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domingo, 21 de julho de 2013

Mabruk, União Europeia!


A notícia boa da semana chegou no dia 16 de julho. Dia em que a União Europeia deu o golpe fatal (ainda falta ser implementado) no maior infrator mundial das leis internacionais.
Nesse dia, a UE aprovou uma Diretiva que vale como um boicote puro e simples de tudo o que tem a ver com a ocupação israelense da Palestina.
A diretiva da UE foi anunciada e de repente, em Tel Aviv e na Jerusalém ocupada, onde o Knesset foi arbitrariamente instalado, parecia que um terremoto abalara a prepotência israelense de cabo a rabo.
Binyamin Netanyahu soltava fogo pelas ventas, Avigdor Lieberman suava, bufava, possesso de raiva, enfim, todos os sionistas que se julgavam intocáveis por causa da proteção dos EUA tremeram nas bases. De espanto, raiva e preocupação - esta, escondida atrás das palavras de desafio que estão acostumados a pronunciar quando são condenados.
Pois a Diretiva aprovada pela UE não podia ser mais clara. Condena o Estado de Israel a conformar-se com as fronteiras de 1967 e parar de expandir-se apesar das proibições dos tribunais internacionais.
Concretamente, a Diretiva proibe todos seus países membros de efetuar com instituições públicas e privadas israelenses qualquer acordo de cooperação ou negócio financeiro, acadêmico, científico, esportivo, artístico, etc.... A não ser que o governo, ou o empresário, concorde em assinar um contrato com a cláusula que exclua qualquer envolvimento nas/das colônias judias nos territórios ocupados.
Ou seja, para ter qualquer relação comercial, cultural, intelectual ou esportiva com a União Europeia, o israelense que assinar o contrato, além de excluir os territórios ocupados, admite implicitamente que o Estado de Israel para nas fronteiras de 1967.
O texto é claro. Os europeus só poderão interagir com Israel propriamente dito até a Linha Verde. As colinas do Golan, a Cisjordânia e Jerusalém estão fora do limite. São territórios estrangeiros ocupados ilegalmente.
Esta decisão já era praticada no terreno e não inclui "trade", ou seja, importação/exportação. Porém, já é positiva.
A partir de janeiro de 2014 Israel vai ficar mais ilhado ainda, de fato.
Em Ramallah se regozijava. Em Tel Aviv, no meio pacifista israelense, idem.
A palavra boicote não foi utilizada nem murmurada, mas estava claríssimo que a União Europeia dissera BASTA!
As exigências principais e que atingem o governo de Netahyahu como uma bofetada do Hulk não param só nessas exigências de base.
Os israelenses serão submetidos a visto no passaporte para visitar os países da UE. Visto que só será concedido aos israelenses que provarem residência no exterior ou dentro dos limites das fronteiras de 1967. O invasor que vive nas colônias/assentamentos na Cirjordânia e nos Golan terão de passear em outra parte.
Inclusive a eminência parda do governo, Avigdor Lieberman, ministro plenipotenciário sem pasta por estar com problemas na justiça (mas que age como se ainda fosse e estivesse Ministro das Relações Exteriores) está proibido de entrada. Já que mora em uma colônia na Cisjordânia. Conforme a medida da UE, a Europa, a partir do dia 1° de janeiro de 2014, lhe será vedada.
Esta política de visto é construtiva. Terá consequências práticas e psicológicas difíceis de serem negligenciadas. Oficialmente, os colonos viram párias. O que pode dissuadir "importados" a se instalarem nas novas implantações que Netanyahu acabou de anunciar.
O apoio incondicional dos Estados Unidos tem sido o esteio de Israel e o motor para que desrespeite as leis internacionais sem ser prejudicado.
Porém, a população israelense é mais ligada geográfica-econômica-emocionalemente à Europa do que aos Estados Unidos. A maioria dos imigrantes vem de lá. E a UE entendeu isso. Entendeu que é ela e não os EUA que tem o poder real para terminar com o drama que os palestinos vivem desde 1948 e "patrocinar" a justiça e paz entre Israel e Palestina.
O passo é modesto, mas firme.
Tomara que os BRICs sigam no mesmo caminho.

Mabruk (parabéns em árabe) à União Europeia! pela coragem de fazer a coisa certa.
Como já disse neste blog, o boicote é um direito de todo cidadão do mundo e o único instrumento democrático não-violento de resistência quotidiana acessível a todo mundo.
Passeata é bom, chama atenção, influencia, mas não atinge os infratores a médio e longo prazo. É útil, barulhento, mas insuficiente.
No boicote, todo indivíduo tem o direito de decidir sozinho/a, anonimamente, boicotar ou ser cúmplice.
Todo indivíduo pode decidir inclusive o que e quem boicotar, no caso de Israel, na lista recomendada.
Os israelenses liberais, pacifistas, conscientes, também boicotam. Minuciosamente. Há tempos. Desde o início do BDS. Alguns até antes de 2005. Desde 1998.
Só que, como o boicote é privado, alguns excluiam de seus atos Jerusalém Oriental (ocupada), outros os Golã, enfim, cada um define seu limite de consumo. Um artista famoso disse inclusive que seria incapaz de viver sem o vinho que os colonos fabricavam nos Golã... Mas não consumia nada que viesse do Vale do Jordão. Ou seja, da Cisjordânia palestina.
Há pessoas e empresas que se instalam nas colônias/invasões/assentamentos judeus nos territórios ocupados por razões ideológicas. Estes são racistas inveterados, sionistas extremistas que querem ver o "Grande Israel" do Mediterrâneo à Jordânia, e os palestinos todos exterminados.
Mas há empresas que se instalam nas colônias/invasões/assentamentos judeus por razões "puramente" venais. Porque são presenteados com terras roubadas, desfrutam de inúmeros incentivos e de isenção fiscal.
Os lucros são atraentes. A ética inexistente.
Pois bem, o boicote, a escolha cidadã cuidadosa dos produtos no mercado, faz toda diferença. O boicote pode zerar e até tornar os incentivos do governo israelense irrisórios, comparados com a perda de vendas. E assim, contrabalançar a venalidade.
Todo cidadão israelense, brasileiro, de qualquer país do mundo pode aderir ao boicote e fazer sua parte. Não ser cúmplice da ocupação mais longa dos últimos séculos de história da humanidade.
Todo cidadão que discordar desde comportamento bárbaro, pode optar por não ser responsável indireto de uma limpeza étnica que vem sendo efetuada desde 1948 na maior impunidade.
A União Europeia, paradoxalmente, tem sido um dos maiores financiadores indiretos da côlonias. E até ela disse CHEGA! a tudo o que segue abaixo.
Embora não seja de domínio público, por incrível que pareça, devido a um Acordo incrompreensível, os produtos israelenses são isentos de impostos de importação na União Europeia. Circulam pelas fronteiras como se Israel fosse um país europeu.
Por incrível que pareça, Israel conseguiu ser incluído na Liga Europeia de Futebol, no Concurso musical Eurovision e em outros eventos e organizações europeias.
Por incrível que pareça, universidades israelenses recebem patrocínios europeus enormes para pesquisa e participam ativamente de custosos projetos europeus científicos.
É claro que todos os acordos acima eram restritos ao Estado de Israel e não eram extensivos às colônias. Contudo, Bruxelas, o centro nevrálgico da União Europeia, até a semana passada, fechava os olhos aos desvios.
É por isso que apesar do padrinho gringo, o golpe em Israel foi duríssimo.
Vale dizer que os sucessivos governos israelenses viviam ridicularizando a União Europeia. Seu desprezo pelos enviados europeus era às vezes até ofensivo. Um pouco como agem com todos os estrangeiros que discordam de seus procedimentos. Não apenas os não-judeus. Noam Chomsky sofre o mesmo tratamento.
Pois é, até o dia 15 de julho de 2013 - data histórica - os países os maiores parceiros comerciais de Israel eram tratados com desprezo.
Hoje não os subestimam tanto e todos os políticos israelenses, de todas as tendências polítcias - de esquerda, direita e fascista - estão unidos na raiva contra os europeus. Mas não os subestimam como antes.
Como se não soubessem que seu país há anos vem infringindo as leis internacionais impunemente. Uma hora a mamata tinha de acabar.
Ora, a Diretiva da UE segue simplesmente as leis internacionais. Começando pela Convenção de Genebra.
Apesar disso, nenhum político israelense, nem os que discordam de Netanyahu e condenam a invasão civil e militar da Cisjordânia, ousaram elogiar a decisão da União Europeia.
Naftali Bennet - o Ministro da Economia que é também chefe dos representantes dos colonos - rejeitou a decisão como se esta dependesse do seu querer e não do dos europeus. "It was a miserable decision", foi uma das frases mais delicadas que saíram de sua boca.
Vale dizer que Bennet disse há poucos dias que não havia nenhuma pressão internacional sobre Israel... Foi pego de surpresa. Aliás, o mundo inteiro. Até Washington, que não acreditava na determinação dos europeus de pôr um fim nesta situação que julgam injusta e insustentável.
Aliás, o mesmo Bennet, propôs a Netanyahu, em punição à UE, que Israel interdite todos os projetos humanitários europeus na Cisjordânia...
Parece piada mas não é.
Netanyahu foi ao ar soltando fogo pelas ventas e declarou impenitente: "As prime minister of Israel, I will not allow the hundreds of thousands of Israelis who live in the West Bank, Golan Heights and our united capital Jerusalem to be harmed. We will not accept any external diktats about our borders. This matter will only be settled in direct negotiations between the parties."
Como se tivesse poder para isso.  
Mas a piada maior foi terem dito (um dos cupinchas de Netanyahu) que a UE estava minando os esforços diplomáticos de John Kerry para iniciar negociações de paz entre Israel e a Palestina.
Má-fé despudorada, aos ouvidos de quem sabe que há meses os israelenses estão puxando o tapete do Secretary of State dos Estados Unidos para ele não atinja seu objetivo.
Mas quem cobre Israel está acostumado com enganos, mentiras, enrolações, vitimização vergonhosa e contra-informações ilícitas.
Sabendo que o gelo das colônias é condição sine qua non para a retomada das negociações, nem a líder oficial da oposição, Shelly Yachimovich, do Partido Trabalhista, emitia a mínima crítica aos colonos. Muito pelo contrário, não faz muito tempo que dedicou-lhes publicamente sua simpatia.
Quanto à opinião pública israelense, como sempre, dedicou-se à procura de um culpado. Em vão. Não encontrou ninguém porque a população toda é cúmplice passiva ou ativa do crime pelo qual o país acabou de ser condenado.
Aliás, Israel não tem nem Ministro das Relações Exteriores nomeado. Apenas um Vice (!). Já que o cargo vago é de Avigdor Lieberman - atualmente respondendo processo por corrupção. Netanyahu está convencido que nenhum juiz isralense ousará condenar o terrível Lieberman, após o próprio Ministro da Justiça ter tirado o corpo fora.
Enquanto uns esperneiam, outros israelenses de bom senso veem bem que a decisão europeia é pró e não contra Israel. Já que não boicota Israel como um todo e sim o Israel ilegal.
De fato, a Europa foi bastante cometida. Contra a África do Sul do apartheid foi mais categórica.


Há anos pratico o boicote dos produtos israelenses, cujo código-barra, acima, divulgo sempre neste blog.
Muitos acham que o boicote total de Israel é contra-producente. Estes argumentam que ao deixar de restringir o boicote às colônias, a população "legal" eventualmente se faria de vítima e se solidarizaria com os "ilegais".
Eu acredito no boicote total. Como contra a África do Sul do apartheid. Foi assim que o governo ficou estrangulado e foi obrigado a ceder, fazer a coisa certa e acabar emancipando a população autótona de última classe.
O termo boycott apareceu em 1888 em uma situação similar a esta. Era sobre dominação externa, terra, assentamentos.
Só para lembrar, na Irlanda sob ocupação britânica, Charles Boycott, agente de um lorde britânico, expulsou os meeiros irlandeses que não conseguiam pagar as altíssimas rendas cobradas para o cultivo das terras de seus ancestrais. Aí um líder nacionalista teve a brilhante ideia de em vez de atacar o tal Sr. Boycott fisicamente como seus companheiros queriam, arruiná-lo pacificamente. Parando de trabalhar para o sujeito, negociar com ele e falar com ele.
Desde então a palavra boicote virou símbolo do ostracismo ao qual se relega pessoa, entidade ou nação de maneira ativa, individual, pacífica.
O que a União Europeia estatuou publicamente foi que resolveu aplicar a estratégia dos irlandeses contra o opressor todo poderoso como em 1888. Por enquanto, apenas contra a ilegalidade.
Mesmo que os Estados Unidos apoie mais uma vez Israel em uma ofensiva maciça (já em marcha) para que a União Europeia adie a implementação de sua Diretiva, o golpe já atingiu Israel em cheio. O país bambeou inteiro.
Washington, "espantou-se" e engoliu o sapo, em seco.
Os Estados Unidos não são mais os donos do mundo e cedo ou tarde vão ter de conformar-se com a queda de seu status político.
Quanto a Israel, a mensagem que lhe foi enviada foi clara: Os assentamentos/invasões/colônias são ilegais, amorais. Infligem uma injustiça incomensurável no povo palestino.
Além disso, obstaculam a paz e prejudicam o próprio futuro de Israel e dos israelenses.


Nota John Kerry
Graças à diretiva da UE, após semanas de esforços vãos, finalmente John Kerry demonstrou otimismo.
Em conversas individuais com o primeiro ministro israelense Binyamin Netanyahu e o presidente palestino Mahmoud Abbas na semana passada, o secretary of state estadunidense John Kerry conseguiu - segundo ele - fincar bases sólidas para a retomada de negociações entre as partes.
"We have reached an agreement that establishes a basis for resuming direct final status negotiations between the Palestinians and the Israelis. The agreement is still in the process of being formalised."
A impressão que se tem com Kerry é que ele, ao contrário de sua antecessora, tem boa vontade para resolver o conflito de maneira equitável. Ele tem advogado a solução dos dois Estados sem os palestinos serem "muito" prejudicados.
O último encontro, imprevisto, com Mahmoud Abbas em Ramallah no dia 19 mostrou que Kerry e os EUA querem por tudo colher os louros da pressão gerada pela União Europeia e sequestrar a resolução do conflito. Voltou a Ramallah na sexta-feira pra resolver "umas coisinhas".
Graças também à União Europeia e a John Kerry que soube aproveitar da deixa, Israel concordou - oralmente - em libertar alguns das centenas de prisioneiros políticos palestinos. Dentre eles, uns que há trinta anos estão presos.
Mas embora Jhon Kerry tenha sido louvado nas manchetes da grande mídia, que fique claro que se a União Europeia não tivesse soltado a "bomba" diplomática que soltou no governo israelense, Netanyahu jamais teria concordado em retomar nenhuma negociação de paz. Ele quer a Cirjodânia inteira para os judeus importados.
Portanto, que fique claro. Apesar da real boa vontade de Kerry, se alguma negociação realmente começar com sucesso, será graças à Iniciativa de Genebra e à União Europeia.


Eis abaixo o texto completo da Diretiva como foi publicada:
Commission Notice:
GUIDELINES on the eligibility of Israeli entities and their activities in the territories occupied by Israel since June 1967 for grants, prizes and financial instruments funded by the EU from 2014 onwards.
Section A. GENERAL ISSUES
1. These guidelines set out the conditions under which the Commission will implement key requirements for the award of EU support to Israeli entities or to their activities in the territories occupied by Israel since June 1967. Their aim is to ensure the respect of EU positions and commitments in conformity with international law on the non-recognition by the EU of Israel’s sovereignty over the territories occupied by Israel since June 1967. These guidelines are without prejudice to other requirements established by EU legislation.
2. The territories occupied by Israel since June 1967 comprise the Golan Heights, the Gaza Strip and the West Bank, including East Jerusalem.
3. The EU does not recognise Israel’s sovereignty over any of the territories referred to in point 2 and does not consider them to be part of Israel’s territory, irrespective of their legal status under domestic Israeli law. The EU has made it clear that it will not recognise any changes to pre-1967 borders, other than those agreed by the parties to the Middle East Peace Process (MEPP). The EU’s Foreign Affairs Council has underlined the importance of limiting the application of agreements with Israel to the territory of Israel as recognised by the EU.
4. These guidelines do not cover EU support in the form of grants, prizes or financial instruments awarded to Palestinian entities or to their activities in the territories referred to in point 2, nor any eligibility conditions set up for this purpose. In particular, they do not
cover any agreements between the EU, on the one hand, and the Palestinian Liberation Organisation or the Palestinian Authority, on the other hand.
Section B. SCOPE OF APPLICATION
5. These guidelines apply to EU support in the form of grants, prizes or financial instruments within the meaning of Titles VI, VII and VIII of the Financial Regulation which may be awarded to Israeli entities or to their activities in the territories occupied by Israel since June
1967. Their application is without prejudice to specific eligibility conditions which may be laid down in the relevant basic act.
6. These guidelines apply:
(a) for grants – to all applicants and beneficiaries, irrespective of their role (sole beneficiary, coordinator or co-beneficiary). This includes entities participating in the action on a no-cost basis and affiliated entities within the meaning of Article 122(2) of the Financial Regulation. This does not include contractors or sub-contractors selected by grant
beneficiaries in conformity with procurement rules. As regards third parties referred to in Article 137 of the Financial Regulation, in the cases where the costs of financial support to such third parties are eligible under a call for proposals the authorising officer responsible
may, where appropriate, specify in the call for proposals and in the grant agreements or decisions that the eligibility criteria set out in these guidelines also apply to the persons that may receive financial support by the beneficiaries.
(b) for prizes – to all participants and winners in contests;
(c) for financial instruments – to dedicated investment vehicles, financial intermediaries and sub-intermediaries and to final recipients.
7. These guidelines apply to grants, prizes and financial instruments managed, as the case may be, by the Commission, by executive agencies (direct management) or by bodies entrusted with budget implementation tasks in accordance with Article 58(1)(c) of the Financial Regulation (indirect management).
8. These guidelines apply to grants, prizes and financial instruments funded from appropriations of the 2014 financial year and subsequent years and authorised by financing decisions adopted after the adoption of the guidelines.
Section C. CONDITIONS OF ELIGIBILITY OF ISRAELI ENTITIES
9. As regards the place of establishment of Israeli entities:
(a) In the case of grants and prizes, only Israeli entities having their place of establishment within Israel’s pre-1967 borders will be considered eligible.
(b) In the case of financial instruments, only Israeli entities having their place of establishment within Israel’s pre-1967 borders will be considered eligible as final recipients.
10. The place of establishment is understood to be the legal address where the entity is registered, as confirmed by a precise postal address corresponding to a concrete physical location. The use of a post office box is not allowed.
11. The requirements set out in section C:
(a) apply to the following types of legal persons: Israeli regional or local authorities and other public bodies, public or private companies or corporations and other private legal persons, including non-governmental not-for-profit organisations;
(b) do not apply to Israeli public authorities at national level (ministries and government agencies or authorities);
(c) do not apply to natural persons.
Section D. CONDITIONS OF ELIGIBILITY OF ACTIVITIES IN THE
TERRITORIES OCCUPIED BY ISRAEL
12. As regards the activities/operations of Israeli entities:
(a) In the case of grants and prizes, the activities of Israeli entities carried out in the framework of EU-funded grants and prizes will be considered eligible if they do not take place in the territories referred to in point 2, either partially or entirely.
(b) In the case of financial instruments, Israeli entities will be considered eligible as final recipients if they do not operate in the territories referred to in point 2, either in the framework of EU-funded financial instruments or otherwise.
13. Any activity or part thereof included in an application for an EU grant or prize which does not meet the requirements set out in point 12(a) will be considered as ineligible and will not be considered as part of the application for the purpose of its further evaluation.
14. The requirements set out in section D:
(a) apply to activities under point 12 carried out by the following types of legal persons: Israeli regional or local authorities and other public bodies, public or private companies or corporations and other private legal persons, including non-governmental not-for-profit
organisations;
(b) apply also to activities under point 12 carried out by Israeli public authorities at national level (ministries and government agencies or authorities);
(c) do not apply to activities under point 12 carried out by natural persons.
15. Notwithstanding points 12-14 above, the requirements set out in section D do not apply to activities which, although carried out in the territories referred to in point 2, aim at benefiting protected persons under the terms of international humanitarian law who live in these territories and/or at promoting the Middle East peace process in line with EU policy.
Section E. IMPLEMENTATION ARRANGEMENTS
16. Each Israeli entity referred to in points 11(a)&(b) and 14(a)&(b), which applies for an EU grant, prize or financial instrument, shall submit a declaration on honour as follows:
(a) In the case of grants and prizes, the declaration will state that the application of the Israeli entity is in accordance with the requirements under points 9(a) and 12(a) of these guidelines, while also taking into account the applicability of point 15 thereof. For grants,
this declaration will be drafted in accordance with Article 131(3) of the Financial Regulation.
(b) In the case of financial instruments, the declaration will state that the application of the Israeli entity as a final recipient is in accordance with the requirements under points 9(b) and 12(b) of these guidelines.
17. The declarations under point 16 are without prejudice to any other supporting documents required in the calls for proposals, rules of contests or calls for the selection of financial intermediaries or dedicated investment vehicles. They will be included in the package of
application documents for each concerned call for proposals, rules of contests and call for the selection of financial intermediaries or dedicated investment vehicles. Their text will be adapted to the requirements relevant for each EU grant, prize or financial instrument.
18. The submission of a declaration under point 16 that contains incorrect information may be considered as a case of misrepresentation or a serious irregularity and may lead:
(a) for grants – to the measures set out in Article 131(5) and 135 of the Financial Regulation,
(b) for prizes – to the measures set out in Article 212(1)(viii) of the Rules of Application of the Financial Regulation10 and,
(c) for financial instruments – to the measures set out in Article 221(3) of the Rules of Application of the Financial Regulation.
19. The Commission will implement these guidelines in their entirety, and in a clear and accessible manner. It will notably announce the eligibility conditions set out in Sections C and D in the work programmes11 and/or financing decisions, calls for proposals, rules of
contests and calls for the selection of financial intermediaries or dedicated investment vehicles.
20. The Commission will ensure that the work programmes and calls for proposals, rules of contests and calls for the selection of financial intermediaries or dedicated investment vehicles published by the bodies entrusted with budget implementation tasks under indirect
management contain the eligibility conditions set out in Sections C and D.
21. In order to clearly articulate EU commitments under international law, taking into account relevant EU policies and positions, the Commission will also endeavour to have the content of these guidelines reflected in international agreements or protocols thereto or Memoranda of Understanding with Israeli counterparts or with other parties.
22. The award of EU support to Israeli entities or to their activities in the form of grants, prizes or financial instruments requires engagement with Israeli entities referred to in points 11 and 14, for example, by organising meetings, visits or events. Such engagement will not take place in the territories referred to in point 2, unless it is related to the activities referred to in point 15.

domingo, 29 de abril de 2012

Israel vs Palestina em Hebron : Purgatio ethnos


Reservista da IDF Breaking the silence sobre Hebron
continua no fim do blog

Após Gaza, há de se conhecer outra cidade-vítima do conflito Israel vs Palestina.      Uma cidade em que um punhado de gente escudada em centenas de soldados vem procedendo a um purgatio ethnos (expressão latino-grega equivalente a "limpeza étnica" na nossa língua) de uma perversidade tática sem precedentes na história da humanidade. Hebron é a cidade da Cisjordânia que catalisa o conflito da pior maneira possível. Em 1997, na época dos Acordos de Oslo II, Hebron tinha 130.003  palestinos e 530 colonos israelenses. Até 1967 a cidade só tinha habitantes palestinos, nativos ou vítimas da Naqba que tinham encontrado refúgio lá. Os problemas começaram nesse ano, quando ainda enibriados pela vitória da Guerra dos Seis Dias, o governo de Israel quis mostrar quem mandava construindo uma sinagoga no Túmulo dos Patriarcas - mesquita que abriga os restos mortais de Abrahão e Sara.  Aí a IDF (Forças Armadas de Israel) ocupou o pedaço. A ocupação civil começou em 1968 com um grupúsculo de judeus ortodoxos ultra-extremistas. Alugaram um hotel para celebrar Pessah como se estivessem de passagem (Pessah é uma cerimônia judaica mais ou menos na época da nossa Páscoa) e nunca mais deixaram a cidade.

Apesar da invasão ser ilegal, Tel Aviv permitiu que ficassem e se instalassem em um aglomerado de casas (pregadas na cidade) que chamaram de Kiryat Arba. Dez anos mais tarde, a invasão já levava a alcunha de "assentamento" para uns, "colônia" para outros e a ONU há anos condenava sua ilegalidade apesar dos disfarces semânticos usados. Kiryat Arba contava oficial e teoricamente com 250 apartamentos que alojavam cinco mil pessoas.
O nome da invasão foi tirado do capítulo 23 da Gênese do Antigo Testamento, que indica com este nome o local da morte e sepultamento da mulher de Abrahão, Sara, e a única parcela de terra que o casal teria possuido em seu périplo regional.  

Em abril de 1979, em uma estratégia maquiavélica, um grupo de invasores composto de treze mulheres e quarenta crianças penetrou na cidade antiga durante a noite e apoderou-se de um prédio inteiro sem que os moradores (pegos de surpresa como em Gaza durante os bombardeios noturnos da IDF) pudessem fazer nada para defender o local. Pois além da tática de não ter nenhum homem neste comando civil de abordagem, o grupo contou com a arma defensiva dos soldados da IDF e do governo.
Os primeiros deixa-los-iam morar lá e virariam seus guarda-costas quaisquer que fossem os crimes que mães e filhos endiabrados cometessem todos os dias, e o segundo, no ano seguinte, autorizar-lhes-ia oficialmente a ocupação deste edifício.
Foi aí que começou a invasão sub-reptícia da cidade propriamente dita.
Com a cumplicidade de uns primeiros-ministross e negligência de outros, os invasores, fortalecidos pelo escudo dos soldados, foram atacando os hebronitas até os acossarem entre cinco colônias de estrangeiros no seio da cidade -  Avraham Avinou, Beit Hadassah, Teit Romano, Beit Schneersohn e Tell Romeida - que passaram a dominar tudo o que estava em volta em uma realidade surreal.

Um punhado de mulheres, meninos e meninas adquiriu então um passatempo único e original. Infernizar a vida dos nativos de todas as maneiras que uma mente perversa pudesse e possa imaginar, no único intuito de transformar atos banais do quotidiano de um ser humano, tais como ir à escola e ao trabalho, fazer compras, sair de casa, abrir porta e janela, em atos de bravura temerários. As mulheres e crianças palestinas são apedrejadas pelos colonos quando saem de casa, insultados, ameaçados, agredidos com detritos no caminho da escola, do trabalho ou de compras de produtos de primeira necessidade. Casas e prédios ainda ocupados pelos donos que resistem ao terrorismo diário são cobertos de balas e de insultos ("Os palestinos são animais que deveriam estar enjaulados" "Espero que Deus queime todos os árabes no inferno... não são homens e sim cães" "Detestamos todos os árabes" "Morte aos árabes" "Kahane tinha razão" "Bendito seja doutor Goldstein!"...), e os soldados da IDF que têm brio e tentam fazer algo são impedidos pelas ordens de proteger os colonos de qualquer jeito, a qualquer hora e preço, sob pena de reprimenda que vai de leve a grave.

Blocos de cimento dividem a cidade e tem sodado da IDF em toda parte.
A cidade antiga (que era o centro econômico de Hebron) está na zona 2, e portanto, condenada à ruína. Pois para passar da zona H1 à H2, os palestinos têm de atravessar cerca de seis checkpoints "especiais" da IDF que proibe a passagem de veículos de uma zona à outra - o que obstacula o transporte de mercadorias asfixiando assim o antigo mercado.   Nos 101 postos de controle mantidos pela IDF, é comum que sejam os colonos e não os soldados que procedam à fiscalização de documentos dos palestinos como se tivessem autoridade. Estes controles de identidade são feitos com insultos e agressões já banalizadas. Humilhação nem se fala porque os cidadãos de Hebron há anos que andam de cabeça baixa.
Quanto aos próprios soldados israelenses, quando fazem as vontades dos compatriotas como babás de príncipes mimados são bem tratados ou suportados; quando tentam manter um mínimo de justiça e ordem equilibradas, os colonos os bombardeiam de palavrões e os chamam de nazistas por não serem suficientemente agressivos com os palestinos.
E com tal tática dos diabinhos (os meninos e os adolescentes são os algozes mais empedernidos) os oficiais e os soldados, não querendo ser repreendidos nem ter mancha no currículo militar, deixam os colonos à vontade para fazerem o que lhes apraz.
Os palestinos evitam circular nas ruas por medo de ataques físicos, morais e de "bala perdida".
A cidade vive em estado de emergência e para os colonos as ruas são para seu trânsito exclusivo - percorrem incansavelmente as zonas palestinas à caça da presa fácil armados de pedras e de qualquer objeto que sirva para dar paulada. 
Por isto os homens e rapazes hebronitas capazes de enfrentar o risco de queda são obrigados a se locomover nos telhados, por passagens precárias de tábuas postas entre uma e outra casa.
Como os colonos derrubam portas, investem as residências em comandos para-militares de mulheres e meninos que agridem as famílias palestinas na própria casa, estas parecem bunkers improvisados. Os moradores das zonas "sensíveis" foram obrigados a cercar a casa de grade, condenar a porta da frente e as janelas com tábuas grossas e fechaduras pesadas, embora estas precauções não dissuadam os depredadores destas moradias históricas.
É aquela estória do se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

A defesa contra o terrorismo diário é impossível porque se os hebronitas ensaiarem um movimento de auto-proteção vão parar na cadeia e nem Deus sabe quando poderão voltar para casa.   Muitos cidadãos só conseguem alimentar-se com a ajuda de voluntários de ONGs e organizações estrangeiras que fazem as compras para eles. E os estudantes só vão à escola quando são autorizados pelos soldados. Lojas são fechadas aleatoriamente pela IDF (cerca de 400 foram vítimas desta tática de estrangulamento econômico) e o comércio da cidade antiga, cerca de mil lojas, foi  fechado por falta de transporte de mercadoria e porque os compradores perderam acesso ao mercado.
Além do regime de terror que impuseram dentro da cidade, fora dela, os colonos destroem os campos de cultivo e envenenam as cabras das roças próximas dos checkpoints, nas barbas dos soldados. 
O último veneno que os colonos encontraram é um verde claro, granulado, que tem a "vantagem" de ainda não ter antídoto, de permanecer na carne e no leite durante meses e contaminar as pessoas por ingestão ao mesmo tempo que contamina o solo.
O interessante deste veneno é que a venda dele em Israel é controlada.

Este é o status quo contemporâneo. Vamos dar uma volta pela história antes de voltar à situação atual.  Primeiro a pseudo-religiosa, que é a fonte do mal dos colonos que resolveram abandonar a condição de seres humanos para viver como algozes.  O Túmulo dos Patriarcas abriga, segundo as placas, Abrahão e Sara, Isaac (segundo filho do casal) e a esposa Rebeca, Esaú e Jacó (os filhos gêmeos), Léa e Raquel (as duas esposas de Jacó).  Hoje ele é dividido em uma mesquita e uma sinagoga e os colonos israelenses ocupam 80% do local.  Abrahão é "pai" dos semitas, tanto árabes quanto israelitas, concebidos por suas duas mulheres através dos filhos Isaac e Ismael.
Diz outra lenda que foi também ali que Adão e Eva foram enterrados após terem sido enxotados do Paraíso.
O primeiro monumento religioso foi construído pelo rei Herodes (aquele do Massacre dos Inocentes e que construiu também o segundo templo de Jerusalém que os romanos destruíram nos anos 70 DC). Depois os cristãos aumentaram o edifício no qual ergueram uma igreja, que no Império Otomano, Saladin, após conquistar a cidade transformou em mesquita.
(Mais ou menos o mesmo processo do templo de Jerusalém em cujos escombros os cristãos elevariam uma Basílica dedicada a Nossa Senhora cercada de hospital e escola - como era a praxe nas construções católicas - e no Império Otomano o complexo seria derrubado e no lugar dele surgiria a mesquita Al-Aqsa).

Abrahão teria chegado na região Canaaita na época de dominação palestina ( em árabe فلسطين‎ Filasṭīn, Falasṭīn, Filisṭīn; em grego Παλαιστίνη, Palaistinē; em latin Palaestina ), cujo povo passou à história ocidental com traduções distintas: Filisteus Antes de Critos e Palestinos Depois de Cristo - talvez para dar aparência de novidade, embora em hebraico e em árabe a designação do povo pre-dominante na/da Palestina há mais de cinco milênios seja a mesma do dominado no Século XXI.  O povo filistino-palestino é tão antigo que é citado na Gênesis da Bíblia. Data de no mínimo 3.500 anos Antes de Cristo. Suas cinco cidades principais estão no mapa acima. Dos palestinos de então duas figuras célebres - Golias e Dalila - ficaram para a história da qual se conhece a versão holywoodiana mais do que a verdade ( http://mariangelaberquo.blogspot.fr/2012/01/hamas-o-bicho-papao-que-falam.html).
Ambas personagens - Golias e Dalila - são palestinos originários de Gaza, que significa "forte" na língua antiga de Canaã. 
Golias era "presidente" da Pentápolis Filistina quando foi morto por David para salvar seu povo do massacre e da pilhagem que os recém-chegados levaram a cabo em seguida.
Quando Abrahão chegou à região, Hebron era uma cidade satélite das cinco metrópoles da Pentápolis na Idade do Bronze:  Ashkelon, Ashdod, Ekrom, Gaza e Gath - o mapa abaixo mostra as conquistas dos filistinos/palestinos e a quantidade de cidades que constituíam seu território quando os hebreus chegaram.
                                                             
Pesquisas arqueológicas revelam que os Filistinos ("Povos do mar" - nome de ironia histórica já que as águas salgadas lhes são hoje vedadas tanto no Mar Mediterrâneo na Faixa de Gaza quanto no Mar Morto na Cisjordânia, assim como a água doce dos aquíferos e do rio Jordão que a banha) espalharam sua influência à região de Canaã e consolidaram sua expansão em duas etapas.  A primeira durante o reino do faraó Ramsés III (entre 1184 e 1153 AC) e a segunda no colapso da hegemonia egípcia.  Segundo os textos religiosos, Abrahão entrou na Canaã filistina pelo rio Jabokk, atravessou o Jordão no encontro dos dois rios e seguiu caminho até Shechem (traduzida em português Siquém) - cidade canaita extinta situada na Samaria perto de Nablus na atual Cisjordânia, entre os montes Ebal e Garizim (que os Samaritanos da época de Jesus Cristo idolatravam), e que após a invasão israelita, dois filhos de Jacó (neto de Abrahão), para vingar o estupro da irmã, exterminaram a população adulta masculina da cidade e obrigaram os demais a se converterem à sua seita, como fariam em Hebron e nas demais cidades com algumas exceções na Pentápolis.

An Old Testament map of Early Canaan.
Quando Abrahão foi para lá, Jericó, Jerusalém, Beersheba e Hebron já existiam há centenas de anos no que era chamado reino de Canaã.

E quando os israelitas foram para a Palestina séculos mais tarde, no que é cnhecido como êxodo do Egito, estas cidades e todas as dominadas pela Pentápolis eram abundantemente habitadas. Não foram para uma terra despovoada que os esperava.
Em 1967 Hebron também era povoada de famílias palestinas que estavam lá há séculos e outras refugiadas desde a Naqba, mas cujos antepassados eram do território.
Quando Yasser Arafat foi obrigado a concordar com a divisão de Hebron nos Acordos de Oslo - divisão baseada na comodidade dos colonos que haviam ocupado a cidade - o distrito (o que para nós é município) propriamente dito era de dez quilômetros.
Nesta área relativamente pequena, os Acordos de Oslo deixaram aos hebronitas uma dúzia de enclaves semi-autônomos desconectados - Área B, domínio em teoria conjunto da Autoridade Palestina e da IDF, que na prática domina tudo.
A parte de Hebron em que os palestinos moram é cercada por todos os lados pela Área C sob controle total da IDF e semeada de colônias, checkpoints e barreiras que estrangulam a cidade.


Quando Hebron foi dividida em 1997 por imposição de Netanyahu, 90.000 palestinos ficaram sob jurisdição da Autoridade Palestina (H1) e 40.000 sob ocupação direta de Israel (H2), para o bem-estar dos 450 colonos que haviam se infiltrado no centro da cidade.  
Este mapa ao lado é do Ministro das Relações Exteriores de Israel e mostra algo peculiar.  Todas as estradas marcadas levam a cidades ou colônias israelenses (Beersheva, Beit Hagai, etc), tirando literalmente do mapa a Cisjordânia.  
O interessante não é apenas a omissão das cidades do país ocupado. É a prova da distância entre as exigências de Tel Aviv de reconhecimento formal de seu Estado e sua própria omissão dos palestinos no território ocupado. 
O governo israelense vive reclamando dos mapas do Hamas não incluírem o Estado de Israel, porém os deles fazem o mesmo, ao inverso, com naturalidade.  
A divisão draconiana de Hebron não foi apenas um capricho de Netanyahu. Foi uma estratégia calculada de limpeza étnica da cidade.

É o coração da cidade - a rua principal, o mercado, o tráfego - que foi sufocado para ir se extinguindo e escapando das mãos dos hebronitas.
O que mostra o mapa abaixo.

Neste mapa da mesma fonte ministerial, todos os sítios mostrados são os ocupados pelos israelenses civis e militares, como se os hebronitas fossem inexistentes ou fantasmas.  Mas os palestinos estão lá e representam 99,7% da população global.  Os colonos israelenses que moram em Hebron são extremistas do pior calibre. Invadem lojas para aterrorizar, pilhar, cortam a eletricidade e danificam a rede de água, depredam casas e carros, atacam crianças todos os dias no caminho da escola, passam o tempo dando golpes cada vez mais baixos e desmoralizam os israelenses honrados.
Como 500 pessoas (muitos deles, imigrantes dos Estados Unidos), inclusive crianças, conseguem aterrorizar 150.000 homens, mulheres e crianças o tempo todo sem que estes se defendam e reocupem sua cidade?
Porque estes 500 vândalos são respaldados por 4.000 soldados bem armados de armas sofisticadas, tanques, e todos os artefatos bélicos modernos disponíveis no mercado.
Falando em mercado, as colônias foram erguidas sobre ambos os lados da rua mercantil da cidade e os palestinos tiveram de cobrir toda a área com redes para se protegerem e proteger verduras e legumes dos detritos que despejam neles. Só não conseguem se livrar da urina e andam em ziguezague como fugindo de snipers.
E para completar, tem um projeto de construção de uma safe passage, tipo um "calçadão", mas não para os hebronitas circularem a salvo e sim para os colonos e os turistas judeus passarem e passearem. Inacessível aos moradores nativos, mas cuja construção prevê a demolição de no mínimo 15 casas ancestrais na cidade antiga e a desapropriação de mais 64 propriedades.
Como diz a jornalista Ada Eshpiz no jornal israelense Ha'aretz, O projeto de "calçadão" turístico que acabou de ser confirmado pelo Exército mostra que todo capricho dos colonos logo se torna um imperativo militar. A destruição das casas palestinas para a proteção dos colonos parece ser um preço baixo a pagar." 
Arquitetos e curadores estrangeiros denunciaram a provável perda deste patrimônio que embora ainda não tenha sido tombado não deixa de ser uma herança cultural universal e reclamam da passividade das potências ocidentais "ao contrário da explosão dos budas pelos taliban o Ocidente parece despreocupado com esta perda que é ainda mais próxima."

Rua Shuhada, a principal da cidade
As pressões aumentaram e por enquanto a Corte Suprema de Israel deu uma parada no projeto da IDF, mas as ONGs israelenses de Direitos Humanos temem que só tenha sido uma trégua. Pois é comum que o Tribunal ensaie uma resistenciazinha, mas cedo ou tarde cede aos desejos da IDF.   
E quando os juízes ouvem relatos dos ativistas das ONGs de como os soldados tratam os palestinos - que escolham entre nariz, braço ou perna que preferem que seja quebrado - fazem de conta que isto faz parte da política de limpeza de "terroristas árabes" da cidade.
Mas de fato a IDF e os vândalos ultra-ortodoxos aterrorizam, depredam e desapropriam justamente lugares que os colonos cobiçam para uso próprio.
O resultado da política de terror estabelecida na cidade é que na zona H1, metade dos 40 mil hebronitas foram enxotados de suas residências e dos 12 mil que habitavam o centro em 1997 só cinco mil ainda conseguem resistir à intimidação civil e militar, os maus-tratos, e ficar na casa dos antepassados.
Até o Canal 1 da televisão israelense fez um travelling no centro de Hebron e a câmera mostrou casas e mais casas depredadas com janelas e portas destroçadas, sem nenhuma condição de serem habitadas.
Há (poucos) cegos e surdos que ainda defendem os colonos com o argumento do massacre de 67 judeus em Hebron em 1929, esquecendo o dos palestinos no Túmulo dos Patriarcas em 1994 e irrelevando que Hebron pertence aos palestinos há cinco mil anos, com um interregno de cerca de 800 anos de dominação israelita, após a vitória de David sobre Golias.
Sem contar a destruição arquitetônica, destruição da economia, desestabilização de famílias e a limpeza étnica furtiva que vem sendo praticada desde 1967 no distrito, para o mundo inteiro ver e engolir como se fosse normal e aceitável que o valor da vida seja submetido a uma hierarquia.
É? 
Para os cristãos, a simples conjetura disto é ou deveria ser insuportável e inadmissível.
O problema de Hebron é tão grave e insustentável tanto para religiosos quanto para laicos, que em 1997, a ONU cumpriu pela primeira e única vez na ocupação da Palestina a obrigação de proteção e o direito de arbitragem em conflito inter-país que lhe é atribuído, enviando, por curto período, observadores desarmados à cidade.
Estes saíram de lá chocados, mas proibidos de fazer declarações públicas do que tinham testemunhado.
Parte do que eles viram está nos vídeos abaixo.


Reservista da IDF, forças israelenses de ocupação,
Shovrim Shtika - Breaking the Silence 
"Making the journey from Jerusalem to the divided city of Hebron, is a surprisingly pleasant experience. To reach Hebron, a city of great religious and political significance both to many Israelis and Palestinians (and in consequence scarred by many infamous acts of violence), you head south on Highway 60, known as the ‘Way of the Patriarchs’. You do not notice when you have crossed the Green Line into the occupied West Bank and apart from a few sightings of the separation barrier nothing seems amiss until you encounter the groups of soldiers and armoured vehicles that are everywhere in the old city of Hebron.  
Through the British pro-peace organisation Yachad, my tour of Hebron was organised by the Israeli NGO Breaking the Silence (BTS), a body set up “to expose the Israeli public to the reality of everyday life in the Occupied Territories.” It does so by collecting testimonies of soldiers who have served in the West Bank, and in consequence have a body of evidence of numerous illegal and immoral acts carried out by the Israeli Defence Forces there. They also take people to see various “flashpoints” in the Occupied Territories, Hebron being their most popular tour.
Like most of the people who work for BTS, our guide is Israeli. His name is Shay and he grew up in a typical Israeli family in the settlement of Ariel. His journey from settler to anti-occupation activist began when he was first deployed to the South Hebron Hills, an area he had been taught to assume swarmed with terrorists.
He was therefore surprised to discover that his role as a soldier was both quiet and mostly sedentary. After a couple of increasingly wearisome days, Shay’s commanding officer (a settler) comes rushing in to his station and orders him to follow in a chase up a nearby hill. Shay, assuming he is in pursuit of a terrorist, follows the officer and runs up the hill after him.
After a couple of minutes of seeing nothing he suddenly spots a lone Palestinian child ahead of them; the child is half-dressed and crying, desperately running away from his armed pursuers. The commanding officer starts shouting at the child, who eventually gets away onto private property. Shay recalls that his officer turned to him simply, said “good job”, and ordered him to return to base. Shocked at what he had been asked to do, Shay immediately telephoned his mother to detail exactly what had happened only to find that his own mother would not believe what he had been ordered to do.
Experiences such as these, shared by many young men and women who have served in the West Bank, led to the founding of BTS. They discovered that this experience, of the Israeli army manufacturing violent incidents and acting punitively towards civilians who plainly pose no threat whatsoever, was common not just in Hebron but across the entire West Bank. It was, as Shay put it, “the experience of a generation”.
Most of the Israeli public do not ever get to hear about incidents such as these, only 50% of Israeli’s serve in army and of those only 1/7 experience combat duty in the West Bank. What they know is only what their government and press tell them; it is no wonder they have trouble comprehending what their children are being asked to do. The objective of BTS is to change this: they want to “bring Hebron to Tel Aviv” and show the Israeli public exactly what their government is doing in their names.
The city of Hebron is divided between the old city (H2) which is home to around 700 settlers and 21,000 Palestinians and the modern city of Hebron (H1) where approximately 120,000 Palestinians live. H2 is entirely under Israeli military control, with approximately 650 soldiers and other security personnel present to protect the settlers. There are strict rules about where Palestinians are allowed go in H2 and curfew is strictly enforced. In an effort to destroy the desire for any sort of resistance, Israeli soldiers “make their presence felt” by patrolling the streets, acting in a hostile and sometimes violent manner to residents. It has even been known for the IDF to carry out training exercises on real civilian families, teaching new soldiers how to break into a house and arrest the occupants. Palestinians here have no system of law apart from the pronouncements of the IDF.
 Apart from the obvious difficulties of living under this draconian system martial law, Palestinians are also the recipients of abuse meted out by the settlers. The Israeli human rights NGO B’Tselem cite "almost daily physical violence and property damage by settlers in the city". Shay shows us the house of a deaf women who lives alone with her disabled son; settlers would throw garbage into her garden and daub insults on the walls of her home. Israeli activists would come and clean it all up only for it to happen again the next day.
The IDF often turns a blind eye to incidents like these, in part because they do not care, but in part because of the shockingly unprofessional relationships between the soldiers who serve in Hebron and the Israelis who live there. Locals regularly host soldiers who are serving in Hebron for meals in their homes and one settler has opened up a coffee shop with the sole purpose of providing free refreshment to soldiers. The fact that settlers do these things to curry favour with the soldiers (who are meant to be protecting both Palestinians and Israelis) is of course reprehensible. But the fact that soldiers capitulate to this and the IDF allows them to do so, is unforgivable. It is quite clear that the presence of the IDF is protect the illegal colonisers, not simply keep the peace.
The main road running through old Hebron, a-Shahuda Street, is empty. This was a once bustling marketplace, but has since been designated a road that only Israelis can use. Palestinians whose houses are on the a-Shahuda are prevented from leaving home by their front doors and must exit by climbing through their roofs and down the back of the building. This street was once the lively centre of Hebron with shops and market stalls, but today there is nothing, doors have been sealed shut and windows boarded.
Settlers spray-paint racist epithets on the doors and walls, but in an effort to normalise Israel’s occupation these are routinely painted over by the army. Settlers claim that these shops were shut down in 2000 after the Oslo Accords Summit at Camp David; in truth the restrictions started 6 years earlier in 1994 after the settler Baruch Goldstein murdered 29 Palestinians and injured a further 125. They were fully enforced after the second intifada.
Palestinians were punished for a crime they were the victims of, a common theme in the occupied territories. The Palestinians who remain in the old city of Hebron are amongst the poorest, 80% live below the poverty line and there are little to no employment opportunities. Those with the means leave as soon as they are able to and those who could not have been left trapped between grinding poverty and the iron fist of a foreign army.
Land theft still persists. It is not uncommon for settlers to build on private Palestinian land and even though the IDF sometimes take these structures down, settler persistence and government apathy means that many of the buildings stay. On occasion, the Israeli government will play an active role in assisting this colonisation. It demolished two houses in order that a shortcut could be built from the nearby settlement of Kiryat Arba to the Tomb of the Patriarchs – no one was asked permission, no one was compensated.
Going through the checkpoint from the old city to H1 is akin to walking through the looking glass. Within 50 metres you have walked from a sad, deserted road to an active city full of life. New Hebron is far from prosperous, life is simple and hard, but one is not forced to live under the dual fear of settler violence and the military boot.
Yet on seeing these busy streets, with the market stores brimming with harvest it is hard not to feel saddened by the reminder that this is what a-Shahuda street looked like not too long ago. There was time, prior to the creation of the state of Israel, when Hebron was undivided. Jews and Arabs lived alongside each other in peaceful quiet until violence from both sides brought that time to an abrupt end. Neither peoples in Hebron have clean hands, but today Israel is the aggressor, controlling the lives of Palestinians so that a handful of messianic colonisers can think they are walking in the footsteps of their patriarchs.
Everything that goes on in H2 is done in the name of security, yet on seeing Hebron first-hand it is hard to look upon this as anything other than a flimsy cover-story. Israel never pauses to ask itself what it would not do in the name of security.
As Shay told us, “there is no moral way to occupy someone…if you agree with occupation you agree with everything you see around you”. What I saw that day in Hebron was shocking and deeply painful; a military power exerting its force on a weak and compromised people in order to protect settlers who should not be there in the first place. This is a situation as morally indefensible as it is illegal".
Michael Goldin, has recently completed a law degree and is soon to commence a masters in legal and political theory at University College London. He is particularly interested in European human rights, the philosophy of human rights and the Israeli/Palestinian conflict.
Hebron documentada pela ONG israelense de Direitos Humanos B'TSELEM
Fida, jovem palestina de 14 anos da família Abou Aisha,
cuja casa fica em um bairro vizinho de uma área ocupada pela colônia Tel Rumeida em Hebron, cansada dos ataques que a família sofre todos os dias na rua e na casa-jaula em que residem, documentou agressões.

Ato corriqueiro em Hebron
Soldados da IDF fecham sistematica e aleatoriamente comércios palestinos no centro de Hebron a fim de proteger os colonos impossibilitando o comércio e forçando os nativos a abandonarem residência e meio de subsistência, em benefício dos israelenses.

Outro ato corriqueiro filmado em fevereiro
A IDF interditou uma rua na área palestina de Hebron, para conforto dos colonos israelenses, alguns jovens reagiram, os soldados os atacaram com jatos de skunk (um líquido fedorento que cola na roupa e no corpo) e sobrou também para a família Fanun, a caminho do cemitério para enterrar um parente que morrera no dia anterior.
Reservistas da IDF Breaking the Silence sobre Hebron - continuação


Hebron na TV israelense
Global BdS Movement: http://www.bdsmovement.net/;
Lista de produtos das colônias a serem boicotados:




domingo, 18 de setembro de 2011

Palestina, 194ª Nação Unida?


Para todo cidadão do mundo lúcido e justo, o reconhecimento do Estado da Palestina é um Direito Moral inalienável e que a nossa geração tem de corrigir este lapso das gerações passadas.
Como foi, após a Segunda Guerra Mundial, o Direito dos judeus terem um pedaço de terra que lhes desse a Nação que lhes faltava.
É desumano viver sem identidade.
A controvérsia atual levantada pelos governos de Israel e dos Estados Unidos é então surreal.
O próprio Barack Obama, em 2009, afirmou no Cairo em discurso memorável: Os israelenses têm de saber que do mesmo jeito que o direito de Israel existir não pode ser negado, também não pode o da Palestina.
De 2009 para cá, como se sabe, o Presidente dos EUA virou a casaca, subiu e desceu do muro, até o Primeiro Ministro de Israel transformá-lo em vassalo.

A arte do grafiteiro palestino no muro que já estampa Yasser Arafat,  sob olhar vigilante dos soldados isralenses:
O que o 20 de setembro muda? É o que dizem as letras árabes
O apoio incondicional de Barack Obama a Binyamin Netanyahu é incompreensível em todos os sentidos.
Primeiro, porque o candidato do “Yes, we can!” prometeu, entre as coisas que podia, justiça; e portanto, inaugurou o mandato pressionando o governo de extrema-direita de Tel Aviv para que se preparasse para a independência da Palestina.
Segundo, porque o presidente do “Sorry, we can’t” abandonou o tema do Direito e da Liberdade para empenhar-se em uma ajuda política incompreensível ao Primeiro Ministro de Israel.
Uma dedicação cega  de mão única que põe em perigo o (acanhado) capital simpatia que os Estados Unidos recuperaram nos países árabes (e no mundo) após sua promissora eleição.
Obama, em relação a Netanyahu, parece aquela estória da mulher de malandro: quanto mais apanha, mais ama e mais se dedica a quem a debilita e quebranta.
Foi humilhado em Israel: Na visita oficial de seu vice-presidente John Biden, que havia ido, em seu nome, negociar o congelamento das colônias na Cisjordânia. Biden recebeu um tapa na cara: Em vez de dar ouvidos ao eminente embaixador de Obama, Netanyahu anunciou a construção de novas invasões durante sua estadia.
Foi humilhado nos Estados Unidos: Em visita a Washington, Netanyahu fez um discurso na Casa Branca dando lições ao Dono da Casa sobre o direito histórico judaico à Palestina e o perigo que os nativos representavam para esta reivindicação sionista.
Obama ficou furioso, a portas fechadas, e nos bastidores mandou seu recado. Porém, o apoio ao Primeiro Ministro continuou firme.
Até quando Netanyahu atacou a Flotilha da Liberdade em águas internacionais, nove turcos foram assassinados e o mundo inteiro criticou, chocado.
Até quando Netanyahu recusou pedir desculpas à Turquia, apesar da fórmula milagrosa confeccionada pela Casa Branca ter sido aceita por ofensor e ofendido.
Até sabendo que Netanyahu teme seu ministro das relações exteriores Avigdor Lieberman mais do que se preocupa com o bem-estar de seus concidadãos.
Até sabendo que para o Novo Egito, Netanyahu e Mubarak são farinha do mesmo saco. Os próprios israelenses já manifestam nas passeatas que entenderam isto.       
Mesmo sendo humilhado e estando consciente da inconsciência de sua oposição à criação do Estado da Palestina e de seu subsídio financeiro a um governo cada vez mais distante dos valores democráticos que os EUA admiram, Obama continua apostando que o lobby extremista judeu sionista vai reelegê-lo, em vez de apostar em Rick Perry...
Esquece uma lei Física elementar: os extremismos se atraem como ima.

O Primeiro Ministro de Israel espaldado (ou acossado?)
por seu Ministro das Relações Exteriores (ao fundo),
o fascista declarado Avigdor Lieberman;
um dos "colonos" que moram nas invasões judias na Cisjordânia
 Quanto a Binyamin Netanyahu, bicho papão de israelenses, gazauís e cisjordanianos, estará em Nova Iorque esta semana com seu lobby, armado de toda munição (verbal) disponível, a fim de combater a criação do Estado Palestino.
Deve dar um pulo em Washington para cumprimentar o Republicano que ganhou do Democrata que perdeu a cadeira na Câmara por causa da política pró-Israel de Obama.

O que os israelenses temem com a criação do Estado da Palestina, além das invasões/colônias/assentamentos serem mais oficialmente ainda proibidas internacionalmente?
Temem que os palestinos tenham direitos iguais aos dos demais países. Dentre estes, o de solicitar proteção militar da ONU e de acionar a Corte Criminal Internacional, contra os crimes impunes, abusos territoriais (inclusive a ilegalidade do muro) e os ataques constantes de colonos e soldados bem mandados.
Vide vídeo de policiais israelenses a paisana prendendo Islam Jaber, palestino de 13 anos que estava jogando futebol perto de casa, em Jerusalém Oriental, na Cisjordânia. http://www.youtube.com/watch?v=VprzsYoUfjI&feature=player_embedded

Soldados israelenses prontos para o ataque, do outro lado do muro
O Plano B dos palestinos, caso (?) os Estados Unidos lhes fechem as portas e que fique por isto, é solicitar, via Assembléia Geral da ONU, o mesmo estatuto do Vaticano.
Washington sabe disto e sabe que não tem poder de veto nesta área, porém já disse que providenciará em seguida o corte dos fundos financeiros para a Palestina.
Ativistas de Direitos Humanos acham que se obama fizesse a mesma ameaça a Israel, neste caso, de cortar os bilhões de ajuda militar, Netanyahu pensaria duas vezes antes de prosseguir sua limpeza territorial e étnica na Cijsordânia e em Gaza.



Uma fonte do Shin Bet, Serviço Secreto Interno de Israel, alertou para o perigo das milícias de judeus extremistas, ativas na Cisjordânia. Estes grupos terroristas sionistas vêm atacando impunemente palestinos e ativistas israelenses de direitos humanos; além de destruir cisternas, queimar e arrancar oliveiras, depredar casas, escolas, universidades e até mesquitas.


Turki al-Faisal, ex-chefe do Serviço Secreto da Arábia Saudita e ex-embaixador em Washington já avisou que o veto dos Estados Unidos ao Estado da Palestina no dia 20 encerraria a “relação especial” entre seus dois países e faria que os EUA se tornasse “tóxico” no Mundo Árabe.
Vale lembrar que com a libertação do Egito, Ryad é o maior aliado, e o único peso pesado, de Washington nesse território do mundo bastante minado.


Mahmoud Abbas, Presidente da OLP (Organização pela Libertação da Palestina),
criada por Yasser Arafat, e da Autoridade Palestina.
Pronto para defender o Direito à Cidadania nas Naçõs Unidas 
A Assembléia das Nações Unidas vai viver um momento histórico nesta sexta-feira. Uma das maiores batalhas verbais ouvidas na Organização. Nesse dia, Mahmoud Abbas e Binyamin Netanyahu pronunciarão em plenário os discursos que anunciam as posições oficiais de seus dois países.

Na Líbia, onde as mulheres foram essenciais na luta contra Gaddafi (transportando balas nas bolsas, cozinhando e costurando para os guerrilheiros, vendendo jóias para financiar compra de jipes e com o apoio moral imprescindível à vitória), embora o Conselho Nacional de Transição de Benghazi, em reconhecimento ao trabalho fornecido, tivesse prometido que na Nova Líbia elas seriam embaixadoras e ministras, dos 41 ministérios só um foi confiado às guerrilheiras de bastidores: o das mulheres.


No Yêmen, onde a luta pela democracia continua,
o rapaz ostenta na cara as cores do país e as da Palestina








Artistas contra o Apartheid: http://youtu.be/V28HnPTYz-I;
Free Gaza Movement: http://www.freegaza.org/;
Lowkey:http://youtu.be/ET6U54OYxGw;http://youtu.be/kmBnvajSfWU; http://youtu.be/GO5Cay6GUkM
Global BDS Movement: http://www.bdsmovement.net