domingo, 9 de outubro de 2011

UNESCO desafia os EUA; Afeganistão, aniversário de 10 anos



Insurgentes Talibã em campo de treinamento na fronteira do Paquistão

Dez anos atrás os Estados Unidos com o apoio da OTAN despejou as primeiras bombas no Afeganistão, em princípio, em cima dos Talibã que protegiam Ossama Bin Laden.
Tudo aconteceu com a cumplicidade do Paquistão, então em plena lua de mel com Washington. Tanto que foi de lá que cruzaram a fronteira quatro homens enturbantados, munidos de celulares fornecidos pela CIA. Um deles era o líder de uma tribo Pashtun (cujo líder máximo era o saudoso comandante Massoud), rival dos Talibã.
O homem que chefiava o grupo discreto era Hamid Karzai.
Dois meses mais tarde, Karzai, patrocinado por Washington e “abençoado” por líderes tribais exilados, recebeu uma delegação Talibã no monte Shah Wali Kot em Kandahar como chefe de Estado para negociar a rendição das forças de resistência nacionais.
O chefe dos Talibã, Mullah Muhammad Omar, enviou seu braço direito, Mullah Obaidullah, à reunião para dar-se por vencido mediante garantia que os líderes tribais Talibã pudessem retornar sãos e salvos aos lares.
Nessa noite, Obaidullah mandou pão para Karzai, em um gesto de conciliação.
Pronto. A paz estava garantida e o terreno estava livre para a criação de um novo Afeganistão democrático sem influência Talibã.
Infelizmente a sede de vingança estadunidense pós-ataque em casa estava insaciável e não se resignaram à paz com um tratado. Queriam lavar a honra e fazer o luto de seus mortos com sangue.
Então a máquina de guerra do Pentágono perseguiu os Talibã sem clemência em vez de deixá-los voltar para casa e eles se refugiaram no Paquistão, onde foram curar as feridas e cultivar mágoa, para em seguida se empenhar-se na reorganização da insurgência sem trégua contra os ocupantes que não os pouparam.
Dez anos depois, os EUA conseguiram a vingança que buscavam, mas ela custou cara: 17.000 civis mortos, 2.750 soldados estrangeiros mortos em combate, inúmeros bombas suicidas e nos últimos anos um organizado combate de guerrilha Talibã contra a qual os Aliados não sabem como lutar. A prova disto foi o ataque de 20 horas da própria Embaixada dos Estados Unidos em Kabul, mais vigiada, impossível; porém, frágil.
Barack Obama prometeu evacuar suas tropas até 2014. Os ingleses não querem mais nenhum soldado deles lá porque a opinião pública é em grande maioria contrária a esta ocupação interminável.
Fontes estadunidenses afirmam que o país vai deixar cerca de vinte mil soldados para apoiarem Karzai em sua reestruturação democrática.
Karzai deseja voltar a reunir-se com as lideranças Talibã como fez dez anos atrás para negociar.
Resta saber se ele hoje tem a autoridade que lhe faltava em 2001 e se Mullah Omar vai depositar nele a mesma confiança que depositou dez anos atrás e que lhe foi negada.





O veto da China e da Rússia no Comitê de Segurança da ONU à moção de sanção à Síria mostra o quanto o mundo está mudando de cara. Os líderes do emergente BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China) eram contrários ao bombardeio da Líbia e não querem que aconteça o mesmo com a Síria. Roupa suja se lava em casa.
Se fizerem tanta questão de alimentar a indústria de armamento, intervenham na Palestina para protegê-la da invasão do poderoso vizinho que possui até bomba atômica! Esta frase é de um sírio que se opõe a Assad, mas não quer estrangeiros os bombardeando.





Os Estados Unidos deram tanta importância à execução de seu cidadão membro do al-Qaeda Anwar al-Awlaki, no Yêmen, que a CBS chegou a interromper a programação para fazer o anúncio.
Já no Yêmen a morte de Awalaki teve pouquíssima relevância. Os yemenitas estão mesmo preocupados é com a liberdade que vêm reivindicando em praça pública ao ditador Saleh.
O perigo estava no fato de Al-Awlaki fazer proselitismo terrorista em inglês e ter assim recrutado vários anglófonos com sua lábia nociva bem articulada.





Enquanto o Conselho de Segurança da ONU examina o pedido de Estado solicitado pela Palestina, no dia 5, esta ganhou sua primeira vitória diplomática mundial quando o comitê executivo da UNESCO (Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas) reconheceu seus direitos em seu seio como 194° membro.
Os quatro votos contrários (Alemanha, Estados Unidos, Letônia, România) aos quarenta países favoráveis e aos quatorze indecisos que querem agradar, ou desagradar, gregos e troianos (Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, França, Grécia – por razões financeiras óbvias, Itália, Polônia, etc.) mostraram que pode ser possível conseguir a maioria de dois terços para a aprovação da Assembléia que reunirá os 193 membros, na sede em Paris, no dia 10 de novembro.
Hillary Clinton levou susto, esperneou, deu grito, mas... ficou por isto.
A UNESCO não sofre jugo de nenhuma superpotência (real ou exangue), pois não dá direito de veto, como no Conselho de Segurança da ONU. Todas as decisões são democraticamente tomadas por maioria em plenário. Todos os votos valem o mesmo tanto.
Na véspera, os Estados Unidos, através do embaixador David Killion, pressionaram todas as delegações para que votassem Não à recomendação. Em vão.
Após o voto contrário ao seu desejo, a deputada Kay Granger, encarregada da comissão parlamentar que aprova os financiamentos internacionais, avisou que os EUA vão cortar sua participação financeira à UNESCO.
Vale lembrar que os Estados Unidos passaram anos sem pagar o que devia à ONU. Só acertaram as contas quando precisaram do voto da Assembléia para começar sua campanha bélica mundo afora.
Portanto a UNESCO sobreviverria sem eles.
Como cultura não suplanta a prioridade de armamento, eles também sobreviveriam sem a UNESCO de 194 membros.
E a Palestina poderá então solicitar a inclusão de vários sítios históricos, ocupados militarmente por Israel, no Patrimônio Mundial da Humanidade.
Para começar, sítios cristãos como Belém, Jericó, Betânia, o Monte das Oliveiras, etc.
Lugares cuja manutenção é cara para os palestinos, que não têm nenhum lucro turístico.
As agências de turismo, inclusive brasileiras, só trabalham com agências israelenses cujos guias levam os peregrinos de igreja em igreja (declamando a ladainha que decoraram) sem deixá-los consumir nada nas cidades, com o falso argumento do perigo.
Embora a maioria dos sítios cristãos esteja na Cisjordânia e serem os palestinos os responsáveis por sua manutenção, sempre impecável, são os israelenses que lucram enquanto eles trabalham.
Faz parte das coisas incompreensíveis.
Como a ameaça de corte de fundos, de ajuda internacional, se os palestinos levarem sua reivindicação de Estado adiante.
O Congresso estadunidense já está bloqueando os U$200 milhões anuais (a Israel dão U$3 bilhões de ajuda militar) atribuídos à polícia civil para a que a Autoridade Palestina possa manter a ordem e para reconstruir parte do que Israel destrói.
Até Binyamin Netanyahu lembrou o Congresso que talvez não seja uma boa ideia cortar a ajuda, pois esta faz parte dos Acordos de Oslo...
Parece mesmo que os assessores de quem decide nos EUA não têm memória e nem se informam sobre a própria história imediata patrocinada por Washington.
Sem falar que nem falam em cortar a ajuda militar que Israel recebe infalivelmente. Corte que talvez ajudasse Binyamin Netanyahu a decidir gelar a expansão das invasões na Cisjordânia.
Só dizem: Não faz isso não! com voz de quem quer em retorno mais humilhação. Como mulher de malandro.




Quanto mais se lê o discurso de Barack Obama do dia 21 na ONU, mais se encontra incongruências incompatíveis com o nível internacional de seu país.
Parece até que quem escreveu o discurso nem se deu ao trabalho de conferir a veracidade de suas informações antes de dar lição pública.
Para começar, comparou o incomparável. Ou seja, o Sudão, que era um país único que foi separado em dois Estados, com dois países, Israel e Palestina, já divididos pela ONU, sendo que um vem se expandindo impunemente em território alheio.
E mesmo que o argumento fosse válido, o redator do discurso esqueceu o precedente do Kosovo que anula seu argumento inteiro de negociações e acordos bilaterais serem condições sine qua non para o reconhecimento de um Estado.
Os EUA, apesar da oposição irredutível da Sérvia, votaram e incitaram a ONU a reconhecer o Estado do Kosovo em 1998. Embora apenas 83 membros da ONU o tenham reconhecido formalmente. Ou seja, número bem inferior aos 127 que reconheceram a Palestina.
Insatisfeita, a Sérvia acionou a Corte Internacional de Justiça para que revogasse a decisão do Conselho de Segurança e o veredito foi claro: O Direito Internacional não proíbe declarações unilaterais de independência.
Embora neste caso houvesse uma verdadeira ambiguidade histórica.
Só para lembrar, o Império Otomano derrotou os sérvios em 1389 e instalou um enclave islâmico no Kosovo, que mesmo assim continuou com maioria étnica e religiosa sérvia por séculos.
Antes dos kosovars destruírem, esta região tinha igrejas, monumentos e monastérios construídos há séculos. Eram maravilhosos legados culturais dos quais os sérvios se recusavam a abrir mão, pois os consideram como o berço de sua civilização e de sua identidade religiosa cristã.
Yasser Arafat declarou a soberania da Palestina em 1988.
Ibrahim Rugova, albano-kosovar líder do KLA (Exército de Libertação do Kosovo), declarou a independência do estado em 1990.
Durante a guerra civil de 1998 morreram mais de duas mil pessoas.
Os militantes do KLA executaram a sangue frio civis sérvios e kosovars moderados e os soldados sérvios executaram também sem piedade civis kosovars-albaneses.
Em 1999, o presidente Bill Clinton liderou um ataque da OTAN em defesa dos kosovars contra a Sérvia, acusada de estar promovendo limpeza étnica.
Guerra ganha, pois contra a OTAN todo Exército é fraco, o KLA assumiu o poder e começou a sua limpeza étnica expulsando milhares de sérvios, ciganos-Roma, turcos e judeus de seu território. Sob acusação de estes grupos terem “colaborado” com os sérvios.
Estes grupos étnicos viviam na região há séculos, ao contrário dos colonos judeus que foram transplantados para as invasões na Cisjordânia nestas duas últimas décadas.
O caso da Sérvia é, em Direito, muito mais embasado do que o de Israel, porém, foi descartado pela Corte Internacional.
Primeiro, Israel é um país. A Palestina é outro. E as fronteiras divisórias foram definidas pela ONU em 1947.
Portanto a decisão não é assim tão unilateral, já que foi da Organização que aceitou a determinação unilateral das fronteiras retificadas por Israel em 1948.
Segundo, os colonos judeus foram transplantados para as colônias/assentamentos/invasões na Cisjordânia nas três últimas décadas. A maioria há poucos anos.
Portanto, não têm nenhum apego-amor à terra, como têm os autótones palestinos que a cultivam há vários séculos e um, dois, quantos mil anos.
Terceiro, tinha 21 invasões judias na Faixa de Gaza. Foram desmontadas em 2004 com esperneio dos colonos diante dos soldados, mas sem nenhum transtorno incontornável.
É verdade que esta evacuação fazia parte de um plano de agressão dois anos mais tarde, que Ariel Sharon promoveu a retirada dos colonos da Faixa para depois bombardeá-la à vontade.., mas deixando isto de lado, com vontade política e militar, desmontar os assentamentos/colônias da Cisjordânia não é um ínfimo da tragédia humana que vivem os ocupados.


Hoje o estado da Palestina já é reconhecido individualmente por países que representam 80% da população do planeta. Ou seja, 5.5 bilhões de indivíduos, contra os 1.6 bilhões que detêm 75% do PIB mundial.




A ex-primeira ministra de Israel Tzipi Livni é célebre por ter dito uma frase inusitada para uma advogada: Detestava leis, ainda mais as internacionais. Frase gravada e reproduzida para a posteridade nos Palestine Papers.
Na semana passada Livni, a dvogada que acha que Direito e Justiça não são indissociáveis, quase parou atrás das grades durante sua visita a Londres.
Livrou-se do mandado de prisão porque gozava de estatuto diplomático.
A acusação de criminosa porém continuará a pesar sobre sua cabeça.
Era Livni que estava em comando quando em 2008 Israel bombardeou Gaza, causando a morte de mais de 3.500 adultos e crianças, deixando centenas de feridos e danos materiais que nunca foram compensados. As casas e os prédios públicos continuam derrubados, já que o bloqueio impede a entrada de material de construção, além de objetos perigosos como papel higiênico e outras coisas do gênero.




Dimitri Medved quer deixar a casa limpa para devolvê-la ao amigo Vladimir Putin.
Deu um ultimatum a Bashar al-Assad (cuja polícia está atirando até em acompanhantes de funeral) que faça reformas imediatas ou se demita e parece ter permitido a execução em Istambul de três chechenos, considerados terroristas, com a mesma displicência do Mossad (serviço secreto israelense).
Os turcos reclamaram e a diplomacia internacional, de mãos amarradas, condenou mais por uma questão de forma.
Além da questão Tchechena ser complicada, sabem que não há como recriminar a Rússia após os precedentes abertos pelos Estados Unidos e Israel.
O primeiro no processo de rendition, sequestros de civis em países alheios à luz do dia e o segundo, mandante do assassinato do palestino Mahmmoud al-Mabhoul em Dubai, em janeiro do ano passado. Os assassinos foram filmados, as provas eram concretas e múltiplas, e no final não deu em nada.
Putin sabe que crime internacionais só são castigados quando o mandante é fraco.
Como os nacionais.




Enquanto Muammar Gaddafi vive sua nova vida, sua milícia continua defendendo Sirte, sua cidade natal, com todos os meios disponíveis. Os rebeldes, que agora são as Forças Armadas líbias legitimadas, dizem que estão na reta final. Enquanto isto, a debandada das famílias não para.




Ellen Johson Sirleaf, Lymah Gbawee, Tawkkul Karman
Como nem todas as mulheres são impiedosas, muito pelo contrário, o Prêmio Nobel da Paz, que desde a derrapagem de 2009 tem tentado reabilitar-se evitando eleições precipitadas, recompensou o trabalho de três mulheres de ações valiosas.
O favoritismo de Ellen era merecido, apesar das reclamações de seus oponentes políticos. Em 2006 ela assumiu as rédeas de um país estraçalhado pelo ditador sanguinário "Lord of War" Charles Taylor que tinha transformado a Libéria em um campo de batalha cheio de crianças-soldados movidos a alucinógenos. Inspirada no projeto do bispo Desmond Tutu da África do Sul pós-apartheid, estabeleceu com sucesso uma comissão de Verdade e Reconciliação com a ajuda de ativistas como Lymah Gbawee. Foi uma luta pacífica ininterrupta junto às famílias que exigiu muita dedicação e coragem.
A jornalista que é também ativista de Direitos Humanos Tawkkul Karman tem mais caminho para a frente do que para trás, mas o que percorreu já fez avançar bastante a causa feminina e democrática no Yêmen.
Estas três humanistas sabem bem que são as mulheres que educam os homens de amanhã e depende delas a perpetuação de comportamentos violentos e preconceituosos ou mudança de mentalidade.

Enquanto isto, o Quênia enterra sua ilustre cidadã Wangari Maathai, recompensada pelo Nobel da Paz em 2004 por seu trabalho de reflorestamento.
Wangari deixou traços indeléveis na história da humanidade: milhares de árvores. 





"The world sees a great and ongoing injustice. They want a just Israel. They see an Israel that occupies and is clearly unjust, and they believe they should do something. We should thank them for this from the bottom of our hearts."
- Gideon Levy, 2006, em With a Little Help from Outside





Artistas contra o Apartheid: http://youtu.be/V28HnPTYz-I;
Free Gaza Movement: http://www.freegaza.org/;
Lowkey:http://youtu.be/ET6U54OYxGw;http://youtu.be/kmBnvajSfWU; http://youtu.be/GO5Cay6GUkM;
Global BDS Movement: http://www.bdsmovement.net/

domingo, 2 de outubro de 2011

"Estado Judeu" e Ocupação de fato



Os EUA estão diretamente fora da rede de exploração da matéria prima bilionária.Porém, perseguem a quimera do gaseoduto Pipelineistan (Turcomenistão/Afegasnitão/Paquistão).
Oficialmente chamado Trans-Afgan Pipeline - TAP (Gasoduto Trans-Afgão) e que talvez vire TAPI, caso a Índia entre realmente no negócio.
Washington é obcecada com o TAP desde meados da década de noventa quando Bill Clinton negociou sua exploração com os Taliban até eles baterem o pé quanto às taxas de trânsito e Clinton recuar porque queria levar todas as vantagens.
Antes do ataque às Torres Gêmeas em 2001 o governo Bush já havia substituído a retórica do “tapete do ouro” por “tapete de bombas”.
De uma certa forma, representando o advogado do diabo, nesta equação financeiro-militar Ben Laden veio a calhar.
Os EUA não se conformam em perder esta mina de ouro potencial que, apesar do custo de construção avaliado em U$10 bilhões, garante uma renda fixa milionária a longo prazo pela qual os EUA está desesperado.
Os Pashtuns nacionalistas eram uma pedrinha no sapato na época do comandante Massud e esta pedra virou uma pedrona chamada Taliban, no caminho deste contrato.
Contudo, dez anos e U$5.4 trilhões mais tarde, em Washington, o sonho com o Gasoduto ainda suplanta o pesadelo das mortes e da destruição que ele vem custando.
Com os Taliban no comando o gasoduto é inviável. Todos sabem.
Com a guerra interminável também, mas as tropas aliadas estão cuidando bem da faixa pela qual o gás transita.  
Se os EUA tivessem usado as vias diplomáticas no início do milênio e tivessem concordado com as condições tarifárias propostas pelos Taliban, o lucro com o TAP seria menor do que cobiçavam, mas não teriam sofrido nem infligido nenhuma perda humana.
A paz reinaria (pelo menos lá) e a Casa Branca não estaria à mercê de contractors, de credores, e sobretudo, não precisaria fomentar conflitos para vender seus serviços e faturar com o único poder que lhe resta; o das armas.

Um pouco da beleza do Afeganistão em imagens de alguns lugares que gosto.

Rabino Yisrael Dovid Weiss fala sobre o sionismo

Free Gaza Movement: http://www.freegaza.org/;
Global BDS Movement: http://www.bdsmovement.net/.


Artists United: Freedom for Palestine


* Filmografia selecionada de Alexandre Nikolaievitch Sokurov, em russo e inglês, pois não sei como foram intitulados em português: The Lonely Voice of Man, Одинокий голос человека, 1978–1987; The Degraded, Разжалованный, 1980; Mournful Unconcern, Скорбное бесчувствие, 1983–1987; Empire, Ампир, 1986; Days of Eclipse, Дни затмения, 1988; Save and Protect, Спаси и сохрани, 1989; The Second Circle, Круг второй, 1990; Stone, Камень, 1992; Whispering Pages, Тихие страницы, 1993; Mother and Son, Мать и сын, 1997; Moloch, Молох, 1999; Taurus, Телец, 2000; Russian Ark, Русский ковчег, 2002; Father and Son, Отец и сын, 2003; The Sun, Солнце, 2004; Alexandra, Александра, 2007; Faust, Фауст, 2011.
Documentários também incríveis, sobretudo a entrevista com o escritor Alexandre Solzenitzin, em 1998.
Apesar de gostar bastante de Sokurov, prefiro publicar aqui uma pérola mais rara e, no gênero, inigualável. Uma entrevista com o grande, imenso, Andrei Tarkovski. Mestre de vários cineastas contemporâneos cujos filmes são inigualáveis em matéria de reflexão e sensibilidade do mundo e dos seres humanos.

domingo, 25 de setembro de 2011

63 anos bastam: "É hora do povo palestino ser livre"



As vias do Senhor são impenetráveis.
Na sexta-feira, na tribuna das Nações Unidas, aconteceu algo extraordinário e notável: baixou em Mahmoud Abbas o espírito do Yasser Arafat irredutível e determinado.
O New York Times, ignorante da natureza humana e de como e quanto a opressão transforma um homem, espantado, descreveu Abbas com uma frase condescendente que esconde um temor latente de Binyamin Netanyahu, Barack Obama, uma certa imprensa, terem criado um “monstro” incontrolável. Em suma, independente.
A surpresa do colega estadunidense ficou nítida nesta frase: “Um homem cinzento de terno cinza e sapatos sensíveis pode estar emergindo da sombra”.
Pode não, emergiu porque estava afogando e após respirar como homem livre é pouco provável que retorne ao fundo do poço para morrer à míngua, na qual 44 anos de ocupação e espoliação territorial e hídrica deixaram o povo que conta com ele na Organização das Nações Unidas.
De um dia para o outro, o homem tido por fantoche virou estadista.
Agora vai ficar na história. Merece biografia.

Era uma vez um homem chamado Mahmoud Abbas, conhecido pelos seus como Abu Mazen, nascido em 1935 em Safed, na Galiléia antes desta ser separada da Palestina, obrigado a deixar casa e terra na Naqba, exilado na Síria com a família, onde se formou em Direito na Universidade de Damasco e doutorado na Universidade moscovita Patrice Lumumba.
Recrutado para a OLP (Organização de Libertação da Palestina) por Yasser Arafat em 1961, no Qatar, subiu discretamente na hierarquia do Fatah até, em 2003 – com a recusa de Israel e dos EUA de negociarem com Arafat e por as eminências do partido (como Marwan Barghouti) estarem no fundo dos cárceres – emergir como Primeiro Ministro do Presidente (apátrida) Yasser Arafat com quem esteve em conflito permanente até demitir-se no ano seguinte e pela mesma razão de antes (dos grandes do Fatah estarem presos em Israel, e mais tarde, com a “ilegalidade” internacional do Hamas) após a morte de Arafat, acabar presidindo a Autoridade Palestina, sem nenhuma oposição de Tel Aviv nem de Washington.
Por quê?
Porque era considerado pela Casa Branca um dirigente manipulável.
Abbas escreveu um livro de 600 páginas sobre a Palestina sem mencionar uma única vez a palavra “ocupação”. Era portanto um homem, para Washington, fiável.
Os Palestine Papers divulgados pela TV Al Jazeera em janeiro revelaram que nas negociações com Israel e os EUA ele estava disposto a ceder muito mais do que podia. Era portanto um animal (como os palestinos são chamados pelos sionistas extremistas) domesticado.
O fato do ano passado ter empreendido uma campanha diplomática de reconhecimento da Palestina, bem sucedida no Brasil e em outros países que conhecem o ônus do militarismo, opressão e imperialismo, não mudou muito sua imagem nas altas instâncias de poder de seus dois ferrenhos adversários.
Tanto que o repreenderam como se fosse criança e acharam que na hora H ele afinaria e recuaria até ser de novo espremido contra a parede que vêem construindo além da Linha Verde, na sua Palestina.
Por causa desta miopia conhecida, de sua história moderada e de sua personalidade reservada, até quinta-feira, até sexta, o Quarteto Oriente Médio, formado pelos EUA, ONU, EU e Rússia, achava que conseguiria dissuadi-lo de fazer ao que tinha vindo.
Os jornalistas que trabalham com comunicado de imprensa e que torciam para o outro lado, também juravam que ele fosse aceitar a saída impossível que Obama lhe oferecia...
Mas o tiro saiu pela culatra e quem foi humilhado, uma vez mais, foi o presidente dos Estados Unidos. Expôs-se a mais uma afronta pública para nada. Saiu de mãos abanando e sob risos velados.
O Poder está mudando de mãos e os Estados Unidos sentiram a pontada ali, em plenário.
Cedo ou tarde todo império enfraquece até decair de importância e perder influência sobre o destino dos dominados. O processo é paulatino e irreverssível.
E todos caem por gastos excessivos em armas destrutivas.
As vias do Senhor são impenetráveis.

A semana passou como uma corrente elétrica passaria se entrasse e saísse por duas vias.
Uma popular de oração e espera na Cisjordânia e do outro lado do Atlântico, em Washington e Nova Iorque, uma de lobby e diplomacia que pressionava Mahmoud Abbas para fazer o moralmente impossível: Esperar mais um ano e voltar às negociações com um Binyamin Netanyahu que quer tudo sem ceder nem um milímetro.
Ou seja, Barack Obama pediu, em nome do lobby sionista, que o representante dos palestinos abandonasse a reivindicação legítima de um Estado sem nenhuma garantia jurídica de defesa e sem nenhuma perspectiva de paz e liberdade frente a um adversário expansionista de extrema-direita que os próprios compatriotas combatem há semanas.
O pior cego é o que não quer enxergar o tanque desenfreado que o achata.

Os jornalistas que seguem a saga palestino-israelense (o mais antigo, há mais de 45 anos, o mais novo, 4 meses) estavam “estacionados” lá, ali, aqui (o advérbio depende de onde estiver e de quem você se aproxima), no lugar que, no final das contas, tudo se decide.
No lugar em que a emoção das mulheres se traduzia em força risonha e lágrimas, a dos homens em um misto de resignação e entusiasmo, a dos jovens e das crianças em energia e esperança jamais vistas nas paragens.
Por “lá” “aqui” leia-se Nablus, Ramallah, Jerusalém e outras aglomerações dos Territórios Ocupados onde a emoção era palpável.
Na Via Dolorosa os versos da Bíblia e do Alcorão se misturavam em um manso hino de liberdade que aguçava a sensibilidade até dos colegas que põem em volta do coração uma carapaça.
A presença dos jornalistas era para informar e para evitar a chacina que os colonos armados anunciavam, sem que nenhuma medida tivesse sido tomada para conter a ira dos invasores contra o povo invadido, humilhado, ocupado, sem nenhum direito de reagir militarmente ou solicitar proteção internacional.
Daí a necessidade de “existir” e de ter um Estado.
Os palestinos não têm demonstrado nenhuma agressividade nas reuniões e passeatas de espera do voto que esperam que vá libertá-los.
Ouvindo os rumores de Nova Iorque que Mahmoud Abbas renunciaria à missão dada, eu não entendia a ingenuidade dos colegas que acreditavam (?) nos boatos de uma diplomacia internacional defasada com o terreno e alheia à potência da consciência da injustiça de ser lesado, despojado de terra, água, e sobretudo, de pátria.
Quem estava na Palestina perto dos que Abbas representava e que seguiu passo a passo expectativas, engodos, decepções dos últimos 30 anos e o fracasso diplomático e mediático da reunião de cúpula organizada por Bill Clinton no ano 2000, em Campo David, entre o primeiro ministro israelense Ehud Barak e o líder da OLP Yasser Arafat, sabia que Abbas não tinha como recuar.
Morrer na praia?
Impensável.


No Campo David de Clinton, Israel exigiu tudo sem ceder nada. Por isto, Yasser Arafat retirou-se. Ciente que o circo tinha sido armado para que nada mudasse e que ele saísse de gaiato.
E saiu. Arafat foi crucificado por jornalistas mal-informados, ou mal-intencionados.
De lá pra cá, a verdade veio à tona e os gatos escaldados que cobrem o Oriente Médio agora tentam escutar os dois lados em vez de se aterem a comunicados de imprensa e a boatos fabricados.
Como os desta semana, que Abbas recuaria, que diplomatas ocidentais conseguiriam convencê-lo a esperar mediante promessas vagas – já que Binyamin Netanyahu não quis nem ouvir falar em respeitar as leis internacionais, o que no caso se traduziria em pelo menos gelar as expansões das colônias judias na Cisjordânia.
Mahmoud Abbas foi às Nações Unidas com um único objetivo. Todos sabiam.
Missão cumprida.
Agora a decisão está nas mãos do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que não tem prazo fixo para comunicar o veredito.
Enquanto deliberam, é certo que farão tudo, junto com o Quarteto (no qual muitos gostariam que o Brasil fosse admitido como quinto violino) para que Israel e a Autoridade Palestina retomem as negociações.
Porém, caso Netanyahu continue intratável, Abbas deverá requerer (rapidamente) que o Conselho exprima seu voto, o qual Obama, se cumprir a palavra dada ao afilhado, vetará em seguida.
Os palestinos então recorreriam à opção que sobra. Ou seja, solicitar aos 193 membros das Nações Unidas que elevem seu status na Organização, com poucas prerrogativas de um Estado.
O que permitiria que Israel continuasse sua política de ocupação e limpeza étnica sem ser incomodado.
Resta ver quão longe Barack Obama está disposto a ir para defender seus custosos aliados.


E enquanto Mahmoud Abbas desabrochava em um homem corajoso e honrado que será para sempre lembrado, do outro lado do Atlântico, outro homem, murchava.
Quando Abbas estava em cima do muro olhando Abbou Mazen embaixo, espremido e angustiado, Obama discursava como se fosse Jimmy Carter, com uma convicção dinâmica que a ocupação da Cisjordânia e o roubo de terras árabes tinham de acabar.
Quem diria há dois anos que na quarta-feira na ONU baixaria em Barack Obama o espírito do Ariel Sharon, que permitiu o massacre nos campos de Sabra e Shatila, em lugar do lúcido e humano recém-eleito presidente dos EUA?
O presidente de hoje mereceu o adjetivo “patético” que os anglófonos usaram com desprezo enfático por sua falta de vergonha de virar uma ferramenta do governo de extrema-direita israelense.
Com a cumplicidade da imprensa nacional.
Como é possível que esta não tenha relevado o absurdo de Dan Shapiro, embaixador dos EUA em Tel Aviv, ter viajado para Nova Iorque no avião de Binyamin Netanyahu, trocando figurinhas com o Primeiro Ministro como se fosse um de seus funcionários?
E foi preciso que o Haaretz, principal jornal de Israel, ousasse publicar a nova alcunha do presidente dos Estados Unidos que os jornalistas já murmuravam: Barack Netanyahu.
Aliás, o homônimo político do recém-batizado o respeita tanto, que na hora de seu discurso estava entretido em conversa animada com o presidente da Colômbia...
Outro tapa na cara que Obama recebeu calado.
E como todo sujeito débil, humilhado, esbofeteou então Abbas por “ousar” reivindicar o direito a uma pátria, ao respeito, a uma identidade.
Como declarou a deputada do Fatah e militante de Direitos Humanos Hanan Ashrawi ao Haaretz, ouvindo o discurso do presidente dos EUA, dir-se-ia que são os palestinos que ocupam Israel em não o contrário.
Nenhuma palavra de simpatia pelas centenas de milhares de palestinos forçados à diáspora na Naqba, os refugiados; nem pelos ocupados, terrorizados pelos 500 mil colonos invasores dentre os quais bastante estão armados; pelos despojados de terra, água, identidade; nem pelas milhares de vítimas gazauís bombardeadas, pelos sobreviventes sem casa, sem meios e enclausurados em um estado de sítio interminável.
Nada.
Só os infortúnios israelenses lhe interessaram.
Levantou os defuntos dos bombas-suicidas, que deixaram de ser atualidade em 2005, como se continuassem em atividade; lamentou os pobres israelenses atingidos pelos foguetes artesanais jogados de Gaza como se fossem torpedeados dia e noite por dirigíveis sofisticados; teve coragem até de desencavar o holocausto da Segunda Guerra Mundial, argumento inesgotável, como se fossem os palestinos os responsáveis ou tivessem sido eles os idenizados com uma pátria, em vez de terem sido desfalcados de nacionalidade.
Shame on him! disseram membros de ONGs israelenses de Direitos Humanos.
O holocausto é um fato histórico que faz parte de todo curriculum escolar no Ocidente. É um Mal irrefutável e condenado com merecida veemência.
Contudo, não foram os palestinos que cometeram aqueles atos abomináveis.
Como sempre, os EUA recorreram ao argumento de chantagem que funciona com os europeus, que um dia, vão ter de pôr fim a esta culpabilidade inesgotável: Foram cúmplices ativos ou mudos, mas já reconheceram, se desculparam, se redimiram com o Estado de Israel; ponto final.
Agora têm de consertar outro erro do passado.
Madeleine Albright, a Hillary Rodhan do governo de Bill Clinton, costumava servir ao mundo, no conflito Israelo-Palestino, uma mentira que ficou nos anais jornalísticos: “Só depende das duas partes”.
Quem conhece a história das últimas décadas sabe qual parte quer paz e qual quer ter tudo ou guerra.
E a Justiça depende da Organização das Nações Unidas e do voto de um indivíduo:
Barack Houssein... Netanyahu ou Obama.


Milícias terroristas de judeus franceses chegaram na Cisjordânia, armados até os dentes e recrutando mercenários na internet.
55 homens e mulheres com treinamento militar já estão a postos em colônias e em pé de guerra.
Chegaram no aeroporto Ben Gurion sem ser incomodados, embora há poucos meses a entrada de militantes de Direitos Humanos de ONGs internacionais, inclusive franceses, que vinham em paz, tenha sido bloqueada.
Pedras contra kalishnikovs.
A ONU vai permitir outra Naqba? Limpeza étnica total?

Treinamento de tiro ao alvo nas colônias/assentamentos/invasões judias na Cisjordânia - até as mulheres aderem à onda terrorista.
Em uma confrontação de uma milícia de Esh Kodesh com uma passeata pró-Estado da Palestina de pessoas desarmadas, entre gás lacrimogênio e balas, Issam Badran, palestino de 35 anos, pai de oito filhos, virou cadáver.




“The reason that Israel has been able to appropriate Palestine unto itself with American aid and support is that Israel controls the explanation of the Israeli-Palestinian conflict. At least 90% of Americans, if they know anything at all of the issue, know only the Israeli propaganda line. Israel has been able to control the explanation, because the powerful Israel Lobby brands every critic of Israeli policy as an anti-semite who favors a second holocaust of the Jews.”
Paul Craig Roberts, 2007, em Carter's Inconvenient Truths

Entrevista Jimmy Carter
 
Free Gaza Movement: http://www.freegaza.org/;
Global BDS Movement: http://www.bdsmovement.net/



domingo, 18 de setembro de 2011

Palestina, 194ª Nação Unida?


Para todo cidadão do mundo lúcido e justo, o reconhecimento do Estado da Palestina é um Direito Moral inalienável e que a nossa geração tem de corrigir este lapso das gerações passadas.
Como foi, após a Segunda Guerra Mundial, o Direito dos judeus terem um pedaço de terra que lhes desse a Nação que lhes faltava.
É desumano viver sem identidade.
A controvérsia atual levantada pelos governos de Israel e dos Estados Unidos é então surreal.
O próprio Barack Obama, em 2009, afirmou no Cairo em discurso memorável: Os israelenses têm de saber que do mesmo jeito que o direito de Israel existir não pode ser negado, também não pode o da Palestina.
De 2009 para cá, como se sabe, o Presidente dos EUA virou a casaca, subiu e desceu do muro, até o Primeiro Ministro de Israel transformá-lo em vassalo.

A arte do grafiteiro palestino no muro que já estampa Yasser Arafat,  sob olhar vigilante dos soldados isralenses:
O que o 20 de setembro muda? É o que dizem as letras árabes
O apoio incondicional de Barack Obama a Binyamin Netanyahu é incompreensível em todos os sentidos.
Primeiro, porque o candidato do “Yes, we can!” prometeu, entre as coisas que podia, justiça; e portanto, inaugurou o mandato pressionando o governo de extrema-direita de Tel Aviv para que se preparasse para a independência da Palestina.
Segundo, porque o presidente do “Sorry, we can’t” abandonou o tema do Direito e da Liberdade para empenhar-se em uma ajuda política incompreensível ao Primeiro Ministro de Israel.
Uma dedicação cega  de mão única que põe em perigo o (acanhado) capital simpatia que os Estados Unidos recuperaram nos países árabes (e no mundo) após sua promissora eleição.
Obama, em relação a Netanyahu, parece aquela estória da mulher de malandro: quanto mais apanha, mais ama e mais se dedica a quem a debilita e quebranta.
Foi humilhado em Israel: Na visita oficial de seu vice-presidente John Biden, que havia ido, em seu nome, negociar o congelamento das colônias na Cisjordânia. Biden recebeu um tapa na cara: Em vez de dar ouvidos ao eminente embaixador de Obama, Netanyahu anunciou a construção de novas invasões durante sua estadia.
Foi humilhado nos Estados Unidos: Em visita a Washington, Netanyahu fez um discurso na Casa Branca dando lições ao Dono da Casa sobre o direito histórico judaico à Palestina e o perigo que os nativos representavam para esta reivindicação sionista.
Obama ficou furioso, a portas fechadas, e nos bastidores mandou seu recado. Porém, o apoio ao Primeiro Ministro continuou firme.
Até quando Netanyahu atacou a Flotilha da Liberdade em águas internacionais, nove turcos foram assassinados e o mundo inteiro criticou, chocado.
Até quando Netanyahu recusou pedir desculpas à Turquia, apesar da fórmula milagrosa confeccionada pela Casa Branca ter sido aceita por ofensor e ofendido.
Até sabendo que Netanyahu teme seu ministro das relações exteriores Avigdor Lieberman mais do que se preocupa com o bem-estar de seus concidadãos.
Até sabendo que para o Novo Egito, Netanyahu e Mubarak são farinha do mesmo saco. Os próprios israelenses já manifestam nas passeatas que entenderam isto.       
Mesmo sendo humilhado e estando consciente da inconsciência de sua oposição à criação do Estado da Palestina e de seu subsídio financeiro a um governo cada vez mais distante dos valores democráticos que os EUA admiram, Obama continua apostando que o lobby extremista judeu sionista vai reelegê-lo, em vez de apostar em Rick Perry...
Esquece uma lei Física elementar: os extremismos se atraem como ima.

O Primeiro Ministro de Israel espaldado (ou acossado?)
por seu Ministro das Relações Exteriores (ao fundo),
o fascista declarado Avigdor Lieberman;
um dos "colonos" que moram nas invasões judias na Cisjordânia
 Quanto a Binyamin Netanyahu, bicho papão de israelenses, gazauís e cisjordanianos, estará em Nova Iorque esta semana com seu lobby, armado de toda munição (verbal) disponível, a fim de combater a criação do Estado Palestino.
Deve dar um pulo em Washington para cumprimentar o Republicano que ganhou do Democrata que perdeu a cadeira na Câmara por causa da política pró-Israel de Obama.

O que os israelenses temem com a criação do Estado da Palestina, além das invasões/colônias/assentamentos serem mais oficialmente ainda proibidas internacionalmente?
Temem que os palestinos tenham direitos iguais aos dos demais países. Dentre estes, o de solicitar proteção militar da ONU e de acionar a Corte Criminal Internacional, contra os crimes impunes, abusos territoriais (inclusive a ilegalidade do muro) e os ataques constantes de colonos e soldados bem mandados.
Vide vídeo de policiais israelenses a paisana prendendo Islam Jaber, palestino de 13 anos que estava jogando futebol perto de casa, em Jerusalém Oriental, na Cisjordânia. http://www.youtube.com/watch?v=VprzsYoUfjI&feature=player_embedded

Soldados israelenses prontos para o ataque, do outro lado do muro
O Plano B dos palestinos, caso (?) os Estados Unidos lhes fechem as portas e que fique por isto, é solicitar, via Assembléia Geral da ONU, o mesmo estatuto do Vaticano.
Washington sabe disto e sabe que não tem poder de veto nesta área, porém já disse que providenciará em seguida o corte dos fundos financeiros para a Palestina.
Ativistas de Direitos Humanos acham que se obama fizesse a mesma ameaça a Israel, neste caso, de cortar os bilhões de ajuda militar, Netanyahu pensaria duas vezes antes de prosseguir sua limpeza territorial e étnica na Cijsordânia e em Gaza.



Uma fonte do Shin Bet, Serviço Secreto Interno de Israel, alertou para o perigo das milícias de judeus extremistas, ativas na Cisjordânia. Estes grupos terroristas sionistas vêm atacando impunemente palestinos e ativistas israelenses de direitos humanos; além de destruir cisternas, queimar e arrancar oliveiras, depredar casas, escolas, universidades e até mesquitas.


Turki al-Faisal, ex-chefe do Serviço Secreto da Arábia Saudita e ex-embaixador em Washington já avisou que o veto dos Estados Unidos ao Estado da Palestina no dia 20 encerraria a “relação especial” entre seus dois países e faria que os EUA se tornasse “tóxico” no Mundo Árabe.
Vale lembrar que com a libertação do Egito, Ryad é o maior aliado, e o único peso pesado, de Washington nesse território do mundo bastante minado.


Mahmoud Abbas, Presidente da OLP (Organização pela Libertação da Palestina),
criada por Yasser Arafat, e da Autoridade Palestina.
Pronto para defender o Direito à Cidadania nas Naçõs Unidas 
A Assembléia das Nações Unidas vai viver um momento histórico nesta sexta-feira. Uma das maiores batalhas verbais ouvidas na Organização. Nesse dia, Mahmoud Abbas e Binyamin Netanyahu pronunciarão em plenário os discursos que anunciam as posições oficiais de seus dois países.

Na Líbia, onde as mulheres foram essenciais na luta contra Gaddafi (transportando balas nas bolsas, cozinhando e costurando para os guerrilheiros, vendendo jóias para financiar compra de jipes e com o apoio moral imprescindível à vitória), embora o Conselho Nacional de Transição de Benghazi, em reconhecimento ao trabalho fornecido, tivesse prometido que na Nova Líbia elas seriam embaixadoras e ministras, dos 41 ministérios só um foi confiado às guerrilheiras de bastidores: o das mulheres.


No Yêmen, onde a luta pela democracia continua,
o rapaz ostenta na cara as cores do país e as da Palestina








Artistas contra o Apartheid: http://youtu.be/V28HnPTYz-I;
Free Gaza Movement: http://www.freegaza.org/;
Lowkey:http://youtu.be/ET6U54OYxGw;http://youtu.be/kmBnvajSfWU; http://youtu.be/GO5Cay6GUkM
Global BDS Movement: http://www.bdsmovement.net

domingo, 11 de setembro de 2011

Declínio de um Império


Queima de livros após o Golpe militar no Chile,
patrocinado pela Operação Condor  
No dia 11 de setembro de 1973, a CIA e sua Operação Condor, no Chile, levou o general Augusto Pinochet ao poder em um Golpe de Estado em que o presidente Salvador Allende perderia a vida. O golpe foi seguido de queima de livros, prisões massivas no Estádio Nacional, tortura, execuções sumárias e o crime econômico de dar plenos poderes aos Chicago boys e sua teoria do choque.
Vinte e oito anos mais tarde, a Operação Condor que havia aberto as veias da América Latina, foi desbancada por outro grupo terrorista liderado por um homem que os EUA mesmo tinham criado.
O homem era o milionário saudita Ossama Bin Laden.
O novo grupo terrorista de dimensão internacional era o al-Qaeda.
Nesse ano eu disse que aquela era a marca do declínio do império estadunidense.
O futuro em que vivemos está provando que não estava errada.
Os EUA caíram na armadilha como patos de primeira viagem e começaram a corrida bélica monstruosa que foi fagocitando todas suas células vivas e estrangulando a energia ativa que até então os movia.
Na “guerra contra o terrorismo” que George W. Bush começou nesse dia com a cumplicidade dos concidadãos incautos, os Estados Unidos foram perdendo os princípios e os direitos individuais com cada nova medida de coerção da liberdade que era o valor do qual os estadunidenses mais se orgulhavam – ao ponto de permitir a expressão racista criminosa de grupos neofacistas como o Klu Klux Klan sem puni-lo.
Bin Laden era um homem horrendo, mas sua célula intelectual é de inteligência rara.
Bush e sua equipe perto da dele eram calouros.
Tanto que nem ouviram sua mensagem. Soltaram tantas bombas por todos os lados que ficaram surdos ao que realmente dizia o Al-Qaeda.
Os demais ouviram que Bin Laden dizia que o único jeito de derrotar os EUA era sangrá-los até exauri-los do que mais prezavam - dinheiro e liberdade.
O meio de derrubá-los era provocar uma série de conflitos, pequenos, mas dispendiosos, nos quais seus inimigos gastariam o que tinham e o que não tinham até chegarem à bancarrota que anunciaria o início do fim do império que dominava o mundo.
O escritor francês Beaumarchais, em seu libreto da ópera de Rossini O Barbeiro de Sevilha, diz que Quando se cede ao medo do Mal já se sente o mal do medo.
Em 2001 os EUA cederam ao mal do medo que lhes foi corroendo as riquezas e a energia até perderem os meios e o fôlego no espaço de uma década, apenas.
Hoje vigiam seus concidadãos noite e dia, fecham escolas públicas e vivem de crédito alheio. Até brasileiro.
Sem educação, vão acabar chegando onde estávamos quando a Operação Condor exportava terrorismo de Estado, tortura e dava as cartas.
O dramaturgo russo Anton Tchekhov dizia que Nada une tanto quanto o ódio: nem amor, nem admiração, nem amizade.
O ódio dos Bush pôs os EUA de joelhos e o medo os fez vender a alma para o diabo. Barack Obama conseguiu resgatá-la aos pedaços, mas não tem peito nem meios de recuperá-la. O declínio está em marcha.  

Massacre de civis em Fallujah, no Iraque
Uma tragédia é uma tragédia. Qualquer que seja a vítima e quantas sejam elas.
O valor de uma vida é o mesmo. Qualquer que seja a origem e a idade do assassinado.
No dia 9, o mundo inteiro celebrou o triste aniversário da explosão do pulmão financeiro de Nova Iorque. E as 2.997 vítimas diretas, instantâneas, foram lembradas e devidamente lamentadas.
Pouquíssimos falaram nas vítimas indiretas, imediatas e mediatas, desta data célebre.
Muito mais pessoas morreram no Afeganistão e no Iraque nos últimos dez anos do que nos EUA, via terrorismo, de 2001 para cá.
Até 2010, 19.629 pessoas haviam sofrido morte violenta no Afeganistão e 900.338 no Iraque.
O Afeganistão conta 48.644 feridos e o Iraque 1.690.903. Sem contar as centenas de milhares de homens, mulheres e crianças forçados ao êxodo e que engrossaram o número total de refugiados, acolhidos em tendas do Alto Comissariado de Refugiados da ONU ou desabrigados.
Não há como lembrar no dia 9 de setembro apenas as vítimas do ataque às Torres Gêmeas, pois a Moral e a Justiça deveriam caminhar de mãos dadas para evitar que a história se repita e derrapagens.
O grande pensador e matemático francês Blaise Pascal dizia, no século XVII, que a Justiça sem Força para ministrá-la é impotente; e a força sem justiça é tirânica.
No século seguinte, outro francês ilustre, o barão de Montesquieu, disse que a tirania mais cruel é a exercida à sombra da lei e com cores de justiça.



E a injustiça leva a atos desesperados. Como o de sexta-feira à noite, quando cerca de mil pessoas desarmadas derrubaram o muro da embaixada de Israel no Cairo e alguns deles penetraram no prédio e o depredaram.
É um alerta a Netanyahu: A cumplicidade do Egito é coisa mesmo do passado.  
Tudo começou em uma passeata na Praça Tahrir, onde uma multidão exigia que os militares, em poder interino desde a deposição de Mubarak, procedam às reformas prometidas em fevereiro.
Desde o assassinato dos cinco guardas de fronteira egípcios pela IDF (exército israelense) no mês passado, que as passeatas e manifestações na porta de embaixada israelense no Cairo têm sido frequentes. A palavra de ordem é que o Egito expulse o corpo diplomático, já que Israel se recusa a desculpar-se formalmente aos egípcios pelo assassinato dos policiais.
Após hesitar, o Ministro do Exército mandou centenas de soldados conterem os manifestantes até atirando com balas de borracha. Quase a metade dos participantes da passeata foi parar no hospital e Barack Obama logo telefonou para Binyamin Netanyahu, em solidariedade. Hillary Clinton puxou a orelha do Ministro das Relações Exteriores do Egito para que o país honre a Convenção de Viena que obriga a proteção de propriedade diplomática.
Sabendo disso, um dos heróis da Revolução da Tahrir em fevereiro perguntou: E que Convenção Internacional protege nossos policiais na fronteira e Cisjordânia e Gaza?

Primeiro ministro turco Recep Tayyip Erdoğan com Lula
no ano passado, em Brasília
Israel tanto fez e tanto faz que conseguiu se indispor com a Turquia, o único aliado político e econômico que tinha no Oriente Médio.
O veredito da ONU de sua pseudo-legalidade no bloqueio de Gaza e no ataque da Flotilha no ano passado foi um daqueles casos que se parecem com histórias de amor mal-acabadas do quem perde é que ganha. Ganhou na ONU, mas esta vitória é uma derrota.
Os EUA ficaram preocupados e seu embaixador internacional, o Secretário Geral das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Ki-moon, chegou até a pedir que os dois países façam as pazes. Isto vimos na semana atrasada.
Na semana passada conjecturava-se em Washington do por que da Turquia ter finalmente, após ter voltado atrás às represálias do ano passado, que sucederam o assassinato dos nove turcos na abordagem israelense pirata do navio Mavi Marmara.
Para mim a resposta é simples. A Turquia é pragmática. E o ex-prefeito de Istambul e atual primeiro ministro Recep Tayyip Erdoğan e mais pragmático ainda.
Até 2010, seu país estava ilhado em sua política liberal laica, que visava à integração na União Européia e Israel era o único parceiro que lhe restava.
Em 2011, a Tunísia e o Egito estão sacudindo a poeira do passado e o mundo árabe está se emancipando e criando um grande mercado.
Por que então arriscar ir contra a corrente popular, e suas próprias convicções, quem sabe? apoiando maus atos de em parceiro acidental que o mundo inteiro condena?
Erdoğan mantém que além da expulsão do embaixador israelense de Ankara, vai contestar o veredito tendencioso da ONU submetendo ao Tribunal Internacional a ilegalidade do bloqueio de Gaza, e vai sim fornecer escolta naval aos navios turcos que levarem ajuda humanitária à Faixa.
Binyamin Netanyahu acabou apresentando semi-desculpas à Turquia pelo assassinato dos turcos no ano passado. Ele chamou o assassinato de “erros operacionais” e prometeu indenizar as famílias das vítimas do dia 31 de maio. Resta saber se, pesando os prós e os contras, Erdoğan, realmente, se satisfará com as desculpas esfarrapadas.
O ex primeiro ministro inglês Winston Churchill disse, no século XX, que O orgulho prefere se perder a perguntar o caminho.
O jornalista francês Rivarol disse, no século XVIII, que O orgulho está sempre mais perto do suicídio do que do arrependimento.

No início do ano, August Burns Red, uma das maiores bandas cristãs metalcore do mundo aderiu ao Global BDS Movement cancelando seu mega show marcado para junho em Israel. Foi uma decisão humanisto-política de boicote à política de apartheid israelense na Cisjordânia.
Daí os sionistas foram atrás de outro cantor que (a troco de quê, de um cachê milionário?) concordasse em tapar o buraco e redourar a imagem do governo de extrema-direita que destrói casas palestinas em Jerusalém para construir colônias judias.
Dizem as más línguas que muitos recusaram participar deste embuste. Até um tupiniquim alienado fazer o triste papel de relações públicas de uma situação que Jesus Cristo certamente condena, lá do alto.
A imprensa nacional aplaudiu, a burguesia que podia pagar a viagem derramou lágrimas, mas o que Roberto Carlos fez mesmo foi o triste papel de envergonhar o Brasil que sabe que ser cristão é ser solidário com os mais fracos.

Enquanto Roberto Carlos cantava para os endinheirados, o escritor e diretor de ópera e teatro britânico Jonathan Holmes (http://www.jonathanholmes.net/) e fundador do Teatro Britânico de Jericó, inaugurava a Tempestade, de Shakespeare, para jovens palestinos que vivem em um campo de refugiado de Aida, em Belém, na Cisjordânia.
A peça foi encenada em inglês (com sinopses esporádicas em árabe), mas apesar desta dificuldade, parte do público ficou até o desfecho da trama shakespeariana.
Os que só falam árabe ficaram assim mesmo fascinados com a semelhança do que une o que vivem à Tempestade.
Os que entendiam as palavras, se emocionaram com a abordagem do dramaturgo inglês de uma disputa territorial entre pessoas de culturas diferentes e iguais.
Uma das cenas que mais agradaram os jovens palestinos foi a de Próspero perdoando seus antagonistas. Bom sinal.
Quem estiver na Palestina ou em Israel neste semestre poderá assistir a esta ótima montagem da Tempestade. De Belém a peça seguirá para Nablus e depois para Haifa. E caso perca estas representações especiais, poderá assisti-la a partir do dia 21 de setembro (dia seguinte à votação da ONU do Estado da Palestina) até o dia 22 de outubro em Londres, na Igreja Cripplegate Saint Giles, conhecida do dramaturgo e onde um de seus principais atores foi enterrrado, em 1661.
Deixo a Hala al Yamani, professora na Universidade de Belém a palavra final sobre a Tempestade: Um irmão detém o poder e o outro nada, mas no fim o poderoso dá ao outro a liberdade que lhe negava. Nós temos de conquistar a nossa. Não acho que a peça seja política. É sobre algo mais. É sobre humanidade.


No Yêmen, a luta continua e as passeatas estão aumentando de intensidade 
A Liga Árabe tomou a dianteira da OTAN na Síria e exige:
Assad, reformas, já!


Interpol procura (vivo ou morto?) :
Abdullah Senussi (chefe da polícia secreta líbia)
Saif al-Islam Gaddafi (filho do déspota líbio que talvez se encontre na Nigéria)
Muammar Gadddafi (temido por cirenaicos e tripolitanos)





A resposta do jornalista John Pilger à declaração de Barack Obama que as 
Forças Armadas dos EUA são "the finest fighting force in History".


“The reason that Israel has been able to appropriate Palestine unto itself with American aid and support is that Israel controls the explanation of the Israeli-Palestinian conflict. At least 90% of Americans, if they know anything at all of the issue, know only the Israeli propaganda line. Israel has been able to control the explanation, because the powerful Israel Lobby brands every critic of Israeli policy as an anti-semite who favors a second holocaust of the Jews.” Paul Craig Roberts, 2007




Artistas contra o Apartheid: http://youtu.be/V28HnPTYz-I;
Free Gaza Movement: http://www.freegaza.org/;
Global BDS Movement: http://www.bdsmovement.net/.