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domingo, 27 de maio de 2012

Israel vs Palestina: História de um conflito XI (1999)


Com um ex-assessor de Yitzhak Rabin no comando, em Tel Aviv e em Gaza de onde Yasser Arafat governava, previa-se que o diálogo fosse logo retomado.
Quando Ehu Barak anunciou no dia 20 de maio de 1999, três dias após ser eleito, que acumularia o Ministério da Defesa a fim de assumir o controle direto tanto do governo quanto da IDF - suas Forças Armadas - ninguém, ou melhor, só uns gatos-pingados interpretaram a atitude do general como um ato autoritário. Os demais pensaram que fosse a maneira certa de controlar as derrapagens militares.
(Durante o governo acumularia progressivamente outros cargos de Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Educação e Indústria.)
Enquanto a era do Partido Trabalhista não chegava, no dia 27, jovens palestinos fizeram passeatas pacíficas em seu lado Oriental de Jerusalém para protestar contra a construção das colônias anunciadas pelo ainda primeiro ministro Binyamin Netanyahu, o movimento foi violentamente reprimido pela polícia israelense, o guarda-costas de Faisal Husseini foi espancado e este membro eminente da OLP sofreu ferimento leve.
Quando no dia seguinte Netanyahu declarou publicamente que cederia sua cadeira no Knesset e abandonaria a política (voto enganoso comum na política israelense), o incidente foi desdramatizado para não dificultar o esperado colóquio com o sucessor que o substituiria em julho.
Enquanto este não assumia o cargo, novas manifestações pacíficas foram organizadas na Cisjordânia e em Gaza contra a expansão colonial e para lembrar o futuro primeiro ministro dos Acordos de Oslo que ele conhecia a fundo porque tinha secundado Rabin ao longo das discussões que levariam ao Tratado.
A IDF recorreu aos métodos violentos com os quais estava acostumada, os palestinos reagiram com pedradas, três soldados e dezenas de manifestantes foram feridos, mas os defensores da paz acalmaram os ânimos exaltados e convenceram os mais afoitos a esperar que Barak assumisse e pusesse ordem na casa que Netanyahu desarrumara.

A própria OLP (Organização de Libertação da Palestina) adiou uma reunião para após a mudança de governo, Yasser Arafat encontrou o presidente egípcio Hosni Mubarak em Alexandria e no dia seguinte à sua posse no dia 06 de julho, Ehud Barak anunciou que em breve entraria em contato com ambos a fim de retomar as negociações abandonadas.
Dito e feito, sete meses depois da última discussão de cúpula, o novo primeiro ministro de Israel encontrou o líder da Autoridade Palestina no dia 11 de julho a fim de abordar a questão espinhosa da expansão das colônias na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
No dia 14, Ehud Barak, em sua primeira visita a Washington, sugeriu que os Estados Unidos retomasse o papel de "policial e árbitro" no processo de paz e em seguida declarou-se otimista quanto a um resultado positivo nos próximos quinze meses.
E para isto, Yasser Arafat programou reuniões com os dois grupos da OLP baseados em Damasco. Queria convencer estes militantes da Frente Popular para a Libertação da Palestina e da Frente Democrática para a Libertação da Palestina, contrários aos rumos que estavam tomando os Acordos, a dar uma oportunidade à paz.
Conseguiu o voto de confiança que buscava e enquanto as negociações não eram retomadas, avisou Barak que se não começasse a retirada das tropas de pelo menos parte dos 13% do território determinado em Wye River, outras áreas sob seu próprio controle explodiriam e ele não teria recursos policiais para manter a ordem à qual Oslo o obrigava.
Barak respondeu através de seu porta-voz que a retirada prometida começaria no dia 1° de outubro e em seguida nomeou Nawaf Massalha para o cargo de Ariel Sharon no Ministério das Relações Exteriores.
A substituição provocou surpresa e alívio.
Massalha fora ministro da saúde de Yitzhak Rabin. Além disso é árabe e foi o primeiro e único nativo a ocupar cargo de tal relevância em Tel Aviv. Nasceu em 1943, durante o Mandato Britânico na Palestina, em Kafr Qara, cidadezinha fundada no século XVII a 35km de Haifa, com população de 15.300 habitantes quase todos palestinos sobreviventes à Naqba.
É formado na Universidade de Tel Aviv, bilingue árabe-hebraico, foi eleito deputado em 1988 e sua carreira política ascendente no Partido Trabalhista terminou em 2003 quando o partido deu uma guinada para a direita que o desviou dos princípios em que foi criado.
Esperava-se que a origem de Massalha facilitasse os contatos e de fato, no dia 09 de agosto, três dias após ser nomeado, Arafat concordou com a proposta de implementação do acordo de terra-para-segurança.
As negociações começaram no mesmo fôlego. Foram intensas no dia 15 e apesar de desentendimentos nos dias seguintes, no dia 25 a imprensa recebeu comunicado que os negociadores tinham chegado a um acordo sobre a agenda de retirada final da IDF da Cisjordânia, mas que ainda não havia nenhuma garantia de libertação dos 500 prisioneiros políticos palestinos que ainda faltavam, na lista dos 750 prometidos.
Por isto as reuniões foram prolongadas até uma entre os dois líderes ser confirmada para o dia 04 de setembro.
Quando Ehud Barak e Yasser Arafat chegaram ao Egito, o documento negociado já estava impresso e pronto para receber as devidas firmas. 
O Acordo de Charm-el-Cheikh - cidade que sediou este encontro de cúpula - fixava datas para a retirada israelense da Cisjordânia, condição sine qua non para que o processo de paz moribundo ganhasse um sopro de convalescença.
A Secretária de Estado estadunidense Madeleine Albright estava lá para cumprir seu papel de "policial e árbitro" e para marcar um encontro em Washington que formalizasse aquilo tudo sob os olhos de Bill Clinton, que estava terminando o segundo mandato presidencial e queria ficar para a história do processo de paz do Oriente Médio custe o que custasse.
Este Acordo egípcio era de fato uma ponte entre o Memorandum de Wye River de 1998 e um novo Memorandum que implementasse os diversos pontos mortos.
Previa que negociações mais aprofundadas prosseguissem até o dia 12 de setembro do ano seguinte - prazo que Barak dera a seus eleitores para concretizar pelo menos uma paz relativa.
O primeiro passo foi a libertação de 199 dos 500 prisioneiros que faltavam a fim de demonstrar a Arafat boa-vontade. O segundo foi organizar devolução ao controle administrativo palestino de 7% do território devido desde 2004.   
Tudo parecia em bom caminho.
Nem a notícia do serviço secreto jordaniano ter detido três líderes eminentes do Hamas no aeroporto de Amman - Khaled Meshal, Musa Abu Marzook e Ibrahim Ghosheh - não estragou os planos.
Suspeitou-se que o quiet american da CIA (autorizada no território pelos acordos assinados com Bill Clinton) e o Mossad estivessem por trás desta detenção importuna, mas as coisas acabaram sendo resolvidas sem atrito.
O disparate foi amenizado graças ao anúncio do cumprimento de uma das promessas feitas por Yitzhak Rabin. Esta era de abrir uma via de ligação entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza que permitisse aos palestinos irem e virem de um a outro lado de seu território descontinuado com relativa liberdade.
A rodovia chamada "passagem segura" foi celebrada por Arafat como o segundo passo (o primeiro sendo o aeroporto de Gaza) para o estabelecimento do Estado da Palestina e as esperanças foram revificadas.
Duraram só cinco dias.
No sexto Ehud Barak aprovou a construção de mais 2.600 "unidades habitacionais" em invasões judias na Cisjordânia, dizendo em seguida que em contrapartida retiraria as não-autorizadas por Tel Aviv - anúncio que soou mal aos ouvidos palestinos, "Todas as colônias são ilegais, com ou sem autorização de Tel Aviv são invasões! Suas palavras subentendiam que ele achava que Tel Aviv tinha autoridade de direito e de fato sobre os Territórios Ocupados... Era mal sinal," disse um negociador palestino.
Nesse dia os observadores começaram a duvidar que Barak estivesse tão bem intencionado quanto dizia durante a campanha eleitoral e entenderam que pretendia prosseguir a política de seus antecessores de expansão colonial e de dar com uma mão e tirar com a outra, subestimando a capacidade de compreensão dos palestinos do conceito de vitória, de derrota e de trava.
Para desviar a atenção da bomba que lançara com a expansão colonial, o primeiro ministro libertou mais 151 prisioneiros no dia 15, ciente que o retorno destes é sempre meio de distração pontual por causa da satisfação dos familiares e da população em geral que os recebe como heróis pela independência.
Dez dias depois ensaiou o cumprimento do Protocolo assinado no dia 05 de outubro de 1999. Começou a construção de alguns quilômetros da rodovia de conexão entre Cisjordânia e Gaza, mas no dia seguinte os caterpillars derrubaram residências na Cisjordânia despojando mais quatro famílias de seus pertences e de domicílio, embora um dos moradores tivesse obtido da corte israelense uma liminar que impedia a demolição.     
Mas isto nem foi notícia, pois as atenções estavam voltadas para outro encontro de cúpula no dia 01 de novembro em Oslo, monitorado pelos noruegueses.
Bill Clinton chegou otimista, dizendo à imprensa que esperava injetar energia renovada no processo de paz para que um Acordo final fosse assinado dentro de 10 meses. "Esta é a parte difícil na qual temos de dar nosso apoio", disse ele com a aprovação do primeiro ministro norueguês Kjell Magne Bondevik que estava lá porque ser o dono da casa e não porque tivesse voz ativa em algo.  
As discussões entre Arafat e Barak terminaram no dia 04, todos voltaram para casa e a negociações entre seus respectivos representantes para o ansiado Tratato de Paz continuaram no dia 08, em Ramallah.
A discussão durou duas horas, apesar da explosão de bomba-suicida que ferira cerca de 30 pessoas na cidade litorânea israelense Netanya na véspera, "em retaliação ao aumento das invasões, à demolição de moradias e a todos atos repressivos próprios da ocupação," segundo foi divulgado.
Parecia então que nada obstacularia a decisão de avançar.  
Ehud Barak começou a retirada militar e civil de 5% da Cisjordânia no dia 10, mas cinco dias depois os negociadores chegaram a um impasse quanto à finalização da agenda de evacuação da área marcada.
Sentindo que não deixaria o cargo com o sucesso de mediador que esperava, Bill Clinton convocou Ehud Barak a Istambul onde estava de visita. Lá conversaram sobre a devolução prometida das terras, sem a qual a perspectiva de paz iria por água abaixo.
De fato o problema se agravava. Nem bem novembro terminava, 15 colonos invadiram um novo sítio perto de Belém, região há anos devolvida à Autoridade Palestina e os ânimos voltaram a alterar-se - os ânimos do povo e de Arafat que constatou quão fictício era seu poder policial.
"De repente o absurdo da situação saltou aos olhos", disse um membro da AP. "Os Acordos nos coagiam a manter a ordem com todos os meios físicos necessários para reprimir o nosso povo, mas nos proibiam de tocar em um fio de cabelo dos invasores para evitar e punir a violência constante contra nossos compatriotas."
O controle policial que os Acordos de Oslo conferiam a Arafat era, além de imaginário, de sentido único, extremamente limitado e perigoso para sua popularidade, já que só podia usar a força policial, já mal equipada, apenas contra seus concidadãos e com o único objetivo de garantir a segurança de Israel reprimindo atentados cada vez mais difíceis de serem abortados.
A consciência desta fragilidade fez com que Yasser Arafat começasse dezembro apelando, mais uma vez, para Hosni Mubarak, que usasse sua influência junto a Israel e aos EUA de quem era aliado.
Quando voltou do Cairo para Gaza, disse aos repórteres que a conversa girara em torno das invasões que só aumentavam e de suas objeções aos mapas de retirada de 5% de terras descontínuas.
Arafat argumentava que as regiões propostas eram pequenas demais, recortadas, e com uma densidade demográfica extremamente baixa para representarem boa vontade.
Arafat vivia sobre uma corda bamba, sobretudo por causa das acusações de corrupção da estrela ascendente do Fatah, Marwan Barghuti, que começavam a incomodá-lo.
Ehud Barak ainda estava com a corda toda para agir à vontade. Por isto encontrou o ministro das Relações Exteriores sírio Faruq al-Shara e Bill Clinton em Washington para discutir sobre a ocupação dos Golan que também se eternizava, sem concretizar a devolução que Afez Assad esperava.
Mas na política das vantagens ilusórias, libertou mais 26 prisioneiros de guerra/políticos em uma cidade emblemática, Ashkelon - uma das cinco metrópolis do extinto Império Filistino, hoje no lado ocidental da Linha Verde.
A transação atrasou semanas por causa do Supremo Tribunal estar julgando queixas dadas por parentes de vítimas de atentados que se opunham à libertação dos supostos cérebros atrás dos bombas-suicidas e clamavam vingança.
Esta leva de libertação, além de complicada internamente, foi estéril nas negociações bilaterais, pois desta vez Barak não conseguiu enganar ninguém. Os palestinos logo retrucaram que estes presos, que elevavam a 350 o número de libertados - dos 750 negociados - eram insuficientes e estavam quase todos em fins de pena, ao contrário dos de penas longas cuja soltura haviam solicitado.
Não receberam nenhuma satisfação e engoliram mais este sapo. Que ficou entalado porque estes 26 que faziam parte da terceira leva seriam os últimos a serem libertados.
O novo milênio se aproximava, os cristãos palestinos, os outros dois bilhões espalhados pelo mundo se preparavam para celebrar os 2.000 anos da era cristã celebrando o nascimento do homem que a edificara, e no Vaticano, o papa João Paulo II estava se preparando para ir a Jerusalém a convite de Yasser Arafat.
Em Tel Aviv Ehud Barak começava a mostrar as garras e Jerusalém não abrigava só santuários.
Nela residia um ogro. Um general à paisana que andava à espreita de dar o bote contra a paz.



"All who want to see an end to bloodshed in the Middle East must ensure that any settlement does not contain the seeds of future conflict. Justice requires that the first step towards a settlement must be an Israeli withdrawal from all the territories occupied in June, 1967. A new world campaign is needed to help bring justice to the long-suffering people of the Middle East."
Bertrand Russel, 1970
Reservista da IDF, Forças israelenses de ocupação,
 Shovrim Shtika - Breaking the Silence
Global BdS Movement: http://www.bdsmovement.net/

domingo, 25 de setembro de 2011

63 anos bastam: "É hora do povo palestino ser livre"



As vias do Senhor são impenetráveis.
Na sexta-feira, na tribuna das Nações Unidas, aconteceu algo extraordinário e notável: baixou em Mahmoud Abbas o espírito do Yasser Arafat irredutível e determinado.
O New York Times, ignorante da natureza humana e de como e quanto a opressão transforma um homem, espantado, descreveu Abbas com uma frase condescendente que esconde um temor latente de Binyamin Netanyahu, Barack Obama, uma certa imprensa, terem criado um “monstro” incontrolável. Em suma, independente.
A surpresa do colega estadunidense ficou nítida nesta frase: “Um homem cinzento de terno cinza e sapatos sensíveis pode estar emergindo da sombra”.
Pode não, emergiu porque estava afogando e após respirar como homem livre é pouco provável que retorne ao fundo do poço para morrer à míngua, na qual 44 anos de ocupação e espoliação territorial e hídrica deixaram o povo que conta com ele na Organização das Nações Unidas.
De um dia para o outro, o homem tido por fantoche virou estadista.
Agora vai ficar na história. Merece biografia.

Era uma vez um homem chamado Mahmoud Abbas, conhecido pelos seus como Abu Mazen, nascido em 1935 em Safed, na Galiléia antes desta ser separada da Palestina, obrigado a deixar casa e terra na Naqba, exilado na Síria com a família, onde se formou em Direito na Universidade de Damasco e doutorado na Universidade moscovita Patrice Lumumba.
Recrutado para a OLP (Organização de Libertação da Palestina) por Yasser Arafat em 1961, no Qatar, subiu discretamente na hierarquia do Fatah até, em 2003 – com a recusa de Israel e dos EUA de negociarem com Arafat e por as eminências do partido (como Marwan Barghouti) estarem no fundo dos cárceres – emergir como Primeiro Ministro do Presidente (apátrida) Yasser Arafat com quem esteve em conflito permanente até demitir-se no ano seguinte e pela mesma razão de antes (dos grandes do Fatah estarem presos em Israel, e mais tarde, com a “ilegalidade” internacional do Hamas) após a morte de Arafat, acabar presidindo a Autoridade Palestina, sem nenhuma oposição de Tel Aviv nem de Washington.
Por quê?
Porque era considerado pela Casa Branca um dirigente manipulável.
Abbas escreveu um livro de 600 páginas sobre a Palestina sem mencionar uma única vez a palavra “ocupação”. Era portanto um homem, para Washington, fiável.
Os Palestine Papers divulgados pela TV Al Jazeera em janeiro revelaram que nas negociações com Israel e os EUA ele estava disposto a ceder muito mais do que podia. Era portanto um animal (como os palestinos são chamados pelos sionistas extremistas) domesticado.
O fato do ano passado ter empreendido uma campanha diplomática de reconhecimento da Palestina, bem sucedida no Brasil e em outros países que conhecem o ônus do militarismo, opressão e imperialismo, não mudou muito sua imagem nas altas instâncias de poder de seus dois ferrenhos adversários.
Tanto que o repreenderam como se fosse criança e acharam que na hora H ele afinaria e recuaria até ser de novo espremido contra a parede que vêem construindo além da Linha Verde, na sua Palestina.
Por causa desta miopia conhecida, de sua história moderada e de sua personalidade reservada, até quinta-feira, até sexta, o Quarteto Oriente Médio, formado pelos EUA, ONU, EU e Rússia, achava que conseguiria dissuadi-lo de fazer ao que tinha vindo.
Os jornalistas que trabalham com comunicado de imprensa e que torciam para o outro lado, também juravam que ele fosse aceitar a saída impossível que Obama lhe oferecia...
Mas o tiro saiu pela culatra e quem foi humilhado, uma vez mais, foi o presidente dos Estados Unidos. Expôs-se a mais uma afronta pública para nada. Saiu de mãos abanando e sob risos velados.
O Poder está mudando de mãos e os Estados Unidos sentiram a pontada ali, em plenário.
Cedo ou tarde todo império enfraquece até decair de importância e perder influência sobre o destino dos dominados. O processo é paulatino e irreverssível.
E todos caem por gastos excessivos em armas destrutivas.
As vias do Senhor são impenetráveis.

A semana passou como uma corrente elétrica passaria se entrasse e saísse por duas vias.
Uma popular de oração e espera na Cisjordânia e do outro lado do Atlântico, em Washington e Nova Iorque, uma de lobby e diplomacia que pressionava Mahmoud Abbas para fazer o moralmente impossível: Esperar mais um ano e voltar às negociações com um Binyamin Netanyahu que quer tudo sem ceder nem um milímetro.
Ou seja, Barack Obama pediu, em nome do lobby sionista, que o representante dos palestinos abandonasse a reivindicação legítima de um Estado sem nenhuma garantia jurídica de defesa e sem nenhuma perspectiva de paz e liberdade frente a um adversário expansionista de extrema-direita que os próprios compatriotas combatem há semanas.
O pior cego é o que não quer enxergar o tanque desenfreado que o achata.

Os jornalistas que seguem a saga palestino-israelense (o mais antigo, há mais de 45 anos, o mais novo, 4 meses) estavam “estacionados” lá, ali, aqui (o advérbio depende de onde estiver e de quem você se aproxima), no lugar que, no final das contas, tudo se decide.
No lugar em que a emoção das mulheres se traduzia em força risonha e lágrimas, a dos homens em um misto de resignação e entusiasmo, a dos jovens e das crianças em energia e esperança jamais vistas nas paragens.
Por “lá” “aqui” leia-se Nablus, Ramallah, Jerusalém e outras aglomerações dos Territórios Ocupados onde a emoção era palpável.
Na Via Dolorosa os versos da Bíblia e do Alcorão se misturavam em um manso hino de liberdade que aguçava a sensibilidade até dos colegas que põem em volta do coração uma carapaça.
A presença dos jornalistas era para informar e para evitar a chacina que os colonos armados anunciavam, sem que nenhuma medida tivesse sido tomada para conter a ira dos invasores contra o povo invadido, humilhado, ocupado, sem nenhum direito de reagir militarmente ou solicitar proteção internacional.
Daí a necessidade de “existir” e de ter um Estado.
Os palestinos não têm demonstrado nenhuma agressividade nas reuniões e passeatas de espera do voto que esperam que vá libertá-los.
Ouvindo os rumores de Nova Iorque que Mahmoud Abbas renunciaria à missão dada, eu não entendia a ingenuidade dos colegas que acreditavam (?) nos boatos de uma diplomacia internacional defasada com o terreno e alheia à potência da consciência da injustiça de ser lesado, despojado de terra, água, e sobretudo, de pátria.
Quem estava na Palestina perto dos que Abbas representava e que seguiu passo a passo expectativas, engodos, decepções dos últimos 30 anos e o fracasso diplomático e mediático da reunião de cúpula organizada por Bill Clinton no ano 2000, em Campo David, entre o primeiro ministro israelense Ehud Barak e o líder da OLP Yasser Arafat, sabia que Abbas não tinha como recuar.
Morrer na praia?
Impensável.


No Campo David de Clinton, Israel exigiu tudo sem ceder nada. Por isto, Yasser Arafat retirou-se. Ciente que o circo tinha sido armado para que nada mudasse e que ele saísse de gaiato.
E saiu. Arafat foi crucificado por jornalistas mal-informados, ou mal-intencionados.
De lá pra cá, a verdade veio à tona e os gatos escaldados que cobrem o Oriente Médio agora tentam escutar os dois lados em vez de se aterem a comunicados de imprensa e a boatos fabricados.
Como os desta semana, que Abbas recuaria, que diplomatas ocidentais conseguiriam convencê-lo a esperar mediante promessas vagas – já que Binyamin Netanyahu não quis nem ouvir falar em respeitar as leis internacionais, o que no caso se traduziria em pelo menos gelar as expansões das colônias judias na Cisjordânia.
Mahmoud Abbas foi às Nações Unidas com um único objetivo. Todos sabiam.
Missão cumprida.
Agora a decisão está nas mãos do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que não tem prazo fixo para comunicar o veredito.
Enquanto deliberam, é certo que farão tudo, junto com o Quarteto (no qual muitos gostariam que o Brasil fosse admitido como quinto violino) para que Israel e a Autoridade Palestina retomem as negociações.
Porém, caso Netanyahu continue intratável, Abbas deverá requerer (rapidamente) que o Conselho exprima seu voto, o qual Obama, se cumprir a palavra dada ao afilhado, vetará em seguida.
Os palestinos então recorreriam à opção que sobra. Ou seja, solicitar aos 193 membros das Nações Unidas que elevem seu status na Organização, com poucas prerrogativas de um Estado.
O que permitiria que Israel continuasse sua política de ocupação e limpeza étnica sem ser incomodado.
Resta ver quão longe Barack Obama está disposto a ir para defender seus custosos aliados.


E enquanto Mahmoud Abbas desabrochava em um homem corajoso e honrado que será para sempre lembrado, do outro lado do Atlântico, outro homem, murchava.
Quando Abbas estava em cima do muro olhando Abbou Mazen embaixo, espremido e angustiado, Obama discursava como se fosse Jimmy Carter, com uma convicção dinâmica que a ocupação da Cisjordânia e o roubo de terras árabes tinham de acabar.
Quem diria há dois anos que na quarta-feira na ONU baixaria em Barack Obama o espírito do Ariel Sharon, que permitiu o massacre nos campos de Sabra e Shatila, em lugar do lúcido e humano recém-eleito presidente dos EUA?
O presidente de hoje mereceu o adjetivo “patético” que os anglófonos usaram com desprezo enfático por sua falta de vergonha de virar uma ferramenta do governo de extrema-direita israelense.
Com a cumplicidade da imprensa nacional.
Como é possível que esta não tenha relevado o absurdo de Dan Shapiro, embaixador dos EUA em Tel Aviv, ter viajado para Nova Iorque no avião de Binyamin Netanyahu, trocando figurinhas com o Primeiro Ministro como se fosse um de seus funcionários?
E foi preciso que o Haaretz, principal jornal de Israel, ousasse publicar a nova alcunha do presidente dos Estados Unidos que os jornalistas já murmuravam: Barack Netanyahu.
Aliás, o homônimo político do recém-batizado o respeita tanto, que na hora de seu discurso estava entretido em conversa animada com o presidente da Colômbia...
Outro tapa na cara que Obama recebeu calado.
E como todo sujeito débil, humilhado, esbofeteou então Abbas por “ousar” reivindicar o direito a uma pátria, ao respeito, a uma identidade.
Como declarou a deputada do Fatah e militante de Direitos Humanos Hanan Ashrawi ao Haaretz, ouvindo o discurso do presidente dos EUA, dir-se-ia que são os palestinos que ocupam Israel em não o contrário.
Nenhuma palavra de simpatia pelas centenas de milhares de palestinos forçados à diáspora na Naqba, os refugiados; nem pelos ocupados, terrorizados pelos 500 mil colonos invasores dentre os quais bastante estão armados; pelos despojados de terra, água, identidade; nem pelas milhares de vítimas gazauís bombardeadas, pelos sobreviventes sem casa, sem meios e enclausurados em um estado de sítio interminável.
Nada.
Só os infortúnios israelenses lhe interessaram.
Levantou os defuntos dos bombas-suicidas, que deixaram de ser atualidade em 2005, como se continuassem em atividade; lamentou os pobres israelenses atingidos pelos foguetes artesanais jogados de Gaza como se fossem torpedeados dia e noite por dirigíveis sofisticados; teve coragem até de desencavar o holocausto da Segunda Guerra Mundial, argumento inesgotável, como se fossem os palestinos os responsáveis ou tivessem sido eles os idenizados com uma pátria, em vez de terem sido desfalcados de nacionalidade.
Shame on him! disseram membros de ONGs israelenses de Direitos Humanos.
O holocausto é um fato histórico que faz parte de todo curriculum escolar no Ocidente. É um Mal irrefutável e condenado com merecida veemência.
Contudo, não foram os palestinos que cometeram aqueles atos abomináveis.
Como sempre, os EUA recorreram ao argumento de chantagem que funciona com os europeus, que um dia, vão ter de pôr fim a esta culpabilidade inesgotável: Foram cúmplices ativos ou mudos, mas já reconheceram, se desculparam, se redimiram com o Estado de Israel; ponto final.
Agora têm de consertar outro erro do passado.
Madeleine Albright, a Hillary Rodhan do governo de Bill Clinton, costumava servir ao mundo, no conflito Israelo-Palestino, uma mentira que ficou nos anais jornalísticos: “Só depende das duas partes”.
Quem conhece a história das últimas décadas sabe qual parte quer paz e qual quer ter tudo ou guerra.
E a Justiça depende da Organização das Nações Unidas e do voto de um indivíduo:
Barack Houssein... Netanyahu ou Obama.


Milícias terroristas de judeus franceses chegaram na Cisjordânia, armados até os dentes e recrutando mercenários na internet.
55 homens e mulheres com treinamento militar já estão a postos em colônias e em pé de guerra.
Chegaram no aeroporto Ben Gurion sem ser incomodados, embora há poucos meses a entrada de militantes de Direitos Humanos de ONGs internacionais, inclusive franceses, que vinham em paz, tenha sido bloqueada.
Pedras contra kalishnikovs.
A ONU vai permitir outra Naqba? Limpeza étnica total?

Treinamento de tiro ao alvo nas colônias/assentamentos/invasões judias na Cisjordânia - até as mulheres aderem à onda terrorista.
Em uma confrontação de uma milícia de Esh Kodesh com uma passeata pró-Estado da Palestina de pessoas desarmadas, entre gás lacrimogênio e balas, Issam Badran, palestino de 35 anos, pai de oito filhos, virou cadáver.




The reason that Israel has been able to appropriate Palestine unto itself with American aid and support is that Israel controls the explanation of the Israeli-Palestinian conflict. At least 90% of Americans, if they know anything at all of the issue, know only the Israeli propaganda line. Israel has been able to control the explanation, because the powerful Israel Lobby brands every critic of Israeli policy as an anti-semite who favors a second holocaust of the Jews.”
Paul Craig Roberts, 2007, em Carter's Inconvenient Truths

Entrevista Jimmy Carter
 
Free Gaza Movement: http://www.freegaza.org/;
Global BDS Movement: http://www.bdsmovement.net/



domingo, 4 de setembro de 2011

Israel se anima na Tentifada enquanto na Cisjordânia os colonos se armam


Passeatas em Israel: Caminhe como um egípcio
De cabeça erguida
Hoje deixarei de lado a Síria, onde uma calma lúgubre voltou a reinar em Damasco por medo do potencial de repressão do presidente Assad assim como Gaddafi e a Líbia que este abandonou desgovernada e cheia de cadáveres.

Primeiro vamos à parcialidade da Organização das Nações Unidas e a subserviência do seu atual Secretário Geral Ban Ki-Moon ao presidente dos EUA (que de candidato intelectual salvador da pátria passou a mais um governante míope manipulável) e consequentemente ao governo de extrema-direita de Israel.
É claro que ele não está sozinho na cumplicidade, mas como é ele que não tem vergonha de dizer aberrações sem mudar de cara, é ele que tem de pagar o pato.
A ONU nasceu durante a ressaca da calamidade causada por Adolf Hitler no fim da Segunda Guerra Mundial. Como se sabe, os nazistas exterminaram 6 milhões de pessoas. Centenas de milhares de ciganos (executados diretamente onde estavam) e judeus (asfixiados em câmaras de gás); internaram em campos de concentração (dos quais muitos não voltaram) milhares de comunistas e opositores de toda índole, credo e nacionalidade; trataram homossexuais e deficientes como se fossem animais, e resistentes alemães loirinhos foram julgados sumariamente e executados por traição à pátria por terem se rebelado.
A criação do Estado de Israel também nasceu desta ressaca. Foi aí que lobistas judeus milionários e governos ocidentais de consciência pesada resolveram “doar” aos israelitas dois terços de um país chamado Palestina, que a Grã-Bretanha ocupava. Isto sem legalizar a situação dos nativos no pedacinho que lhes sobrava.
Sessenta e três anos, diáspora palestina forçada e guerras expansionistas mais tarde, a Palestina se encontra dividida em duas partes incomunicáveis, chamadas Cisjordânia e Gaza.
A primeira, após ser invadida, ocupada militarmente, amarrada, amordaçada e despojada de sua água, vem sendo paulatinamente desapossada de sua terra invadida por colonos judeus importados e subsidiados (alguns mal falam hebraico) que se instalam como se fossem donos da casa e os autótonos fossem bichos selvagens ou objetos inanimados.
A segunda é a Faixa pequenininha onde vivem um milhão e meio de homens, mulheres e crianças concentrados e em estado de sítio desde 2007, contra o qual o mundo inteiro, responsável, se levanta e grita, até agosto, sem que nada mude.
Neste contexto iníque, para surpresa geral, a ONU acabou de anunciar que o bloqueio de Israel da Faixa é legal e justificado... “a fim de evitar a entrada de armas na Faixa”.
Ataquedo navio Mavi Marmara pela IDF
em águas internacionais, no ano passado 
E segundo o novo relatório que desmente estranhamente o do ano passado, o ataque israelense da Flotilha da Liberdade, em águas internacionais, também foi justificado porque tinham de defender-se da resistência que encontraram...!
De quem?
De ativistas internacionais que tentavam palear um pouquinho à carência alimentícia e às destruições materiais causadas pelos bombardeios sucessivos de Gaza.
O único porém que a ONU encontrou foi que a IDF (exército israelense) usou de força excessiva na “abordagem” dos navios. Força que, diga-se de passagem, resultou na morte de nove cidadãos turcos que estavam a bordo do navio Mavi Manara. Este encabeçava a Flotilha que levava víveres e material de construção para Gaza.
O Ministro das Relações Exteriores da Turquia
promete questionar o bloqueio da Faixa de Gaza
 na Corte Internacional de Justiça
A Turquia voltou a exigir desculpas de Biniamin Netanyahu, que recusou até uma esfarrapada, embora o governo de Ankara seja seu único aliado nas paragens, e os turcos foram obrigados a levar de novo seu embaixador para casa.
E o presidente da ONU não deixou por menos. Lembrando oportunamente de seu papel de árbitro, apelou para os dois países entrarem em acordo, como se ambos fossem culpados do “acidente diplomático”.
Enquanto a ONU deu corda para Israel continuar seus atos ilegítimos, Netanyanu voltou a ameaçar a Autoridade Palestina para que esta não apresente à ONU a moção de reconhecimento de seu Estado no dia 20.
Famosa foto que cela os Acordos de Oslo
Yasser Arafat sorridente aperta a mão de Yitzhak Rabin reticente
“Se fizerem isto, consideramos o Acordo de Oslo caduco”, disse, querendo dizer que Israel e Palestina voltam a ser oficialmente inimigos.
Seria risível se a IDF não estivesse armando os 500 mil invasores que moram nas colônias/assentamentos na Cisjordânia, e treinando cães de ataque que são mostrados na televisão israelense para “tranquilizar” os moradores israelenses com esta arma secreta e nociva.
Avigdor Lieberman, o ministro fascista responsável pelas questões externas mas especialista mesmo é em incentivar guerra, não para de apavorar seus compatriotas incautos dizendo que “A Autoridade Palestina está planejando um banho de sangue após o dia 20!” 
Os colonos que estão sendo
treinados e armados
Setembro na Palestina é um mês de esperança em que cidadãos apátridas na terra natal terão o direito de existir, de ter passaporte, identidade reconhecida, e isto é entendido nos meios liberais israelenses como uma marca de futuro livre e dinâmico para a Palestina, e que gerará paz.
A extrema-direita sionista israelense está se preparando para uma guerra sem trégua contra a Terceira Intifada, como se as passeatas que os palestinos estão preparando fossem campanhas militares. Nesta semana a IDF vai proceder ao treinamento militar de colonos e continuar a armá-los de material militar que atira e mata, contra pedras eventuais.
Aliás é difícil fazer a separação da IDF e dos colonos, pois muitos destes servem o exército ou são oficiais, e muitos militares moram nessas colônias ilegais.
O que agrava mais ainda o caso de Israel porque quando oficiais e soldados de um país infringem as leis internacionais de maneira descarada, a coisa fica muito mais complicada. Se não fosse Israel, a OTAN já teria bombardeado...
A Primeira Intifada levou aos Acordos de Oslo
Só para refrescar a memória, a Primeira Intifada (que em árabe significa algo intraduzível, mas parecido com Revolta), rebentou no dia 9 de dezembro de 1987.
Foi na época de Yasser Arafat e denunciava a ocupação israelense. Esta é considerada como vitoriosa para os palestinos porque originou os Acordos de Oslo.
As pedras dos palestinos contra os tanques israelenses
na Segunda Intifada na Cisjordânia
A Segunda Intifada começou no dia 29 de setembro de 2000 em Jerusalém. 
Após o fracasso das negociações de Campo David, nos EUA, o general Ariel Sharon, até então em semi-ostracismo após o massacre de palestinos nos campos de refugiados de Sabra e Shatila no Líbano, resolveu voltar à ativa da pior maneira possível. Escoltado de dezenas de soldados devidamente armados, penetrou na esplanada da Mesquita Al-Aqsa em um gesto de provocação deliberada de conflito.
Em resposta, aconteceu uma imensa passeata de jovens violentamente reprimidos pela IDF, que conteve a caminhada a gás, tanques e balas, ocasionando a morte de um estudante local.
Funeral do sheikh Ahmed Yassin criador do Hamas 
assassinado pela IDF em Gaza durante a 2a Intifada
A violência de ambos os lados - de um humilhações, check points, tanques e balas, do outro pedras e bombas suicidas que substituíam, segundo os organizadores, as forças armadas que não possuíam para combater com armas iguais – durou até fim de 2004. Ano em que Hamas e Fatah decidiram passar à resistência pacífica.
Foi então que as bombas suicidas pararam. Foi então que o Global BDS, movimento internacional de boicote a produtos israelenses, foi criado e vem expandindo sem parar. Ao ponto de deixar o governo de Israel preocupado.

Apesar da luta pacífica dos palestinos (com exceção de foguetes esporádicos lançados de Gaza por grupos extremistas), a ocupação militar de Israel continuou firme, os checkpoints entre as cidades palestinas dobraram de arbitrariedade, as colônias israelenses na Cisjordânia multiplicaram, a água foi confiscada até os palestinos só poderem desfrutar de 10% de seus recursos hídricos, Gaza foi bloqueada, bombardeada, centenas de palestinos de todas as idades foram presos aleatoriamente, e outras coisinhas mais.
Os quatro anos e pouco de conflito declarado após a Segunda Intifada, entre repressão da IDF e ataques suicidas, resultou na morte de 4.546 civis palestinos, dentre os quais 882 crianças. E do lado de Israel, 716 civis, incluindo 124 crianças.
É verdade que conforme for a reação dos EUA e a postura da ONU em relação à criação do Estado da Palestina, uma terceira Intifada é mais do que provável.
Porém, 2000 e 2011 só são separados por uma década, mas por dois mundos.
A Primavera Árabe, o fim da época Mubarak e da cumplicidade do Egito, adicionados aos movimentos populares na Cisjordânia e sobretudo na Síria, mudam totalmente a perspectiva.
Entre a potência militar da IDF com a assistência dos colonos contra as pedras eventuais dos jovens palestinos é provável que Netanyahu, Lieberman e sua cupinchas consigam fomentar o banho de sangue que anunciam.
Os caras-pintadas de Israel vão conseguir derrubar
Binyamin Netanyahu?
A maioria dos israelenses, que moram em residências legais em cidades reconhecidas, parece despreocupada. Muitos acham que tudo isto é uma invenção de Netanyahu para desviar a atenção das reivindicações domésticas econômicas e sociais.
E acho que têm razão. Que é realmente uma distração, mas infelizmente, a distração para um inimigo comum fabricado pode gerar um drama, já que o governo está preparando um coquetel mortífero junto aos colonos: terror + armas + treinamento militar = banho de sangue.
O fato é que por maquiavelismo de um e ingenuidade de outros, tanto os EUA quanto alguns israelenses incautos, vivem dizendo que as colônias/assentamentos/invasões bloqueiam as negociações e que este é o problema crucial. Ou seja, “os imbecis dos colonos”.
O que não admitem, por má-fé ou comodismo, é que como os colonos dominam a coalição política que governa o país, é o governo que está comprometido.
As tendas de protesto que cobrem a Alameda Rotschild, em Tel Aviv
O problema sócio-econômico de Israel é grave. Para encará-lo de frente e solucioná-lo, o governo precisa fazer reformas econômicas que exigem verbas elevadas. Dinheiro há, mas é utilizado em armamento e nas colônias que são um saco sem fundo literal.
Israel tem 7.5 milhões de habitantes e suas Forças Armadas, incluindo a bomba atômica negada ao Irã, ocupa o quarto lugar como potência bélica do planeta. Os cerca de 4 bilhões de ajuda militar dos EUA alimenta só uma parte do que sua manutenção exige.
No final das contas, a guerra tem um custo alto demais para os cidadãos israelenses (como para os estadunidenses: lá, em grana e em outros países, em vidas). E os colonos são o maior ponto de discórdia entre Israel e a Palestina. Portanto, os colonos são diretamente responsáveis pela queda brutal da qualidade de vida de seus compatriotas que vivem na legalidade. Além disso, estão prontos para iniciar uma guerra em que no final todos serão vencidos.
Repito: por que não recorrer às tropas da ONU para a retirada dos colonos e matar o mal pela raiz, já que Netanyahu diz que é um processo perigoso e difícil?
Um colega de Tel Aviv diz que é porque judeu tem uma regra intransigível de lavar roupa suja em casa. Ao que respondo que ao instalar-se em casa alheia sem ser convidado, o penetra já perdeu os princípios na entrada e tem de estar pronto para sair enxotado.

Enquanto os fora-da-lei se armam com ódio na Cirjordânia que invadiram, os israelenses que vivem na legitimidade em seu próprio país engrossam as passeatas de protesto em suas principais cidades (500 mil desfilaram ontem em Tel Aviv), a preocupação doméstica do governo aumenta, e o capetinha espeta o diabolismo da saída imediata fácil (?) de distrair a atenção para os palestinos e a Terceira Intifada.
Tenho dificuldade em imaginar que no Egito, na Síria, na Cisjordânia e no Líbano, os refugiados palestinos e a população local, desta vez, fiquem de braços cruzados enquanto a IDF e os colonos armados massacrarem os cisjordanianos.
A tensão está realmente grande em Israel. O país está em pé de guerra. Tanto social interna quanto literal.
Portanto, com a aproximação do dia 20 de setembro fatídico (a União Européia liberou o voto de seus membros na questão da criação do Estado da Palestina), por que as tropas pacificadores da ONU não estão na Cisjordânia, já que os palestinos são proibidos de proteger-se das forças armadas dos invasores que os agridem?
Por que Ban Ki-Moon está deixando como é que está para ver como é que fica?

Autocolante da ONG israelense de Direitos Humanos Gush Shalom 

Mãe de Samer Allawi

Jornalista Samer Allawi no trabalho
E para concluir, ontem em Gaza, cerca de 150 jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas internacionais fizeram um protesto pacífico. Sentaram na porta do escritório da ONU na Faixa para solicitar que a Organização intervenha junto a Israel a fim que liberte nosso colega Samer Allawi, palestino detentor de passaporte jordaniano (por os palestinos não terem nacionalidade reconhecida e nem identidade). Detido arbitrariamente desde o dia 10 de agosto.
A palavra de ordem dos manifestantes da imprensa é que esta detenção atinge indiretamente todos os jornalistas que trabalham no Oriente Médio, passíveis às mesmas medidas arbitrárias para virarem dedo-duro se quiserem salvar a pele.
Samer Allawi é chefe do escritório da TV Al Jazeera em Kabul. Visita a família uma vez por ano (como qualquer pessoa que mora longe de casa) em Sabastia, sua cidade natal próxima de Nablus nos Territórios Ocupados. Foi detido por soldados da IDF no fim das férias quando atravessava a ponte Allenby, que liga a Cisjordânia à Jordânia, sob acusação oficiosa de “manter contato com membros do seguimento armado do Hamas”.
Acusação absurda, pois como todo jornalista que vale algo tem de ter contato com todos os lados, a acusação serve a qualquer profissional que se preza e exerce o direito e obrigação de informar com conhecimento de causa.  
O advogado de Samer, Salim Waakim, disse que até hoje a Justiça israelense não formalizou nenhuma acusação contra seu cliente, que foi interrogado sobre seu trabalho, finanças, relações pessoais desde a infância, colegas de escola e outros detalhes de sua vida na Cisjordânia. Também se estava em contato com agentes secretos de EUA, Jordânia, Palestina, e confiscaram seu computador e o forçaram a divulgar a senha para lerem todo correio pessoal, profissional e artigos.
Samer, que trabalha na Al Jazeera desde 2006, declarou rapidamente à equipe de TV presente no tribunal que sua prisão “é arbitrária; estão tentando me forçar a dar informações que impliquem Al Jazeera e eu,” antes que soldados impedissem a filmagem.
Seu advogado diz que os interrogadores estão ameaçando acusar Samer de transferência de dinheiro do Afeganistão para a Cisjordânia se ele não concordar em virar informante de Israel.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ-Committee to Protect Journalists) baseado em Nova Iorque exigiu que Israel “esclareça as razões legais da manutenção de Samer Allawi em detenção”. E lembrou que em março deste ano já insistiu com o governo de Israel que pare de perseguir jornalistas e que respeite os parâmetros internacionais de liberdade de imprensa permitindo que o jornalista trabalhe sem interferência.
O CPJ teve de intervir por causa das violações correntes e persistentes da IDF de liberdade da imprensa na Cisjordânia, inclusive censura, detenções e ataques físicos de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.
Em Israel de Netanyahu e Lieberman, informar é crime.

Campanha do CPJ contra a impunidade de violação à liberdade de imprensa
e assassinato de jornalistas mundo afora
Ataque do navio Mavi Marmara em 2010

Lista de produtos das colônias a serem boicotados:
http://peacenow.org.il/eng/content/boycott-list-products-settlements;
Free Gaza Movement: http://www.freegaza.org/;
Lowkey: http://youtu.be/GO5Cay6GUkM;
Global BDS Movement: http://www.bdsmovement.net/
Reservista da IDF Breaking the Silence 

domingo, 13 de fevereiro de 2011

E agora, Wael?


... E dezoito dias depois, Barack Obama resolve convencer Hosni Mubarak a deixar o cargo. Uma vez mais o presidente dos EUA seguiu, em vez de liderar. Agora tem de pressionar o Exército egípcio, que quase depende dele para o salário, a assegurar a transição democrática.
Como disse na semana passada, o Patriarca caiu em desgraça, foi para sua mansão à margem do Mar Vermelho, mas deixou a cabeça e os dois braços armados a postos no Cairo. Omar Suleiman e o general Tantawi continuam lá. Mas terão de escutar. O Egito não é mais o mesmo. Os egípcios acordaram e não estão dispostos a deixar a conquista resvalar. Prometem continuar a vigília de casa, do trabalho, da universidade, e através de uma imprensa livre para denunciar.
A festa na rua foi bonita, o otimismo e a alegria continuam, porém... hoje é difícil cantar vitória. No final das contas, vai depender de quão grande é a dissensão no Exército e de quão potentes são os oficiais democratas. Hoje os soldados são chamados de irmãos, mas soldado é peão. Peão não se desloca, é deslocado e só de casa em casa, para frente ou para trás, e neste tabuleiro de xadrez a rainha é Tantawi e o rei é Suleiman. Enquanto ambos não forem transformados em torres, bispos ou tirados do jogo, vai ser preciso vigilância constante para que as reformas vinguem e para que haja eleições livres, sem corrupção.
Dito isto sobre o Egito, um balanço provisório se impõe na região.
Desde que al-Qaeda protagonizou as explosões das torres gêmeas de Nova York, Ben Laden foi transformado NO Bicho Papão e o Islamismo foi estigmatizado como uma religião que fabrica terroristas em massa.
No século III o persa Mani inventou esta teoria do Universo ser dominado por dois princípios antagônicos e irredutíveis do oito ou oitenta, do Bem e do Mal absolutos, mas a vida e o mundo já provaram n vezes que o maniqueísmo é desumano e falho.
Nenhuma religião fabrica terrorista, nenhuma fabrica vítima e nenhuma fabrica tolerância e liberalismo. Se religião influenciasse alguém e algo, o capitalismo não teria tido nenhuma chance de triunfar entre os cristãos, o “nosso” mundo teria vivido dezessete séculos de paz e o Ocidente seria uma imensa Shangri-La.
O que diferencia as pessoas pode ser a visão.
Por exemplo, a pessoa cuja visão econômica se estende da Teoria de Sentimentos Morais do escocês Adam Smith ao Das Kapital de Karl Marx entende melhor o cerne da revolta nos países árabes do que os “Chicago boys” adeptos de Milton Friedman e sua teoria do choque (http://www.youtube.com/watch?v=aSF0e6oO_tw).
Ben Laden é uma ameaça, mas é uma ameaça ínfima comparada com a dos khobzistes (desempregados do Magreb). Os efeitos colaterais dos regimes autoritários que permitem as vidas de nababo dos clãs dos dirigentes dos países árabes – a concentração da riqueza atinge um grau inimaginável enquanto ao resto do país falta o básico – já eram claros, mas negligenciados.

Um exemplo. Na Tunísia, os Trabelsi, a família de Leila, esposa do presidente escorraçado – irmãos, primos, cunhados, parentes próximos e distantes – controlam todos os setores importantes da economia, segundo se ouve, de maneira insaciável. Aliás, uma das piadas que corria sobre Ben Ali é que, parado por um policial por excesso de velocidade, ele argumenta que é o presidente Ben Ali e o policial responde “Nunca ouvi falar” e o leva para a delegacia onde o delegado olha sua carteira de identidade e diz “Tudo bem. Ele é parente dos Trabelsis”. A anedota retrata o que, apesar da calma, não sai da cabeça dos tunisianos: comparado com a rede de poder, de força e de controle que os Trabelsi exercem sobre a Tunísia, Ben Ali não é nada. A rede continua armada.
No Yêmen, sociedade tradicionalmente tribal, os manifestantes que enchem as ruas da capital, Sana’a, pedem, além de comida e trabalho, que o presidente demita do serviço público todos os familiares. No país mais bonito dos mares Vermelho e da Arábia – embora seja um dos mais inaccessíveis ao turismo internacional por ter “herdado” as bases da fronteira do Paquistão/Afeganistão do al-Qa’ida (palavra que significa justamente Base), as passeatas populares nas ruas da capital cultural árabe – 2.500 anos e com muito da beleza arquitetural histórica intacta – mostra justamente a fragilidade do maniqueísmo e dos dogmas ocidentais. O governo de Ali Abdullah Saleh também completou 30 anos (quarto mandato de sete anos) e com al-Qaida ou não nas paragens, as manifestações também, por enquanto, têm sido laicas. Com a miséria atingindo cinquenta por cento da população, a reserva de petróleo (70% do PIB) esgotando sem que a população tenha se beneficiado, rebeliões no Norte e um movimento secessionista no Sul difícil de parar, Saleh está conseguindo acalmar o povo prometendo não se recandidatar em 2013, baixar os impostos, aumentar os salários do funcionalismo público, e dos militares que guardam suas costas. Aliás, em um país em que os homens saem à rua com kalashnikov debaixo do braço, um afrontamento acarretaria milhares de mortos de ambas as partes. A calma também prova que ao contrário do que alguns acham, todo mundo prefere viver em paz.
Na década de 60, no mundo árabe, os regimes subsidiavam gêneros de primeira necessidade para assegurar a passividade. Na década de 80, trocaram o pão pelo voto e na Argélia a troca ocasionou uma revolta religiosa de proporções enormes em 1988 e na Jordânia um processo de liberalização salutar.
São águas passadas. Em 2011, as marchas em Tunis, Amman, Sana’a, Argel, Ramallah, Alexandria, Suez, Cairo... são um reflexo de sobrevivência de quem está morrendo sufocado.
Apesar da falta de conhecimento e/ou de assunto levar uma certa mídia a apavorar o leitor incauto, o movimento popular árabe é de emancipação. Mas se o Ocidente se esforçar, pode até conseguir empurrá-los para o extremismo religioso e em vez de democracia tudo acabe em sharia.

PS1. Falando em Lei islâmica, no Irã, o Aiatolá supremo Khamenei tentou ligar o processo revolucionário do Egito ao movimento que destituiu o xá Rheza Pahlavi (governou de 1941-79) e acabou na revolução que instituiu a República Islâmica no país. Porém, em comum os dois países só têm o xá, a quem Anuar el-Sadat deu asilo no Cairo. Até o ex-presidente Aiatolá Rafsanjani contradiz o rival: “É provável que o Irã acabe importando a revolução egípcia... o povo quer que más elites sejam sentenciadas e más ideias política removidas... o povo quer democracia.” Sem contar que nas ruas de Teheran em 1979 viam-se tantas faixas com slogans islâmicos quanto políticos, as passeatas foram feitas durante um feriado religioso e eram as vozes do Aiatolá Khomeini e outros líderes religiosos que comandavam os participantes nas ruas à oração. Hoje, como já disse, os Imãs estão ausentes das capitais “revoltadas” e apesar do peso político da Fraternidade Islâmica, a organização não liderou nada, muito pelo contrário, ficou de fora até ser chamada à mesa para negociar. Enquanto isto, a voz que é ouvida e aclamada no Egito é a de Wael Ghonim http://www.youtube.com/watch?v=4OgnO3fILno. O jovem executivo da Google cujo Facebook foi um dos principais motores da revolta. “Desaparecido” no dia 27 de janeiro e interrogado de olhos tapados durante 11 dias, onde, não sabe, de volta às ruas na segunda-feira passada com toda força e vontade, sua entrevista levou o país inteiro às lágrimas, reanimou os jovens ativistas e animou seus pais e os operários. Toda revolução tem um mártir. A do Egito tem um herói que chegou na hora exata. Quando tudo parecia perdido e acabado Wael reenergizou os ânimos e lembrou o porquê de estarem lá, sujos, afônicos, cansados, mas redispostos a lutar.
Enquanto o Egito desperta vigorosamente de uma letargia que parecia interminável, do Irã chegam notícias que desmentem tanto o Aiatolá supremo quanto os enviados de Washington: os gritos das ruas de Alexandria e do Cairo chegaram até a دانشگاه مادر Universidade Mãe, em Teheran, e os dedos-duros que pululam nas salas de aula como pululavam nas nossas até 1984, estão pondo as forças armadas em alerta. آزادی Azadi, é como os persas clamam Liberdade.

PS2. O xá Rezah Pahlavi usou em 1979 o mesmo argumento que Mubarak usou até a semana passada para manter sua ditadura nepotista no Egito. O persa apelou para o pavor dos Estados Unidos de seu inimigo máximo na época – o comunismo – para justificar seu regime autoritário e para torturar ativistas democratas com a bênção dos mesmos aliados que protegeram Mubarak até não poderem mais. O árabe recorreu até o fim à ameaça do Islã fundamentalista como se o sonho dos muçulmanos fosse só deixar crescer a barba e hijab.
Não é. Querem mais. As mesmas coisas que querem os jovens ocidentais: estudo, respeito, trabalho e liberdade.

PS3. O Oriente Médio pegando fogo, o povo assumindo o controle, exigindo seus direitos cívicos, dignidade, respeito aos valores nacionais e nacionalistas, e o primeiro ministro de Israel Benjamin Netanyahu, em vez de ficar quieto, cutuca Washington para só olhar o seu lado e provoca os palestinos com discursos belicosos.
Durante a semana Israel voltou a bombardear Gaza ferindo oito pessoas e destruindo um posto de saúde no norte da Faixa. Foi mais uma “retaliação” noturna aos foguetes arcaicos. Até hoje nós jornalistas ainda não conseguimos entender se os bombardeios são executados à noite por covardia ou pelo prazer mórbido de fazer as famílias viverem em sobressalto.
Comecei esta matéria no Egito e acabei na Palestina... O problema com o Oriente Médio é que, onde quer que seja o incêndio o vento o alimenta sempre com as cinzas que Israel mantém vivas nos Territórios Ocupados; e da Cisjordânia e de Gaza as flamas se alastram. Só quem ainda não entendeu isto foi Washington. Faz anos que os defensores da paz e de Israel aconselham os governos sucessivos a negociar enquanto podem e a resposta é sempre a mesma: Israel é forte e os árabes são fracos; paz só nos termos sionistas ideais. Hoje, estas vozes solidárias a Israel soam mais preocupadas. A elas juntam-se as dos que querem que justiça se faça sem que mais sangue seja derramado. Israel tem de sentar-se à mesa de negociação com o Fatah, e o Hamas, sem tardar. Agora não tem mais como se auto-congratularem que os israelenses são intrinsecamente potentes e os palestinos intrinsecamente frágeis. Uma quimera. Tem intelectuais palestinos por toda parte – apesar dos check points que visam dificultar o acesso às escolas, noventa por cento dos jovens palestinos cristãos e muçulmanos chegam à universidade. E agora está claro que com poder financeiro e/ou bélico externo guardando suas costas, são os dirigentes que são débeis e venais, e não os árabes.
Aliás, em Ramallah, os jovens também saíram às ruas para protestar. Na Cisjordânia exigiram, exigem, o fim da divisão que Israel alimentou para reinar. Os gritos chamam à união do Fatah e do Hamas em uma frente única e solidária para negociar seus direitos de existir e a paz.
Novos tempos, novas vontades.