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domingo, 14 de outubro de 2018

Haddad & Manu pela democracia! Roger Waters, Human Rights icon


BRASIL

Fiquei em estado de choque com os 46% de votos no candidato do "bispo" Edir Macedo, o neo- fascista Jair Bolsonaro.
Meus colegas estrangeiros ficaram desentendidos quando viram o mapa do Brasil cortado em dois com a maioria democrática na parte de cima em vez da parte de baixo, mais rica.
(Sim. Obrigada ao Nordeste!)
Disseram espantados: "Então, além de ser o litoral brasileiro com mais beleza é também a região com os brasileiros mais esclarecidos! Pensávamos que a região mais culta fosse a do Sul"!
Ah, se opulência indicasse cultura e consciência!
Votar contra o Bolsonaro é votar contra o fascismo. Confio que muitos anti-petistas entendam isso.
Hitler também foi eleito democraticamente em 1933 com um discurso populista e prometendo o mundo e os fundos aos alemães. Logo não quis mais sair, ficou e acabou com seu país cometendo barbaridades na Alemanha e mundo afora.   
No segundo turno das eleições presidenciais, não se trata de PT vs o candidato do "bispo" - eu também esperava que o PT tivesse sido ético em vez de ser como os outros partidos. Mas sou capaz de enxergar que era e é um movimento democrático que na presidência permitiu que a polícia entrasse até em sua casa. O Lula está sendo punido. Pronto. Agora no Brasil trata-se de escolher entre democracia e fascismo.
Os representantes da democracia são Haddad (homem bem-preparado) e Manu (mulher extraordinária!).
Os representantes do neofascismo são Bolsonaro e seu patrocinador Edir Macedo, em cuja versão do Mein Kampf do Hitler - Plano de Poder - deixa claro que faria o que quisesse no e com o Brasil quando encontrasse o "messias" adequado. Encontrou.
Sou da geração que cresceu sob a ditadura e faço parte do grupo reduzido que lutou contra ela na faculdade. Fui eleita oradora da turma de formandos de todos os cursos da UFG em julho de 1979, nosso patrono era Dom Pedro Casaldáliga (presença proibida), escrevi meu discurso, no dia da formatura fui informada que fora "reprovada por falta, em fotojornalismo", matéria de terreno na qual tinha passado com boas notas. Não podendo mudar as notas já registradas, para eu não fazer o meu discurso "subversivo" ao colar grau, me reprovaram, no dia da formatura, por falta. Também ilegal e absurdo, mas decisão tomada com a cumplicidade da professora que era "dedo duro" da ditadura. Era assim, tinha um dedo-duro por sala. Pelo menos um. No curso de jornalismo devia ser até mais entre colegas e um ou dois professores mau-caráter.
Bolsonaro defende esses caras. Bolsonaro pensa como esses caras que reprimiram, tolheram a liberdade, prenderam, torturaram, mataram.
Em momentos críticos como este que o Brasil vive, voto branco, nulo e abstenção é subir no muro e depois cair nas masmorras de um regime autoritário.
Temos de tomar o partido da democracia.
Imparcialidade ou muxoxo contra o PT não dá. Não significa protesto e sim apoio ao inimigo público número 1, o da ignorância e da violência.
Quem não quiser votar no Haddad e na Manu por si, vote pelos filhos, para que cresçam podendo escolher seu próprio caminho, livres.
Minha geração cresceu sem este direito, tolhida na palavra, desconfiada, com medo de falar e até de pensar.
Não podemos condenar nossos filhos e netos a um Brasil inculto, retrógado e repressivo.
ELE NÃO! Em nenhuma circunstância!.
https://twitter.com/latuffcartoons
https://twitter.com/patriciapillar
Arnaldo Antunes: Isso não é um poema, é um desabafo
Caetano Veloso entrevista a Manu
Boulos contra a volta à ditadura, vota Haddad
 

Roger Waters, o líder do Pink Floyd, é uma pessoa extraordinária, e politizada. Além de grande músico, é um homem bom-caráter, humano, inteligente, culto, bem-informado e solidário.
Seus shows no Brasil foram programados na hora certa, crucial.
Provou mais uma vez em seus shows no território nacional o quanto vale. Do primeiro show em São Paulo ao último em Porto Alegre na sua turnê "Us + Them" cedeu o espaço normalmente dedicado à defesa da Palestina à luta pela democracia no Brasil, contra o Bolsonaro. Em uma imagem colocada no telão durante a apresentação, Waters argumenta que o neofascismo está em ascensão no mundo, e cita os "culpados" espalhados ao redor do globo. No Brasil, ele aponta Jair Bolsonaro.
Além de indicar o candidato patrocinado pelo "bispo" Edir Macedo como propagador do neofascismo no Brasil, Roger aponta Donald Trump, nos Estados Unidos; Viktor Orbán, na Hungria; Marine Le Pen, na França; Sebastian Kurz, na Áustria; Nigel Farage, no Reino Unido e assim por diante.
Roger foi vaiado em São Paulo por grande parte do público pró-fascista que o atacou com palavrões, como é a praxe da classe média-alta que tem estudo mas é inculta, despolitizada e mal-educada.
Roger não se deixou abater e tem pregado nos shows a igualdade e reiterado o protesto contra o neofascista Bolsonaro colocando no telão a hashtag que ganhou popularidade nas redes durante os atos contra o candidato da "Igreja" Universal, Bolsonaro: #EleNão.
A turnê de Roger Waters começou em São Paulo no dia 8 de outubro, depois em Brasília, ontem, e continua em Salvador (dia 17), Belo Horizonte (dia 21), Rio de Janeiro (dia 24), Curitiba (dia 27) e Porto Alegre (dia 30). Em todos, nossa democracia está sendo defendida com o mesmo afinco.
Obrigada Roger!

PALESTINA
Roger Waters is a very special human being. A real one. Besides what he is doing in my country right now, taking a brave stand  against the neofascit candidate, he always takes the right side.
The British musician and activist Roger Waters wore his Palestinian Keffiyeh when presenting the men's category Coupe des Mousquetaires of the Tennis French Open in which Spanish tennis player Rafael Nadal won the title this year for the 11th time.
The former Pink Floyd member joined the pro-Palestinian Boycott, Divestment and Sanctions, BDS, movement in 2011 but he had supported it for years before, when Palestinian advocates of the boycott convinced him to visit the separation wall to reconsider his planned 2006 concert in Tel Aviv.
His act of solidarity at the popular international sport event came just days after he took some time ahead of a concert in Berlin to defend the BDS movement and highlight the plight of Palestinians in Gaza after the recent extrajudicial killings perpetrated by Israeli forces on the border between Gaza and Israel during this year’s Great March for Return protests, in which more than 100 demonstrators were killed by sniper fire.
Endorsing the movement, Waters penned an opinion piece published by The Guardian in 2011 saying: “In 1980, a song I wrote, Another Brick in the Wall Part 2, was banned by the government of South Africa because it was being used by black South African children to advocate their right to equal education.” 
He added: “Twenty-five years later, in 2005, Palestinian children participating in a West Bank festival used the song to protest against Israel's wall around the West Bank. They sang: 'We don't need no occupation! We don't need no racist wall!',” he continued.
Now, Waters is one of the most high-profile members of the BDS movement.

There are fake activists like Clooney and Bono who choose uncontroversial causes to fight for in order to gain money and popularity or something else.
And there are true activists like Roger Waters.
Listening to Roger's politics is rock and roll and heartwarming. He is a real trustworthy humanitarian.
The Pink Floyd genius is now the most prominent voice of the BDS movement that is defending Palestinian rights. At the moment, it feels like Waters is the only white man taking on the state of Israel (not forgetting the brilliance of Finkelstein). Indeed, considering the fact that Israel is the heart of Western geopolitics–the true target of Waters’ activism is the Western Empire itself. And he knows it.
In contrast, when listening to Bono pontificate, we hear bombers flying overhead. While Waters was in St. Petersburg this September, on tour, Bono was to be found in Paris, also on tour, but meeting up with the French President, Emmanuel Macron, as well. The U2 mediocrity claimed afterwards that he and “the bomber of Syria” were talking about Africa. It was the continuation of a discussion Bono began years ago with “the bombers of Iraq”–Bill Clinton, Tony Blair and George W. Bush.
Waters and Bono come from two different cultures: Waters from the 1960s and Bono from the 1980s. Pink Floyd’s debut album was released in 1967, while U2’s debut album saw the light in 1980. This is significant, because the bandleaders of both groups appear to have absorbed the politics of their formative years. Revolution in the case of Waters, and counterrevolution in the case of Bono. And the words of both today, respectively, continue to give expression to progress on the one hand, and regress on the other.
The culture wars between the 1960s and 1980s, between the culture of Che Guevara and the culture of Ronald Reagan, never went away. Beneath the current battle between populism and its elite critics, the undercurrents of class, imperialism and anti-imperialism are as strong as ever. And even millionaire musicians are pulled one way or the other.
In an interview with RT, in St. Petersburg, Roger Waters summed up in one word the culture of Che Guevara (the anti-imperialist culture) which he is perpetuating. That word is “empathy”. The ability to connect with another’s pain or suffering. And the will to fight to end this pain or suffering, basically sums up the attitude of Che and the “1960s”.
This attempt to understand the weak or vulnerable “other” motivates Roger Waters’ support of the Palestinians today. In fact, “empathy” forces him to open up to Russia. In his RT interview, he tells us that during his concerts–in response to the anti-Russian psy-ops which distorts the West today–he asks his audience: “do you know that Russia sacrificed twenty million of its people, so that you can be free of Nazism?”
Bono doesn’t ask this question. Instead, during his current live shows, he wraps himself up in the flag of power. And shamelessly declares his love of the Empire that’s attacking Russia, with sanctions and up close coups, and war games. The flag is that of the European Union. And the Empire is the iron fist that hides behind that flag: NATO.
Unlike Roger Waters–who wants to connect with the biggest open prison in the world: Gaza–Bono goes out of his way to connect with the corporatist project that is the EU. Forget the weak and vulnerable, within the EU, being bombed by austerity, and being dragged into war after war – Bono’s main concern is defending the flag of the super state.
In a Europe dominated by corporations and their lobbyists: Bono’s words and actions are those of an ultra elitist. Listen to his EU-speak: ‘Well, U2 is kicking off its tour in Berlin this week, and we’ve just had one of our more provocative ideas: during the show we’re going to wave a big, bright, blue EU flag…..to some of us it has become a radical act.’
Bono ends this piece in a German newspaper with the usual delusion: ‘I feel privileged to have witnessed the longest stretch of peace and prosperity ever on the European continent.’
The fact that the EU itself has ended whatever “peace and prosperity” there was in Europe, completely undermines Bono’s sinister “blindness”. By imposing neoliberalism, bailouts, austerity and NATO’s wars (Libya, Syria, Ukraine and Russia) upon Europe, the EU has delegitimized itself. Is it therefore right for Bono to defend this state of affairs, or is it radically right wing?
In his interview with RT, Roger Waters says that there’s always a right and a wrong thing to do. In the context of Palestine, the boycott of Israel is the right thing to do. It is so because the boycott stands on the shoulders of history. Roger Waters points to the 1948 declaration of universal human rights–which itself rests on every slave revolt in the past. Anything which aids this trajectory of humanity is righteousness for itself.
There’s no greater slave revolt today, than that of the Palestinian resistance to Israeli occupation. In fact it’s the lynchpin to the struggle for global justice. Today’s great crime against humanity is Western warmongering in the Middle East (Afghanistan, Iraq, Libya, Syria and Yemen). And the basis for this is the Western war against Palestine, which began in 1917. In short, the Western Empire today revolves around the repression of Palestine.
This, of course, means that Israel is not alone. Without the support of the USA and EU, Israel wouldn’t last a day. Israel works for the West. Therefore, to boycott Israel is to condemn USA and Europe reign of terror. This is where Bono comes in. His concern is not Africa but Western weakness. And his job is to prop it up.
Bono wants to make NATO great, ruling over the whole world.
Roger Waters doesn’t. He places humanity before the West. And is willing to abandon the West in order to achieve a better world. His music, therefore, is a universal act of resistance, whereas Bono’s is a provincial act of imperialism. By holding up the flag of the EU in a concert, Bono is flying the flag of Israel and burning the flag of Palestine. In the language of Roger Waters' generation, one could say that Bono is a Pig.
We, on the other hand, who boycott Israel and the White House dictatorship are human. In essence we’re children of the 60s. We want to break down the apartheid wall in Palestine and all others.
Thank you for not giving up, Roger.

Sophie Shevardnadze interview with Roger Waters in Saint Petersburg to RT, 7/9/2018


#StopTheWar is a hashtag coming from many activists in #Gaza who urge the international community to hinder Israel’s attempts to launch another large-scale aggression against the occupied, blockaded, unlivable, and exhausted Gaza Strip. #GazaUnderAttack.
The people of Gaza have been subjected to decades of expulsion, occupation, siege and massacre. They have now seized control of their Fate. They are risking life and limb as they protest nonviolently to reclaim their basic rights. It takes just one minute to send a video showing your support for Gaza in its moment of truth. Do it now! Send your videos to METOOGAZA.COM.
Renowned scientists urge cientific Community to consider the facts before engaging in activities with Israeli colonial-based Ariel University, and not engage any attemps to use science to normalise Israel(s occupation of the Palestinian territory.


OCHA  



domingo, 27 de outubro de 2013

Dilma & Merkel vs NSA USA



A revolta dos chefes de Estado ocidentais contra a espionagem celular e informática dos Estados Unidos não vai terminar em pizza como Washington queria e apostava.
Na imprensa internacional, tudo começou com o artigo de Glenn Greenwald, jornalista estadunidense residente no Rio de Janeiro, no jornal londoniano The Guardian. Glenn era um simples mensageiro do whitleblower estadunidense Edward Snowden.
Nas capitais mundiais que contam, tudo começou em Brasília com a nossa presidente/a Dilma.
Primeiro, Dilma revoltou-se nos bastidores, usando a/de diplomacia.
Porém, o diretor da NSA (a superpotente National Security Agency USA) lançou um comunicado de imprensa no dia 8 de setembro dando uma de Joãozinho sem braço que era um insulto à inteligência tupiniquim. "The United States," contra-informou, "collects foreign intelligence - just as many other governments do - to enhance the security of our citizens and protect our interests and those of our allies around the world."
Nem se deu ao trabalho de explicar porquê espionavam a Petrobrás e em quê a nossa petroleira constituía uma ameaça à segurança dos EUA.
Nem se deu ao trabalho de oferecer desculpas formais, mea culpa mea culpa etcétera e tal. Aí não deixou espaço para o Brasil receber a bofetada e voltar a dar a outra face.  Somos cristãos, mas bobos, não.
Não sendo atendida, nossa presidenta foi ao palco das Nações Unidas.
O discurso da Dilma foi um dos pontos fortes da última sessão que reuniu os maiores e menores 194 chefes de Estado em Nova York, junto com o de Rohani, presidente do Irã, e Abu Mazem, presidente da Palestina.

Quando a presidente do Brasil botou a boca no trombone e deu ao mundo inteiro a notícia do cancelamento de sua visita a Washington (esperada ansiosamente por um bando de empresários gringos querendo fazer negócio à sua vantagem) alguns jornais estadunidenses ousaram fazer pouco caso, parafraseando o dito popular "quem não deve não teme" citando como reação séria a da Europa, que sofreu o mesmo estupro de privacidade calada.
Acho que a Dilma naquele dia com seu pronunciamento na ONU  lavou a alma se não de todos, da maioria absoluta dos brasileiros. E de centenas de milhões de estrangeiros.
Eu, que acho a nossa presidente bastante competente (bem acima da média internacional inclusive do nosso vizinho norte-americano superpotente), aplaudi de pé e pensei: se fosse o Fernando Henrique teria engolido mais este sap, teria dito (em inglês para exibir erudição em vez de prestigiar a lingua pátria) algumas banalidades e no final teria quase se desculpado por ter sido espionado.

A Dilma (que alguns compatriotas míopes ou mal-intencionados chamam de mandona e outros adjetivos misóginos depreciativos que não usariam se ela fosse homem - se fosse, diriam que dá firmeza porque tem pulso forte) indignou-se com  a afronta ilegalíssima e perigosa para a nossa Pátria Amada Salve Salve, deu um chapéu no Obama que estava fazendo careta ameaçadoras em vez de tocar a bola no campo da lealdade e marcou um gol de placa. Quando marcou o gol diplomático, Dilma suscitou surpresa e admiração nas capitais europeias, até na Rússia, o Brasil subiu, no mínimo, mais um degrau na escada de influência diplomática internacional e passou vergonha nos demais presidentes e primeiros ministros que ficaram de braços cruzados.
Ora em julho deste ano Obama ao ser interpelado deixara claro que espionava seus aliados europeus "If that weren't the case, then there'd be no use for an intelligence service". Deixando margem à interpretação que os Estados Unidos não confia em ninguém e não considera nenhum país amigo. Ou melhor, ou pior, declarou publicamente o que todos sabem, que, tirando Israel, os Estados Unidos não são amigos permanentes de ninguém e que com eles, conduzir diplomacia na base de confiança é ingenuidade infantil da parte do outro lado.
Esta posição grave constitui um golpe fatal nas relações diplomáticas internacionais e certamente inaugura uma nova era de reestruturação de cadeias e aliados.

A Europa ficou estática. No fundo, ninguém se importou dos EUA estarem espionando o Brasil ou qualquer outro telefone que não fosse o próprio.
Solidariedade internacional? Respeito mútuo? Zero.
Os Primeiros Ministros da França e da Inglaterra estavam na lista dos espionados, mas ficaram de braços cruzados tremendo de medo do Big Brother - este, o real, do escritor inglês George Orwell e seu visionário 1984, que, diga-se de passagem, deveria ser obrigatório nas escolas.
Demorou a cair a ficha que eles também estavam sendo espionados e que também tinham direito à privacidade.
A Alemanha demorou mais do que o Brasil a descobrir os fios invisíveis da espionagem, mas acabou descobrindo e reagindo. Aí se aliou ao Planalto na batalha pela privacidade, e pela proteção de dados confidenciais nacionais do governo, das empresas e dos cidadãos em geral.

Angela Merkel ficou na dela até descobrir que ela também fora visada pessoalmente. Seus celulares e emails, assim como os de dezenas de alemães com segredos nacionais e outros milhares com vida privada que têm o direito de manter privada. Foi só então que ficou chateada. E as conversas dela são ouvidas desde 2002, segundo o Der Spiegel.
A chanceler alemã também tentou as vias diplomáticas. Quando não dava mais para segurar a irritação e o sentimento de impotência pela impossibilidade real de gozar de meios de comunicação móvel e webiano fiáveis, resolveu pegar o telefone fixo e falar com seus vizinhos para convencê-los a uma ação europeia.
Convenceu a duras penas o primeiro ministro francês François Hollande a fazer uma declaração conjunta, e depois até James Cameron foi pressionado pela opinião pública britânica para que também reagisse. 
Mas Angela Merkel entendeu logo que os homens que a cercavam na Europa eram meio fracos e que tinha mesmo de aliar-se era a outra mulher do outro lado do Atlântico, se quisesse obter resultados.
Aí começou a dupla dinâmina Dilma/Merkel. E a brincadeira entre os jornalistas internacionais virou "coitado do Obama!" "Obama que se cuide porque essas duas são poderosas!" com o maior respeito do mundo.

Angela Merkel é filha de teólogo e formou-se em Física na Universidade Karl Marx, de Leipzig, na antiga Alemanha Oriental. Seu dossiê na Stasi (polícia comunista de repressão da época) a descreve como hostil ao regime autoritário e simpatizante do sindicato polonês Solidarność. Recusou o "convite" de ser dedo-duro e foi coerente com suas ideias custasse o que custasse. Como a Dilma, do outro lado.
As duas têm o mesmo perfil, fortes, competentes e determinadas.
As duas são hoje, junto com Vladimir Putin, os três chefes de Estado mais potentes do mundo. 
Barack Obama não conta porque seu poder é inerente ao cargo de presidente dos Estados Unidos. É e será ainda por algum tempo. Não por causa do país propriamente dito, decadente e falido, e sim por causa das fortunas privadas, das corporations, do controle cibernético - Google, Yahoo, Facebook, Twitter, Apple e outros fornecedores de informação para a NSA espionar seus próprios cidadãos e os cidadãos estrangeiros.
Pois o mais rentável mesmo é a espionagem industrial que os EUA fazem através dos mesmos veículos que usam para espionar nossos governantes e nós mesmos.

A Chanceler alemã queria um tratato europeu de não-espionagem e a Presidenta do Brasil queria uma Resolução formal das Nações Unidas.
As duas chefes de Estado se uniram e acabaram liderando um movimento Europa-América Latina contra a piratagem de informação público-administrativa e privada desenvolvida e praticada pelos Estados Unidos.
O que começou como um "rompante" da Dilma em Nova York em setembro virou um movimento internacional amplo e de peso que ela lidera de Brasília.
O Brasil e a Alemanha redigiram uma proposta conjunta de Resolução que será apresentada à Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas nesta sexta-feira e deverá ser votada o mais tardar no fim de novembro deste ano.
O objetivo de Dilma e Merkel é atualizar a Convenção Internacional de Direitos Civis e Políticos que foi estabelecia em 1976, antes da existência da Internet.
O Brasil e a Alemanha querem acrescentar, entre outras linhas, a que diz que "no one shall be subjected to arbitrary or unlawful interference with his privacy, family, home or correspondence, nor to unlawful attacks on his honor and reputation" extensivo ao espaço cibernético.

Embora o governo estadunidense insista no discurso da necessidade de sua espionagem na luta anti-terrorista, para proteger-se e proteger seus "aliados", seus atos provam o contrário.
Os documentos revelados por Edward Sowden mostram claramente que espionam os outros países em conferências que visam acordos econômicos, a OEA (Organização dos Estados Americanos), a Petrobras e outras petroleiras, ministros e ministérios encarregados de  recursos em minas e energia, e os líderes democraticamente eleitos nos países ocidentais aliados dos Estados Unidos e milhões de pessoas nestes Estados.
Inclusive o nosso.
No final da contas, por mais que o Presidente dos Estados Unidos minta de cara lavada para seus pseudo-aliados e para o mundo todo, desde Julian Assange, Bradley Manning e Edward Snowden surgiram no cenário internacional, suas falcatruas de espionagem político-econômico-social têm os dias contados e não poderão mais ser usadas como arma para levar vantagem.
(A quem quiser detalhes sobre reuniões espionadas aconselho a leitura do artigo The End of Hypocrisy, de Henry Farrel e Martha Finnemore, publicado pela revista Foreign Affairs deste mês.)
Concluindo, vale lembrar que nesta trama toda da hipocrisia em que os EUA levam sempre a melhor, a NSA espiona metadata e ciberneticamente, diretamente, a CIA mexe os pauzinhos derrubando governos, semeando discórdia, rebeldia interna, que desestabilizem a economia e os dirigentes dos países com os quais discordam ou que queiram controlar em benefício próprio.
Aliás, a NSA é a maior fornecedora de informação para Israel. Fizeram até um documento top secret revelado por Snowden. Todos os dados recolhidos pela NSA são transmitidos a Tel Aviv. Inclusive os dados do governo, das indústrias e dos cidadãos brasileiros. É por isso que os dois países são adiantados tecnologicamente e ganham tantos contratos. Não é porque são mais inteligentes do que os demais, é porque aplicam a Lei do Gérson ao máximo, em toda ilegalidade.
Esses serviços de inteligência predadores influenciam também as redes sociais em que a juventude está ligada o tempo todo engolindo fofoca como se fosse informação confirmada. É a arma mais eficaz.
A Dilma deveria era ter dado asilo para Snowden para o Brasil desfrutar de seus conhecimentos em todas as áreas. É assim que os Estados Unidos fazem. Cooptação de cérebros é um grande passo para o desenvolvimento porque já chegam formados e prontos para serem "usados". Putin, o homem mais poderoso do mundo, entendeu direitinho a jogada.




PS1: ISRAEL vs PALESTINA
Neste domingo 27 de outubro de 2013, a Fundação Ahmed Kathrada lançou uma campanha internacional para a libertação de Marwan Barghuti, o líder do Fatah que está preso em Israel desde 2002, e de todos os prisioneiros políticos palestinos.
Esta Fundação é a mesma que lançou a campanha internacional em 1963 para a libertação de Nelson Mandela detido pelo regime sul-africano do apartheid.
Mandela e Barghouti, dois intelectuais que seguiram o mesmo percurso  de resistência contra opressores ganaciosos e violentos. 
Mandela lutou contra o apartheid do regime dos afrikaaners na África do Sul, onde os nativos negros eram tratados como cidadãos de última classe.
Barghouti lutou contra a ocupação israelense violenta que desde 1948 maltrata, humilha e rouba terra palestina delimitada pela ONU.
A esposa de Marwan, Fadwa, advogada de Direitos Humanos na Cisjordânia, viajou para Robben Island (onde Mandela foi preso durante 18 anos) com Issa Qaraqe, ministro palestino dos prisioneiros políticos, e cinco nobelizados da Paz a fim de marcar o evento.
Marwan foi o primeiro membro do Congresso palestino a ser detido por Israel e o mais eminente dos 5.000 palestinos encarcerados pelos ocupantes.  Dentre eles, 236 meninos, 14 mulheres e 14 parlamentares.
A União Europeia e o Parlamento Europeu aderiram ao movimento e também soilicitam sua libertação com urgência. 
Marwan Barghuti é a figura chave da reconciliação entre o Fatah e o Hamas e o único considerado por todos os palestinos com autoridade para negociar uma paz justa e definitiva.
Sua libertação é crucial para o fim do conflito.
Junto minha voz à de Fadwa, dos nobelizados e dos demais seres humanos que apoiam esta causa.

PS2. O Pink Floyd Roger Waters deu uma entrevista ao jornal israelense Yediot Ahronot que, naturalemente, distorceu suas palavras. 
Para corrigir o "erro", Roger publicou em seu Facebook uma carta aberta para esclarecer os fatos. 
Publicou também a transcrição completa da conversa que teve com o jornalista Alon Hadar.
E lembrou a carta aberta que enviou aos colegas roqueiros na qual explica o porquê de seu ativismo no BDS - Movimento Internacional de Boicote a Israel e os convida a fazerem o mesmo.
Eis um extrato do que disse Roger Waters.
"The fact is that there are different rules of law for Arabs and Jews. Completely different. In the occupied territories, Jews are governed under a civil law and have completely different rules in terms of their movement and so on and so forth … and the occupied people, the Palestinians, are under martial law. And it’s a completely different set of laws. They also have completely different sets of documents.
It’s just like the old pass laws in South Africa. It is apartheid. Clear and simple. If you go and look at the definition of what the crime of apartheid is, then it describes perfectly what’s going on in the West Bank. And not quite so perfectly, but also, Gaza, which is under siege, it’s completely surrounded. They have no freedom. When one race or ethnic group subjugates another race or ethnic group, to its power and control, that is the crime of apartheid."



Documentário de Scott Nobel: Counter Intelligence - The Company (1h18')


Documentário australiano da Journeyman: In Google we Trust (trailer de 4')