2013: unknown
· 12 March 2013: 3 nm
· 21 May 2013: 6 nm
In addition, access is consistently denied in the following areas:
· 1.5 nm in the north along the maritime boundary with Israel
· 1 nm in the south along the maritime boundary with Egypt.
Impact on land:

· Approximately 27,000 dunums, 35% of the Gaza Strip's agricultural land, can only be accessed under high personal risk, as Israeli attacks may result in injury or death of civilians.
· 95% of the restricted area is arable land.
· After the evacuation of settlements (2005) and 'Operation Cast Lead'
(2008-2009), the majority of Palestinian families living in the border areas abandoned their land and homes.
Impact at sea:

· Palestinians are completely prevented from accessing 85% of the Palestinian maritime areas recognised in the 1994 Gaza Jericho Agreement.
· Approximately 3,700 fishermen work under high personal risk every day at sea.
· Approximately 8,200 persons work in the fishing industry.
· Approximately 65,000 persons, including individuals who work in the fishing industry and their dependents, are affected by the "buffer zone" restrictions at sea.
· The area near the coast is markedly over-fished.



Desemprego leva o trabalho infantil a Gaza
Mahmoud Abbas, your time is running out When a leadership, elected or not, seeks legitimacy from an occupying power, it automatically loses legitimacy.Lamis Andoni.

Norman Finkelstein: Is it anti-semitic to compare Israel with nazism? Is there a "new anti-semitism"? 

Birzeit University rises up against Israel's arrestsIsraeli forces have arrested dozens of politically active students amid a rise in violence in West Bank and Jerusalem.

O ONU divulgou que em 2015, os colonos e soldados israelenses assassinaram 170 palestinos  (141  deles, de outubro a dezembro) nos territórios palestinos ocupados - sangue frio ou por atos de resistência. 26 israelenses foram mortos por atos de resistência no mesmo ano (22, de outubro a dezembro).
15.377 palestinos e 350 israelenses foram feridos durante o ano.
Israel demoliu mais 539 casas palestinas para instalar colonos judeus.

Quanto aos presos políticos palestinos encarcerados em Israel em 2015, a Addameer divulgou as seguintes estatísticas:
tal Number of Political Prisoners
Administrative Detainees
Child prisoners
Female prisoners
1948 Territories prisoners
East Jerusalem prisoners
Gaza prisoners
Palestinian Legislative Council members
5
Prisoners before Oslo
30
Prisoners serving a sentence above 20 years
457
Prisoners serving life sentences
501
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B'Tselem: A Third generation of Palestinien children is living under occupation

Conferência em Nova York do corajoso jornalista israelense Gideon Levy
https://youtu.be/qSsRH4pc510
https://youtu.be/4LsKECJAmR4
https://youtu.be/DABOvMaFtLo

domingo, 3 de janeiro de 2016

Israel vs Palestina: História de um conflito LXXII (08/2008)

B'Tselem: Settlers' violence continues in Hebron (02/08/2008)
Agosto de 2008 foi um mês de ocupação como os outros. Soldados e colonos israelenses cometeram os mesmos crimes na Cisjordânia impunemente, como mostra o vídeo acima que enfoca só Hebron.
No sábado, dia 02 de agosto, foram lutas intestinas que mautrataram ainda mais os palestinos.
No dia 26 de julho desse ano um ônibus explodira em Gaza causando a morte de cinco membros das Brigadas al-Qassan, a ala militar do Hamas. As suspeitas logo caíram no Hilles Clan.
O clã Hilles é de fato uma família extendida ligada ao Fatah que com incentivo do governo em Ramallah continuou a combater o Hamas na Faixa depois dos confrontos militares entre os dois partidos pararem.
O Hamas solicitou que os responsáveis fossem entregues para julgamento, em vão. Então resolveu tomar providência na semana seguinte cercando o quarteirão em que eles moravam em Shejayia.
Houve acirrado tiroteio e no fim, oito membros do clã morreram, dois policiais, um civil e 103 pessoas foram feridas.
Logo depois, Ahmed Hilles líderou seu clã - cerca de 188 membros - aos postos de fronteira israelense, depuseram suas armas e pediram socorro aos novos aliados do Fatah que oprimiam seu povo. Foram despidos, se vestiram, e os que tinham ferimentos graves receberam socorro médico em Beersheba e Ashkelon.
Ahmed Hilles disse então que o Hamas os atacara porque "it doesn't want to see such a big and strong family like mine". E jurou vingança.
Mahmoud Abbas entrou em contato com Ehud Olmert para resolver o problema e combinaram que todos eles seriam autorizados a ir para a Cisjordânia. Porém Israel não cumpriu a promessa. Os 87 considerados "mais pacíficos" acabaram conseguindo autorização para ir para Jericó, na Cisjordânia. mas os demais foram logo deportados de novo para Gaza. Ao chegarem, uns foram deixados em paz
outros foram presos. O governo israelense estava regozijante com a divisão dos palestinos.
No dia 05 de agosto, o jornalista palestino Mohamed Omer publicou o  seguinte artigo para botar os pingos nos iis: Truth and consequences under the Israeli occupation.
Além dos sofrimentos quotidianos dos palestinos sob ocupação e em divisão, houve três fatos diferentes.
Um deles diz respeito ao Primeiro Ministro de Israel.
Após meses de envolvimento em escândalo de corrupção, Ehud Olmert acabou sendo obrigado a prometer que se demitiria logo que o partido encontrasse um substituto (como se fosse difícil). Não por crise de consciência e sim porque os promotores e juízes estavam virando a casaca para defender os interesses de Binyamin Netanyahu, pretendente a seu cargo e mais condizente com os rumos que Israel tomara.
Quando Ehud Olmert anunciou seu eventual afastamento, embora ele não tivesse feito nada positivo para resolver o problema do conflito com os palestinos, ouvia-se aqui e acolá que sua partida (anunciada, mas longe de ser efetivada) seria um “setback” no processo de negociações. Era surreal.
Seis meses haviam passado desde a reunião de cúpula em Annapolis em 2007 e não havia nenhum progresso em relação ao tal "final status" negociado. Em vez disso, o que se ouvia de ambos os lados era que as chances de acordo estavam "close to nil". E "close" era eufemismo. A meu ver, eram nulas. Ahmed Qureia, negociador-chefe palestino, havia dito até que seria preciso um milagre para derrubar os obstáculos.
Ora, a carreira política de Ehud Olmert foi pautada por sua postura de "Greater Israel" da linha dura. Ele apoiou a colonização da Cisjordânia tanto quanto seu mentor Ariel Sharon.
Devido à sua ideologia colonialista, a primeira coisa que fez quando voltou de Annapolis foi anunciar o plano de expansão de várias colônias em Jerusalém Oriental, declarando que "building around Jerusalem" — one of the key negotiation issues — "is no one’s business but Israel’s!" E continuou enterrando a possibilidade de um Estado da Palestina na Cisjordânia inteira com muros, desapropriações, invasões de imigrantes judeus estrangeiros e barreiras.
Portanto, como irozinou um colega, "How could a dead peace process be more dead just because one of those who killed it is about to leave the scene of the crime? Any game of deception can only go on for so long. With the end-of-year deadline fast approaching and no progress in sight, no one was naive enough to believe that had Olmert stayed on, peace could have been achieved."
Pois é, nem Ehud Olmert nem Mahmoud Abbas (que estava facilitando o trabalho da IDF no esmagamento das bases sociais do Hamas na Cisjordânia) tinha força política, muito menos consenso interno, para assinar documento permanente.
Mas os operadores da indústria do "peace process" (que de fato visa empurrar com a barriga para que Israel tenha tempo de conquistar paulatinamente toda a Palestina) conta com a amnésia crônica da grande mídia. Golpe infalível. Contando com ele, fabricaram este novo mito que a partida de Ehud Olmert prejudicaria o peace process e que se ele ficasse talvez "peace might have been reached". Conhecendo a personagem e seu percurso político, tal teoria era inverossímil. No mínimo ingênua, no máximo, desinformação mal-intencionada.
Na verdade esta indústria do peace process é prolixa nestes mitos.  Desde a assinatura dos Acordos de Oslo em 1993 - talvez até antes disso - que esta indústria os usa para maquiar o fracasso de diálogos de surdos. E estes mitos só visam prejudicar os palestinos.
Destes mitos, o mais arraigado  e difícil de ser combatido (pois até os liberais anti-sionistas o cultivam) é o de que o assassinato do então primeiro ministro Yitzhak Rabin em 1995 por um extremista judeu foi responsável pelo descarrilhamento do trem da paz.
A meu ver, a vida política de Rabin, pelo menos a que levava de fato, não mudaria o status quo da ocupação. Sua morte prematura deu margem aos prapagadores de mitos para que evitassem levantar a questão se Rabin teria conseguido, e realmente querido, inverter o programa de invasões/assentamentos/colônias que ele mesmo implementara sem parar durante seu governo em vez de pelo menos interrompê-las como Arafat solicitava. Já que o ritmo de colonização não decresceu nem durante as negociações, por que contar que ele decrescesse mais tarde?
Vale lembrar que durante o governo de Rabin o colono israelense Baruch Goldstein protagonizou um massacre em Hebron em 1994.  E o Primeiro Ministro não removeu nenhum dos invasores judeus da cidade. Rabin poderia ter usado este "incidente" sanguinário para tomar providências no sentido de remover pelo menos os colonos mais radicais, mas não; não mexeu uma palha nessa hora propícia a um gesto, se não anti-colonialista, pelo menos de boa vontade. Rabin não fez nada.
E Jerusalém? Rabin continuou a desapropriar palestinos e construir colônias lá. Como se a cidade fosse propriedade de imigrantes judeus sem nenhum laço concreto com a cidade e não do povo com quem ele dizia querer viver em paz e a cujo presidente, Yasser Arafat, ele fazia promessas vagas. 
Tenho certeza que o mito Yitzak Rabin jamais será desfeito, pois os homens e mulheres de bem de Israel (existem, sim) precisam acreditar que tiveram pelo menos um chefe de Estado justo e honrado. Mesmo sendo a distância entre as boas intenções que espelhava e os maus gestos que fazia na prática mais do que óbvias.
Até seu ex-ministro das Relações Exteriores Shlomo Ben-Ami reconheceu a dicotomia do Primeiro Ministro assassinado: Yitzak Rabin “never thought [Oslo] will end in a full-fledged Palestinian state.” Segundo Ben-Ami, Rabin achava que Israel "daria" aos palestinos no máximo um “state-minus.”
Posição coerente com o que aconteceu depois de Oslo. O Acordo patrocinado por Bill Clinton e o lobby sionista AIPAC não tinha nenhuma intenção de acabar com a ocupação e sim legitimizá-la e securizar seu financiamento internacional.
Desde que sigo este conflito, nunca vi Israel desacelerar, nem começar a reverter o processo de ocupação e de colonização da Cisjordânia. A Autoridade Palestina não passa de uma administração nativa destinada a facilitar o trabalho do ocupante lhe fornecendo policiamento e proporcionando a seus compatriotas direitos mínimos que os anestesiem.
Yasser Arafat rebelou-se através das brigadas militares que o Tanzim coordenava, mas Mahmoud Abbas representou o papel que Israel e os EUA esperavam quando o apontaram para o cargo.
E Yitzak Rabin fez mesmo foi facilitar o processo do Grande Israel assinando tratados simbólicos e vestindo a casaca de "homem da paz". Casaca que Sharon e Olmert continuaram a vestir sem vergonha e com muita hasbara, ao mesmo tempo que programavam ou cometiam as maiores barbaridades.
Acho que se Rabin tivesse vivido teria feito como seus sucessores. A única diferença imaginável, mas não certa, é que talvez não tivesse tido coragem de complotar para a morte de Yasser Arafat e este teria continuado a mobilizar seus compatriotas, conseguido mantê-los unidos e por isso, obtido mais, bem mais do que os sapos que engoliu Mahmoud Abbas. Quem sabe o Estado sonhado?
Mas conjeturar pode também contribuir para falsos mitos. Em 2008, a única esperança de um governo legítimo e unificador na Palestina residia em Marwan Barghouti, detido nas masmorras de Israel.  
É claro que o novo mito Olmert não será significante, pois Olmert não é Rabin e Annapolis não é Oslo, que Rabin pagou com a vida só por ter parecido desafiar a supremacia dos ultra-sionistas. Ehud Olmert parecia estar pagando só com seu cargo, e mesmo a promessa de demissão deste era sem data marcada. Para quem lê entre as linhas era claro que ele lançaria mão de tudo o que pudesse mantê-lo no trono. Até a um novo massacre. Nada como a destruição de vidas e propriedades libanesas ou palestinas para agradar os eleitores israelenses.
Isto era a médio prazo. A curto, a declaração de Ehud Olmert serviu para desviar a atenção dos problemas reais no terreno. Assim como as próximas eleições nos EUA serviam para alimentar a roda-viva palestina de esperanças e decepções cada vez que um presidente democrata ascendia à Casa Branca.
Quanto tempo demoraria para que os palestinos entendessem que tinham de tomar as rédeas de seu destino em vez de esperar por Acordos estéreis, iludidos?
Nesse mês, o Breaking the Silence denunciou os abusos físicos e morais que os soldados da IDF inflingem aos palestinos publicando fotos que deram no que falar.

Notre Musique: Jean-Luc Godard - Marmoud Darwish & Judith Lerner
In Arabic and Hebrew with English subtitles
No dia 09 de agosto de 2008 morreu um grande homem. Um humanista. Um poeta. Um intelectual. Um visionário. O ser humano Mahmoud Darwich.
Mahmoud Darwich faz parte destas pessoas cujo caminho tive o privilégio de cruzar e que fizeram de mim uma pessoa melhor. Ele era o poeta da vida e das intempéries palestinas. Não era um poeta do imaginário e sim do concreto que reflete as emoções que despertam consciências e viram motor de ações justas, resistentes. A poesia e a vida de Darwich não eram contemplativas e sim incisivas. Suas palavras, suas frases, suas rimas, emocionam e interpelam a inteligência. Ele era a somatória da Palestina, da deportação, do exílio, dos companheiros assassinados, da família dispersa, de refugiados desraizados mas que cultivavam potentes raízes tentaculares que os ligava à terra ancestral. A terra Palestina, desapropriada, roubada, ocupada por estrangeiros que ignoravam a potência das raízes e da memória dos antepassados, da História.
Fico constrangida de falar em Mahmoud Darwich (homenageado no muro da vergonha, ao lado) e de Olmert, Sharon, Rabin, no mesmo blog. Espero que lá do alto ele entenda que em nenhum momento pensei em sujar sua memória ligando-a a verdugos de seu povo e de sua pátria. Entenderá. Sem dúvida. Pois fazia parte destes seres extra-ordinários que vêm à terra com a missão de melhorá-la e melhorar o ser humano. Qualquer que seja sua crença e sua raça.
Mahmoud Darwich nasceu em 1941 em al-Birwa, na Galileia palestina, em uma família culta e abastada. Seu pai era fazendeiro. Ele tinha 7 anos quando os para-militares israelitas atacaram sua cidade, forçaram os sobreviventes à diáspora e depois destruíram a cidade. Apesar da pouca idade a lembrança ficou gravada em sua memória, indelével, como a dor de seus avós e pais que escaparam com a família carregando a chave de casa. Conseguiriam voltar no ano seguinte, mas suas propriedades já tinham sido desvastadas e confiscadas pelos novos bárbaros. Instalaram-se em outro lugar no que já era então Estado de Israel, na região do Acre, e depois em Haifa.
Em 1965, o jovem poeta de 24 anos causou um rebuliço o ler seu poema Bitaqat huwiyya - carteira de identidade - em um teatro de Nazareth. Em poucos dias o poema se propagou na Palestina, entre os refugiados da diáspora e nos países árabes como fogo em palha. Vale a leitura. Encontra-se em seu livro "Folhas de Oliveiras", publicado em Haifa em 1964.
Em 1970 foi estudar na Universidade de Moscou, entrou na OLP em 1973 e Israel o proibiu de retornar à pátria. Em 1995 conseguiu instalar-se em Ramallah junto com outros membros da OLP banidos. Só obteve autorização de Israel para retornar a Haifa em 2007, para uma leitura de seus poemas.
Sofria do coração e foi o que o matou no dia 09 de agosto longe de casa, em um hospital de Houston onde fora fazer uma cirurgia que marcara para um dia simbólico - 06 de agosto. Dia em que em seu livro-poema Memory for Forgetfullnes ele anotara a invasão israelense do Líbano manchada de sangue nos 88 dias de sítio de Beirute. Seu poema em prosa conta: "On this day, on the anniversary of the Hiroshima bomb, they [Israel] are trying out the vacuum bomb on our flesh and the experiment is succesfull."
Darwich pedira para ser enterrado na Palestina. Seu corpo foi transferido de Houston para Amman, de lá para Ramallah porque, como disse Ahmed Darwish: "Mahmoud doesn't just belong to a family or a town, but to all the Palestinians, and he should be buried ina place where all Palestinians can come and visit him."
Após três dias de luto oficial, como para Yasser Arafat, Mahmoud Darwich foi velado na Muqata'a de Ramallah e depois levado em cortejo seguido por milhares de pessoas - palestinos e estrangeiros - para o Ministério da Cultura onde foi enterrado.
Eis algumas pérolas que deixou para a posteridade:
 "Why are we always told that we cannot solve our problem without solving the existential anxiety of the Israelis and their supporters who have ignored our very existence for decades in our own homeland?"
"We have triumphed over the plan to expel us from history."
"I thought poetry could change everything, could change history and could humanize, and I think that the illusion is very necessary to push poets to be involved and to believe, but now I think that poetry changes only the poet."
"We should not justify suicide bombers. We are against the suicide bombers, but we must understand what drives these young people to such actions. They want to liberate themselves from such a dark life. It is not ideological, it is despair."
"We have to understand – not justify – what gives rise to this tragedy. It's not because they're looking for beautiful virgins in heaven, as Orientalists portray it. Palestinian people are in love with life. If we give them hope – a political solution – they'll stop killing themselves."
"Sarcasm helps me overcome the harshness of the reality we live, eases the pain of scars and makes people smile. The sarcasm is not only related to today's reality but also to history. History laughs at both the victim and the aggressor."
"When he thought about hope he felt weary and bored, and constructed a mirage and said: "How shall I evaluate my mirage?" He searched in his desk drawers for the person he was before asking this question, but found no notes containing thoughtless or destructive urges. Nor did he find a document confirming he had stood in the rain for no reason. When he thought about hope, the gap widened between a body that was no longer agile and a heart that acquired wisdom. He did not repeat a question "Who am I?" because he was so upset by the smell of lilies and the neighbours' loud music He opened the window on what remained of a horizon and saw two cats playing with a puppy in the narrow street, and a dove building a nest in a chimney, and he said:" Hope is not the opposite of despair. Perhaps it is the faith that springs from divine indifference which has left us dependent on our own special talents to make sense of the fog surrounding us." He said: "Hope is neither something tangible nor an idea. It's a talent." He took a beta blocker, putting the question of hope aside, and for some obscure reason felt quite happy." 


Poem Hunter, Mahmoud Darwich
Poem of the Land - http://www.poemhunter.com/poem/poem-of-the-land/
Under siege: http://www.poemhunter.com/poem/under-siege/
I come from There: http://www.poemhunter.com/poem/i-come-from-there/
A Lover from Palestine: http://www.poemhunter.com/poem/a-lover-from-palestine/

Documentário ARTE sobre Mahmoud Darwish. Em francês, 7'

Eis três artigos de pessoas que falavam sua língua e que revelam o essencial. Enfim, o essencial sobre ele, na verdade, está em seus livros encontrados nas boas livrarias. Quem não gostar de poesia, comece por "Memórias do Esquecimento".
Mahmoud Darwish: Palestine's prophet of humanism.  Saifedean Ammous. 
Failing Darwish's legacySumia Ibrahim. 

Ótimo documentário, infelizmente, só em árabe: Mahmoud Darwish (em 6 partes de 9 a 10')


Depois desta pausa Darwichiana, temos de voltar à realidade. À ocupação e sua marcha implacável.
No dia 12 de agosto, a Reuters recebeu uma carta do Tribunal militar israelense informando que seus soldados haviam "acted properly properly" no assassinato do jornalista Fadel Shana'a que registrei no blog do dia 04/05/2008.
Palestinian Centre for Human Rights (PCHR) então refrescou a memória da mídia internacional sobre os fatos: Investigations conducted by PCHR immediately after the 16 April attack in Juhor al-Dik strongly refute these claims, and proved beyond all reasonable doubt that IOF willfully killed Shana’a and the three other civilians who died alongside him. In addition, another nine unarmed civilians, including six children, died in Juhor al-Dik village in an IOF missile attack that was launched earlier the same day. A total of 13 unarmed Palestinian civilians, including eight children, were killed in the area of Juhor al-Dik on 16 April. In addition, 32 civilians, including 17 children, were injured.
The letter from Brigadier General Avihai Mendelblit to Reuters concerned the second attack in Juhor al-Dik, which killed Fadel Shan’a, two children and a second adult civilian. According to investigations conducted by PCHR, Fadel Shana’a and his colleague, Wafa Abu Mezyed, a Reuters soundman, arrived at Juhor al-Dik area at 5pm, an hour after anIOF missile attack in the village had killed nine Palestinian civilians, including six children. The two men were wearing bullet proof vests emblazoned with the word “PRESS.” In his eye-witness testimony to PCHR, Wafa Abu Mezyed stated: 'When we arrived at Juhor al-Dik area at 5pm, the dead children had just been evacuated by ambulances … We filmed the site of the attack and then got back into our vehicle, which was [marked] with the word REUTERS, and drove out of the village. We could see two tanks and a bulldozer, and we deliberately parked more than one and a half kilometers away from them for our own safety. Fadel got out of the jeep in order to continue filming … A small crowd of children gathered around us wanting to know what we were filming, and Fadel asked me to get out of the jeep too and shoo them away. I started to move the children out of his way. Fadel and I were standing just three meters apart when I heard an explosion. I saw Fadel and two of the boys fall to the ground. I threw myself on the ground too. From where I lay, I could see that Fadel and the two boys were dead and bleeding.'
Fadel Shana’a, 14-year-old Ahmed ‘Aaref Farajallah and 17-year-old Ghassan Khaled Abu ‘Otaiwi, were all killed by the shell fired by the IOF tank. Less than a minute later, theIOF tank fired a second shell that completely destroyed the Reuters vehicle. Wafa Abu Mezyed saw two children flung into the air by the force of the second explosion, which killed another civilian, 22-year-old Khalil Isma’il Dughmosh.
A decisão de Israel suscitou críticas da imprensa internacional cansada de ser obrigada a trabalhar lá sob ameaça de morte. ONGs de Direitos Humanos que conhecem o problema também reclamaram, pois temiam, com razão, que esta bênção da hierarquia militar aos assassinos desse margem a novas execuções sumárias de repórteres profissionais que só queriam exercer seu ofício com seriedade. Os correspondentes estrangeiros organizaram uma passeata que contou também com a participaçãos dos jornalistas locais, essenciais ao trabalho dos colegas estrangeiros, e o chefe do escritório da Reuters discursou na frente do escritório da ONU em Gaza: “The blood of Fadel Shana’a will be the fuel for other cameramen and journalists to continue to convey the message, to continue to report the truth to the outside world. We won’t be hindered or hampered by Israeli actions. We ask and seek the support of the United Nations, human rights groups and world news outlets so the killers of Shana’a can be brought to justice. The killers of Shana’a must be punished. The blood of Shana’a and that of the eight children must not be wasted.”
Várias ONGs apelaram para o Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas nada seria feito para garantir a punição dos culpados e para garantir a segurança da imprensa sob ameaça da IDF. Os jornalistas continuariam a trabalhar na Faixa de Gaza e na Cisjordânia de capacete e colete à prova de balas e atentos para que um soldado israelense não atire assim mesmo ou o bombardeie, sem escapatória.
Vale lembrar que o trabalho dos jornalistas estrangeiros seria impossível na Faixa de Gaza (como em qualquer lugar de conflito mundo afora) sem a ajuda dos jornalistas locais. São eles os verdadeiros heróis da informação. O corresponde vai e volta. O nativo fica lá, arriscando a vida todos os dias e perseguido por todos os lados.

Apesar da perda de Darwich e de tudo o mais, dois fatos positivos marcaram o mês de agosto de 2008.
O primeiro grande acontecimento passou quase desapercebido pela "grande mídia", a quebra do bloqueio de Gaza por um grupo de ativista do Free Gaza Movement.
A Al Jazeera registrou a história dos participantes e de sua locomoção política e física entre países no ótimo documentário que publico abaixo e que prova que os palestinos, no fundo, têm sorte de conquistarem e contarem com a solidariedade de tanta gente humanamente extraordiárias.
Documentário: Gaza we are coming (4x10')

A segunda boa notícia do mês chegou no dia 28 quando um grupo de estudantes israelenses, inclusive a filha do diretor do ShinBet, começou um movimento que ficaria conhecido em Israel como "Shministim" - jovens que recusam cumprir o serviço militar obrigatório na IDF.
Eis o artigo da Electronica Intifada sobre o assunto:  "We refuse to serve in the Israeli occupation".

Enquanto isso, Israel continuava a agir e coagir, debaixo do pano
Israeli tells Palestinian patients: Spy or Die

Inside Story: Israeli Settlers violence in the city of Hebron

Reservistas da IDF, forças israelenses de ocupação,
Shovrim Shtika - Breaking the Silence
They’d deliberately wreck the house
Rank: Staff Sergeant;  Unit: Engineering Corps
The truth is that the Shimshon Brigade did the worst of the things I saw. That house where they destroyed a wall, they went like crazy looting it . . . What do you mean, “looting”? They, say, they shat on the . . . they shat on the couches, they stole. They shat on the couches? Shat on the couches before they left, just shat on the couches. They stole suits, they lifted all of the suits in the closet. You saw that? I was there. I left the house with them. They just put a suit in a backpack? No, they just, like, threw the suits in the APC. Okay. They’d leave behind, like deliberately, a house that was totally wrecked. They’d turn the house upside down, like when, when the family’s locked in a room . . . they’d just turn their house upside down . . . And also how they . . . their arrest procedures were very, very violent . . . What do you mean? Give me a specific example. We ran into some . . . we were separate forces for a while, we’d come from one place, and they’d be stuck with, with the tank in some alley, they couldn’t get out . . . So they were with the tank, and there were some four cars in front of them, blocking them, and a porch. Like the whole entrance to a house, an old arab house, and they drove up with the . . . they drove the tank over the cars. Of course, they could have got out by reversing, but . . . they decided they had to turn around, they drove over four cars with the tank, they just went up, they turned around, and took off the whole entrance to the house with the back of the tank. They took down half a house, like with the tank, and left. And say, also that . . . I got there and they’d detained people, like there were, we’d round people up and all the men had to come to . . . before we’d break into the Mukata’a, [the administrative offices of the Palestinian Authority] the commercial area, they’d announce that all the men had to go somewhere where they’d all be checked, and then we went into the Mukata’a, and then they were allowed back. And when they got all those men, they just . . . they’d make them undress to . . . undress down to nothing. Anyone who hesitated a bit, they’d start beating him, pushing him, hitting him, shooting in the air . . . things like that. And then they released them. These are people who came, who were told they had to come and they came of their own volition. And by the way, when we went into that Mukata’a, it was supposed to be, the way the Shimshon commander had characterized the mission in the briefing, he said, “Some of you won’t come back,” just like that. “Some won’t come back, there’s going to be some insane fighting.” When we went in they didn’t fire at us once, but those Shimshon guys were firing all over the place in fear. With the . . . acting like they were in their APCs

 Erez  I

NEWS Palestine
So durante esta Terceira Intifada, soldados e colonos israelenses ja assassinaram 134 palestinos, pos-ataque-ação de resistência e em execuções sumarias. 

Chutzpah Nation - Israel pressiona governo brasileiro: http://finance.yahoo.com/news/israel-presses-brazil-accept-pro-194117084.html


The Israeli army admits spraying herbicide on the crops of farmers in Gaza, yet another act of state terror:

Israeli cabinet ministers including Justice Minister Shaked maintain close ties to international drug trafficker

Palestinians in Israel accuse Netanyahu of incitementArab politicians and rights groups decry Netanyahu’s strive to increase security in Palestinian communities in Israel.


“shocked!,shocked!” http://www.haaretz.com/misc/artiWhy are Israelis so shocked by the ‘wedding of hate’ video? Thanks to the country’s mainstream, the West Bank has become the land of unlimited possibilities for the average Israeli Jew. This is the soil that gave rise to those young dancers with their bouncing sidelocks and their guns.Israelis who are cle-print-page/.premium-1.  Amira  Hass.


 

Netanyahu East JerusalemIsraeli occupation forces brutalize Palestinian elder & family while demolishing Jerusalem homes

Israeli forces kill Palestinian mother, disabled man.  Maureen Clare Murphy

O equivalete judeu do Estado Islâmico - The Jewish equivalent of ISISNone dare call it

The face of collateral damage: Palestinian student killed by Israeli forces. Samah Abdallah, 18, from a little-known Palestinian village in the West Bank, was shot dead, either on purpose or by accident – but most assuredly without legitimate reason. Gideon Levy with Alex Levac.
A Palestinian mother of four, shot 17 times for being a bad driverMahdia Hammad was hurrying home to feed her baby. Border Policemen signaled her to stop, but she continued to drive, slowly. Then they sprayed her car with bullets. 
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PCHR - Report on Israeli violation of Human Rights in the Palestinian occupied territories during the last ten days of 2015Palestinian Centre for Human Rights