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domingo, 23 de outubro de 2011

Banalização de execução sumária

I and the public know; What all shcoolchildren learn; Those to whom evil is done; Do evil in return.
Eu e o público sabemos; O que todos os meninos aprendem; Aqueles que são maltratados; Por seu lado maltratam.
Esta é uma estrofe célebre de Wystan Hugh Auden. Genro de Thoman Mann e um dos maiores intelectuais britânicos do século passado.
WH Auden, cristão confesso, disse também que Todos estamos na Terra para ajudar os outros. O que não entendo é para quê estão os outros.
Na semana passada (como tantas outras) os Todos continuavam Indignados de Singapura a Nova Iorque, mas os Outros levantaram a voz, e às vezes, armas.
A execução de Gaddafi só é surpresa (?) para a ONU.
A cabeça a prêmio não precisava as condições de captura, se algemado ou em imagem, mas a expectativa de execução era quase clara.
O choque das imagens, a Rússia botou a boca no trombone e a ONU resolveu pedir contas do assassinato. Mas com que moral?
Só neste ano, deixou os EUA executarem sumariamente Osama Bin Laden e seu próprio cidadão Anwar al-Awlaki com o filho de 16 anos, sem questionarem nada.
Neste contexto de impunidade do "líder das nações livres", como fazer os rebeldes líbios engolirem lição de moral?
Estas execuções fazem o mundo "civilizado" regredir moralmente à Idade Média, ao obscurantismo.
E as nações árabes que emergem à democracia têm em Washington um péssimo exemplo.
Sem punir os Estados Unidos na Háguia, vai ser quase impossível punir os rebeldes da Líbia por crime semelhante.
A não ser que a OTAN esteja disposta a atolar, cada vez mais, no solo enlameado do país inteiro, o pé esquerdo com que entrou nos ares tripolitanos.
Gaddafi é morto. E agora, Jalil? E agora, África?
A queda do ditador da Líbia causa satisfação na América e na Europa. Os demais ditadores árabes e a África estão tensos, apesar de terem costas quentes.
Ele não era o único déspota do continente, mas era o único que não tinha rabo preso a nenhuma potência estrangeira. Daí a rapidez com que estas “socorreram” os rebeldes, os armaram e depois bombardearam de cima para ter certeza que Gaddafi não se safaria e que os próximos líderes lhes abririam as portas econômico-financeiras.
Os demais ditadores africanos têm costas quentes, mas talvez nem tanto.
Mesmo protegidos militarmente pelos Estados Unidos em nome da “guerra contra o terror”, e pela China e Índia que não deixar ninguém matar a galinha de ovos de ouro fazendo revoluções, a grande maioria do povo não beneficia dos investimentos que entram no país ou já vão direto para contas clandestinas no exterior. Por isto e por viver em um mundo em que as distâncias encurtaram, a insatisfação, cedo ou tarde, vai chegar aos países mais improváveis.
Quem sabe até na Somália.

The Death of Gaddafi: The Big Picture

Quanto ao futuro da Líbia, ouve-se que a paz momentânea pode ser guerra civil proximamente.
Gaddafi foi para Sirte sabendo que não sairia de lá vivo. Queria morrer junto de sua tribo e transformar-se em mártir para os humildes.
Morrer isolado em palácio, é uma coisa.
Morrer rodeado na cidade natal é outra, com sentido. 
Daí a pressa da ONU em prometer investigação sobre os crimes de guerra cometidos por ambos os lados.
Há semanas que os rumores na Líbia são de que estava condenada a continuar a novela negra que começou no Iraque em 2003.
A queda de Gaddafi é um triunfo, mas a execução é uma derrota flagrante.
Mostra o quanto a autoridade do NTC (Conselho Nacional Transitório) junto aos grupos rebeldes é frágil. E quão aleatória será a posição destes homens unidos pelo ódio de Gaddafi e separados, quem sabe, por ambições de poder tribal ou/e pessoal.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Já dizia Camões. Vide a foto acima, do ano passado.
Uma coisa é certa. O conflito armado não terminou com a execução de Gaddafi. É quase certo que rixas entre prós e contras e contras e contras vão soltar faíscas em algumas partes.
Resta torcer para que as faíscas não provoquem incêndio nacional e que o NTC consiga controlar o que hoje parece dificilmente controlável.
Alguém na Líbia disse que eles podem inspirar-se no processo de reconciliação da África do Sul, exportado com sucesso para Ruanda, Libéria e outros países, mas tem um porém... O programa inaugurado pelo bispo Desmond Dutu é fundado na fé cristã da confissão do pecado e do perdão. Não sei se funcionaria calcado em outra religião. Quem viver verá.
A OTAN prometeu terminar a “campanha da Líbia” no dia 31 de outubro, mas não falou quando abandonará o navio nas mãos de tripulação e capitães nativos.

Nos Estados Unidos, França, Inglaterra,... as empresas que ainda não estão com caixeiros viajantes postados há meses em Benghazi, para abocanhar os espólios milionários da guerra que seus países patrocinaram, estão sendo incitadas vivamente a voarem já! A fim de participarem da festa econômica e deixarem os empresários locais a ver navios, como em Bagdá oito anos atrás.
Boa sorte para a Líbia e para os líbios! Com votos de que o país não protagonize o Cine-catástrofe-realidade: Iraque Bis.

RT: Que direito a OTAN tem de executar Gaddafi?

Duas “revoluções” com duas caras, poderia ter sido o título de um artigo comparativo entre o processo de “libertação” da Líbia e da Tunísia.
Porém, como nos últimos meses já falei bastante sobre o caminho errado tomado desde o início na Líbia, prefiro dar uma palavrinha sobre o país em que o povo venceu na mais perfeita paz.
Na sexta-feira almocei com Jamel, um tunisiano que faz parte da elite pensante e ativa que reside fora.
A falangeta de seu polegar estava curiosamente manchada de tinta preta e ele disse, com orgulho da conquista de um direito universal nascente, que tinha acabado de votar no Consulado para a escolha do Conselho que comporá a iminente Assembléia Constituinte.
ESclareceu que a tinta preta é para evitar fraude. As eleições no exterior duram dois dias e a tinta é impossível de ser apagada em menos de três. O sistema é infalível.
É a primeira vez que ele votava (tem 39 anos).
Não que o deposto Zine El Abidine Ben Ali tenha presidido o país de 1987 a 2011 sem organizar sufrágios, é que era eleito com mais de 90% de votos, fraudados. Os funcionários públicos, por exemplo, recebiam o envelope com a cédula, única, que depositavam na urna e iam ruminando a frustração de volta ao lar, seguro, graças à cumplicidade a que eram obrigados.
Dez meses após a queda de Ben Ali, tunisianos bem sucedidos em outras paragens retornaram ao país para participar do processo de democratização e oitenta partidos foram criados.
Jamel, como os tunisianos bem pensantes e laicos, votou na lista de personalidades que propõem um esboço de constituição que será submetida ao escrutínio público na internet para ser melhorada conforme a expectativa popular.
Dentro do país, os cidadãos que tomaram seu destino em mãos votam neste domingo.
Revolução popular é isto. É o povo unido contra um sistema apodrecido e que deixa a Justiça punir os criminosos, de colarinho branco e sem colarinho.

Após a primeira leva de troca de prisioneiros no dia 18, negociada entre Israel e o Hamas, e a acolhida de herói que tiveram alguns militantes do Hamas responsáveis por crimes de sangue, me perguntaram se acho isto moral e se não há risco que estes voltem aos atentados.
Começando pela segunda pergunta, as estatísticas que Israel mantém desde que procede a estas trocas de prisioneiros mostram que apenas 15% dos libertados retomaram atividades militares.
O risco hoje é menor ainda, pois na visão destes militantes (muitos eram civis presos por nada), eles cometeram estes atos repreensíveis em situação de guerra e agiram como soldados lutando por justa causa, com comando e ações hierarquicamente determinadas e ditadas por uma vontade política clara.
A vontade explícita do Hamas, desde 2005, é de conciliação e paz, não é mais de atentado.

Nelson Mandela, um “terrorista” anos mais tarde, em vida, popularmente canonisado, durante seus primeiros quinze anos de prisão, costumava cantar a célebre balada popular irlandesa (1) composta em homenagem a Kevin Barry, dando ênfase à frase “Fuzilem-me como um soldado irlandês, não me enforquem como um cão, pois lutei pela liberdade da Irlanda”.
Kevin Barry tinha 18 anos quando foi enforcado junto com nove companheiros do IRA, enterrados no pátio da prisão em 1920. Na libertação da Irlanda em 1934, os túmulos dos dez homens foram identificados. Em 2001 uma missa foi rezada na Catedral de Nossa Senhora e os corpos foram devidamente enterrados no cemitério de Glasnevin, em Dublin, onde um monumento foi edificado aos heróis do passado que permitiram que o presente seja desfrutado com liberdade.
Quem já esteve em Israel e, como eu, observa tudo, deve ter reparado que tem muitas ruas e praças chamadas Shlomo Ben Yosef.
O que valeu tanta homenagem a este membro do controvertido partido sionista revisionista Irgun?
Em 1938, um ano depois de ter emigrado para a Palestina, ele fuzilou um ônibus cheio de nativos com a intenção de matar todos os palestinos que conseguisse.
Ben Yosef foi julgado pelas autoridades britânicas, que então ocupavam a região, e foi condenado a morte pelo crime premeditado.
Para a  grande maioria dos israelenses, este homem movido pelo ódio racista é louvável.

Em 1948, Albert Einstein junto com a filósofa Hannah Arendt e outros intelectuais judeus da época, enviaram ao New York Times uma carta aberta (2) condenando a visita aos Estados Unidos de Menachem Begin. Este era líder do Tnuat Haherut, partido cuja organização, métodos, filosofia política e social se assemelhavam à dos fascistas, segundo os assinantes da missiva.
Esta mostra a clarividência destes intelectuais encabeçados por Einstein a Arendt. Viram nesta visita a vontade política estadunidense de apoiar este partido na Nação recém-criada, contra as ideais de Ben Gurion, mais abertas.
A carta mostrou também que a comunidade judia estava dividida, mas não evitou a ascensão meteórica de Begin.
Embora tivesse participado e dirigido vários massacres de palestinos que resultaram na Naqba (blog do 15/05/11), - inclusive do vilarejo vizinho de Jerusalém, Deir Yassin, em que o genocídio dos palestinos deixou traumatizados os soldados ingleses que chegavam sempre após o fato consumado (algumas raras fotos, como as de acima, atestam a história) - co-ganhou o Prêmio Nobel com Anwar al-Sadat em 1979 por assinarem o Tratato de Paz que seguiu a Guerra dos Seis dias.
Assinatura que não impediu Menachen Begin, entre outros atos, de bombardear uma "usina nuclear" no Iraque em 1982; de invadir o Líbano, dando início à “guerra” que culminou com o massacre dos palestinos nos campos de refugiados de Sabrah e Shatila; e de começar o processo de colonização em Cisjordânia e em Gaza.
Em 1983 retirou-se da vida pública e em 2005 foi eleito por seus compatriotas uma das cinco figuras mais importantes de Israel de todos os tempos.
O que prova a teoria do próprio Einstein. Da relatividade.

A lista de “terroristas” convertidos em “heróis” é longa. 
Uns têm glória merecida. Outros menos.
Mas é raríssimo que as pessoas em nome de quem o atos de violência são cometidos questionem o mérito destes indivíduos.
Eu sou e serei sempre contra a solução armada, pois sangue deixa mancha muitas vezes indeléveis e outras marcas dificílimas de tirar com meios brandos.
Quanto à questão moral que alguns leitores colocaram...
A primeira moral da estória é que a história não tem moral.
A segunda é que a vida mostra que pessoas intrinsecamente morais em toda e qualquer circunstância de estres, pressão, dor física ou psicológica extremas, são espécie rara.
A terceira é que sendo cristã - dos três primeiros séculos em que o cristianismo era calcado na tolerância e engajado em princípios irrepreensíveis - acho que todo mundo merece uma segunda chance.
Eu, prefiro dar a outra face e levar mais uma bofetada encarando o meu agressor do que revidar ou pôr o rabo entre as pernas e seguir adiante, de cabeça baixa, com medo da sombra.
E como todos os israelenses ativistas de Direitos Humanos aprovam a troca de prisioneiros (blog anterior) e querem que os outros seis mil palestinos sejam libertados o quanto antes, quem sou eu para emitir opinião sobre um drama do qual sou espectadora e não participante?
Além disso, o risco é relativamente proporcional à vontade de provocação de Binyamin Netanyahu e de seus planos.

Wag the dog é uma expressão anglófona imortalizada no filme homônimo de Barry Levinson, com Robert de Niro e Dustin Hoffman.
Significa dar predominância de algo irrelevante sobre um acontecimento de grande importância.
Barack Obama, coitado, na semana passada, sem solução para o movimento incontrolável de Occupy Wall Street, resolveu wag the dog para ver se as coisas acalmam.
Primeiro forneceu ao público um inimigo comum. Um complô irano-mexicano para matar o embaixador estadunidense na Arábia Saudita em solo estadunidense.
Depois foi a lenga-lenga do papel catalisador do Irã nos conflitos árabes.
E por último, mas não menos importante, declarou que os Estados Unidos retirará do Iraque seus últimos 39.000 soldados até o dia 31 de dezembro deste ano.
Desde 2003, mais de 4.400 cidadãos dos EUA morreram na ocupação do Iraque.
Segundo uma agência de pesquisa britânica, cerca de um milhão de iraquianos morreram no mesmo período em consequência da guerra e da ocupação.


No Yêmen, os protestos não arrefecem e a repressão prossegue.
Ali Abdullah Saleh quer garantias,
antes de abdicar ao absolutismo de seus 33 anos de presidência  



 
Na Síria,
a palavra de ordem não muda: Assad, reforma, ou fora!
A despeito das  passeatas de simpatizantes do presidente em Aleppo e Damasco.


A título de informação, o Brasil finalmente aderiu, oficialmente, à ocupação injusta da Palestina abrindo uma representação nacional do Movimento Brasileiro BDS (Boycott, Disinvestiment, Sanctions) contra Israel. O evento aconteceu na USP na semana passada.
Agora os nossos compatriotas que quiserem, poderão participar do Movimento e pressionar o governo da Dilma para que não permita que Israel use MADE IN BRAZIL para produzir e exportar seus produtos que vêm sendo boicotados no mundo inteiro.
Temos de ficar atentos para que o lobby sionista não transforme São Paulo em Nova Iorque e Brasília em Washington.
Nós somos brasileiros, defensores dos fracos e dos oprimidos; ou isto é ideal ultrapassado nas novas gerações?
"Palestine is the cement that holds the Arab world together, or it is the explosive that blows it apart."
Yasser Arafat
Israel: Estado Militar

1. Balada Kevin Barry: http://youtu.be/ehWfKQRFwWQ; letra: http://celtic-lyrics.com/forum/index.php?autocom=tclc&code=lyrics&id=283.
2. Carta de Einstein enviada ao NY Times: http://www.physics.harvard.edu/~wilson/NYTimes1948.html
Lista de produtos das colônias a serem boicotados: http://peacenow.org.il/eng/content/boycott-list-products-settlements;
Free Gaza Movement: http://www.freegaza.org/;

domingo, 17 de julho de 2011

Pra não dizer que não falei das flores


Passeata de israelenses e palestinos anteontem em Jerusalém Oriental
em favor da criação do Estado da Palestina 
Caminhando e cantando e seguindo a canção, somos todos iguais, braços dados ou não...
Eu gosto muito de passeata. Desde a escola, quando a música que abre este blog era o hino da minha geração contra a ditadura que se impôs em nosso país por 20 anos. Caminhando... é a melodia que murmurro com meus botões quando vejo gente separada pelo meio em que gravita e por poucas horas unida pela vontade de melhorar o mundo em que vive. 
Geraldo Vandré (http://youtu.be/PDWuwh6edkY) faz parte daqueles compositores de carreira curta, em seu caso, podada drasticamente pelos torturadores que lhe extirparam a vontade e desonraram nossa pátria amada, salve, salve.
Vandré nunca foi Geraldo, mas foi íntimo de todos os brasileiros que têm mais de 40 anos. Como se fosse o irmão sacrificado em nosso nome. Compôs Disparada, Canção da Despedida e quantas mais maravilhas, mas imortalizou e foi imortalizado pela frase ao alto. O hino da liberdade entoado nas ruas e praças das capitais brasileiras contra o jugo do obscurantismo e pelas eleições diretas, até chegarmos, em 1984, à tahrir que buscávamos.
Passeata espontânea em Tel Aviv
contra a recente Lei Boicote
Até o ano passado, quando os reacionários engrossavam a voz e seus representantes no governo espoliavam e bombardeavam os vizinhos, os israelenses liberais, artistas, intelectuais, envergonhados, costumavam argumentar que apesar de tudo, tinham democracia e liberdade para rebelar-se e denunciar criminosos e crime. Hoje, com a aprovação do Knesset da Lei Boicote, nem isto têm para consolar-se.
Entre outras coisas, esta proíbe os cidadãos de boicotar os produtos oriundos da política de ocupação e do apartheid. O israelense que se recusar a consumir produto com etiqueta do Jordão (http://peacenow.org.il/eng/content/boycott-list-products-settlements
) será punido. E lá se vai a liberdade de ação e de expressão da qual tanto se orgulhavam. 
Gush Shalom foi a primeira organização a liderar o boicote na década de noventa e foi a primeira a contra-atacar com uma liminar junto à Corte Suprema. "Esta lei viola os princípios básicos democráticos. Com ela o Knesset procura silenciar críticas da política governamental em geral, de sua política nos Territórios Ocupados em particular e evitar um diálogo aberto e produtivo que constitui a base do funcionamento democrático. A política de silenciar só um lado é danosa para a Liberdade de Expressão e indica claramente a fragilização de um regime democrático. Além do mais, a nova lei (que também desobriga as empresas a etiquetar a origem do produto para evitar o boicote internacional, nda) prejudica empresas ao infringir sua Liberdade de Profissão, já que não permite que o consumidor diferencie os produtos de Israel e dos Territórios Ocupados." Concluindo, afirmou que o boicote é um instrumento de expressão pacífico e legítimo dos cidadãos. 
A Gush Shalom não está sozinha no desagravo. Está apoiada por outras 52 ONGs locais e por muitos compatriotas indignados.
Toda passeata por causas legítimas é bonita, mas bonita mesmo foi a da sexta-feira passada em Jerusalém. Oriental. Aqui, cidadãos de ambos os lados da Linha Verde e do muro que separa Israel e Cisjordânia se uniram e caminharam juntos pelo mesmo ideal.
Tinha mulheres, homens, crianças, judeus, cristãos, muçulmanos, unidos e provando mais uma vez ao Knesset, a Netanyahu e quem enxergasse, que têm a mesma crença na justiça que trará a paz.
O motivo da passeata era apoiar a criação do Estado da Palestina, que será decidida em setembro nas Nações Unidas.
Esta foi a primeira das passeatas que se se repetirão todas as sextas-feiras nas cidades abaixo. 
A colônia usurpadora. O SPA está longe dos olhares




As próximas cidades são Nabi Saleh, em que os colonos israelenses confiscaram a fonte que a alimentava em água para fazer um SPA;



Iraq Burin e ao fundo a colônia Har Bracha



Iraq Burin, cujas hortas são constantemente destruídas pelos colonos de Har Bracha;






Manifestação contra o muro em Budrus

 Budrus, à qual o muro havia tirado 300 hectares e 5.000 oliveiras;

O muro em Ni'lin





Ni’lin, da qual o muro cortou um terço do município para a expansão da colônia construída ao lado;





Em maio, protesto pacífico parou um buldozzer
 em Deir Qaddis




Deir Qaddis, confiscada por Israel em 1980;

Bi'lin



Protesto semanal reprimido com gás

Bi’lin, que o muro engoliu 60% da roça cultivada. Cidade precursora das passeatas semanais. Faz anos que isarelenses e palestinos manifestam e há algumas semanas um manifestante foi assassinado por um soldado;

Sheikh Jarrah, com Jerusalém ao fundo


Sheikh Jarrah, encostada em Jerusalém Oriental e que Israel quer ocupar alegando que era habitada por judeus antes de 1948 (embora não reconheça o direito dos refugiados palestinos de recuperarem suas casas cujas chaves são bem guardadas...);




Ma’sara, uma área a seis quilômetros de Belém que os israelenses querem confiscar para expandir a colônia Gush Etzion;



Beit Ummar, em que o muro separou as roças dos donos para uso dos colonos de Kamei Tsur.



Segundo ONGs israelenses, a passeata de anteontem contou com a presença de milhares de pessoas e a mobilização continua tanto do lado israelense quanto do palestino. Se a violência não esmagar a não-violência, a tendência é que o número de participantes aumente sem parar.
A obstrução de embarque de membros da Flytilha na França, por exemplo, ou da deportação expeditiva de vários participantes direto do aeroporto Ben Gurion – dos quais, 31 britânicos, “Israel ultrapassou outra linha vermelha”, disse o professor escocês de 64 anos Mick Napier, “fomos detidos e algemados no aeroporto sem nenhuma explicação e sem ter infringido nenhuma lei local ou internacional; não permitiram que telefonássemos durante todo o período de detenção. Foi uma situação fora-da-lei, ilegal.”
Depois deste depoimento, tenho de dizer em que pé está o processo para a sonhada justiça e liberdade para a qual estes ativistas e boicotadores cidadãos normais agem.
Salam Fayyad, o primeiro ministro encarregado do processo de reconhecimento do estado palestino, afirma que no dia 26 de agosto, prazo dado pela Autoridade Palestina dois anos atrás, estarão prontos para ser um Estado. Duas semanas mais tarde apresentarão a moção de reconhecimento na 66ª assembléia da ONU que decidirá seu destino. A AP já conta com 130 dos 193 países que votam. Precisam de maioria de dois terços para o reconhecimento do Estado.
Os Estados Unidos estão pressionando os outros 63 que votarão contra ou se absterão, e continuam na política do Deixa pra lá e do Deixa comigo que não faço nada, porque se vocês conseguirem algo sem meu apadrinhamento, vão acabar não conseguindo nada porque tudo que conseguirem será vetado.
Repreendem os palestinos de um lado e do outro os convocam para negociar. E a cada investida a AP repete que senta à mesa com Israel a convite dos EUA contanto que estes garantam a fronteira pré-1967 prometida por Barack Obama em discurso público, antes de recuar sob pressão da APAIC (lobby israelense), cujo dinheiro e voto o presidente-canditato cobiça para reeleger-se em 2012.
A esperança dos cidadãos que agitam Tel-Aviv e gritam “Não em meu nome!” contra o oportunismo de Obama e o sectarismo de Netanyahu, é que o movimento internacional de boicote e a mobilização das forças democráticas pacíficas israelenses e palestinas consigam derrubar o muro que os esmaga, conseguir que justiça e dormir sossegado.
Contam com os cidadãos do mundo que teriam combatido a política de limpeza étnica nazista, o massacre dos armenianos, outras atrocidades do mesmo calibre e que se levantaram, ou se tivessem idade ter-se-iam levantado, contra a África do Sul do apartheid.
Tem momentos na vida em que tomar partido não é partidarismo, é ser humano e responsável.
Vendo de um lado a diligência da ONU e dos Aliados em reconhecer o Sudão do Sul (que já obteve inclusive Forças de Paz da ONU para a proteção que Yasser Arafat pediu três décadas atrás) e outros combatentes nacionalistas, e do outro os 63 anos em que os palestinos vivem em suas terras sob ocupação e apátridas, as gerações futuras perguntarão onde estávamos, o que fizemos, e nos julgarão como julgamos os que colaboraram com injustiças passadas ou simplesmente ficaram calados.



Falando em Sudão do Sul, a independência chegou no dia 9, a festa durou, acabou e agora vem a realidade dos fatos.
O novo país está longe dos sonhos dos que lutaram nos últimos cinquenta anos para viabilizá-lo. A violência inter-tribal já começou durante as celebrações da qual o mundo participou através das imagens.
Nos bastidores visíveis, em nove das dez tribos, o vizinho virou o oponente atual (como será na Líbia?).
No início todos estavam unidos na busca da independência, mas agora chegou a hora da desunião e de cair na real, que o Norte não era responsável por todas as mazelas que viviam.
O Sudão do Sul é uma das regiões mais ricas da África (daí a presença dos EUA e muito maior da China). Porém durante o movimento independentista ninguém se preocupou com estratégica econômica nem administrativa. Agora a capital Juba está à mercê da enfermidade continental endêmica, a corrupção, e a luta pelo poder começou a fazer vítimas.
No Norte, o problema é o mesmo dos outros países da Liga Árabe. A miséria, a fome e o desemprego dos recém-diplomados. O povo está cansado de mudanças políticas infrutíferas. Omar al-Bashir já está sendo chamado de “o homem que perdeu o Sul” e está tão desesperado para conservar a presidência que dizem que está disposto até a estabelecer leis draconianas de adesão à Sharia, só para contar com o apoio das autoridades religiosas. Lá, a verdadeira campanha eleitoral está acontecendo nas mesquitas.
Sem dar uma de pessimista, sente-se no ar logo logo Norte e Sul estarão atolados em problemas maiores ainda do que os que ultrapassaram.
E o pior é que tanto no Norte quanto no Sul os políticos interesseiros sabem muito bem o que fazer para unir os cidadãos atrás de si. Um inimigo comum. E quando as coisas apertarem, é o que um e outro vai buscar o mais perto possível.
O inimigo poderá ser Abyei (uma área controvertida no meio dos dois países), o sul do Cordofão (província instável localizada no centro do Sudão), de novo o Darfur, ou qualquer outro oponente plausível.
Teme-se que cedo ou tarde os políticos politiqueiros de Cartum e Juba, interessados em si-mesmos e não no interesse público, arrumem um bode espiatório para não perderem o trono. Aí a arruaça vai recomeçar. Que a população de um e de outro aproveite a bonança precária, pois, a não ser que apareça nos dois lados um salvador da pátria com ideais incorruptíveis, pode não durar.

Para os jovens, imagens da nossa ditadura da qual foram poupados 



Lista de produtos das colônias a serem boicotados: http://peacenow.org.il/eng/content/boycott-list-products-settlements;
FLOTILHA DA LIBERDADE STAY HUMAN: http://www.freedomflotilla.eu/;
Free Gaza Movement: http://www.freegaza.org/;
Lowkey: http://youtu.be/ET6U54OYxGw;http://youtu.be/kmBnvajSfWU; http://youtu.be/GO5Cay6GUkM;
Global BDS Movement: http://www.bdsmovement.net/; http://www.bigcampaign.org/


domingo, 3 de julho de 2011

Esperando Godot



A imagem do escritor e dramaturgo irlandês Samuel Beckett é a do Teatro do Absurdo, das poucas palavras, dos dramas humanos calados e profundos.
Na segunda guerra mundial Beckett deixou a boa vida de Dublin em 1940 para entrar na Resistência francesa na qual representou o papel de correio na Paris ocupada pelos nazistas.
Depois retomou a escritura e sua peça Esperando Godot provocou um choque na dramaturgia em 1948 conseguindo o que era até então impossível. Uma estória em que nada acontece com e entre as duas personagens Vladimir e Estragon durante todo o primeiro ato, e como se a genialidade de manter a platéia atenta a um vácuo não lhe bastasse, no segundo ato repete a dose e deixa os protagonistas do espetáculo, palco e platéia em fase, esperando por nada até a cortina fechar.
Seu primeiro livro, Murphy, foi recusado por 36 editoras antes de ser publicado... Ao ser informado do seu Prêmio Nobel literário em 1969 suspirou e disse: Que catástrofe! Quem sabe antevendo a banalidade em que o Nobel da Paz cairia quarenta anos mais tarde ao ser atribuído de maneira precipitada...
Faz quatro anos que um milhão e quinhentos mil gazauís vêm protagonizando Vladimir e Estragon em larga escala em uma peça com vários atos absurdos que se repetem em uma espera de víveres e de ajuda que nunca acaba.

A sabotagem feita no Saoirse

Vigília no Stefano Chiarim
Se Beckett não tivesse morrido em 1989 estaria na Flotilha da Liberdade II – Stay Human, que tenta dirigir-se a Gaza.
O barco dele seria o Saoirse http://irishshiptogaza.org/?p=715, sabotado há pouco em porto grego.
Resistência no Audacity of Hope
Junto com o ítalo-holandês Stefano Chiarim que está sendo consertado e vigiado noite e dia por tripulantes e passageiros irritados com o “terrorismo internacional” praticado pela Grécia em nome de Israel e dos EUA.
Mas nem todos os estadunidenses são insensíveis e sectários, é claro.
O navio que ostenta a bandeira deste país, o Audacity of Hope, carrega dezenas de ativistas entre os mais determinados. Também foi bloqueado na Grécia.
Aliás, a embaixada grega em Tel Aviv anunciou sem vergonha que sua Guarda Marítima está fazendo tudo para evitar que os barcos lá ancorados deixem o porto para integrar a Flotilha a tempo. Está bloqueando no porto todos os navios que por lá transitam e chegou a pôr o capitão do navio estadunidense atrás das grades.
Primeiro pensou-se que fosse só para espantar os humanistas determinados, mas não, sua acusação é grave, de pôr a vida de seus passageiros em risco.
Polícia grega contendo manifestantes pró-Flotilha
As autoridas gregas estão apelando para a ignorância sem nenhum constrangimento e sem piedade.
Será que querem resolver o problema do rombo financeiro da Grécia sujando as mãos de lama alheia?
A do Mar Morto é escura e cola. 
Em meados de maio, Ehud Barak, ministro da Defesa de Israel, disse que a “Transição palestina do terrorismo e bombas suicidas para demonstrações desarmadas massivas é uma transição que nos trará dificuldade”.

Pois é, os participantes da Flotilha estão até recebendo treinamento de resistência à provocação e para abordagem pacífica.
Porém não estavam preparados para a postura duvidosa da Grécia, do presidente da ONU nem da sabotagem que os Estados que não podem ser chamados de terrorista praticam sem pestanejar.
Após Israel ousar desafiar a imprensa internacional com banimento de 10 anos aos que embarcarem na Flotilha, devíamos ter imaginado que tudo o mais fosse possível e provável.
Mas o nosso sindicato internacional em Jerusalém saiu em defesa dos colegas estrangeiros e está pressionando as autoridades israelenses para que voltem atrás. Por que a ONU, que é muito mais potente (?)  não teria a mesma coragem de desafiar os todo poderosos e em vez de dar bronca nos ativistas deixasse a Flotilha em paz?
Já se sabe que não ajuda. Então que pelo menos não atrapalhe.

Ataque da Flotilha no ano passado  


 

Mahmoud Ahmadinejad e as eminências não tão pardas que estão de olho em seu reinado 
Dando um pulo para a direita no mapa mundi para abordar uma linha paralela de terrorismo de Estado, na semana passada houve um Colóquio anti-terrorismo de dois dias em Teerã que reuniu delegados de 6 países para discutir medidas de colaboração contra atentados.
O Irã tem vítimas célébres de atentados mortais. No ano passado o Dr. Masou Ali Mohamedi explodiu junto com seu carro, o serviço secreto israelense Mossad foi logo acusado, e negou, é claro. O Dr. Mohamedi era um eminente professor da Universidade de Teerã, um dos maiores cientistas iranianos e diziam que trabalhava no projeto nuclear. Seu colega, o professor Majid Shahiari tinha sido assassinado do mesmo jeito alguns meses antes.
O maniqueísmo do Colóquio foi quase risível, caso se pudesse rir de terrorismo. Os delegados iranianos apontaram para os estados terroristas ocidentais conhecidos com dedos hirsutos e esqueceram as vítimas da Revolução islâmica de 1979. De lá a cá, o regime executou sumariamente centenas de prisioneiros do grupo adversário Mojahedin e em 1988, milhares de homens e mulheres opositores ao regime foram enforcados por ordem do Aytatollah Khomeini, sem contar as prisões aleatórias e as torturas que ainda não pararam.

A prisão de Guantánamo que
continua funcionando
Mas hoje em dia é difícil dar lição de moral. Até a última década do segundo milênio quando se entrevistava uma autoridade local ainda dava para argumentar, cutucar com vara curtinha, mas depois de Abu Ghraib, Haditha, Guantânamo, Bagram, do “simples” conceito de rendition e o recente massacre de libaneses e palestinos, fica um pouco difícil.
Quanto a Mahmoud Ahmadinejad, seus dias no poder parecem estar contados. É seu amigo do peito e braço direito no governo Esfandiar Rahim-Mashae que talvez consiga o que seus concidadãos revoltados não conseguiram com passeatas. O amigo da onça tem metido os pés pelas mãos (de propósito, dizem) deixando o presidente com má fama no lugar errado. Demitiu inclusive dois ministros “intocáveis” e acabou irritando Sayed Ali Khamenei, o líder do conselho de Aiatolás que constitui a eminência parda.
Em Teerã nas rodas dos poderosos especula-se sobre seu sucessor em voz alta. Aliás, segundo os locais, Ahmadinejad ganhou em 2005 apertado e não se esperava que terminasse o mandato, pois o Conselho de Aiatolás não achava que tinha estatura presidenciável. Só não foi logo descartado porque percorreu o interior do país conquistando grande popularidade. É mesmo querido em todos os povoados, mas emTeerã é "quase" persona non grata.
Seus sucessores potenciais são um dos três aliados recentemente presos por corrupção – Ali Asghar Parhiskar, Ali-Reza Moqimi, Mohammed Sharif Malekzadeh; o atual ministro das Relações Exteriores Ali Akbar Salehi e, por incrível que pareça, o próprio Esfandiar Rahim-Mashaee, cuja filha é nora de quem? De Ahmadinejad.
Se o presidente cair e o “amigo” Mashaee for empossado, este golpe de mestre de estado vai ficar na estória. Em Teerã o Golpe já virou piada antes de ser efetivado.

Na Síria, o regime ficou mais isolado após o sucesso popular das passeatas de ontem, de norte a sul do país fechado a cadeado. Desde a adesão da bela Aleppo à marcha  dita pró-democrata que o poder do presidente Bashar al-Assad tem se esvaziado. A população já começa a acreditar que nada consegue conter o movimento em direção a uma suposta liberdade. A cada novo enterro (mais de mil pessoas já morreram nas mãos das forças militares) a procissão é multiplicada e a palavra de ordem agora além de Tahrir (Liberdade) é diretamente contra Bashar. 
Este demorou demais a entender que não era intocável, e que a propaganda dos EUA é implacável. Talvez fosse bom negociar agora com as forças de oposição nacionais, para não chorar mais tarde. Os Estados Unidos vão fazer tudo para destituí-lo, como Gaddafi (erros geopolíticos crassos), mesmo que desestabilizem a região inteira neste processo de defender seus interesses a curto prazo. 

E no vizinho do litoral que conseguiu a duras penas acalmar-se, a instabilidade volta a rondar.
Seis anos atrás o primeiro ministro do Líbano Rafiq Hariri morreu em um atentado no litoral de Beirute junto com 21 outros libaneses. Uma queixa foi formalizada junto à ONU e um Tribunal Especial foi organizado para investigar o assassinato.
Desde então, o Tribunal encontrou vários culpados.
Os primeiros foram agentes nacionais de segurança que foram presos e depois libertados.
Depois foram sírios cujas identidades não foram divulgadas. Mais tarde também inocentados.
Sítio da explosão que matou Hariri e mais 21 pessoas 
Agora decidiram culpar os principais inimigos de Israel no Líbano, ou seja, o Hizbollah.
Quatro nomes foram divulgados e o que encabeçou a lista foi o de Mustapha Badraddin, o chefe de operações militares do Hezbollah.
Embora a imprensa libanesa já tivesse bordado esta eventualidade, a notícia caiu um Beirute como uma bomba relógio em contagem regressiva para detonar.
A ONU lançou mandados de prisão para o quarteto sem pensar (?) nas conseqüências deste ato.
Acontece que o Hezbollah é um partido devidamente constituído, tem vários parlamentares democraticamente eleitos, e além do mais, tem dezoito dos trinta ministérios no governo de coalizão formado pelo atual presidente do Conselho Najib Mikati (bilionário sunita amigo íntimo do presidente da Síria). Mikati precipitou-se à televisão para dizer que a ONU havia declarado suspeita e não dado veredito de culpabilidade.
A maior comunidade religiosa no Líbano é a xiita, à qual pertence o Hezbollah; a segunda é a sunita, à qual pertencia Hariri; a terceira é cristã (39%). Elas vivem em um equilíbrio frágil duramente conquistado.

Bombardeio do Líbano em 2006
Mikati está suando para estabilizar o país após o bombardeio israelense de 2006 em que as perdas humanas foram grandes e materiais de milhões de dólares.
O líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah não deixou por menos. Contra-atacou em seguida questionando porque Israel não fez parte da investigação da ONU, já que agentes do Mossad foram vistos no local fatídico na véspera do atentado e os computadores usados para incriminar o Hezbollah foram transportados através de Israel em vez de serem retirados do Líbano por Beirute. E levantou uma lebre dizendo "Nenhum dos investigadores do STL (Tribunal da ONU) questionou  ninguém em Israel..., em vez de investigarem os israelenses eles recolheram informações que estes lhes davam.    
Sem solidarizar-me com Nazrallah, longe disso, sou obrigada a admitir que a contra-informação que visa intoxicar em vez de informar é algo usado (mais amiúde do que se imagina) sem vergonha para manipular a opinião pública e/ou limpar a barra dos donos do mundo na hora em que precisam.
Desta vez, quem ganha com a desestabilização do Líbano?
Um colega jornalista baseado em Beirute diz que no Líbano todo mundo é inocente e todo mundo é culpado.
O que não dá à ONU o direito de condenar a população inteira ao caos.
No final das contas, na lógica do colega inglês, todos nós no mundo inteiro somos inocentes e culpados, já que, com conhecimento de causa, permitimos que um país ocupe e espolie outro de terra e de água sem dizer nem fazer nada.
No caso de Hariri, ou os altos funcionários da ONU vivem em outro planeta ou estão realmente seguindo uma agenda particular na qual a estabilidade do Líbano não está anotada e está longe de ser prioritária.


Manifestação em Istambul de apoio à Flotilha da Liberdade Stay Human

FLOTILHA DA LIBERDADE STAY HUMAN: http://www.freedomflotilla.eu/;
Free Gaza Movement: http://www.freegaza.org/;
Lowkey: http://youtu.be/ET6U54OYxGw;http://youtu.be/kmBnvajSfWU; http://youtu.be/GO5Cay6GUkM;
Global BDS Movement: http://www.bdsmovement.net/;
Ações do BDS Movement em Aukland: http://youtu.be/N6k7DaW4xmA;
http://www.bigcampaign.org/