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domingo, 2 de abril de 2017

Israeli Apartheid Week 2017 IV: Hasbara + land theft

 
Life in a Palestinian refugee camp in Palestine
  Palestinian refugee: "I feel like a stranger in my own country"
Quando Israel bate na mesma tecla acompanhado dos EUA, nunca é para dar o tom da música que vai tocar e sim um preâmbulo do acorde violento que quer esmurrar.
Todo discurso do "One State solution" - a solução inviabilíssima de Um Estado, não passava de um preâmbulo à velha teoria de retalhar a Cisjordânia em vários bantustãs e aumentar um pouquinho a Faixa de Gaza na famosa teoria de "land swap" que era o que Tel Aviv queria desde o início - conforme o mapa ao lado.
Essa "troca de terra" é uma ideia antiga soprada de Tel Aviv à Geneva Initiative há duas décadas, quando as invasões civis/assentamentos/colônias ainda eram reduziveis e poderiam ter sido desmanteladas facilmente como foram na Faixa de Gaza.
Já era surreal na época e hoje mais ainda.
No mapa, parece simples. Porém, os defensores dessa alternativa não levam em conta a situação real no terreno. Ou seja, a ocupação que se propagou por toda a Cisjordânia paulatinamente e que transformou a Palestina em uma colcha de retalhos em que as cidades são cercadas de estradas exclusivas para judeus, de colônias que invadem lavouras, quintais e matas palestinas e de checkpoints que impedem a população autóctone de circular até de um bairro a outro. Enquanto que os invasores se locomovem e se expandem livremente.
Enquanto isso, a situação dos palestinos expulsos de suas cidades que ficaram no estado de Israel continua precária. A dos refugiados nos países vizinhos, nem se fala!
A solução me parece simples. Ou a ONU força o desmantelamento de todas as invasões civis israelenses na Cisjordânia, ou estas ficam no território roubado, porém, como parte de um estado palestino livre e soberano. Assim como os palestinos residentes no estado de Israel. Direitos e obrigações iguais de culto, circulação e de cidadania dos dois lados da Linha Verde qualquer que seja a origem do cidadão. E o retorno dos refugiados, é claro.
Só que toda solução é inviável enquanto Israel não admitir o direito de existência da Palestina.

When Israeli opposition leader and Labour Party chairman Isaac Herzog published a plan for "kick-starting the peace process" in February 2017, it was really "to save the settlements blocs" - areas of the West Bank where Israel has built clusters of colonies, including larger towns.
Settlement blocs are often referred to by politicians and pundits alike, but there is no common understanding about precisely what the term means.
From Israel's point of view, the term is intentionally vague and amorphous. It is a meaningless formulation, and on the vast majority of occasions when it is loosely referred to, there is a deliberate absence of delineation.
In negotiations over the past two decades, Israel has demanded that West Bank settlement blocs become part of Israeli territory in any final deal, typically as part of a land swap in which certain areas within Israel become part of a future Palestinian state. But on the rare occasions when talks have reached the details stage, there have been significant hurdles.
The problem is that "the blocs encompass large swaths of land and, depending on the negotiators, can often be 10 or more percent of the West Bank," says Diana Buttu, a lawyer and former adviser to Palestine Liberation Organization (PLO) negotiators.
Palestinian maps presented in various rounds of negotiations have allowed Israel to annex some two or three percent of the occupied West Bank. The best Israeli offer, territorially speaking, came via Ehud Olmert in 2008 - 6.5 percent, at close to a one-to-one swap - but that was when he was already a lame-duck prime minister.
Nor is it just about percentages. Swapping out settlements such as Ariel, Maale Adumim and others would prejudice contiguity, water aquifers and the viability of Palestine.
"No Israeli government to date has accepted the Palestinian stipulation that land swaps be fully equal in size and 'quality'," veteran Israeli negotiator Michael Herzog acknowledged.
While many have despaired over the prospect of a two-state solution, the concept of land swaps has remained crucial for those who remain optimistic about its viability. Pro-Israeli groups have dismissed concerns about Israeli settlement expansion - and its effect on the possibility of Palestinian statehood - in light of potential future land swaps.
Eric Pickles, chairman of the UK parliamentary pressure group Conservative Friends of Israel, recently urged Theresa May's government against "treating all settlements equally", specifically on the basis that there will be "land swaps". He suggested that some settlements should, therefore, be exempt from criticism.
 The Empire files: Home demolitions for Israeli illegal settlements
Israeli Prime Minister Binyamin Netanyahu might deflect pressure from the international community against illegal Israeli settlements by using the concept of blocs and swaps. I think that very soon he will begin to say that he will focus on continued growth within the blocs, without defining the blocs, and that he will show restraint outside the blocs, but without defining restraint. That is how the hasbara works.
For Palestinians, such dodging is one of the key problems with the land swaps concept. According to Buttu, "the land swaps have delayed and hindered negotiations and also fuelled the Israeli mindset that it is perfectly acceptable to steal land and build settlements because other land will be 'swapped' in the future".
Meanwhile, Israeli settlements continue to have an enormous impact on the ground.
"There are clear links between settlement policies and practices, illegal under international law, and humanitarian needs," Robert Piper, the UN humanitarian coordinator for the occupied Palestinian territory told Al Jazeera. "This is true both for large settlements as well as small, more remote ones. With settlement expansion, Palestinians lose access to land, and frequently, to natural resources like water springs. They often face physical violence and intimidation, compounded by movement restrictions."
Experts deny the suggestion by some politicians and pro-Israeli groups that land swaps are a kind of magic formula for achieving a viable two-state solution.
According to international lawyers, a peace agreement that permits settlement blocs to be part of land swaps could be invalidated by operation of international law for its conflict with the peremptory norm prohibiting the acquisition of territory by force. Even if an agreement preserved a two-state solution in territorial terms, that in itself would be no guarantee of civil and political rights, or the right of displaced persons to return home, and as such, would be only a partial contribution to the resolution of the 'conflict'. 
 
As a matter of fact, only a full Israeli withdrawal from the occupied territories could save the two-state solution - but that is not on the agenda of any plausible Israeli government. Even a land swap of a small percent would leave more than 100,000 settlers in place, with no political appetite for their removal.

Another possible solution would be a swap of state allegiancy. That is, that the settlements be subject to Palestinian government, just as the Palestinians living in Israel are subjected to Israeli government. That would assure equal rights to Palestinians and Isaelis alike, living in either state - Israel or Palestine - and peace would be granted forever.
There are creative solutions to various problems. But creative solutions can't paper over a gap that is so huge, because one side, Israel, simply does not accept the legitimacy of the independent sovereign existence of the other.
AIPAC meeting 2017

Empire files: Abby Martin on Palestinian refugees
 

 Global Empire - The Israeli State and its Rogue Allies
PALESTINA

domingo, 4 de agosto de 2013

Peace Talks ou intox de Tel Aviv e Washington?



Vinte anos após os Acordos de Oslo, a notícia internacional da semana foi a retomada das negociações entre Israel e Palestina em Washington.
Peace Talks, no jargão internacional informal da mídia, dos intermediários e dos interessados.
Daí o título do blog de hoje: Peace Talks ou intox(icação, ou seja, conversa fiada de cartas marcadas)?
Nesta trama intermitente dos Estados Unidos dois tipos de analistas mostram a cara. Os que demonstram esperança cautelosa e os céticos que já viram este filme varias vezes com o mesmo prólogo "bem intencionado" até o fim enroscado.
Eu faço parte do segundo grupo que conhece de cor e decorado o desenrolar e o fim da história que termina sempre com os EUA puxando o tapete dos palestinos da primeira à última hora.
Infelizmente, Binyamin Netanyahu é um dos dirigentes mais falso que Israel já teve. Nem Ehud Barak chega aos pés dele.
  
Meu ceticismo vem desde a primeira visita de John Kerry ao Oriente Médio.
Pisava em ovos nas conversas com o governo israelense, dominado majoritariamente por sionistas extremistas exaltados. Evitou nas reuniões os assuntos "melindrosos" que quer queira quer não são o cerne do conflito. Sabia que Netanyahu e seus ministros são pró-ocupação civil e militar da Palestina e tapou o sol com a peneira evitando controvérsia.  em vez de abordar o fundo do problema que só tem um nome: ocupação ilegal de terra alheia e suas consequências nocivas.
Nas capitais árabes e em Ramallah, foi o inverso.  Kerry pressionou como pôde, fez promessas que não cumprirá (a não ser que os EUA ousem dizer a Netanyahu: Basta!) e distribuiu ameaças veladas.
Suas propostas eram tão frágeis e vagas que só conseguiu que Abu Mazem concordasse em mandar alguém a Washington quando acenou com a libertação de 104 prisioneiros - três por cento irrisórios, considerando o número total de presos políticos palestinos que Israel detém há anos e os que continuam sequestrando aleatoriamente. Inclusive menores.

Meu ceticismo vem também do fato que negociar sem a presença de um representante do Hamas é perda de tempo. Sobretudo nas condições atuais. Um enviado de Khaled Meshaal teria e tem de estar presente.
 Além disso, há coisas erradas aos montes. Começando pelo elenco do filme.
Primeiro, a chefe da delegação israelense,  Tzipi Livni, filha de um imigrante polonês que foi um dos dirigentes do Irgum (grupo para-militar sionista que em 1948 foi ativo no massacre dos palestinos). É verdade que em terra de cego, quem tem um olho é rei, o que transposto ao governo israelense, entre todos os extremistas sionistas do governo, ela aparece como a mais moderada.  Porém, esta advogada, hoje Ministra da Justiça, não deixa de ser a mesma pessoa que disse há poucos anos que  "I am a lawyer… But I am against law - international law in particular. Law in general."
E é a mesma pessoa que está "negociando" porque "restarting negotiations would stop the snowball rolling towards us at the UN and in general". São suas próprias palavras, ditas em 2011.
(Sem contar que ela estava no governo em 1998/1999 durante o bombardeio de Gaza.)
Israel acedeu à demanda dos EUA porque está com a corda no pescoço, seu primeiro ministro Binyamin Netanyahu é persona non grata em todos os países ocidentais (orientais, nem se fala), a economia israelense está sendo aos poucos asfixiada pelo boicote crescente... aí, viram a saída de sempre que os EUA lhes oferecem com um tapinha nas costas: Peace Talks pro-forma para melhorarem a imagem no exterior e cedo ou tarde inventarem que se retiraram porque os palestinos demonstram má-vontade.
Este filme é manjado. Repeteco do passado, quando Israel se encontrava encostado na parede e para prosseguir a ocupação tinha de dar uma paradinha estratégica antes de dar o pulo do gato e continuar a fazer só o que lhe interessava.
Pois a posição de Israel quanto à ocupação, expansão e limpeza étnica continua a mesma e obstacula a luta intrínseca à Palestina pela liberdade, soberania e retorno dos refugiados.
Segundo, o do chefe da delegação palestina. Faz mais de vinte anos que Sa'eb Erekat senta-se às mesas de negociações do lado palestino. Desde a Conferência de Madri, em 1991. Ele nasceu em Jericó, na Cisjordânia, e formou-se em Ciências Políticas nos EUA. Tem um doutorado e foi professor da Universidade An-Najah de Nablus, na Cisjordânia.
Foi companheiro de Yasser Arafat e após sua morte foi se moderando até ser acusado de conchavo com os negociadores estadunidenses.
Recebeu as revelações como um balde de água fria e dizem que serviu-lhe de lição. Porém, seu nome foi quase imposto por Israel e os Estados Unidos.
Aliás, há um diálogo entre a israelense e o palestino, gravado em maio de 2008, que é uma pérola de bastidores. Erekat: "Short of your jet fighters in my sky and your army on my territory, can I choose where I secure external defence?"
Livni: "No. In order to create your state you have to agree in advance with Israel – you choose not to have the right of choice afterwards."
Mas o maior erro do elenco não está nos protagonistas israelenses e palestinos. Está no detentor do papel principal do filme, o "enviado especial" dos Estados Unidos.
Pois a partir de agora, Kerry passa o bastão para Martin Indyk.
Quem é ele mesmo? Alguém imparcial e de competência comprovada em questões internacionais melindrosas como George Mitchell?
Não. Indyk está a anos luz do senso de justiça e imparcialidade de Mitchell.
Quem é mesmo este cara, além de ser ex-morador de um kibutz e o único estrangeiro naturalizado estadunidense a ocupar o cargo de embaixador?
Bem, Indyk é lobista israelense em Washington desde a década de oitenta. Foi vice-diretor de pesquisa do AIPAC, o lobby sionista mais poderoso dos Estados Unidos e grande patrocinador de ódio e preconceito dentro da comunidade judia e seus amigos.
Foi embaixador dos EUA em Tel Aviv de 1995 a 1997 e de 2000 a 2001, deixando lembranças indeléveis de seu apoio "velado" a Israel durante estes anos em que serviu Washington e Tel Aviv com devoção canina.
É neste homem que os palestinos têm de confiar?
Um pouco de bom senso na Casa Branca facilitaria o entendimento e evitaria mais esta perda de tempo.  
A não ser que Obama queira deixar claro aos israelenses que os interesses dos extremistas sionistas serão defendidos a unhas e dentes. Danem-se os palestinos! Como sempre.
Aliás, Richard Falk, enviado da ONU aos Territórios Ocupados, abriu o jogo: "Does it not seem strange for the United States, the convening party and the unconditional supporter of Israel, to rely exclusively for diplomatic guidance in this concerted effort to revive the peace talks on persons with such strong and unmistakable pro-Israeli credentials?
What is stranger, still, is that the media never bothers to observe this peculiarity of a negotiating framework in which the side with massive advantages in hard and soft power, as well as great diplomatic leverage, needs to be further strengthened by having the mediating third-party so clearly in its corner. Is this numbness or bias? Are we so used to a biased framework that it is taken for granted, or is it overlooked because it might spoil the PR effect if mentioned out loud?"
Falando nisso, mesmo que Israel concordasse em desmantelar as invasões civis que proliferam na Cisjordânia, a mera definição de Israel como Estado Judeu excluiria 20% da população israelense.
Vinte por cento que correspondem aos 1.413.500 palestinos que conseguiram sobreviver à Naqba e continuaram do lado ocidental da Linha Verde. São cidadãos de Israel muçulmanos e cristãos. Cidadãos de segundo classe, mas com carteira de identidade e lavagem cerebral desde a escola primária.  São os únicos cidadãos israelenses dispensados do serviço militar obrigatório. Por razões óbvias.
O que será deles em um Estado Judeu? E o que será dos refugiados palestinos que ainda carregam consigo as chaves de casa, confiscada quando o Estado de Israel foi unilateralmente criado?
Não sei o que é pior nesta história. Talvez o mais perigoso é que os israelenses consigam o que querem e o futuro da Palestina seja negro como predisse em 1998 o grande Edward Said, o refugiado palestino mais célebre: "Most important, a state declared on the autonomous territories would definitively divide the Palestinian population and its cause more or less forever. Residents of Jerusalem, now annexed by Israel, can play no part, nor be, in the state. An equally undeserving fate awaits Palestinian citizens of Israel, who would also be excluded, as would Palestinians in the Diaspora, whose theoretical right of return would practically be annulled."
Contudo, o leão invisível desta safra Peace Talks 2013 patrocinada pelos EUA, inclusive no caso da solução de Direito dos dois Estados,  que ela só está acontecendo para proteger Israel do que Tel Aviv vê como a maior ameaça aos seus proje
tos de limpeza étnica: responsabilidade.
O processo de paz encabeçado pelos Estados Unidos isenta os israelenses de responsabilidade na raiz do processo legal. A raiz da legalidade no mundo civilizado é a ONU, as leis internacionais e os fóruns internacionais que há anos se esforçam para resolver o conflito de maneira justa e equilibrada. Dentre estes, a Iniciativa de Genebra.
A exclusão da ONU em si é bastante temerária. Mesmo com suas falhas e com a fraqueza de seu atual Secretário, as Nações Unidas são o que são: 193 nações dos cinco continentes, unidas para resolver problemas e encontrar soluções justas, equitáveis, sem recurso de armas. Foi para isto que foi criada após a Segunda Guerra Mundial.
A iniciativa do maior aliado (talvez o único) de Israel de constituir-se juiz, promotor e advogado de um conflito em que uma das partes é sua afilhada é, por definição, mais do que fadada ao fracasso.
Às vezes acho que os estadunidenses ignoram que a Palestina tem o maior índice de universitários do mundo (90% da população - apesar de todas as dificuldades) e que são bastante cultos e inteleligentes. Não apenas os dirigentes do Fatah e do Hamas são todos altamente intelectualizados. Entre os palestinos o estudo é uma questão de honra. Daí o esforço dos israelenses de com as barragens impedirem o acesso às escolas e universidades.
Além de estudo, têm uma cultura mais vasta do que a da maioria absoluta dos estadunidenses e de muitos israelenses.
Aviso aos navegantes dos Peace Talks: os palestinos são apátridas, mas pensam.
Este partidarismo cego, irresponsável e injusto seria uma canseira se não causasse tanto prejuízo material, moral e físico a um povo inteiro.
Minam sistematicamente as vitórias palestinas de reconhecimento nas instâncias internacionais que contam - UNESCO e ONU - e ainda ousam dar uma de bonzinhos.
Vale lembrar os distraídos que toda vez que a Palestina conseguiu reconhecimento em um órgão internacional eminente, os Estados Unidos, junto com Israel, lançaram aos brados acusações de "harm" do processo de paz.
Como se a única via aceitável é a que dá vantagem a seu afilhado.
Ao ponto de exigir como condição sine qua non às negociações atuais que a Autoridade Palestina desista de acionar a Corte Internacional de Justiça para obrigar Israel a respeitar as leis que infringe à vontade no processo de ocupação.
Israel já começa as negociações ganhando, no mínimo, tempo.
Com este compromisso, Obama amarra as mãos de Mahmoud Abbas e ganha no mínimo nove meses.
Enfim, se os palestinos aguentarem tanto tempo.
Em Tel Aviv, esperam, ou melhor, contam que este novo capítulo da novela Peace Talks esvazie o movimento de boicote que Isarel vem sofrendo inexoravelmente.
Prova disso foi Shimon Peres que aproveitou a deixa de Washington para "pedir" para a União Europeia voltar atrás em relação à medida de boicote recém-tomada contra todo e qualquer intercâmbio que envolva as colônias judias na Cisjordânia.
Tudo premeditado nos mínimos detalhes.
Tzipi Livni nos EUA e Shimon Peres na Europa. Ataque nas duas frentes de combate. Este Peres é mesmo o rei do disfarce.
Um jornalista israelense disse o que todos sabem, que para Israel, estas negociações são "preferable over the current anti-Israel incitement campaign being conducted in supermarkets across Europe".
É impressionante o quanto os Estados Unidos e Israel subestimam o resto do mundo. O quanto subestimam os cidadãos do mundo que enxergam e raciocinam e que não se deixam iludir por miragens maquiavélicas.
O boicote continua ativo em todos os mercados do mundo.
Concluindo, Peace Talks 2013 protege Israel da descolonoização obrigatória e viável, apesar dos 500 mil judeus "assentados" em terras alheias na Cisjordânia.
Os israelenses criaram o problema. Agora têm de resolê-lo desocupando como fizeram na Faixa de Gaza. Nem que seja na marra.
Ou então aceitar a proposta dos palestinos. O judeu que quiser ficar no lado oriental da Linha Verde será cidadão do Estado da Palestina. Com carteira de identidade e submetido às leis nacionais. Como os palestinos que vivem do lado ocidental da Linha Verde.
O que já é uma concessão inestimável.
E seria justa, se a solução dos dois Estados proposta pelos EUA, que visa proteger Israel como um Estado etnocrático judeu na maioria história palestina, vingar ou vingasse.
Mas o que Washington e Tel Aviv desejam é Jérusalem inteira para os judeus sionistas e uma fraca autoridade palestina em Ramallah a fim de salvar as aparências.
Ou seja, tudo do mesmo jeito.
Isto está explícito nos pronunciamentos de vários membros do governo, inclusive de Livni, que disse em junho deste ano que "the only way to preserve Israel" - como Estado judeu - "is through the political process".
É por isso que mais de 120 judeus estadunidenses influentes  escreveram para Netanyahu recentemente pedindo que prosseguisse a negociação dos dois Estados.
Vão sentar nas mesas de negociação não para que a justiça prevalesça e sim para manter seu status quo ilegal legalmente.
Há quem diga que quaisquer Peace Talks são melhores do que nenhum diálogo porque obriga as duas partes a sentarem e trabalharem para encontrar uma solução.
Quanto a mim, acho que este argumento não passa de um truismo simplista.
É claro que haverá alguma conversa em algum ponto, e submetida às relações de poder desequilibrado envolvidas.
Eu não vejo razão nenhuma para acolher com entusiasmo em vez de ceticismo e suspeita, negociações em que uma das partes é tão claramente protegida e beneficiada logo de início.
Peace Talks EUA 2013 não é a única solução, não é a certa, não é a justa e nem pode ser a defintiva, embora Barack Obama esteja obcecado em deixar o feito da "Paz no Oriente Médio" em seu currículo.
Para isto ele teria de ser uma pessoa que tenta ser, mas não é: sem preconceito, sem apriori, imparcial, magnânime e justo.
A única solução possível tem de vir das Nações Unidas junto com a Iniciativa de Genebra e o Tribunal Internacional de Justiça.
O resto é tapinha nas costas de Binyamin Netanyahu e seus cupinchas e tapa nas mãos e na cara de Abu Mazen e de Khaled Meshaal. Enfim, de todos os palestinos na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e na diáspora.


"It became clear that Kerry did not have a serious project or vision toward the Arab-Israeli conflict. We in Hamas don't place our hopes or bets on the White House or any international capital. It is true that we have followed Kerry's announcements, including his statements and calls to renew negotiations. We saw how he chose to put pressure on the Palestinian presidency and some Arab parties, without going to the root of the problem — the Israeli occupation — and putting pressure on its leaders. It was the latter that killed the so-called peace process, and still refuses to recognize Palestinian national rights. 
Kerry arrived in the region already knowing that he was faced with an incredibly right-wing Israeli government; a government of settlers. Thus, he avoided any confrontation with the government and put forward ideas of economic peace and investment projects in the West Bank, without addressing the real crux of the conflict, which is the occupation. 
This choice was a mistake on the part of the US administration, and therefore they will fail in these endeavors as they have failed in the past. We are convinced that the future of the Palestinian cause and achieving our people's rights — first and foremost freedom and liberation from the occupation — will be made here on [our] land. This will be achieved via the options we have and the trump cards we possess, most notably the resistance in all its forms. While we will remain open to the regional and international situation and will take advantage of all opportunities, we have not and will not beg anyone. 
Here I must say something clear: the wheel of history and the people's march toward freedom and liberation cannot be stopped by anyone, no matter how great his power. 
Gaza has been absent from the efforts of the US administration, because these efforts are not aimed at a just solution to the issue or an end to the suffering of the Palestinian people. These efforts are limited to crisis management, buying time, and maintaining the "peace process" without genuine peace."
Khaled Meshaal, líder do Hamas em entrevista ao Monitor.
"The negotiations due to open in Washington, after all the efforts of Secretary of State Kerry, will stand or fall primarily with one issue: an agreement that the Green Line, the internationally recognized borders of Israel as they were on June 4, 1967, will be the basis for the permanent border between the existing State of Israel and the State of Palestine which will come into existence at its side" says Gush Shalom, the Israeli Peace Bloc.
"If this is agreed on, we have a breakthrough to a peace agreement with the Palestinians and with the entire Arab world. It would be possible then to hold detailed negotiations of demarking the precise boundary line and define small, reciprocal swaps of territory. Also other issues such as Jerusalem and refugees, highly emotional for both sides, can be solved once it is defined where the two parties stand on the ground and what will be the border between the two states.
On the other hand, if there no agreement on the 1967 borders as the basis for an agreement - and clearly the Government of Israel in its current composition is not likely to agree to provide such an agreement - then negotiations are foredoomed to failure. In that case, the Washington talks will be remembered as a passing episode, followed by escalating violence on the ground and an increasing international isolation for Israel. Decision makers couldn’t disclaim responsibility."
GUSH SHALOM, ONG israelense pela Paz.
"The simplest solution was that provided by Charles de Gaulle. After signing the peace agreement that put an end to the occupation of Algeria after a hundred years, he announced that the French army would leave the country on a certain date. He told the more than a million settlers, many of them fourth or fifth generation: If you want to leave, leave. If you want to stay, stay. The result was a last minute frantic mass exodus of historic dimensions.
I can’t imagine an Israeli leader bold enough to follow that prescription. Even Ariel Sharon, a brutal person without compassion, didn’t dare to.
Of course, the Israeli government could tell these settlers: “If you can make arrangements with the Palestinian government so you can stay there, as Palestinian citizens (or even as Israeli citizens), by all means do so. ”
Some naïve Israelis say: ”Why not? There are a million and a half Arab citizens in Israel. Why can’t there be some hundreds of thousands of Israeli Jews in Palestine?”
Unlikely. The Arabs in Israel live on their own land, where they have lived for centuries. The settlers live on “expropriated” land, and they have justly earned the hatred of their neighbors. I don’t see how a Palestinian government could allow it.
There remains the hard core of the hard core. Those who will not budge without violence. They will have to be removed forcibly by a strong government supported by the bulk of public opinion, expressed through the referendum."
Uri Avnery, jornalista pacifista e ex-parlamentar israelense.




CRONOLOGIA de negociações e acontecimentos de relevância nos últimos vinte anos:

1991: Conferência de Madri, convocada pela Rússia e os Estados Unidos a fim de livrar Israel da Intifada. O movimento de revolta dos palestinos nos territórios ocupados surpreendera Israel em 1987 e vinha lhe causando danos enormes. Inclusive econômicos.  
Israel foi convidado para um face a face com Jordânia, Libano e Síria e representantes palestinos no mês de outubro.
A OLP (Organização para a Libertação da Palestina) liderada por Yasser Arafat (Abu Ammar) foi excluída.
A intenção de descartar a Organização considerada então "terrorista" e humilhar seu líder foi infrutífera.
O chefe da delegação palestina Sa'eb Erakat chegou com um keffiyeh (o "lenço" preto e branco tradicional na Palestina) nos ombros e esteve em contato constante com seu líder que ditava as ordens da Tunísia.
A OLP era o movimento catalizador das forças de resistência palestina e nada podia ser decidido sem seu acordo. Sabia-se disso, mas Israel e os Estados Unidos assim mesmo a excluíram em mais uma tentativa de humilhar Yasser Arafat.
O primeiro ministro israelense Yitzhak Rabin acbaria entendendo que chegar à paz tinha de lidar diretamente com Abu Ammar e autorizou negociações secretas com a OLP que culminariam em um famoso acordo.

1993: Acordos de Oslo, monitorado por organizações norueguesas, estabeleceu a Autoridade Palestina.
O documento foi negociado por Yitzhak Rabin e Yasser Arafat na Noruega, mas Bill Clinton e a esposa viram a oportunidade de entrar na História e a capturaram.
(Pensaram certo, pois a foto na Casa Branca continua sendo uma das mais publicadas quando se fala em Oriente Médio.)
Os EUA e Bill Clinton colheram os louros do trabalho alheio e os Acordos foram assinados em Washington no dia 13 de setembro.
O "negócio" dos Acordos era bom para Israel e de grego para a Palestina. Por isso foi impopular desde o início. Não oficializava o mínimo que a população queria: um Estado independente em toda a extensão territorial das fronteiras de 1967.
Tal independência estava subordinada a um teste de semi-autonomia ao qual os palestinos seriam submetidos com restrições múltiplas.
Yasser Arafat sabia quão aleatório era o compromisso, porém, sabia também quão aleatório é o tempo de vida -  no ano anterior o avião em que se encontrava caíra de ponta cabeça no deserto líbio durante uma tempestade de areia e, embora ele tivesse sido enrolado em cobertores para diminuir o impacto da queda, o acidente o deixara com ferimentos que exigiram uma cirurgia para remover coágulos sanguíneos no cérebro. Portanto aceitou a promessa sem garantia porque estava louco para voltar para casa após as décadas de exílio e também porque achava que com um governo próprio, em seu território, conseguiria chegar à soberania pretendida.
1994: Tratado de Paz entre Israel e a Jordânia. Assinado no dia 18 de julho.
1998: Peace Talks de Wye River que fracassaram no dia 23 de outubro, no estado de Maryland nos EUA.
Com Yitzhak Rabin fora da jogada por ter sido assassinado por um compatriota extremista, Bill Clinton reuniu em Washington o novo Primeiro Ministro, Binyamin Netanyahu e Yasser Arafat.
Os assuntos principais abordados foram a segurança (mútua) e transferência de terras.
Clinton entendeu de cara que Netanyahu era inconfiável e quanto mais o Primeiro Ministro  israelense falava, menos acreditava no que dizia. Yasser Arafat já sabia disso e não tinha ilusão nenhuma.
Os Estados Unidos ofereceram a Israel todas as garantias em troca de retrocesso na ocupação e devolução de terras, mas Netanyahu chegaria ao ponto de dizer mais tarde que Clinton era "radically pro-Palestinian".
Clinton pode ser acusado de muitas coisas, mas de radical no que quer que seja e de pró-palestino exacerbado.... Há divergências.
2000: Peace Talks de Camp David, que fracassaram em julho de 2001, nos EUA.
Desta vez Bill Clinton reuniu o novo Primeiro Ministro de Israel, Ehud Barak e Yasser Arafat.
Apesar das pressões sobre Arafat para que aceitasse o impossível, os obstáculos da quantidade de território que Israel desocupara, quem controlaria Jérusalem e o direito de retorno dos refugiados palestinos foram obstáculos intransponíveis.
Como sempre, estas questões foram apresentadas como uma concessão de Israel e não um direito palestino inalienável, segundo as leis internacionais. Mas mesmo assim, Barak não abriu mão de nada, Arafat viu que perdera a luta e jogou a toalha, e foi culpado pelo fracaso da "negociação de paz" inaceitável.
(Na época, um colega ganhou o Prêmio Pulitzer por um artigo errado. Ou melhor. Bem monitorado pela contra-informação de Israel. Mas não foi o único a deixar-se enganar ou a ser enganado. Outros fizeram seu mea culpa mais tarde e deixaram de confiar nos comunicados de imprensa formais e dos "informais" "exclusivos".)
2001: Peace Talks de Taba, ou o "canto do cisne" de Bill Clinton, no dia 21 de janeiro.
A Intifada Al-Aqsa (Segunda Intifada) começara em novembro de 2000 nos territórios ocupados, assim como a campanha israelense de assassinatos dos líderes do Fatah e do Hamas, a IDF (forças Armùadas israelenses) estavam reprimindo a revolta palestina com todas as armas das quais dispunha, os mortos se acumulavam, enfim, foi nesse clima que negociadores israelenses e palestinos se encontraram no Egito para tentar encontrar um terreno comum pacifico para resgatar as negociações fracassadas em Campo David.
O clima em Taba foi agradável em todos os sentidos.
Foi a única vez em que se viu um progresso verdadeiro, com pessoas em volta da mesa que falavam, ouviam, se respeitavam e se entendiam.
Porém, George W. Bush fora eleito e estava assumindo o poder à sua maneira. Barak sentiu que com ele seria mais fácil obter tudo o que quisesse e queria, e a concórdia de Taba foi infrutífera.
2003: O Road Map, "desenhado" na Jordânia no dia 04 de junho.
Yasser Arafat já estava sendo ostracizado por George W. Bush por influência do novo Primeiro Ministro israelense Ariel Sharon e os dois se reúnem com o Primeiro Ministro palestino Mahmoud Abbas um novo plano de paz.
Este Plano já é muito menos ambicioso do que os anteriores. É mais para apagar fogos da ocupação do que para extinguir seu incêndio e construir sobre as cinzas.
A base inicial é da demanda aos israelenses de gelarem as colônias/assentamentos, em vez de desmontá-los pura e simplesmente, e a criação de um Estado da Palestina independente, "em 2005".
2004: Assassinato do Sheik Ahmed Yassine e de Abdelaziz Rantissi, líderes fundadores do Hamas.
Morte suspeita de Yasser Arafat.
2005: Fim da Intifada Al-Aqsa e dos atentados suicidas palestinos.
Início da campanha cívica de boicote internacional de Israel, encabeçada pelo BDS Movement. 

2006: Vitória do Hamas nas eleições legislativas na Palestina.
Com maioria no Congresso e nos municípios, no dia 25 de janeiro o Hamas acede ao direito de eleger o Primeiro Ministro.
Porém, Israel declara que jamais negociará com uma Autoridade Palestina dirigida pelo Hamas (como fizera antes com a OLP de Yasser Afarat) e demoniza o partido. Os Estados Unidos pressionam o Fatah para que reaja (!) e acaba conseguindo minar as tentativas mútuas de formar uma coalizão para os dois partidos governarem juntos.
Sem Yasser Arafat para impor o diálogo e para dar a liga, as manobras políticas externas vingam. Acontece a ruptura entre os dois partidos e uma divisão administrativa.
O Fatah governando a Cisjordânia e o Hamas a Faixa de Gaza.
Foi uma vitória absoluta de Israel e dos EUA sem nenhuma participação direta em nenhuma negociação. Ariel Sharon assegurou seu reinado. Com a divisão que há anos Israel monitorava.
Em junho Israel bombardearia o Libano em mais uma tentativa mortífera e frustrada de enfraquecer o Hezbollah.

2007: Conferência de Annapolis.
George W. Bush, preocupado com o fortalecimento do Hamas, reúne o novo Primeiro Ministro de Israel, Ehud Olmert e Mahmoud Abbas para uma reunião, sem o Hamas.
No dia 27 de novembro, Olmet e Abbas fazem uma declaração conjunta de negociações que levariam a um acordo de paz no fim de 2008.


 2008: Operação Cast Lead - מבצע עופרת יצוקה‎ ou Massacre de Gaza مجزرة غزة‎.
Em vez de paz, no dia 27 de dezembro, aproveitando as férias ocidentais da semana entre o Natal e a Virada, Israel sorateiramente levou violência e morte à Faixa de Gaza.
Usou toda sua potência bélica nos ataques aéreos e terrestres. Inclusive armas químicas como o fósforo branco. 
A operação foi organizada durante meses, minuciosa e sigilosamente.
O primeiro passo foi evacuar os colonos judeus da Faixa em uma operação de desmantelamento dos assentamentos/invasões. Seria impossível causar o dano que pretendiam sem efeitos colateriais nos invasores judeus que ocupavam grande parte da Faix.
Depois foi a preparação militar para levar a cabo a violência vedada à imprensa e às autoridades da ONU durante três semanas.
No fim da Operação Cast Lead a Faixa de Gaza estava em escombros e os corpos de 1385 gazuís jaziam sob os escombros. Dentre eles, 117 mulheres e 410 crianças durante e em consequência.
Israel perdeu 13 homens. 4 deles por friendly fire. Ou seja, mortos pela própria IDF.
Os palestinos feridos, que perderam membros, foram queimados pelo fósforo ou ficaram cegos pela mesma arma química, sobretudo crianças, nunca foram recenceados por organismos independentes, devido ao número.
Falar de paz depois disso, ficava difícil.

 2009: Barack Obama põe sua pedra no processo de paz.
No dia 04 de junho discursa no Cairo e declara seu apoio ao Road Map, inclusive à independência da Palestina e o bloqueio dos assentamentos ilegais israelenses na Cisjordânia. E diz que o Hamas pode "play a role" participar das negociações se parar com as agressões (os foguetes obsoletos que lançava de Gaza) e reconhecer o direito de existência de Israel.
No dia 25 de novembro, após uma visita a Washington em que Obama parecera convincente, Binyamin Netanyahu anunciou o gelo de novas colônias. Gelo que não incluía as já programadas, cujo número era ignorado.
Este número foi anunciado em Tel Aviv durante a visita do vice-presidente estadunidense Joe Biden. 1.600 unidades estavam em andamento. Biden recebeu a notícia como um tapa na cara. Entendeu direitinho o que Clinton já descobrira: Netanyahu é inconfiável da flor da pele à alma.

2010:
Maio: Proximity talks entre Mahmmoud Abbas (Abu Mazem) e Binyamin Netanyahu, por iniciativa de Barack Obama.
Dezoito meses após Gaza começar a contar seus mortos, o enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, George Mitchell, iniciou um processo de negociações entre as partes interessadas.
Acabou desistindo pelas razões de sempre: Netanyahu não quer paz; quer ocupar mais território.
No dia 02 de setembro, Netanyahu e Abu Mazem se encontram em Washington pela primeira vez após dois anos de afastamento.
Ficou combinado que se encontrariam de duas em duas semanas e declararam que um Acordo final poderia ser alcançado dentro de um ano.
Porém, no dia 26 do mesmo mês o prazo de 10 meses de gelo das colônias que Netanyahu dera expirava, inviabilizando a promessa feita na Casa Branca.
No dia 02 de outubro Abu Mazem anunciou que a Autoridade Palestina suspendia as negociações até que Israel impusesse novo gelo nas invasões.
Como resposta, duas semanas mais tarde, Netanyahu ordenou a retomada das obras de centenas de unidades habitacionais nas invasões judias de Jérusalem oriental, em pleno bairro palestino.

2012: Novo bombardeio da Faixa de Gaza em novembro.

2013: Processo de negociações encabeçado por John Kerry.
No dia 04 de março John Kerry faz sua primeira viagem ao Oriente Médio como Secretary of State estadunidense. Assumiu o cargo com a determinação de deixar a Paz entre Israel e Palestina como o grande legado do governo Barack Obama e de sua gestão na pasta de Relações Exteriores dos EUA.
Nessa primeira viagem foi a Ramallah encontrar o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas. Voltou varias vezes para encontrar Binyamin Netanyahu e Mahmoud Abbas empurrando um e outro para que voltassem a negociar.
No dia 28 de julho, conseguiu que Netanyahu fizesse um gesto de boa vontade da parte de Netanyahu. Israel aprovou a libertação de 104 prisioneiros palestinos, alguns dos quais, há décadas estavam presos.
A partir daí, John Kerry fez o convite oficial aos dois homens para um tête-à-tête em Washington.
Para ter certeza de favorecer Israel do início ao fim, o Presidente dos Estados Unidos nomeou como mediador do processo um judeu defensor da causa sionista em Washington.
E para ter certeza que as negociações vão parar aí, Netanyahu vai sabotá-las já.

Documentário Journeyman Pictures (trailer de 11'): Road Map to Apartheid

Palestine in Israeli School books: Nurit Peled Elhanan

Documentário Journeyman Pictures:
Israel/Palestine - Al Awda: The Return  
   


domingo, 29 de abril de 2012

Israel vs Palestina em Hebron : Purgatio ethnos


Reservista da IDF Breaking the silence sobre Hebron
continua no fim do blog

Após Gaza, há de se conhecer outra cidade-vítima do conflito Israel vs Palestina.      Uma cidade em que um punhado de gente escudada em centenas de soldados vem procedendo a um purgatio ethnos (expressão latino-grega equivalente a "limpeza étnica" na nossa língua) de uma perversidade tática sem precedentes na história da humanidade. Hebron é a cidade da Cisjordânia que catalisa o conflito da pior maneira possível. Em 1997, na época dos Acordos de Oslo II, Hebron tinha 130.003  palestinos e 530 colonos israelenses. Até 1967 a cidade só tinha habitantes palestinos, nativos ou vítimas da Naqba que tinham encontrado refúgio lá. Os problemas começaram nesse ano, quando ainda enibriados pela vitória da Guerra dos Seis Dias, o governo de Israel quis mostrar quem mandava construindo uma sinagoga no Túmulo dos Patriarcas - mesquita que abriga os restos mortais de Abrahão e Sara.  Aí a IDF (Forças Armadas de Israel) ocupou o pedaço. A ocupação civil começou em 1968 com um grupúsculo de judeus ortodoxos ultra-extremistas. Alugaram um hotel para celebrar Pessah como se estivessem de passagem (Pessah é uma cerimônia judaica mais ou menos na época da nossa Páscoa) e nunca mais deixaram a cidade.

Apesar da invasão ser ilegal, Tel Aviv permitiu que ficassem e se instalassem em um aglomerado de casas (pregadas na cidade) que chamaram de Kiryat Arba. Dez anos mais tarde, a invasão já levava a alcunha de "assentamento" para uns, "colônia" para outros e a ONU há anos condenava sua ilegalidade apesar dos disfarces semânticos usados. Kiryat Arba contava oficial e teoricamente com 250 apartamentos que alojavam cinco mil pessoas.
O nome da invasão foi tirado do capítulo 23 da Gênese do Antigo Testamento, que indica com este nome o local da morte e sepultamento da mulher de Abrahão, Sara, e a única parcela de terra que o casal teria possuido em seu périplo regional.  

Em abril de 1979, em uma estratégia maquiavélica, um grupo de invasores composto de treze mulheres e quarenta crianças penetrou na cidade antiga durante a noite e apoderou-se de um prédio inteiro sem que os moradores (pegos de surpresa como em Gaza durante os bombardeios noturnos da IDF) pudessem fazer nada para defender o local. Pois além da tática de não ter nenhum homem neste comando civil de abordagem, o grupo contou com a arma defensiva dos soldados da IDF e do governo.
Os primeiros deixa-los-iam morar lá e virariam seus guarda-costas quaisquer que fossem os crimes que mães e filhos endiabrados cometessem todos os dias, e o segundo, no ano seguinte, autorizar-lhes-ia oficialmente a ocupação deste edifício.
Foi aí que começou a invasão sub-reptícia da cidade propriamente dita.
Com a cumplicidade de uns primeiros-ministross e negligência de outros, os invasores, fortalecidos pelo escudo dos soldados, foram atacando os hebronitas até os acossarem entre cinco colônias de estrangeiros no seio da cidade -  Avraham Avinou, Beit Hadassah, Teit Romano, Beit Schneersohn e Tell Romeida - que passaram a dominar tudo o que estava em volta em uma realidade surreal.

Um punhado de mulheres, meninos e meninas adquiriu então um passatempo único e original. Infernizar a vida dos nativos de todas as maneiras que uma mente perversa pudesse e possa imaginar, no único intuito de transformar atos banais do quotidiano de um ser humano, tais como ir à escola e ao trabalho, fazer compras, sair de casa, abrir porta e janela, em atos de bravura temerários. As mulheres e crianças palestinas são apedrejadas pelos colonos quando saem de casa, insultados, ameaçados, agredidos com detritos no caminho da escola, do trabalho ou de compras de produtos de primeira necessidade. Casas e prédios ainda ocupados pelos donos que resistem ao terrorismo diário são cobertos de balas e de insultos ("Os palestinos são animais que deveriam estar enjaulados" "Espero que Deus queime todos os árabes no inferno... não são homens e sim cães" "Detestamos todos os árabes" "Morte aos árabes" "Kahane tinha razão" "Bendito seja doutor Goldstein!"...), e os soldados da IDF que têm brio e tentam fazer algo são impedidos pelas ordens de proteger os colonos de qualquer jeito, a qualquer hora e preço, sob pena de reprimenda que vai de leve a grave.

Blocos de cimento dividem a cidade e tem sodado da IDF em toda parte.
A cidade antiga (que era o centro econômico de Hebron) está na zona 2, e portanto, condenada à ruína. Pois para passar da zona H1 à H2, os palestinos têm de atravessar cerca de seis checkpoints "especiais" da IDF que proibe a passagem de veículos de uma zona à outra - o que obstacula o transporte de mercadorias asfixiando assim o antigo mercado.   Nos 101 postos de controle mantidos pela IDF, é comum que sejam os colonos e não os soldados que procedam à fiscalização de documentos dos palestinos como se tivessem autoridade. Estes controles de identidade são feitos com insultos e agressões já banalizadas. Humilhação nem se fala porque os cidadãos de Hebron há anos que andam de cabeça baixa.
Quanto aos próprios soldados israelenses, quando fazem as vontades dos compatriotas como babás de príncipes mimados são bem tratados ou suportados; quando tentam manter um mínimo de justiça e ordem equilibradas, os colonos os bombardeiam de palavrões e os chamam de nazistas por não serem suficientemente agressivos com os palestinos.
E com tal tática dos diabinhos (os meninos e os adolescentes são os algozes mais empedernidos) os oficiais e os soldados, não querendo ser repreendidos nem ter mancha no currículo militar, deixam os colonos à vontade para fazerem o que lhes apraz.
Os palestinos evitam circular nas ruas por medo de ataques físicos, morais e de "bala perdida".
A cidade vive em estado de emergência e para os colonos as ruas são para seu trânsito exclusivo - percorrem incansavelmente as zonas palestinas à caça da presa fácil armados de pedras e de qualquer objeto que sirva para dar paulada. 
Por isto os homens e rapazes hebronitas capazes de enfrentar o risco de queda são obrigados a se locomover nos telhados, por passagens precárias de tábuas postas entre uma e outra casa.
Como os colonos derrubam portas, investem as residências em comandos para-militares de mulheres e meninos que agridem as famílias palestinas na própria casa, estas parecem bunkers improvisados. Os moradores das zonas "sensíveis" foram obrigados a cercar a casa de grade, condenar a porta da frente e as janelas com tábuas grossas e fechaduras pesadas, embora estas precauções não dissuadam os depredadores destas moradias históricas.
É aquela estória do se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

A defesa contra o terrorismo diário é impossível porque se os hebronitas ensaiarem um movimento de auto-proteção vão parar na cadeia e nem Deus sabe quando poderão voltar para casa.   Muitos cidadãos só conseguem alimentar-se com a ajuda de voluntários de ONGs e organizações estrangeiras que fazem as compras para eles. E os estudantes só vão à escola quando são autorizados pelos soldados. Lojas são fechadas aleatoriamente pela IDF (cerca de 400 foram vítimas desta tática de estrangulamento econômico) e o comércio da cidade antiga, cerca de mil lojas, foi  fechado por falta de transporte de mercadoria e porque os compradores perderam acesso ao mercado.
Além do regime de terror que impuseram dentro da cidade, fora dela, os colonos destroem os campos de cultivo e envenenam as cabras das roças próximas dos checkpoints, nas barbas dos soldados. 
O último veneno que os colonos encontraram é um verde claro, granulado, que tem a "vantagem" de ainda não ter antídoto, de permanecer na carne e no leite durante meses e contaminar as pessoas por ingestão ao mesmo tempo que contamina o solo.
O interessante deste veneno é que a venda dele em Israel é controlada.

Este é o status quo contemporâneo. Vamos dar uma volta pela história antes de voltar à situação atual.  Primeiro a pseudo-religiosa, que é a fonte do mal dos colonos que resolveram abandonar a condição de seres humanos para viver como algozes.  O Túmulo dos Patriarcas abriga, segundo as placas, Abrahão e Sara, Isaac (segundo filho do casal) e a esposa Rebeca, Esaú e Jacó (os filhos gêmeos), Léa e Raquel (as duas esposas de Jacó).  Hoje ele é dividido em uma mesquita e uma sinagoga e os colonos israelenses ocupam 80% do local.  Abrahão é "pai" dos semitas, tanto árabes quanto israelitas, concebidos por suas duas mulheres através dos filhos Isaac e Ismael.
Diz outra lenda que foi também ali que Adão e Eva foram enterrados após terem sido enxotados do Paraíso.
O primeiro monumento religioso foi construído pelo rei Herodes (aquele do Massacre dos Inocentes e que construiu também o segundo templo de Jerusalém que os romanos destruíram nos anos 70 DC). Depois os cristãos aumentaram o edifício no qual ergueram uma igreja, que no Império Otomano, Saladin, após conquistar a cidade transformou em mesquita.
(Mais ou menos o mesmo processo do templo de Jerusalém em cujos escombros os cristãos elevariam uma Basílica dedicada a Nossa Senhora cercada de hospital e escola - como era a praxe nas construções católicas - e no Império Otomano o complexo seria derrubado e no lugar dele surgiria a mesquita Al-Aqsa).

Abrahão teria chegado na região Canaaita na época de dominação palestina ( em árabe فلسطين‎ Filasṭīn, Falasṭīn, Filisṭīn; em grego Παλαιστίνη, Palaistinē; em latin Palaestina ), cujo povo passou à história ocidental com traduções distintas: Filisteus Antes de Critos e Palestinos Depois de Cristo - talvez para dar aparência de novidade, embora em hebraico e em árabe a designação do povo pre-dominante na/da Palestina há mais de cinco milênios seja a mesma do dominado no Século XXI.  O povo filistino-palestino é tão antigo que é citado na Gênesis da Bíblia. Data de no mínimo 3.500 anos Antes de Cristo. Suas cinco cidades principais estão no mapa acima. Dos palestinos de então duas figuras célebres - Golias e Dalila - ficaram para a história da qual se conhece a versão holywoodiana mais do que a verdade ( http://mariangelaberquo.blogspot.fr/2012/01/hamas-o-bicho-papao-que-falam.html).
Ambas personagens - Golias e Dalila - são palestinos originários de Gaza, que significa "forte" na língua antiga de Canaã. 
Golias era "presidente" da Pentápolis Filistina quando foi morto por David para salvar seu povo do massacre e da pilhagem que os recém-chegados levaram a cabo em seguida.
Quando Abrahão chegou à região, Hebron era uma cidade satélite das cinco metrópoles da Pentápolis na Idade do Bronze:  Ashkelon, Ashdod, Ekrom, Gaza e Gath - o mapa abaixo mostra as conquistas dos filistinos/palestinos e a quantidade de cidades que constituíam seu território quando os hebreus chegaram.
                                                             
Pesquisas arqueológicas revelam que os Filistinos ("Povos do mar" - nome de ironia histórica já que as águas salgadas lhes são hoje vedadas tanto no Mar Mediterrâneo na Faixa de Gaza quanto no Mar Morto na Cisjordânia, assim como a água doce dos aquíferos e do rio Jordão que a banha) espalharam sua influência à região de Canaã e consolidaram sua expansão em duas etapas.  A primeira durante o reino do faraó Ramsés III (entre 1184 e 1153 AC) e a segunda no colapso da hegemonia egípcia.  Segundo os textos religiosos, Abrahão entrou na Canaã filistina pelo rio Jabokk, atravessou o Jordão no encontro dos dois rios e seguiu caminho até Shechem (traduzida em português Siquém) - cidade canaita extinta situada na Samaria perto de Nablus na atual Cisjordânia, entre os montes Ebal e Garizim (que os Samaritanos da época de Jesus Cristo idolatravam), e que após a invasão israelita, dois filhos de Jacó (neto de Abrahão), para vingar o estupro da irmã, exterminaram a população adulta masculina da cidade e obrigaram os demais a se converterem à sua seita, como fariam em Hebron e nas demais cidades com algumas exceções na Pentápolis.

An Old Testament map of Early Canaan.
Quando Abrahão foi para lá, Jericó, Jerusalém, Beersheba e Hebron já existiam há centenas de anos no que era chamado reino de Canaã.

E quando os israelitas foram para a Palestina séculos mais tarde, no que é cnhecido como êxodo do Egito, estas cidades e todas as dominadas pela Pentápolis eram abundantemente habitadas. Não foram para uma terra despovoada que os esperava.
Em 1967 Hebron também era povoada de famílias palestinas que estavam lá há séculos e outras refugiadas desde a Naqba, mas cujos antepassados eram do território.
Quando Yasser Arafat foi obrigado a concordar com a divisão de Hebron nos Acordos de Oslo - divisão baseada na comodidade dos colonos que haviam ocupado a cidade - o distrito (o que para nós é município) propriamente dito era de dez quilômetros.
Nesta área relativamente pequena, os Acordos de Oslo deixaram aos hebronitas uma dúzia de enclaves semi-autônomos desconectados - Área B, domínio em teoria conjunto da Autoridade Palestina e da IDF, que na prática domina tudo.
A parte de Hebron em que os palestinos moram é cercada por todos os lados pela Área C sob controle total da IDF e semeada de colônias, checkpoints e barreiras que estrangulam a cidade.


Quando Hebron foi dividida em 1997 por imposição de Netanyahu, 90.000 palestinos ficaram sob jurisdição da Autoridade Palestina (H1) e 40.000 sob ocupação direta de Israel (H2), para o bem-estar dos 450 colonos que haviam se infiltrado no centro da cidade.  
Este mapa ao lado é do Ministro das Relações Exteriores de Israel e mostra algo peculiar.  Todas as estradas marcadas levam a cidades ou colônias israelenses (Beersheva, Beit Hagai, etc), tirando literalmente do mapa a Cisjordânia.  
O interessante não é apenas a omissão das cidades do país ocupado. É a prova da distância entre as exigências de Tel Aviv de reconhecimento formal de seu Estado e sua própria omissão dos palestinos no território ocupado. 
O governo israelense vive reclamando dos mapas do Hamas não incluírem o Estado de Israel, porém os deles fazem o mesmo, ao inverso, com naturalidade.  
A divisão draconiana de Hebron não foi apenas um capricho de Netanyahu. Foi uma estratégia calculada de limpeza étnica da cidade.

É o coração da cidade - a rua principal, o mercado, o tráfego - que foi sufocado para ir se extinguindo e escapando das mãos dos hebronitas.
O que mostra o mapa abaixo.

Neste mapa da mesma fonte ministerial, todos os sítios mostrados são os ocupados pelos israelenses civis e militares, como se os hebronitas fossem inexistentes ou fantasmas.  Mas os palestinos estão lá e representam 99,7% da população global.  Os colonos israelenses que moram em Hebron são extremistas do pior calibre. Invadem lojas para aterrorizar, pilhar, cortam a eletricidade e danificam a rede de água, depredam casas e carros, atacam crianças todos os dias no caminho da escola, passam o tempo dando golpes cada vez mais baixos e desmoralizam os israelenses honrados.
Como 500 pessoas (muitos deles, imigrantes dos Estados Unidos), inclusive crianças, conseguem aterrorizar 150.000 homens, mulheres e crianças o tempo todo sem que estes se defendam e reocupem sua cidade?
Porque estes 500 vândalos são respaldados por 4.000 soldados bem armados de armas sofisticadas, tanques, e todos os artefatos bélicos modernos disponíveis no mercado.
Falando em mercado, as colônias foram erguidas sobre ambos os lados da rua mercantil da cidade e os palestinos tiveram de cobrir toda a área com redes para se protegerem e proteger verduras e legumes dos detritos que despejam neles. Só não conseguem se livrar da urina e andam em ziguezague como fugindo de snipers.
E para completar, tem um projeto de construção de uma safe passage, tipo um "calçadão", mas não para os hebronitas circularem a salvo e sim para os colonos e os turistas judeus passarem e passearem. Inacessível aos moradores nativos, mas cuja construção prevê a demolição de no mínimo 15 casas ancestrais na cidade antiga e a desapropriação de mais 64 propriedades.
Como diz a jornalista Ada Eshpiz no jornal israelense Ha'aretz, O projeto de "calçadão" turístico que acabou de ser confirmado pelo Exército mostra que todo capricho dos colonos logo se torna um imperativo militar. A destruição das casas palestinas para a proteção dos colonos parece ser um preço baixo a pagar." 
Arquitetos e curadores estrangeiros denunciaram a provável perda deste patrimônio que embora ainda não tenha sido tombado não deixa de ser uma herança cultural universal e reclamam da passividade das potências ocidentais "ao contrário da explosão dos budas pelos taliban o Ocidente parece despreocupado com esta perda que é ainda mais próxima."

Rua Shuhada, a principal da cidade
As pressões aumentaram e por enquanto a Corte Suprema de Israel deu uma parada no projeto da IDF, mas as ONGs israelenses de Direitos Humanos temem que só tenha sido uma trégua. Pois é comum que o Tribunal ensaie uma resistenciazinha, mas cedo ou tarde cede aos desejos da IDF.   
E quando os juízes ouvem relatos dos ativistas das ONGs de como os soldados tratam os palestinos - que escolham entre nariz, braço ou perna que preferem que seja quebrado - fazem de conta que isto faz parte da política de limpeza de "terroristas árabes" da cidade.
Mas de fato a IDF e os vândalos ultra-ortodoxos aterrorizam, depredam e desapropriam justamente lugares que os colonos cobiçam para uso próprio.
O resultado da política de terror estabelecida na cidade é que na zona H1, metade dos 40 mil hebronitas foram enxotados de suas residências e dos 12 mil que habitavam o centro em 1997 só cinco mil ainda conseguem resistir à intimidação civil e militar, os maus-tratos, e ficar na casa dos antepassados.
Até o Canal 1 da televisão israelense fez um travelling no centro de Hebron e a câmera mostrou casas e mais casas depredadas com janelas e portas destroçadas, sem nenhuma condição de serem habitadas.
Há (poucos) cegos e surdos que ainda defendem os colonos com o argumento do massacre de 67 judeus em Hebron em 1929, esquecendo o dos palestinos no Túmulo dos Patriarcas em 1994 e irrelevando que Hebron pertence aos palestinos há cinco mil anos, com um interregno de cerca de 800 anos de dominação israelita, após a vitória de David sobre Golias.
Sem contar a destruição arquitetônica, destruição da economia, desestabilização de famílias e a limpeza étnica furtiva que vem sendo praticada desde 1967 no distrito, para o mundo inteiro ver e engolir como se fosse normal e aceitável que o valor da vida seja submetido a uma hierarquia.
É? 
Para os cristãos, a simples conjetura disto é ou deveria ser insuportável e inadmissível.
O problema de Hebron é tão grave e insustentável tanto para religiosos quanto para laicos, que em 1997, a ONU cumpriu pela primeira e única vez na ocupação da Palestina a obrigação de proteção e o direito de arbitragem em conflito inter-país que lhe é atribuído, enviando, por curto período, observadores desarmados à cidade.
Estes saíram de lá chocados, mas proibidos de fazer declarações públicas do que tinham testemunhado.
Parte do que eles viram está nos vídeos abaixo.


Reservista da IDF, forças israelenses de ocupação,
Shovrim Shtika - Breaking the Silence 
"Making the journey from Jerusalem to the divided city of Hebron, is a surprisingly pleasant experience. To reach Hebron, a city of great religious and political significance both to many Israelis and Palestinians (and in consequence scarred by many infamous acts of violence), you head south on Highway 60, known as the ‘Way of the Patriarchs’. You do not notice when you have crossed the Green Line into the occupied West Bank and apart from a few sightings of the separation barrier nothing seems amiss until you encounter the groups of soldiers and armoured vehicles that are everywhere in the old city of Hebron.  
Through the British pro-peace organisation Yachad, my tour of Hebron was organised by the Israeli NGO Breaking the Silence (BTS), a body set up “to expose the Israeli public to the reality of everyday life in the Occupied Territories.” It does so by collecting testimonies of soldiers who have served in the West Bank, and in consequence have a body of evidence of numerous illegal and immoral acts carried out by the Israeli Defence Forces there. They also take people to see various “flashpoints” in the Occupied Territories, Hebron being their most popular tour.
Like most of the people who work for BTS, our guide is Israeli. His name is Shay and he grew up in a typical Israeli family in the settlement of Ariel. His journey from settler to anti-occupation activist began when he was first deployed to the South Hebron Hills, an area he had been taught to assume swarmed with terrorists.
He was therefore surprised to discover that his role as a soldier was both quiet and mostly sedentary. After a couple of increasingly wearisome days, Shay’s commanding officer (a settler) comes rushing in to his station and orders him to follow in a chase up a nearby hill. Shay, assuming he is in pursuit of a terrorist, follows the officer and runs up the hill after him.
After a couple of minutes of seeing nothing he suddenly spots a lone Palestinian child ahead of them; the child is half-dressed and crying, desperately running away from his armed pursuers. The commanding officer starts shouting at the child, who eventually gets away onto private property. Shay recalls that his officer turned to him simply, said “good job”, and ordered him to return to base. Shocked at what he had been asked to do, Shay immediately telephoned his mother to detail exactly what had happened only to find that his own mother would not believe what he had been ordered to do.
Experiences such as these, shared by many young men and women who have served in the West Bank, led to the founding of BTS. They discovered that this experience, of the Israeli army manufacturing violent incidents and acting punitively towards civilians who plainly pose no threat whatsoever, was common not just in Hebron but across the entire West Bank. It was, as Shay put it, “the experience of a generation”.
Most of the Israeli public do not ever get to hear about incidents such as these, only 50% of Israeli’s serve in army and of those only 1/7 experience combat duty in the West Bank. What they know is only what their government and press tell them; it is no wonder they have trouble comprehending what their children are being asked to do. The objective of BTS is to change this: they want to “bring Hebron to Tel Aviv” and show the Israeli public exactly what their government is doing in their names.
The city of Hebron is divided between the old city (H2) which is home to around 700 settlers and 21,000 Palestinians and the modern city of Hebron (H1) where approximately 120,000 Palestinians live. H2 is entirely under Israeli military control, with approximately 650 soldiers and other security personnel present to protect the settlers. There are strict rules about where Palestinians are allowed go in H2 and curfew is strictly enforced. In an effort to destroy the desire for any sort of resistance, Israeli soldiers “make their presence felt” by patrolling the streets, acting in a hostile and sometimes violent manner to residents. It has even been known for the IDF to carry out training exercises on real civilian families, teaching new soldiers how to break into a house and arrest the occupants. Palestinians here have no system of law apart from the pronouncements of the IDF.
 Apart from the obvious difficulties of living under this draconian system martial law, Palestinians are also the recipients of abuse meted out by the settlers. The Israeli human rights NGO B’Tselem cite "almost daily physical violence and property damage by settlers in the city". Shay shows us the house of a deaf women who lives alone with her disabled son; settlers would throw garbage into her garden and daub insults on the walls of her home. Israeli activists would come and clean it all up only for it to happen again the next day.
The IDF often turns a blind eye to incidents like these, in part because they do not care, but in part because of the shockingly unprofessional relationships between the soldiers who serve in Hebron and the Israelis who live there. Locals regularly host soldiers who are serving in Hebron for meals in their homes and one settler has opened up a coffee shop with the sole purpose of providing free refreshment to soldiers. The fact that settlers do these things to curry favour with the soldiers (who are meant to be protecting both Palestinians and Israelis) is of course reprehensible. But the fact that soldiers capitulate to this and the IDF allows them to do so, is unforgivable. It is quite clear that the presence of the IDF is protect the illegal colonisers, not simply keep the peace.
The main road running through old Hebron, a-Shahuda Street, is empty. This was a once bustling marketplace, but has since been designated a road that only Israelis can use. Palestinians whose houses are on the a-Shahuda are prevented from leaving home by their front doors and must exit by climbing through their roofs and down the back of the building. This street was once the lively centre of Hebron with shops and market stalls, but today there is nothing, doors have been sealed shut and windows boarded.
Settlers spray-paint racist epithets on the doors and walls, but in an effort to normalise Israel’s occupation these are routinely painted over by the army. Settlers claim that these shops were shut down in 2000 after the Oslo Accords Summit at Camp David; in truth the restrictions started 6 years earlier in 1994 after the settler Baruch Goldstein murdered 29 Palestinians and injured a further 125. They were fully enforced after the second intifada.
Palestinians were punished for a crime they were the victims of, a common theme in the occupied territories. The Palestinians who remain in the old city of Hebron are amongst the poorest, 80% live below the poverty line and there are little to no employment opportunities. Those with the means leave as soon as they are able to and those who could not have been left trapped between grinding poverty and the iron fist of a foreign army.
Land theft still persists. It is not uncommon for settlers to build on private Palestinian land and even though the IDF sometimes take these structures down, settler persistence and government apathy means that many of the buildings stay. On occasion, the Israeli government will play an active role in assisting this colonisation. It demolished two houses in order that a shortcut could be built from the nearby settlement of Kiryat Arba to the Tomb of the Patriarchs – no one was asked permission, no one was compensated.
Going through the checkpoint from the old city to H1 is akin to walking through the looking glass. Within 50 metres you have walked from a sad, deserted road to an active city full of life. New Hebron is far from prosperous, life is simple and hard, but one is not forced to live under the dual fear of settler violence and the military boot.
Yet on seeing these busy streets, with the market stores brimming with harvest it is hard not to feel saddened by the reminder that this is what a-Shahuda street looked like not too long ago. There was time, prior to the creation of the state of Israel, when Hebron was undivided. Jews and Arabs lived alongside each other in peaceful quiet until violence from both sides brought that time to an abrupt end. Neither peoples in Hebron have clean hands, but today Israel is the aggressor, controlling the lives of Palestinians so that a handful of messianic colonisers can think they are walking in the footsteps of their patriarchs.
Everything that goes on in H2 is done in the name of security, yet on seeing Hebron first-hand it is hard to look upon this as anything other than a flimsy cover-story. Israel never pauses to ask itself what it would not do in the name of security.
As Shay told us, “there is no moral way to occupy someone…if you agree with occupation you agree with everything you see around you”. What I saw that day in Hebron was shocking and deeply painful; a military power exerting its force on a weak and compromised people in order to protect settlers who should not be there in the first place. This is a situation as morally indefensible as it is illegal".
Michael Goldin, has recently completed a law degree and is soon to commence a masters in legal and political theory at University College London. He is particularly interested in European human rights, the philosophy of human rights and the Israeli/Palestinian conflict.
Hebron documentada pela ONG israelense de Direitos Humanos B'TSELEM
Fida, jovem palestina de 14 anos da família Abou Aisha,
cuja casa fica em um bairro vizinho de uma área ocupada pela colônia Tel Rumeida em Hebron, cansada dos ataques que a família sofre todos os dias na rua e na casa-jaula em que residem, documentou agressões.

Ato corriqueiro em Hebron
Soldados da IDF fecham sistematica e aleatoriamente comércios palestinos no centro de Hebron a fim de proteger os colonos impossibilitando o comércio e forçando os nativos a abandonarem residência e meio de subsistência, em benefício dos israelenses.

Outro ato corriqueiro filmado em fevereiro
A IDF interditou uma rua na área palestina de Hebron, para conforto dos colonos israelenses, alguns jovens reagiram, os soldados os atacaram com jatos de skunk (um líquido fedorento que cola na roupa e no corpo) e sobrou também para a família Fanun, a caminho do cemitério para enterrar um parente que morrera no dia anterior.
Reservistas da IDF Breaking the Silence sobre Hebron - continuação


Hebron na TV israelense
Global BdS Movement: http://www.bdsmovement.net/;
Lista de produtos das colônias a serem boicotados: