domingo, 9 de junho de 2013

Israel vs Palestina: História de um conflito XXXV (09-2003)


Em setembro de 2003, a violência visível começou no dia 05.
Nablus recebeu a visita da IDF e do Shin Bet (segurança "interna" israelense) na continuidade da operação de assassinatos e voltou a tremer nas bases.
Dessa vez a vítima foi um dos comandantes militares do Hamas na Cisjordânia.
No dia 06 Abu Mazem (alcunha local de Mahmoud Abbas) chutou o balde.
Invocando obstáculos israelenses, estadunidenses e domésticos, o Primeiro Ministro renunciou ao cargo que ocupava há menos de cinco meses.
Se Abu Mazem fosse menos comedido, teria dito que estava deixando o cargo por três razões interligadas.
A primeira era que George W. Bush não lhe dera o apoio esperado. Negara-lhe oportunidade de mostrar a que viera e não se impressionara nem se sensibilizara com seu sentido moral e sua abordagem racional das negociações com Israel.
Ou seja, Abu Mazem caiu na real. Entendeu que o problema não era Abu Ammar (Yasser Arafat). Que o presidente da Autoridade Palestina era apenas parte de um todo do qual os EUA desconfiavam e rejeitavam para melhor servir os interesses imediatos do governo israelense.
A segunda razão para seu desligamento de Abu Ammar era que subestimara o desinteresse de Ariel Sharon de viver em paz.
Durante os quatro meses do governo Abbas, Ariel Sharon não manifestara a menor vontade de paz. Nenhuma vontade de aplicar o "Road Map". E agiu com ele com o mesmo ânimo traiçoeiro dedicado a Yasser Arafat.
A terceira razão era que suas relações com o companheiro da OLP Yasser Arafat começaram estremecidas e se deterioram ao ponto da convivência ficar impossível. Devido a várias picuinhas e a duas razões intransponíveis.

A primeira razão era de Abu Mazem.
Desde o início o Primeiro Ministro relutou a aceitar a onipotência do Conselheiro Nacional de Segurança. Criado pelo Presidente para cuidar da Inteligência e garantir sua própria segurança.
Sua própria segurança porque Yasser Arafat vivia em sobressalto. Sabia que sua vida estava sempre por um fio. Sabia da quantidade de espiões com os quais o Shin Bet (serviço israelense de espionagem interna) contava e que não podia confiar em muita gente.
Além do perigo que corria apenas por ser quem era e continuar vivo, fora alertado de um complô para assassiná-lo - envolvendo próximos. Por isto confiara a chefia do Conselho a Abu Rami - Jibril Rajoub (atualmente membro do Comitê Executivo do Fatah e presidente da Confederação Palestina de Futebol e do Comitê Olímpico), em quem ainda confiava.

A segunda razão para o afastamento dos dois camaradas era de Abu Ammar (alcunha de Arafat).
O Presidente da Autoridade Palestina não engolira nem um dia a nomeação de Abu Fadi - Mohammed Dahlan para o Ministério da Defesa.
Yasser Arafat cedera quase forçado, mas não se conformava. Deixara de confiar em Dahlan e era um martírio constante saber que ocupava um cargo tão importante em seu governo.
Sentia-se vulnerável com a proximidade do ex-manda-chuva de Gaza?
Há poucos meses Abu Fadi ainda gozava de suas graças. Durante anos, ele e Abu Rami tinham sido os chefes da Preventive Security Forces - PSF estabelecida em 1994 conforme os Acordos de Oslo.
Jibril Rajub na Cisjordânia. Mohammed Dahlan na Faixa de Gaza.
Dois perfis e tragetórias distintas, mas com o mesmo objetivo de serem os olhos, ouvidos e espada do Presidente em todo o território palestino.  
Até o dia em que um deles teria pulado a cerca de arama farpado e resolvido jogar duplo.

Jibril Rajoub nasceu em um família influente de Dura, pertinho de Hebron, em 1953.
É da velha guarda do Fatah.
O Shin Bet o prendeu pela primeira vez em 1968, por razões meio vagas.
Ele tinha 15 anos e passou quatro meses no cárcere. Foi quando conheceu um chefe local do Fatah que o recomendou ao partido então clandestino, mas já bastante popular.
Ao ser solto entrou no Fatah com a função de dar assistência aos combatentes.
Voltou a ser preso ao 23 anos. Desta vez por jogar uma granada em comboio militar da IDF na Cisjordânia. Este ato de resistência valeu-lhe uma condenação à prisão perpétua.
Destacou-se muito nos presídios.
(PresídioS porque os prisioneiros políticos palestinos são mudados de prisão constantemente. Por várias razões: punição, desestablização, dificultar aos advogados e familitares a localização, etc. - um dia abordarei este tema com vagar).
Jibril liderou greves de fome e movimentos de protesto. Aprendeu hebraico (que fala e escreve tão bem quanto o inglês). Chegou a traduzir para o árabe, junto com um companheiro de cela, o livro de Menachen Begin "A Revolta", a fim de tentar entender o que motivava seus opressores.
Deve ter passado por todos os presídios de Israel até ser solto em 1985 - foi um dos 1150 presos políticos a serem trocados por três reféns israelenses da PFLP (Popular Front for the Liberation of Palestine).
O Shin Bet voltou a prendê-lo em dezembro de 1987 para distanciá-lo da Intifada. A primeira.
Foi deportado para  o Líbano em janeiro de 1988 e de lá foi para a Tunísia, onde a liderança da OLP se encontrava.
Como fora um dos protagonistas da Revolta que ficaria conhecida com o nome árabe Intifada, em Tunis, virou conselheiro de Khalil al-Wazir na estratégia de apoio externo da OLP ao movimento popular nos territórios palestinos ocupados.
Depois do Mossad assassinar Khalil al-Wazir (alcunha, Abu Jihad), Jibril foi "adotado" pelo líder da OLP, Yasser Arafat.
Dizem os israelenses que Abu Rami foi a eminência parda de um suposto complô para assassinar Ariel Sharon em 1992. Mas nunca voltou a ser preso.
Só pôde voltar para casa em 1994. Na leva dos Acordos de Oslo, e logo na chegada foi encarregado da chefia da recém-criada Preventive Security Forces. Abu Ammar queria junto de si alguém em quem pudesse confiar de olhos fechados e Jibril era a pessoa adequada.
Durante este período reforçou seus laços com o chefe do Tanzim Marwan Barghouti, com quem estivera preso em Beer Sheva.  E quando começou seu trabalho na Segurança, Jibril consegiu recuperar dezenas de informantes que haviam sido recrutados pelo Shin Bet.
Sua vontade de aplicar a justiça, controlar os extremos, adicionados à lealdade a Arafat, o levaram ao uso de violência contra os próprios compatriotas para punir espiões locais e dominar adversários políticos. E como seu líder e amigo, era contrário à "religiolização" do Hamas no movimento de Resistência.
Apesar dos super-poderes, Jibril se recusava a substituir-se aos políticos e sempre que podia dizia que "Enquanto Israel não respeitar os Acordos, não haverá cooperação na érea de sugurança."
O que não o impedia de entender-se bem com Aman Shahak, chefe do Estado Major israelense. Jogavam-se dardos verbais em público de vez em quando, mas um telefonema bastava para fazerem as pazes.
Abu Rami - Jibril Rajoub foi um dos (poucos) líderes do Fatah  com quem Abu Ammar - Yasser Arafat pôde contar, com curtos períodos de desavença, de Tunis até a morte do líder palestino em Ramallah.
Daí a insistência do Presidente da AP em conservá-lo nas rédeas de sua segurança e da Segurança Nacional.
Ao contrário de Abu Fadi - Mohammed Dahlan que virou quase persona non grata.

Antes de continuar em 2003 e o porquê da ogeriza de Arafat por seu ex-chefe de polícia Dahlan na Faixa de Gaza, tenho de fazer uma digressão rápida para falar em Khalil Ibrahim al-Wazir.
Se não me engano, abordei os anos 70 e 80 sem dar-lhe o destaque que tem na história palestina. Tenho de corrigir este lapso.
Khalil al-Wazir (ao fundo, na foto com Arafat e Nasser em 1970) foi um dos poucos que ficaram para a história com a alcunha local - Abu Jihad.
Uns dizem que Israel se referia a Khalil a-Wazir pela alcunha para demonizá-lo.
Mas quem estava acostumado com a "contra-informação" israelense se perguntava até que ponto este "nome de guerra" não era destinado a influenciar a mídia ocidental e criar um preconceito contra este costume tradicional no Oriente Médio.
(Culturalmente, no nascimento do primogênito o pai passa a ser chamado de Abu (pai) seguido do nome do filho. Com raríssimas exceções. Uma delas é Yasser Arafat, que só teve uma filha bem mais tarde e que foi apelidado desde cedo de Abu Ammar por  Ammar significar "próspera longa vida" em árabe. Era o que seus companheiros e compatriotas lhe desejavam.)
Para os palestinos Yasser Arafat é Abu Ammar. Mas a mídia ocidental que convive pouco com as pessoas in loco,  desconhece ou irreleva esta alcunha que localmente era/é sua marca registrada.
São as escolhas de quem é chamado pela alcunha e quem é chamado pelo nome que define o tratamento que Israel/EUA querem que a mídia dê às personagens.
Nessa lógica, é compreensível que muitos palestinos pensem que o nome Abu Jihad tenha sido usado de propósito internacionalmente para estigmatisar Khalil logo de cara e junto com ele, estigmatisar a alcunha Abu como um prefixo radical. Que não é. É cultural e bastante banal.
Bom, voltando a Khalil al-Wazir, nasceu em Ramla em 1935, durante o Mandato Britânico na Palestina.
Seu pai era merceeiro na cidade natal da família.
Dizem os sobreviventes que Ramla, na época, era uma cidade palestina típica. Bonita e tranquila.
Foi fundada entre 705-715 pelo califa Suleiman al-Malik, após a conquista do Império Otomano. Rebatizada pelos romanos Via Maris - na Era do Bronze era chamada de Caminho dos Filistinos. Esta via ligava Damasco ao Cairo bifurcada em duas estradas.
Uma seguia pelo litoral do Mar Mediterrâneo passando pelo que é hoje a Faixa de Gaza e a outra foi traçada ao longo da margem oriental do Jordão, na atual Jordânia.
Na Naqba os palestinos foram expulsos de Ramla e a família de Khalil, junto com mais 70 mil, de lá e de Lydia, foram para um campo de refugiados na Faixa de Gaza.
Khalil tinha 13 anos e continuou a estudar na escola que o UNRWA (Serviço da ONU que cuida de refugiados) criara em Bureij para os exilados.
Sua revolta era grande e no Segunda Grau organizou um grupo de fedayeen (combatentes para a liberdade) em sua classe. Depois da aula iam jogar pedras nos soldados da IDF que vigiavam o campo em que ele fora concentrado com a família e centenas de milhares. Não se conformava com as cercas que lhe tiravam a liberdade e comprimiam a Faixa.
Em 1954 ficou conhecendo Yasser Arafat em Gaza, mas só seria seu braço direito-armado mais tarde. Antes disso estudou arquitetura na Universidade de Alexandria - não se formou porque foi preso em 1957 por continuar a militância de fedayeen na fronteira do Egito com Israel.
Então em vez de virar arquiteto foi deportado para a Arábia Saudita, onde conseguiu emprego de professor primário. A mesma profissão que exerceu no Kuwait em 1959.
Foi no kuwait que reencontrou outro exilado, Yasser Arafat, com quem fundou o Fatah com outros camaradas.
Foi para Beirute encarregado da revista mensal Fatah Filastinuna, Nida'al-Hayat (Nossa Palestina, a Chamada para a Vida). Pois era considerado o único deles com "faro para a pena".
Foi para a Argélia com Arafat em 1962, a convite do então presidente socialista Ahmed Ben Bella, e abriram um escritório do Fatah na capital. Nas imediações de Alger criaram um campo de treinamento militar.
Diz a lenda que o jovem afoito de 27 anos conquistou a simpatia de Che Guevara de cara - quando o Che foi dar uma palestra em Alger e encontrou os líderes do Fatah.
Com a bênção do Che, com sua formação de guerrilheiro e com a confiança de Abu Ammar - Yasser Arafat, Khalil al-Wazir virou Abu Jihad.
Não por ser um nome de guerra, mas porque casara-se em 1962 e seu primeiro filho foi chamado de Jihad (que aliás é o atual presidente do Palestinian Monetary Authority). Os dois outros filhos seriam chamados de Bassem e Nidal, e as filhas, Iman e Hanan.
Khlail al-Wazir foi encarregado de recrutar e treinar combatentes exilados. Em suma, de estabelecer a ala armada do Fatah, então chamada Al-Assifa - A Tempestade.
Foi então que Abu Jihad recrutou seu ex-colega do Ensino primário Walid al-Nasser, vulgo Abu Ali Lyad, outra figura lendária que viraria um dos maiores comandantes do Fatah na Síria e na Jordânia, onde seria assassinado.
Em 1965 a liderança do Fatah instalou-se em Damasco a fim de aproximar-se da já grande Palestine Liberation Army (PLA).
Após a Guerra dos Seis Dias, as facções palestinas que haviam apoiado a Síria caíram mais ou menos em desgraça junto aos compatriotas - que perderam o pouco da liberdade que ainda lhe restara - e o Fatah caiu nas boas graças.
O Fatah transformou-se então na Organização dominante e a posição de Abu Jihad foi reforçada, assim como a liderança absoluta de Abu Ammar.
Foi encarregado então de todas as operações de guerrilha de ambos os lados da Linha Verde.
Durante o Setembro Negro na Jordânia, foi al-Wazir que cuidou do aprovisionamento em Jerash e Ajlun,  de armas, alimento e remédio.
Depois da derrota, foi também ele que negociou a ida dos líderes da OLP para Beirute.
Lá, Khalil al-Wazir continuou comandando as operações militares de represália do Fatah em Israel. E quando a IDF invadiu o Líbano, no que foi chamado Guerra do Líbano, ele organizou os grupos que participaram da resistência. Lutaram até o horror de Sabra e Shatila.
Depois foi o novo exílio forçado para a Tunísia.
Foi aí que Abu Jihad concentrou-se na edificação de uma base sólida do Fatah nos territórios palestinos.
E desta organização surgiu a (primeira) Intifada, o exílio forçado de Jibril Rajoub, o encontro entre os dois homens.
A convivência de Abu Rami e Abu Jihad seria curta.
Khalil al-Wazir foi baleado a queima roupa em Tunis no dia 16 de abril de 1988, às 14 horas.
Ele tinha 52 anos.
Foi morto dentro de casa. Estava com a esposa e os filhos quando os agentes do Mossad o executaram.
(Falando nisso, o filme Munique de Steven Spielberg pinta uma imagem irreal dos agentes do Mossad. Uma cena mostra um agente hesitando em executar um palestino por causa da proximidade da filha da vítima - ficção partidária distante da fria realidade.)
Em 1997 o jornal israelense Maariv publicou que a Operação de assassinato de Khalil al-Wazir foi chefiada por Ehud Barak - nem o governo de Israel nem Barak jamais assumiram publicamente a responsabilidade da execução. Entretanto, segundo o Washington Post, no dia 21 o comitê de defesa israelense aprovou o assassinato.
Khalil al-Wazir era querido e influente demais para seu assassinato passar desapercebido na Palestina e na Tunísia. Na época, até os Estados Unidos foram obrigados a condenar  um "act of political assassination". E o conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou em seguida a Resolução 611 condenando "the agression perpetrated aginst the sovereignty and terriorial integrity of Tunisia".
Contudo, nem os EUA nem a ONU pronunciaram o nome de Israel em nenhum dos comunicados.
Só se manifestaram para acalmar o presidente da Tunísia.

Parêntese de Abu Jihad fechado, voltemos a Au Fadi, ou seja, Mohammed Dahlan, e porquê caiu em desgraça.
Dahlan nasceu em 1961 em Khan Yunis, um campo de refugiados na Faixa de Gaza.
Sua família era originária de Hamama, uma cidadezinha palestina "despopulada" durante a Naqba.
Ele era o caçula de seis irmãos e começou o ativismo político na adolescência.
Aos 20 anos participou da criação de uma ala jovem do Fatah em Gaza. E por isto, de 1981 e 1986 os israelenses o prenderam 11 vezes.
Como Jibril Rejoub, ele aproveitou o período de prisão para aprender hebraico, que fala e escreve fluentemente, como Jibril.
Ao sair da prisão terminou os estudos e formou-se em Administração na Universidade Islâmica de Gaza.
Quando Yasser Arafat criou a Preventive Secutiry Force, a escolha de Abu Fadi para dirigi-la na Faixa de Gaza pareceu óbvia.
Ele contratou 20 mil homens e em pouco tempo virou um dos homens mais poderosos da Palestina. Seu cargo e sua função o levavam a encontrar regularmente agentes de Inteligência do Mossad e do Shin Bet.
O que era normal, pois Israel se recusava a tratar com Yasser Arafat e só "dialogava" com Jibril Rajoub e Mohammed Dahlan, por intermédio dos agentes de Iinteligência.
(Mas o comportamento dos dois homens não era o mesmo. Jibril mantinha as relações em bons termos, mas mantinha certa distância. Por exemplo, uma vez, no meio de uma entrevista coletiva, ele se disse magoado com o comportamento de moleque de um de seus "honrados interlocutores israelenses" que uma semana antes o chamara de "bandido de terno" e dizia o inverso nas reuniões privadas. Sem dizer o nome, deixou claro que se referia a Amos Gilad que dirigia o departamento de "pesquisa" da Aman - Serviços de informação da IDF. Acostumado a viver na sombra, Gilad ficou apalermado com a súbita publicidade. Foi até engraçado. Os dois homens se conheciam desde Tunis, antes do retorno de Yasser Arafat e tinham relações bastante cordiais. "Ele foi me encontrar em Tunis. Eu o recebi como um rei. Abri-lhe todas as portas. Foi o primeiro israelense a subir no avião do Presidente", desabafou a época Jibril, ultrajado.)
As relações de Dahlan com seus adversários estrangeiros era e permaneceu cordial o tempo inteiro. Israelenses e estadunidenses o elogiavam constantemente. Na foto ao lado, está com Shaul Mofaz, Ministro de Defesa israelense.
O Hamas era incansável nas acusações de tortura contra seus militantes que Dahlan detinha, mas ele negava, apesar de ONGs de Direitos Humanos confirmarem.
Seu poder em Gaza era tamanho que a Faixa na época foi apelidada de "Dahlanistão". Ele controlava tudo. Como Yasser Arafat estava intertilitentemente semi-prisioneiro na Muqata'a, em Ramallah e na Cisjordânia, Dahlan vestiu sua casaca e se locomovia como se gozasse da autoridade presidencial.
Mas até então só fizera inimigos no Hamas.
Sua reputação no Fatah sofreu um baque em 1997 quando veio à tona que desviara 40% dos impostos da barragem de Karni para a sua conta pessoal.
Levou um sabão de Arafat, fez seu mea culpa e continuou no cargo.
Em 2001 ele começou a cutucar Arafat, a reclamar da "falta de coerência política" do líder e a reclamar reformas.
Ele surpreendeu o Fatah e alguns questionaram se o poder lhe subira à cabeça ou se era algo mais grave.
Em 2002, esperando ser nomeado para Ministro da Defesa, pediu demissão do cargo que ocupava em Gaza e ficou frustrado quando seu nome não foi nem cogitado.
Quando Arafat lhe ofereceu um cargo de conselheiro de segurança ele recusou chateado.
Mas obteve o cargo desejado ao Mahmoud Abbas assumir o governo. Contra a vontade de Arafat, que já ouvira boatos de uma colaboração próxima demais de Dahlan com os agentes do Shin Bet e da CIA, foi nomeado Ministro da Defesa.
Portanto, quando Abbas caiu era natural que Dahlan caisse com ele.
Sobretudo porque já se suspeitava que ele colaborasse com Israel há algum tempo.

Voltando à sucessão de Abu Mazem, Abu Ammar já tinha o nome do substituto na ponta da lingua: Abu Ala.
Ahmed Qorei, como o novo primeiro ministro era conhecido na mídia ocidental, era antigo no círculo do líder palestino e conhecido de Israel e dos Estados Unidos. Fora figura predominante na negociação dos Acordos de Oslo cujos mínimos detalhes estavam gravados em sua memória.
Abu Ala era do Fatah como Abu Mazem.
Suas origens familiares eram diferentes, mas seus percursos foram similitares.
Ahmed Qorei nasceu em Abu Dis, Jerusalém, em 1937, em uma família abastada. Na Naqba a família foi despojada como as demais, mas continuou com meios.
Aderiu à ala do Fatah na OLP (Organização de Libertação da Palestina) em 1960, mas só destacou-se na Organização em meados da década de 70, quando, no exílio, foi encarregado de administrar a Economia e as empresas palestinas no Líbano.
Sua eficiência foi tamanha que os negócios renderam à OLP anualmente US$40 milhões, e aos palestinos, 6.500 empregos. A OLP era considerada na época um dos maiores empregadores do Líbano.
Quando a OLP foi expulsa do Líbano, na época dos massacres de Sabra e Shatila, Abu Ala acompanhou Yasser Arafat ao exílio na Tunísia. Com os assassinatos dos líderes mais elevados na hierarquia próxima de Arafat, ele foi ascendendo até encontrar-se no círculo próximo do líder.
Em 1989 foi eleito para o Comitê Central do Fatah e começou realmente sua carreira política. Até então era um administrador bem-sucedido.
Abu Ala representou um papel chave nas negociações secretas e depois públicas que levaram aos Acordos de Oslo e depois continuou representando a OLP nas negociações seguintes.
Dennis Ross, ex-emissário dos EUA no Oriente Médio, o definia como "someone who deeply believes in peace with Israel, who is against violence".
Portanto, em setembro de 2003 parecia o compromisso perfeito. Em termos de negociador, Arafat não podia ter feito melhor escolha.
Abu Ala é carismático, charmoso, tolerante, bem humorado, enfim, tinha todas as qualidades para liderar um projeto de conciliação e operações diplomáticas.
Em 1993 ele apresentara um plano de estratégia de desenvolvimento da Palestina que acabou sendo mal aplicado e parte dele engavetada.
Além deste, fora o arquiteto da Palestinian Economic Council for Development and Reconstruction (PECDAR) - para canalizar o capital internacional na Palestina.
Portanto, quando assumiu o governo da Autoridade Palestina não era nenhum noviço e entendia bem de Economia e Diplomacia.
Ele estaria no controle do governo até as eleições, mas na sombra de Yasser Arafat.
Na sombra, sim. Abu Ammar continuava com as rédeas.
A influência de Abu Ala se restringia à estrutura dos Acordos de Oslo na Autoridade Palestina. Mas como as sucessivas incursões israelenses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza destruira cômodo por cômodo o edifício dos Acordos, sua margem de manobra política-doméstica era limitada e dependente do apoio de Abu Ammar.
Por outro lado, Arafat precisava de Qorei para acalmar os Estados Unidos e Israel sem engolir sapo.
Qorei sabia disso e não queria decepcionar o amigo. E para fazer ao que vinha, não podia governar com as mãos amarradas. Por isto estabeleceu duas condições sine qua non para aceitar o cargo.
As condições foram impostas às potências ocidentais que, de certa forma, o apadrinhavam.
Disse que aceitaria a chefia do governo palestino só se os Estados Unidos e a Europa lhe garantissem apoio político e se Israel prometesse que a IDF diminuiria a pressão sobre seus compatriotas.
SIM, responderam os interpelados.
Sim que traduzido para a cultura brasileira significava mais "Vamos ver" do que "Combinado".
Mas Abu Ala preferiu confiar na palavra.

Enquanto isso, Ami Ayalon, ex-chefe do Shin Bet e Sari Nusseibeh (ao lado assinando com o líder do partido Meretz Yossi Sarid uma Declaração de Paz em dezembro de 2001), reitor da Universidade Al-Quds (de Jerusalém) apresentavam ao Parlamento Europeu um plano para a paz destinado a obter o máximo de firmas de ambos os lados.
O projeto A Voz do Povo fora lançado no ano anterior em Atenas em presença do ex-presidente Bill Clinton e do Ministro das Relações Exteriores grego. Passara desapercebido na mídia, mas na Palestina dera no que falar.   Pois embora reconhecesse "dois Estados para dois povos" nas fronteiras de 1967 como base para qualquer acordo, negava o direito de retorno aos milhões de refugiados.
Em 2001 SAri Nusseibeh já exprimira seu ponto de vista que "It is clear that Israel will not accept the Palestinian demand that four million refugees return to within its borders, after a Palestinian state is established beside it. Therefore, we Palestinians must formulate a solution which takes this refusal into account... However, this does not mean that I oppose the refugees' return, nor that I deny their right to return to their homes and property."
Até 2002 Nusseibeh era próximo do Fatah e fora ativo na Primeira Intifada. (Nos últimos anos tem se distanciado da vontade popular - veremos quando chegarmos ao capítulo do ano 2010 desta história).
A "Voz do Povo" não decolou nem no Hamas nem no Fatah. Em Israel foi ignorada.
No mesmo dia 09, dois bombas-suicidas explodiram em Tel Aviv e Jerusalém levando consigo 13 pessoas.
No dia seguinte os Apaches foram à forra na Faixa de Gaza. O alvo era um dos líderes do Hamas, mas as vítimas foram os civis que estavam em volta.
O dia 11 foi surreal. Acredita-se que foi o primeiro dia do fim da vida de Yasser Arafat.
Merece um capítulo inteiro.


Reservista da IDF, forças israelenses de ocupação, Shovrim Shtika - Breaking the Silence
"We moved to the Ariel area, near Nablus. We were in charge of the entire road that crossed the West Bank from west to east, all the way up to the checkpoint at Tapuach Junction. Our designated mission was to prevent acts of terrorism. Simply handle the population. We would enter villages on a daily basis, at least twice or three times a day, to make our presence felt, and… it was like we were occupying them. Showing we’re there, that the area is ours, not theirs.
How is this done?
A patrol goes in, or two patrols, two hummers secured by a jeep, and raise hell inside the villages. A whole company may be sent in on foot in two lines like a military parade in the streets, provoking riots, provoking children. The commander is bored and wants to show off to his battalion commander, and he does it at the expense of his subordinates. He wants more and more friction, just to grind the population, make their lives more and more miserable, and to discourage them from throwing stones, to not even think about throwing stones at the main road. Not to mention Molotov cocktails and other things. Practically speaking, it worked. The population was so scared that they shut themselves in. They hardly came out. Earlier I recall a lot of cabs with people on their way to work near the main road. Then it hardly existed any more. The whole village shut itself in. This just shows what a company commander is capable of doing.
What level does this reach? What is he able to do?
At first you point your gun at some five-year-old kid, and feel bad afterward, saying it’s not right. Then you get to a point where… you get so nervous and sick of going into a village and getting stones thrown at you. But it’s obvious, you’re inside the village, you’ve just passed the school house, naturally the kids will throw stones at you. Once my driver got out, and without blinking, just grabbed some kid and beat him to a pulp.
And that kid was just sitting in the street and looked like some other kid, or wore another kid’s shirt, or perhaps he was that kid but that's not the point. He beat him to a pulp. Didn’t detain him. Just beat him.
In order to get them out, detain and interrogate them, we’d catch them – my company commander caught a 12-year-old kid there once, and made him get down on his knees in the middle of the street. Yelled like a madman – it looked like some Vietnam War movie – so that the other guys come out or else he’ll do something really bad to them. He’d do something to that kid. I knew it was just a hollow threat, and after all the guy’s an officer, and I don’t think an officer would do anything, but…
Actually shackled him?
He had a plastic shackle. I remember it was raining. We went in, and as usual stones 
were thrown at us. My communications man who runs fast caught this kid who supposedly threw stones, shackled him and took him to the company commander.
Brought him back to this place in front of that pool hall. The vehicles were parked here. He got him down on his knees and yelled as if…
In Arabic?
No, in Hebrew, very loud so that the kids from that club would come out so we could
interrogate them. They didn’t come out on their own.
What did he yell at the kid?
He yelled at him to shut up and the kid cried of course… He also peed in his pants, in 
front of the whole village. He got him on his knees and began to scream in Hebrew, to swear at him: "Those fucking kids from the club should come out already!" "Get those whores out!" "Let him be scared!" "Look what I can do!" "I’ll show this kid." Finally the kids didn’t come out, but we always had in mind that image of the old Arab with 
his keffiya and stick. Regardless if there’s shooting or stones, no matter what, he’s a kid in the middle of the street. Kids and soldiers both would respect him. So this old guy comes along and somehow convinces my company commander to release the kid. And that’s how that episode ended. We got out of there. The next day two Molotov cocktails were thrown at the main road. So we didn’t really do our job. And you wonder what that job really is."
Unidade militar: Armored Corps. Patente: First Sergeant. Nablus 2005.

Reservista da IDF, forças israelenses de ocupação,
Shovrim Shtika - Breaking the Silence - 2


Global BdS Movement: http://www.bdsmovement.net/



domingo, 2 de junho de 2013

MONSANTO: Ogro dos seres vivos



No dia 25 de maio, mais de dois milhões de pessoas de 436 cidades de 52 países dos cinco continentes saíram à rua para protestar contra um predador universal.
Foi um movimento impressionante. Tanto pela disseminação geográfica variada quanto pelo método contemporâneo da internet e das redes sociais.
O que unia esses cidadãos do mundo nesse dia, nessa hora?
O repúdio à submissão à hegemonia destruidora da multinacional Monsanto.
Este monstro empresarial tem múltiplos tentáculos nocivos à natureza, à bio-diversidade e à humanidade.
Fabrica, entre outros, produtos fitosanitários comprovadamente tóxicos (agente laranja, Roundup, PCB) e sementes geneticamente modificadas. Estas estão para ser impostas a todos os agricultores do planeta e portanto, a nós consumidores, sabendo-se que são daninhos e sem que se saiba quão nocivos estes transgênicos são para nossa saúde e nossos órgãos reprodutores.
A Monsanto produz 90% dos OGM (Organismos Genéticamente Modificados) do mundo.
Um dos objetivos da firma estadunidense é patentear todas as sementes que vende aos agricultores. O que significa a privatização destas verduras, capins, plantas e legumes que crescem ( ou cresciam ) na natureza e pertenciam a todo mundo.
Esta piratagem agrícolo-industrial obrigaria (obrigará?) o agricultor a pagar anualmente um "imposto" à Monsanto ( que fiquem estéreis ou não, as sementes serão proibidas de reprodução).
Os milhões de cidadãos foram às ruas lutar pelo direito de continuar a escolher o que comem.
Isto só é possível com uma etiquetagem obrigatória dos OGMs e a possibilidade de cultivar terras sãs com sementes livres.
Como a humanidade vem fazendo durante milênios e sobrevivendo bem.
Quem não está ligado no problema crescente dos OGMs, ou seja, dos transgênicos, e nos danos que vêm causando, pode parecer aberrante que monstros como a Monsanto e outros gigantes da biotecnologia como Syngenta, Bayer, Dow, Dupont, estejam tentando e possivelmente consigam roubar da população mundial bens universais que pertencem à terra.
E a aberração não termina aí.
Esta piratagem da agricultura mundial que deteriora a qualidade do alimento que ingerimos e provoca não se sabe quantos males a médio e longo prazo, conta com a bênção de nossos governos.
Enfim, não de todos. Já foram banidos em vários países do planeta. No nosso não.
Nem nos Estados Unidos, nem nos demais países da América do Sul.
Lá nos EUA o lobby deles é poderosíssimo.
E no Brasil, quem os protege?
São nossos dirigentes que permitem que estes predadores se instalem e nadem de braçada em nossas terras férteis para torná-las áridas ou dependendentes.
A Monsanto age exatamente como os traficantes de droga para seduzir o jovem incauto e transformá-lo em drogado impotente.
Fazem a mesma coisa com agricultores e com as sementes que modificam genéticamente.
Os Estados Unidos são os maiores cúmplices da piratagem e do tráfico legalizado.
Vide a nova lei que o governo de Barack Obama aprovou em abril deste ano. Em um sigilo suspeito, as exações da multinacional foram legalizadas com nome próprio: Monsanto protection Act.
Na aula de biologia aprendemos que a cadeia dos seres vivos é composta por produtores, consumidores e decompositores.
Só pra revivar a memória.
Os produtores são organismos que fabricam sua própria matéria orgânica a partir de matéria inorgânica. Tais como dióxido de carbono, água, sais minerais. Estes seres vivos são plantas, algas e bactérias fotosintetizadoras.
Os consumidores são organismos que se alimentam de matéria orgânica viva. São divididos em herbívoros - que se alimentam de plantas; carnívoros, que se alimentam de animais herbívoros; e onívoros, que se alimentam de animais e plantas.
Os decompositores são organismos que se alimentam de detritos e os transformam em compostos inorgânicos. Como por exemplo os fungos e muitas bactérias. Têm a função de transformar detritos em matéria orgância.
Todos os organismos precisam de matéria e energia para cumprir suas funções vitais. Mas cada um a obtém de um jeito. O conjunto dos processos que permite aos seres vivos a incorporação e a utilização de substâncias destinadas a atuar como nutrientes é a chamada nutrição.
Sem nutrição adequada os seres vivos definham. O homem mal-nutrido nem pensa.
Esta cadeia tem funcionado há milênios, em harmonia. E desta depende a sobrevivência sã dos seres vivos.
A Monsanto veio bagunçar esta cadeia natural dos seres vivos; com boas intenções, dizia. E há muitos que acreditam.
Para inovar, pesquisar, inventar o futuro!
Para isso, introduziu  na cadeia viva componentes químicos produzidos artificialmente a fim de lucrar às custas da saúde pública. Enfim brinca com a sua saúde, a minha e de todo mundo.
E como lucra!
(Tanto ou mais do que os fabricantes de cigarro, mas estes são obrigados a estampar nas carteiras: O Ministério de Saúde Adverte. Por que não a mesma advertência nos produtos transgênicos?)
No início de 2013 reuniu os acionistas para anunciar seus lucros mirabolantes.
Sua renda global em 2012 chegou a US$2.4 bilhões. Por extenso, dois bilhões novecentos e quarenta milhões de dólares.
O aumento do herbicida roundup, que domina o mercado dos EUA e está em crescimento vertiginoso na América Latina (!), é um dos responsáveis por este sucesso nas vendas.
Ao explorar a patente de algodão, soja e milho transgênicos, a Monsanto garante um controle insidioso nas indústrias agrícolas do nosso continente americano do Canadá, passando pelo Brasil até o Chile.
Nos Estados Unidos, a firma tentacular estava sendo investigada pelo Departamento de Justiça por violação da lei anti-trust. Pois pratica atividades anticompetitivas em relação a outras companhias biotécnicas.
Contudo, apesar de provas irrefutáveis, a investigação foi fechada na surdina antes do fim do ano.
O modesto objetivo do processo de OSGATA vs MONSANTO que começou em 2011, visava obter proteção legal para os fazendeiros que desejassem continuar a investir em uma agricultura convencional saudável. Pois está ficando quase impossível a um fazendeiro do nosso continente plantar uma semente que não seja transgênica.
O que nos obriga, nós consumidores que vamos acabar sem escolha, a comer legumes, bolachas, e quantos produtos mais genéticamente modificados. Mesmo sem vontade de aderir ao futurismo incerto que está condenando à morte a biodiversidade e os produtos naturais.
No Brasil, que eu saiba, por enquanto, ninguém levou a Monsanto a Tribunal para defender o direito de plantar sementes naturais e de alimentar-se de produtos que até dez anos atrás eram cem por cento orgânicos.
Ora, a Monsanto abusa de patentes.
Entre 1997 e 2010, o "ogro" processou 144 camponeses estadunidenses que plantavam milho e soja sem pagar pedágio ao mastondonte pirata. Sem contar os 700 processos acertados fora do tribunal.
Muitos destes camponeses nunca plantaram e jamais plantariam sementes transgênicas.
Nos EUA não se usa a palavra corrupção com a mesma facilidade que no Patropi. Lá corrupção tem apelido imponente.
Mas é o que é.
Por que será que os tribunais federais protegem supostos direitos da Monsanto lucrar com um sistema de patentes de plantas naturais que além de amoral - para pessoas que acreditam em valores sociais - é contrária inclusive aos princípios capitalistas básicos? Já que vai de encontro à sacrosanta liberdade de mercado e à liberdade individual?
Se fosse no Brasil, as pessoas envolvidas seriam um prato suculento para a Polícia Federal.
Aliás, espero que ela esteja atenta à influência maléfica da Monsanto. Ora, o que envolve a saúde da população é tão ou mais importante do que desvios de dinheiro para político. Ou não?
Espero que aja logo para defender os interesses do povo brasileiro contra este ogro que além de predar nossas riqueza naturais, impõe a nossos fazendeiros sementes que não necessitamos.
Sem contar os herbicidas que atacam e corroem as células humanas.
Pois a Monsanto não oferece, impõe a semente.
Tem fama de recorrer à intimidação de fazendeiros que resistem a seus produtos transgêncios e a seus herbicidas nocivos para a saúde de todo mundo.
O pior é que os produtos transgênicos contaminam as lavouras vizinhas.
Esta contaminação, acidental ou proposital, onera as plantações dos fazendeiros que resistem e dificulta tanto a produção orgânica que muitos acabam desistindo de remar contra a maré devastadora.
Aí param de produzir o milho, a soja, ou o que quer que seja que produziam.
Não tenho as estatísticas brasileiras, mas nos Estados Unidos, estima-se que 88 por cento do milho e 93 por cento da soja produzida no país já sejam transgênicos.
E a Monsanto sabe que nenhum consumidor bem-informado quer comprar produtos genéticamente modificados.
Ninguém quer ser cobaia de uma firma venal que joga com a vida e a saúde alheia como se o mundo fosse um imenso laboratório rentável.
Acontece que o consumidor não sabe o que compra no supermercado e nem na feira.
O movimento popular internacional é justamente para que o cidadão normal, você, eu, todos nós, tenhamos o direito de saber o que comemos. Já que nossos governos se dobraram à Monsanto como a matriz estadunidense.
No caso brasileiro, que se saiba, tudo começou no governo de Fernando Henrique Cardoso. Como é um homem letrado, não dá para dizer que foi por ignorância. Por que terá permitido a invasão da Monsanto?
No ano passado nos Estados Unidos, uma juiza, Naomi Reice Buchwald, chegou a dizer que os fazendeiros haviam criado "a controversy where none exists".

A Europa parou o carro da Monsanto no Oceano Atlântico.
Na França, a guerra popular contra os produtos transgênicos é quotidiana.
Espero que no Brasil a população acorde antes que o nosso país em que "tudo o que se planta/va da/va", perca toda a riqueza do solo por causa de mais um predador estrangeiro.
Abby Martin on Monsanto 06/16
Histórico da Monsanto

. 1901, John Francis Quenny dá à sua nova empresa Monsanto Chemical Works o sobrenome da esposa Olga Mendez Monsanto.
. 1917, a firma se lança na produção de sacarina.
. 1929, começa a produzir aspirina.
. 1929, compra a companhia Rubber Services Laboratories de Akron, Ohio, e Nitro, na West Virginia.
A multinacional se lança então na indústria química pesada. Nitro será um de seus centros de produção PCB.
. 1935, a firma expande suas atividades à produção de sabão e detergentes industriais. Começa então a produzir fósforo.
. 1937, o Dr. Emett Kelly, chefe do serviço médico da firma, descobre os perigos da exposição ao PCB.
. 1938, apesar desta descoberta, a firma se lança no mercado de plástico com numerosos produtos contendo PCB.
. 1939-1945, cientistas da Monsanto participam do "projeto Manhattan".
Este produzirá a primeira bomba atômica da história. Charles Thomas, futuro membro do comitê de direção da firma, assistirá aos testes e à explosão da Bomba A. 
1949, acidente industrial na fábrica Nitro. Muitos operários são expostos a produtos químicos derivados de petroquímicos.
. 1955, a firma compra as refinarias de Lion Oil e começa a produzir fertilizantes à base de derivados petroquímicos.
. 1959, a firma inaugura uma nova filial chamada Monsanto Electronics Co, em Palo Alto. Lá produz silicone ultra puro para indústrias de ponta. Mais tarde a Agência Americana de Proteção classificará o local de produção "superfund site". Ou seja, zona contaminada por detritos perigosos a serem rapidamente despoluídos.
No mesmo ano, a firma descobre o 2, 4, 5-T e o mistura com o 2,4-D para fabricar o herbicida Lasso. O herbicida mais conhecido da Monsanto. Ou melhor, mais conhecido pelo seu apelido: Agente Laranja. Este desfolhante será vendido ao Exército estadunidense para ser usado no Vietnã de 1961 a 1971, com os danos que se conhece e que as fotos ao lado mostram.
O Agente Laranja foi produzido por várias firmas, dentre elas a Dow Chemicals. Estes herbicidas conjugados continham forte concentração de dioxina. Tão forte que causou problemas médicos até nos soldados estadunidenses. Até hoje afeta a população vietnamita com deformações congênitas.
. 1969, O Instituto Nacional da Saúde dos EUA revelou o resultado de um estudo sobre o Agente Laranja.
Ratos expostos a altas doses do desfolhante desenvolviam deformações fetais e pariam crias mortas.
. 1970, os EUA criaram a Agência Americana para Proteção do Meio-Ambiente.
No mesmo ano, a FDA - Food and Drug Administration, encarregada da proteção e promoção da saúde pública nos EUA, descobre que o PCB da fábrica da Monsanto contaminara Anniston e toda a vizinhança.
1972, o professor Berg ultrapassa a "barreira das espécies" combinando a ADN de uma planta com um gen proveniente de uma bactéria.
1975, a Monsanto começa a comercializar o Roundup. Herbicida à base de glifosato.
Estudos posteriores indicariam que até em pequenas quantidades o pesticida pode ser nocivo à saúde humana.
1976, a firma produz Cycle-Safe. A primeira garrafa plástica para refrigerante. Após análise, a FDA retirou a garrafa do mercado nacional por suspeita de ser cancerígena.
Seu uso fora dos EUA é um enigma.
1977, os Estados Unidos proíbem a venda do PCB (Polychlorinated Biphenyl - Bifenilos Policlorados).
O efeito mais comum de exposição aos PCBs é cloroacne, uma escamação dolorosa que desfigura a pele, semelhante à acne.
Essas substâncias quando dentro do organismo dos seres vivos são transportados pela corrente sanguínea até os músculos e o fígado. E tendem a acumular-se nos tecidos adiposos viscerais onde, estimulando as enzimas hepáticas, causam alterações na função do fígado. Nos seres humanos são também observados os seguintes efeitos: hiperpigmentação, problemas oculares, elevação do índice de mortalidade por câncer do fígado e vesícula biliar, dores abdominais, tosse crónica, irregularidade menstrual, cansaço, dor de cabeça e nascimentos prematuros com deformações.
Estudos toxicológicos realizados em cobaias têm demonstrado que a contaminação por PCBs pode causar alterações nas funções reprodutivas dos organismos, como na maturação sexual e efeitos colaterais que permitem que os PCBs possam propagar-se através da bioacumulação, o que afeta todas as espécies.
. 1978, Veteranos da Guerra do Vietnã abrem um processo contra os produtores do Agente Laranja.
. 1979, um trem que carregava 70 mil litros de clorofenol descarrilha em Missouri, nos EUA. A carga vinha da fábrica da Monsanto e continha dioxina.
. 1980, a firma começa a testar em fazendas a Recombinant Bovine Somatropin (rBST), ou Recombinant Bovine Groth Hormone (rBGH), isto é, o hormônio do crescimento leiteiro.
. 1981, a firma farmacêutica G. D. Searle é autorizada a comercializar o NutraSweet. Um substituto do açucar rejeitado pela FDA por causa de estudos que sugeriam uma possível ligação entre o consumo do produto e riscos de câncer no cérebro.
A Searle será comprada pela Monsanto em 1985 para virar sua filial farmacêutica.
. 1983, representantes da Monsanto e de dois outros laboratórios anunciam simultaneamente que conseguiram inserir uma construção genética nas células de tabaco. O gen em questão era  resistente a um antibiótico.
. 1984, Abertura nos EUA do processo "Kemmer vs Monsanto".    
. 1986, a firma é condenada por negligência pela exposição de um operário à benzina em uma de suas fábricas de Chocolat Bayou no Texas. Tem de pagar US$100 milhões à família de Wilbur Jack Skeen, morto de leucemia por causa disso.
. 1986, a firma gasta milhares de dólares com advogados para que impeçam a Proposition 65. Iniciativa do estado da Califórnia visando regulamentar a descarga de produtos tóxicos perto de reservas de água potável.
. 1987, os veteranos do Vietnã ganham o processo.
A fim de evitar escândalo, a Monsanto e os produtores do Agente Laranja acertam com as vítimas. Desembolsam US$180 milhões debaixo do pano.
Na época, a Monsanto apresentou "provas decisivas" da ausência de ligação entre a exposição à dioxina e os numerosos câncers dos quais sofriam os veteranos.
Na década de 90 seria demonstrado claramente que os tais "estudos" haviam sido manipulados.
. 1989, Margaret Miller, ex-pesquisadora da Monsanto, entra na FDA.
No mesmo ano Samuel Epstein revela no Los Angeles Times que a Monsanto revende a cooperativas leite e carne das fazendas onde testam o rBGH, sem avisar os compradores da modificação genética do que compram.
. 1990, Greenpeace revela no relatório Science for Sale que cientistas da Monsanto manipularam os estudos da dioxina a fim de obter conclusões não cancerígenas para o homem.
Tais "estudos" haviam servido à defesa da firma no processo dos veteranos contra o Agente Laranja.
. 1991, Michael R. Taylor, ex-advogado da Monsanto, é nomeado para o cargo recém-criado de Deputy Commissioner for Policy da FDA. Cargo que o põe abaixo apenas do presidente e que é determinante na aprovação da política do órgão.
(Foi então que assinou um Federal Register que determinava que "milk from cows treated with BGH did not have to be labeled as such."
Embora seu nome não conste do documento da FDA de 1992 sobre plantas alimentícias genéticamente modificadas, dizem que a co-autoria é dele.
A evolução das pesquisas transgênicas aconteceu durante as presidências de Ronald Reagan, dos Bush pai e filho e de Clinton. Obama e o Congresso dos EUA continuaram apadrinhando a Monsanto.
O documento que abria a caixa de Pandora tem três tópicos predominantes: (1) U.S. policy would focus on the product of GM techniques, not the process itself, (2) only regulation grounded in verifiable scientific risks would be tolerated, (3) GM products are on a continuum with existing products and, therefore, existing statutes are sufficient to review the products."
A Monsanto fica protegida ainda mais quando é dito que "transferred genetic material and the intended expression product or products" in food derived from GM crops as food additives subject to existing food additive regulation, under which that material may be considered either generally recognized as safe (GRAS) or not, initially at the producer's determination."
Ou seja, o produtor do transgênico é que determina se sua produção é segura para o consumidor ou não. Só há supervisão quando ele mesmo pede...)
Voltando à história cronológica, no mesmo ano 1991 a Monsanto foi condenada a pagar multa de US$1.2 milhões por dissimulação de descarga de água poluída no Mystic River de Connecticut.
. 1992, a FDA publica sua regulamentação de Taylor acima citada no Federal Register. Jornal Oficial de lá.
. 1993, a FDA autoriza a comercialização do Posilac da Monsanto. Nome comercial do hormônio de crescimento leiteiro (rBGH).
O Posilac é o primeiro produto originário da pesquisa transgênica a ser autorizado no mercado.
No mesmo ano, a firma patenteia o seu primeiro OGM (Organismo Genéticamente Modificado) resistente ao herbicida Roundup. Trata-se da soja Roundup Ready (RR). Solicita então autorização para comercializá-la em 1994.
. 1995, começa nos EUA o processo "Abernathy vs Monsanto" por causa da contaminação de Anniston pelo PCB.
No mesmo ano Robert Shapiro, ex-advogado da Searle, ex-presidente da Nutra-Sweet, ex-vice-presidente da Monsanto, sobe à presidência da firma. Dá início à chamada "revolução cultural" do grupo.
(O apelido vem dos meios da "revolução cultural" maoísta e não de seu projeto socialista.)
. 1996, a firma, grande "patrocinadora" da campanha de Bill Clinton, quando este é reeleito presidente dos Estados Unidos chegar a prestar homenagem à Monsanto em discurso no ano seguinte.
Mas assim mesmo, apesar de todo apoio político caro, neste ano o Tribunal de Nova York condena a firma por publicidade mentirosa sobre a "biodegrabilidade" do deserbante Roundup.
. 1997, o jornal Seattle Times denuncia fatos que incriminam a Monsanto. A firma teria vendido 6 mil toneladas de detritos perigosos a vários produtores de fertilizante. Tais detritos estavam contaminados pelo metal pesado kadmium. Suspeito de provocar vários tipos de câncer, disfuncionamento renal e problemas para gravidez.
No mesmo ano a Fox News censura uma reportagem da jornalista investigativa Jane Akre sobre a Monsanto - detalhes no documentário The Corporation abaixo.
Jane e o ex-marido Steven Wilson trabalharam meses na matéria sobre biotecnologia agrícola e o BGH da Monsanto.
Seus editores da Fox rejeitaram o minucioso relatório por não ser "breakthrough journalism"...
Após reescrever o relatório mais de 80 vezes e insistir sobre a comprovada veracidade da matéria, Jane acabou sendo demitida.
A rede decidiu exercer "its option to terminate their employment contracts without cause," e não renovou o contrato do casal em 1998.
Começou então um dos processos jornalísticos mais seguidos na história dos Estados Unidos.
Apoiados na lei da Flórida que protege whistleblowers, o casal processou a Fox por retaliação por não terem concordado em distorcer ou suprimir a matéria que incriminava a Monsanto.
Em um comunicado conjunto, Jane e Steven disseram que "were repeatedly ordered to go forward and broadcast demonstrably inaccurate and dishonest versions of the story," e "were given those instructions after some very high-level corporate lobbying by Monsanto (the agriculture company that makes the hormone) and also ... by members of Florida’s dairy and grocery industries."
O julgamento começou no ano 2000. Apesar de recusar a maioria das acusações do casal, o júri aprovou o  argumento de whistleblower e a Fox foi condenada a pagar ao casal US$425 mil dólares.
A Fox entrou com liminar e um batalhão de advogados. Em 2003 ganhou a causa com o argumento que Jane e Steven não enquadravam na lei em questão.
Foi um escândalo na época e Robert F. Kennedy Jr. inclusive citou Steven em seu livro Crimes Against Nature, quando Steven perguntou "What reporter is going to challenge a network ... if the station can retaliate by suing the reporter to oblivion the way the courts are letting them do to us?"
Jane e Steven tiveram a consolação de ganharem o prêmio Goldman Environmental Prize pelo relatório. E também o de Ética em Jornalismo, da Society of Professional Journalists.
Voltando à nossa cronologia do ogro dos seres vivos...
. 1999, após fortes pressões internacionais e interdição da ONU, a firma é obrigada a deixar de comercializar sementes com gens "terminator" que esterilizam os grãos.
(Em todos os países ou "algumas" sementes foram mandadas para países emergentes?...)
. 2001, Ignacio Chapela e David Quist, biólogos da Universidade de Berkeley, na Califórnia, publicam um artigo explosivo na revista Nature de 29-11-2001.
O artigo aprovado pela comunidade científica informa que o milho "criollo" mexicano foi contaminado pelos gens RR e Bt da Monsanto.
A firma usa todos os recursos jurídicos e lobbies possíveis para difamar Ignacio e David.
Perseguiram tanto os biólogos e a Nature que conseguiram obrigar a revista a uma negativa jamais vista.
No dia 04 de abril de 2002, Nature publica uma nota editorial inabitual em que refuta o artigo de Ignacio e David. No mesmo ano recusa um artigo do professor Exequiel Ezcuarra, presidente do Instituto Mexicano de Ecologia, que confirmava os resultados dos biólogos estadunidenses.
. 2002, em compensação, em fevereiro desse ano a Monsanto é condenada novamente. Desta vez através de sua filial Solutia, pela poluição do território de Anniston e do sangue da população local com PCB.
O Tribunal condena a multinacional a pagar 700 milhões de dólares.
. 2003, Solutia, a filial Monsanto que produz os PCBs, declarou falência por causa dos litígios e compensações financeiras exigidas nos processos por poluição.
. 2006, o jornal inglês The Guardian fez uma revelação chocante sobre Sir William Richard Shaboe Doll, considerado o maior epidemologista do século XX.
(Sir Doll foi pioneiro na pesquisa que provava que fumar provoca câncer, que radiação provoca leucemia, que asbestos-amianto provoca câncer do pulmão e o álcool, câncer de mama.)
Documentos encontrados em sua biblioteca mostravam que há anos firmas farmacêuticas o remuneravam por consultoria. Estes pagamentos incluíam um salário diário de US$1.500 da Monsanto. A cooperação entre o ogro e o cientista durou de  1976 a 2002.
. 2007, um tribunal francês condena a Monsanto por publicidade mentirosa sobre o caráter biodegradável do Roundup.
. 2013, Barack Obama assina o Monsanto Protection Act, que protege os criminosos de colarinho branco de processos legítimos de assassinato através de alimentos.

Seeds of DeathUnveiling the Lies of GMOs
dirigido e produzido por Gary Null 

E no Brasil, quão grandes e quão potentes são os tentáculos da Monsanto?
Ao ponto dos brasileiros serem condenados a ingerir ingenuamente alimentos transgênicos e se envenenarem dia a dia com agrotóxicos?
O que todos os consumidores merecem e os milhões que desfilaram pelas ruas reivindicam é simples: Aviso em letras lisíveis que o produto à venda tem componente genéticamente modificado, em que dose e os perigos que representa para a saúde humana.
Depois, quem quiser consumi-los, consome, e quem quiser boicotá-los, boicota, em conhecimento de causa.
Ouvi dizer que as terras transgências já ocupam 55% da superfície cultivada no nosso país.
Porém, nem todos os agricultores são venais e mal-informados. Ainda há quem cultive semente natural.
Há quem resista.
Enquanto não houver lei que proteja o consumidor, é melhor fazer compra de frutas e legumes na feira e perguntar ao feirante a procedência do que vende.
Em Goiânia, tem verdura orgânica no Mercado do Bairro Popular duas vezes por semana. Não são tão "bonitas" quanto as transgênicas e às vezes têm um corozinho (que prova que não são "fertilizadas" artificialmente). Mas são saudáveis. Têm gosto de infância.
Porém, uma fiscalização honesta da Prefeitura seria bem-vinda para garantir que algum espertinho não polua as bancas destes agricultores que penam com suas hortas orgânicas.

Embora seja goiana, não sou grande especialista em agricultura, mas me preocupo com o que como.
Por exemplo, prefiro manga rosa, sabina, abacaxi, coquinho, espada, meio empretejadas, do que este batalhão de mangas com nomes estrangeiros que não existiam na minha infância: Haden, Tommy, Atkins, Kent, Keitt, Palmer... que têm a mesma cara uniformizada.
Sementes importadas de que laboratórios? Enxertadas, geneticamente modificadas, como? Fertilizadas com que fertilizante?
Estas fabricações contemporâneas enfeitam e monopolizam as bancas dos supermercados e ninguém se espanta. E só nas feiras é que se encontra (pelo menos na minha Goiânia) frutas e legumes nativos e até goiaba com bicho em vez daquelas goiabonas sem gosto lustradas como as maçãs, mangas e as demais frutas geneticamente modificadas.
Só se encontra fruta boa como "outrora", natural, de vários gostos e formas, em feira, mas mesmo assim, cuidado! A beleza do alimento é relativamente proporcional à sua fiabilidade. Quanto mais perfeito, quanto mais uniforme, mais perigoso ele é.
Há meninos e até jovens no nosso país que nunca nem experimentaram manga de quintal brasileiro! E não entendem de onde vem a expressão "chupar manga", pois as pré-fabricadas só podem ser comidas a faca e garfo. E as melancias, mexiricas, uvas sem caroço? Alguém já se perguntou como é possível uma fruta nascer sem muda? Só em laboratório.
Paro por aqui passando uma informação que tive de uma amiga médica: o morango e o tomate são os produtos mais perigosos, pois são os que mais retêm agrotóxico.
Informe-se e abra os olhos!

Comitê de Direção da Monsanto nesta data
http://www.organicauthority.com/foodie-buzz/guess-whos-on-monsantos-board-of-directors.html

Site de Combat Monsanto - construindo um mundo livre de Monsanto 
http://www.combat-monsanto.co.uk/spip.php?rubrique33#titre

Atuação da Monsanto nos EUA. No Brasil está no mesmo caminho de degeneração.

Documentário francês da TV pública franco-alemã ARTE
De Marie-Monique Robin : Le Monde selon Monsanto

The World According to Monsanto, in English

Documentário canadense de 2003 The Corporation: The Pathological Pursuit of Profit and Power
Escrito pelo professor de Direito da University of British Columbia Joel Bakan.
Dirigido por Jennifer Abbot e Mark Achbar. 
Versão Original legendado em português.

Abby Martin, Breaking the Set: Monsanto, History & Legacy