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domingo, 22 de janeiro de 2017

Goodbye Obama. Watch out for your dangerous legacy!

 
Obama, too little, too late 
Donald Trump já está sentado no trono da Casa Branca.
Portanto, este é o último artigo que escreverei sobre Barack Obama. 
Antes de passar o tool kit autoritário-governamental para seu sucessor, Barack Obama teve o cuidado de brilhar até seu último suspiro como presidente dos Estados Unidos.
Primeiro, atraiu os holofotes da grande mídia em dezembro de 2016 com a abstenção dos EUA na resolução 2334 do Conselho de Segurança da ONU condenando as invasões ilegais israelense na Cisjordânia.
E assim foi tentando deixar uma boa lembrança, ou seja, do que deveria ter sido em vez do que foi concretamente.
Na semana passada chegou ao climax com a anistia de 330 pessoas até o último dia. Commute sentences é uma prerrogativa do presidente dos Estados Unidos. Todos a usam no fim do mandato, e algumas vezes, durante o governo. Obama, durante os oito anos, exerceu esse direito libertando 1.715 detentos por razões diversas.
Os dois mais célebres ficaram para o fim. Para servirem o propósito desejado do impacto inesquecível.
Oscar López Rivera foi um dos anistiados.
O ativista porto-riquenho passou 35 anos de vida preso sem ter cometido nenhum crime. Foi posto atrás das grades por seu papel proeminente na luta pela independência de Porto Rico. Foi acusado  e condenado por “seditious conspiracyfor plotting against the US. E como a condenação foi de complotar contra os EUA e não de lutar pela independência de seu país, foi classificado também como terrorista.
Oscar López Rivera me lembra Marwan Barghouti, o líder palestino detido nas masmorras israelenses desde o dia 15 de abril de 2002 por ser figura de proa na Segunda Intifada que buscava liberdade, autonomia, dignidade e cidadania para um povo oprimido e abandonado.
É claro que os crimes bárbaros cometidos por Israel na ocupação ilegal da Palestina são incomparáveis com a ganância dos Estados Unidos. É claro também que Obama é manipulável, mas não é vil como o primeiro ministro de Israel e a Clinton. Mas Obama está longe, insisto, de ser o grande homem que a grande mídia pinta.    
Oscar López Rivera, como Marwan Barghouti, é um homem pacífico, centrado, seus únicos pecados são lucidez e sede de justiça.
Em uma entrevista recente ao Guardian, Oscar reiterou sua fé na causa nobre de obter soberania total para seu país - não se há de esquecer que Porto Rico ainda é classificado como US “territory”.
A libertação de Oscar é uma prova a mais da fachada hipócrito-progressista de um Obama que, no final das contas, não sacudiu árvores e nem quis mudar nada na Casa Branca. Em vez de dar a Porto Rico a soberania legítima de nação, merecida, libertou um homem de 74 anos. Um homem que combateu pelos EUA no Vietnã, que aprendeu então que a luta armada era uma arma válida e aderiu às Fuerzas Armadas de Liberación Nacional, movimento de libertação que realizou 140 atentados contra alvos do ocupante estadunidense, tais como bases militares, prédios administrativos e financeiros. Tática que López Rivera não aprovava e que chamava de propaganda armada.
O grupo de resistência armada foi desmantelado em 1983 e seus membros aderiram à luta diplomática. Que até hoje não valeu a Porto Rico a soberania almejada; que, diga-se de passagem, poderia ter sido conseguida se o presidente dos Estados Unidos tivesse desejado.

A outra anistia expressiva internacionalmente foi a de Chelsea Manning. Ex-GI de coragem admirável e um senso de justiça que se traduz em atos concretos em prol da verdade e por que não dizer, da humanidade..
Seu crime?
Foi um valioso whitleblower dos crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos nos países que os GIs e os SEALs invadiram e ocuparam em seguida.
Recapitulando, retornemos ao dia 28 de novembro de 2010 quando o Guardian provocou um terremoto na Casa Branca, CIA e Pentágono com as denúncias bem fundadas, dentre outros, de um GI com a consciência extremamente pesada.
A revelação chegou junto com muitas da WikiLeaks que confiou ao jornal inglês mais de 250 mil cabos secretos provenientes de embaixadas estadunidenses. Dentre eles, revelações como a de a Arábia Saudita e seus cúmplices árabes instarem os EUA a bombardearem o Irã e de que os EUA espionavam a cúpula das Nações Unidas.
Além destas duas informações de peso na geopolítica, soube-se que os EUA levantavam rumores que o FSB russo (sucessor do KGB) usava chefes da máfia para operações criminosas, insinuando que o país virara um "virtual mafia state".  Outras conversas de menos importância global vazaram, tipo ataques pessoais contra Putin e Merkell, mas o mais importante foi a confirmação da irresponsabilidade geopolítica dos EUA, já que os cabos reconheciam que "doadores" sauditas eram the biggest financiers of terror groups, e mesmo assim a Casa Branca protegia os príncipes de Ryad porque lhes convinha, a curto prazo. O Estado Islâmico despontava e os "policiais do mundo" assistiam, calados e de braços cruzados.
Veio à tona também cover ups organizados pela CIA e o Pentágono, tais como corrupção no Afeganistão, ameaça nuclear no Paquistão, torturas e abusos no Iraque, e aviões estadunidenses que bombardeavam alvos no Yêmen tidos como base do Al Qaida. Uma conversa entre o general David Petraeus, então US commander in the Middle East, e o presidente yemenita Abdullah Saleh em que este dizia: "We'll continue saying they are our bombs, not yours;" revelou que a intervenção dos EUA de então prenunciou o caos atual.
As revelações de WikiLeaks provaram sobretudo o que muitos já sabiam: ninguém, nenhum dirigente estrangeiro - nem o secretário geral das Nações Unidas - estava a salvo da espionagem e da interferência direta e indireta dos Estados Unidos. Pois Washington além de usar as informações como meio de chantagem, como faz Tel Aviv, usa/va-as para influenciar negociações e as informações ou contra-informações divulgadas pela grande mídia.
Na época, a Casa Branca lançou um comunicado de imprensa que, como sempre, insultou nossa inteligência: "Such disclosures put at risk our diplomats, intelligence professionals, and people around the world who come to the US for assistance in promoting democracy and open government. By releasing stolen and classified documents, WikiLeaks has put at risk not only the cause of human rights but also the lives and work of these individuals."
Mas WikiLeaks continuou firme, mudando a face do mundo. É uma defesa cidadã contra as manipulações da Casa Branca que influenciam o destino de todos os cidadãos do planeta. Pois revelou que the US uses its embassies as part of a global espionage network, com "diplomatas" cujas tarefas são de grampear uns e outros a fim de obter detalhes pessoais, número de cartão de crédito (para saber o que e onde o cidadão consome), impressão digital  e até DNA.
A informação mais controvertida foi sobre a liderança da ONU. Mas Ban Ki Moon também dobrou-se aos EUA só dizendo "We are aware of the reports," e ficou por isso.
Foi aí que emergiu o nome de Bradley Manning, há sete meses trancafiado em um presídio militar. Era ele o delator de relatórios militares em julho e outubro sobre o Afeganistão e o Iraque, cuja identidade não fora até então revelada.
Hoje com a identidade feminina de Chelsea, Manning foi o whistleblower que mais sofreu nas mãos da injustiça estadunidense.
Manning exposed serious abuses , and as a result her own human rights have been violated by the US government for years.“I was stripped of all clothing with the exception of my underwear. My prescription eyeglasses were taken away from me and I was forced to sit in essential blindness.”Those words were part of an 11-page letter written by Chelsea Manning and passed to the Guardian in March 2011 in which she outlined the harsh treatment to which she was being subjected in prolonged solitary confinement in the military brig at Quantico base in Virginia.
Ela foi a whistleblower mais importante dos EUA desde Daniel Ellsberg, que em 1971 fez a denúncia do que ficou conhecido como Pentagon Papers sobre a guerra do Vietnã. Aliás, Daniel, ao ouvir a notícia da anistia de Chelsea ficou satisfeito:“Once in a while, someone does what they ought to do. Some go to prison for it, for seven years; some accept exile for life. But sometimes even a president does it. And today, it was Obama.”
As denúncias de Chelsea foram únicas e lavaram a alma dos jornalistas que realmente cobrem conflitos em que os Estados Unidos estão envolvidos - quase todos que incendeiam o mundo. Na época, as revelações inclusive ajudaram a pôr fim à ocupação selvagem do Iraque.
A retaliação do governo de Barack Obama foi destruí-la, literalmente.
Antes da anistia, um de seus amigos e advogados de defesa, relatou assim seu suplício:  "Chelsea suffered beyond what is imaginable for most people. She was held incommunicado during pre-trial confinement, so that the American people could not hear her voice and her reasons for what she did. She was then, according to the UN special rapporteur on torture, treated in a “cruel, inhumane and degrading way” before her trial by the US military.Then, she was given a heartbreakingly long 35 year sentence, longer than most actual spies, and for that matter rapists and murderers. She faced the prospect of spending the rest of her life behind bars, where she was continually and harshly punished for trivial violations. Recently, she had been put in solitary confinement – a macabre punishment for attempting suicide. No matter your political leanings or views on the role of leaks in our democracy, the treatment Chelsea has suffered over the last ten years is shameful."
Pois é, Chelsea recebeu o mesmo tratamento desumano que recebem os prisioneiros que os Estados Unidos acusam de terrorismo.
Dito isso, once again, the commutation of Chelsea Manning cannot be looked at in a vacuum. President Obama, while commendably showing her mercy, also oversaw a Justice Department that prosecuted more whistleblowers than all other administrations combined, while permeating an unmistakable chill over investigative reporting and press freedom.
Algumas pessoas, inclusive eu, argumentam que a única razão para Obama anistiar Chelsea Manning, além de não querer ter sua morte na consciência, foi a de não querer passar para a história como o presidente estadunidense que mais perseguiu e puniu cidadãos que delatam crimes para servir a Justiça una e indivisível.
Além do recorde do maior número de assassinatos por drones, de ter permitido a instalação do maior número de colonos israelenses na Cisjordânia, Obama ficará para a história com mais este, de maior perseguidor de whistleblowers.  
Por isso, e outras coisas que já disse anteriormente, espero que a anistia tardia de Chelsea Manning não absolva Barack Obama de seus erros, bem maiores do que os acertos.
In the end, Obama shall go down in history as the president who prosecuted more leakers and whistleblowers than all other administrations combined.
É um fato indelével e indiscutível que não pode ser apagado pela hasbara e nem ela cumplicidade da chamada grande mídia.

Falando em intervenção estadunidense em seara alheia e em traidores da pátria, o traíra Temer, que ocupa o Palácio do Planalto em Brasília, também traiu (trai?) nossa pátria amada (Salve! Salve!) complotando com os Estados Unidos, como o ditador do Yêmen e os ditadores árabes fazem regularmente.Lembre-se com este vídeo.
Trocando em miúdos, é incrível que nesse contexto em que as falcatruas realizadas pelos Estados Unidos no campo da espionagem, intervenção diplomática e militar em nação estrangeira, são públicas - assim como derrubadas de governo na África, Ásia, Europa do Leste, como no nosso Cone Sul com a Operação Condor e o atual golpeachment contra a presidente eleita Dilma (para pôr em seu lugar o fantoche que atuou como informante dos EUA, complô denunciado pela wikileaks e abafado pela mídia golpista brasileira) Obama e a Clinton tenham ousado "denunciar" interferência da Rússia nas eleições dos Estados Unidos!

Quando se pensa que os EUA atingiram o cúmulo do absurdo, a Casa Branca ainda consegue surpreender o mundo.
Truth be told, the Russian government may have hacked the DNC and Clinton campaign emails, and it may have given those emails to WikiLeaks (which only proves that when you live by the sword...).
But that’s hardly a slam dunk. 
There are no proofs whatsoever. 
There are only rumours, and hasbara. Tons of hasbara. 
Actually, the recent report from the office of Director of National Intelligence James Clapper underwent a cogent critique even by former Associated Press and Newsweek reporter Robert Parry. Stripping the 25-page DNI report down to its essence, Parry pointed out the same as we did; that is, that it “contained no direct evidence that Russia delivered hacked emails from the Democratic National Committee and Hillary Clinton’s campaign chairman John Podesta to WikiLeaks. The DNI report amounted to a compendium of reasons to suspect that Russia was the source of the information — built largely on the argument that Russia had a motive for doing so because of its disdain for Democratic nominee Clinton and the potential for friendlier relations with Republican nominee Trump. But the case, as presented, is one-sided and lacks any actual proof.”
De fato, o tal relatório divulgado pelo governo Obama tem tantas lacunas quanto os buraquinhos de uma peneira. Para começar, faltam provas que confirmem a verborrea propagandista.
What is missing from the public report is hard evidence to back up the agencies’ claims that the Russian government engineered the election attack. There is no discussion of the forensics used to recognize the handiwork of known hacking groups, no mention of intercepted communications between the Kremlin and the hackers, no hint of spies reporting from inside Moscow’s propaganda machinery.
Check it out below, On Contact
Mas os gringos sabem, melhor do que nós, que a verdade e a mentira não importam. A propaganda é a alma do negócio. Por isso fabricaram - como no pré-bombardeio do Iraque - uma avalanche de frases ditas com a contundência necessária a semear dúvida na cabeça do comum dos mortais e encher espaço de jornal, e pronto. Mesmo sem provas, Putin foi julgado e condenado culpado. Como para a Ucrânia, onde a CIA intalou dezenas de postos para fomentar "inssurreição popular" que derrubasse o presidente pró-russo, e conseguiu seu objetivo: des/controlar o país, fragilizar as fronteiras russas e ostracizar o Kremlin.
Tudo isso pondo a culpa em Putin e convencendo os aliados europeus a apoiarem suas sanções econômicas contra negócios e opulentos cidadãos russos. Sanções que, no frigir dos ovos, beneficiam os Estados Unidos.
É fácil demonizar Vladimir Putin. Concordo que ele é demonizável. Como são todos dirigentes poderosos que dizem o que fazem e fazem o que dizem. 
Os jornalistas e o público gostam é de Obamas, que dão uma de bonzinhos, dão abraços de ursos nos amigos e boxeiam os inimigos com soco inglês em vez de luvas. Sempre sorrindo.
Acontece que esses caras de duas caras são um perigo.
Fazem bobagens por quase sempre visarem o curto prazo.
Como por exemplo, para livrar a barra da derrota vergonhosa, temo que na miopia crônica dos gringos, os Democratas e a imprensa dita progressista empurrem Donald Trump a alienar Vladimir Putin da equação geopolítica e polarizar ainda mais o Kremlin, até o ponto de uma confrontação irreversível.
 The Empire FilesUS-Russia Relations in "Most Dangerous Moment"
Putin nunca foi e duvido que seja amigo de Trump.
Um precipício cultural os separa e é irreconciliável; pois classe e inteligência são de nascença e não se adquire conhecimento em um dia. Nem em quatro ou oito anos. A prova disso é que Obama entrou e saiu ignorando as diferenças e as semelhanças que regem os países e as regiões do mundo que ele pretendeu liderar, mas em vez disso, desagregou sem parar, uma a uma, no grito.
Apesar da hasbara da Clinton Criminal e de Obama Hypocrite, nada une Putin a Trump. Tudo os divide. E Putin usou esses dois últimos meses para marcar seu território, que defenderá com unhas e dentes porque está convencido que doravante, o centro da Terra é o Kremlin. O Czar reina.
Um dos territórios que Putin remarcou geopoliticamente foi o Oriente Médio. 
No propósito de tomar a posição dos EUA de árbitro internacional, acabou de patrocinar uma reunião de cúpula em Moscou entre o dirigente do Fatah, Mahmoud Abbas, e do Hamas, Khaled Meshaal. 
Enquanto em Paris setenta países se reuniam para conversar fiado sobre o destino dos palestinos a prazo indeterminado, em Moscou, os dois líderes eram reaproximados por Dimitri Medvedev com objetivos concretos a curto prazo.
A reunião durou três dias e na terça-feira à noite, os participantes decidiram organizar eleições e formar um novo Conselho Nacional que inclua palestinos exilados. O acordo inclui também o Jihad e grupos independetes seculares, é claro, se não, não teria validade. 
O mais importante da reunião é a mudança de ponto de vista dos palestinos. Finalmente, Abu Mazen (Abbas) parou de confiar nas promessas vãs de Washington e botou seu destino nas mãos da Rússia.
Vale lembrar que as últimas eleições palestinas foram em 2006, e embora tenham sido organizadas pelos países ocidentais, seu resultado - a vitória do Hamas - não foi aceito e desde então a Faixa de Gaza vive bloqueada e a espoliação da Cisjordânia cresce sem parar.

Fatah and Hamas have been at loggerheads since the latter seized Gaza in a near civil war in 2007, after it won the 2006 legislative elections - the last ones in which all Palestinian parties took part..
Last year the Palestinian government postponed the first municipal polls in the occupied West Bank and Gaza Strip in 10 years after the high court ruled they should be held only in the Fatah-run West Bank.
The Palestinian representatives also met on Monday with Russian Foreign Minister Sergey Lavrov, and asked him to dissuade incoming US President Donald Trump from carrying out a campaign pledge to move the US embassy in Israel from Tel Aviv to Jerusalem.
The  agreement in Russia signals the Palestinians looking away from the United States, which has been involved in the so called "peace process" for decades.
However, a Palestinian leader who is close to Hamas leadership said that "things are far from clear or final yet. In principle, all of the Palestinian factions have agreed to form a national unity government, including Hamas, and to establish a new Palestinian National Council. But Abbas has yet to make a decision that will take concrete steps in that direction.”
Furthermore, Abu Mazen will also have to consider the position of the regional Arab powers who might cast a veto on the whole thing because of their animosity toward Hamas.
Nevertheless, from now on, those countries will have to take their grievances to the Kremlin, should they dare to take any action against Putin...
 PALESTINA
Opressão diária sob-ocupação
On 20 Jan. 2017, during clashes with Palestinian minors in the village of Sa’ir in Hebron District, Israeli Border Police pursued several young women onlookers and assaulted them. The end of the incident was captured on film: a masked officer is seen grabbing a 13-year-old girl’s arm and striking her cousin on the head. B’Tselem has documented many cases of Israeli security forces’ violence against Palestinian minors. By holding no one accountable, the military’s senior command - including its law enforcement system - allows such cases to recur.
  OCHA
PCHR: 
BRASIL
DIRETAS, JÁ!

Piauí 

domingo, 27 de abril de 2014

Fatah & Hamas fazem as pazes; Israel bombardeia


Fazia meses que conversas informais se seguiam, mas a reconciliação entre o Fatah e o Hamas foi agilizada em abril de 2014. Mês histórico. Desde o dia 23 em que o pacto foi assinado que o processo está sendo efetivado dia a dia com o objetivo de formar um governo com ministros dos dois partidos. Este governo pluripartidário conforme o desejo dos palestinos que assim votaram em 2006 será um governo transitório até o novo pleito no qual Marwan Barghouti, ainda preso, terá certamente voz bastante ativa.
A Palestina estava partida, além de geograficamente, políticamente desde 2006 quando da vitória do Hamas nas eleições legislativas. Na época o presidente Mahmoud Abbas (Abu Mazen) cedeu às pressões sufocantes de Israel e dos EUA e declarou guerra aos seus compatriotas do Hamas apostando na promessa de paz e soberania que os estrangeiros lhe ofereciam. Deu com os burros n'água.
A divisão foi sangrenta e radical. Briga fratricida que dividiu famílias e enfraqueceu a causa comum de obter um Estado soberano uno, ao contrário do que havia sido prometido a Abbas.
Mas como Deus age certo por linhas tortas, a re-união do Fatah e do Hamas aconteceu por razões externas contingentes que tinham o propósito totalmente distinto da volta dos filhos pródigos ao lar da mãe Palestina.
A intenção de Israel com seus ardis para levar vantagem com a cumplicidade dos Estados Unidos e do Egito era aniquilar a determinação de ambos partidos e não de promover esta aproximação que os deixa esperneando como cirança mimada que não está acostumada a ser contrariada.

Tudo começou com as demandas israelenses impossíveis durante as tais Peace Talks - Deixar as colônias e aumentá-las em vez de pô-las abaixo? Como assim! Além do mais, prometeram, prometeram, inclusive soltar prisioneiros políticos e roeram a corda na última hora, como era de se esperar. Ou melhor, só John Kerry esperava que cumprissem a palavra. Como se o governo israelense tivesse alguma integridade e há décadas não fizesse barbaridades para derrubar obstáculos legais e morais à sua expansão territorial. A Casa Branca é desmemoriada.
Do lado do Fatah, a gota d'água foi a recusa israelense de soltar (apenas) 26 prisioneiros políticos que prometera.
Do lado do Hamas, foi a asfixia a que o ditador do Egito sob as ordens de Washington e Tel Aviv condenou a Faixa de Gaza desde o ano passado (Blog .
O general Sissi procedeu a uma caça às bruxas dos palestinos refugiados no Egito com a qual nem Mubarak havia concordado em seu regime. Os túneis foram sistematicamente destruídos e a Faixa, sem este comércio "clandestino" ficou à míngua. Literalmente. E o Hamas cortado de seus simpatizantes, de seus militantes externos, enfim, do resto do mundo.
"The court [Supremo Tribunal egípcio] has ordered the banning of Hamas work and activities in Egypt," disse um dos juízes na época pedindo anonimato.
Israel apostava em um rompante do Hamas que justificasse uma outra leva de bombardeios maciços. Entretanto, em vez de apelar para a ignorância das armas como Israel faz todo dia no terreno na Cisjordânia e do ar quase todas as semanas na Faixa, a liderança do Hamas pôs a cabeça pra funcionar e resolveu aceitar a mão que o Fatah vem estendendo há seis meses. Mas só depois de Abu Mazen criar vergonha na cara, abandonar as negociações que legitimizam as demandas impossíveis de Israel e obter a adesão a todos os organismos internacionais que permitem que a Palestina vire paulatinamente uma Nação.
Mahmoud Abbas fez demanda inclusive da Convenção de Genebra que legisla sobre as leis de guerra.
Treze das Convenções e Tratados abaixo foram entregues à Organização das Nações Unidas, um em Genebra e outra na Holanda.
The Fourth Geneva Conventions do dia 12 de agosto de 1949 e o Primeiro Protocolo Adicional
The International Convention sobre a Supressão e Punição do Crime de Apartheid
The International Covenant sobre os Direitos Cívicos e Políticos
The International Covenant sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais
The Convention sobre os Direitos da Criança e o Protocolo Opcional à Convenção dos Direitos da Criança (envolvimento de criança em conflito armado)
The Convention contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Punições Crueis, Desumanas ou Degradantes
The Convention sobre a Prevenção e Punição de Crime de Genocídio
The UN Convention contra a Corrupção
The Vienna Convention de Relações Diplomáticas
The Vienna Convention sobre Serviços Consulares
The Convention de Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres
The Hague Convention (IV) respectiva às Leis e Costumes de Guerra no tocante à terra e seus anexos que regulamentam Leis e Costumes de guerra e território
The Convention sobre os Direitos dos Deficientes Físicos e Mentais
The Vienna Convention na Lei de Tratados
The International Convention sobre a Eliminação de Todas as formas de Discriminação Racial.
Os 15 Tratados e Convenções reforçam a construção de instituições sólidas na Palestina.
Mahmoud Abbas foi recebido pelo secretário geral Ban Ki-Moon no dia 10 de abril para oficializar tudo e no dia 11 o Secretário Geral tinha informado as 193 Nações Unidas que os registros haviam sido feitos "in due and proper form".

Randa Siniora, Diretora Geral da Comissão Independente de Direitos Humanos  (ICHR) na Palestina, explicou que "We [Palestinians] have not only signed these [agreements], but we have become officially bound by them now. We must ensure compliance with their clauses and must report back regularly to the overseeing bodies. We welcome this step, but it needs to be translated on the ground and it entails a lot of work."
"The issue is how to implement these treaties with the absence of the Palestinian Legislative Council," acrescentou Randa referindo-se ao fato do Parlamento Palestino (Palestinian parliament - PLC) estar paralisado desde 2007 quando Israel sequestrou e prendeu muitos deputados, e também por causa das divisões internas que desde o dia 23 estão sendo remendadas. Ou melhor, segundo os participantes de ambos os lados, devidamente costuradas com linha robusta, duradoura e solidária. 
Várias mudanças são necessárias para a implementação dos Tratados. Mas considerando que o PLC está extinto, de imediato será preciso um decreto presidencial para estatuar que os instrumentos internacionais suplantam a legislação nacional.
Porém, nenhuma das Convenções terá impacto imediato direto em Israel nem na ocupação. Para isso a Palestina tem de ratificar o Estatuto de Roma e outras Convenções que permitam que processem Israel por seus crimes de guerra e de ocupação.
A Palestine Liberation Organization (PLO) - Organização pela Libertação da Palestina - OLP, responsável pelas negociações e assinatura de Acordos com Israel disse que recorreu às instâncias internacionais, embora tivesse se comprometido a não tomar nenhuma iniciativa unilateral, porque Israel não cumpriu a palavra de libertar os prisioneiros combinados e por sentir que as negociações haviam voltado ao impasse.
A adesão aos Tratados é apenas uma proteção e "does not mean that [the] negotiations process is over. Indeed, the PLO remains committed to this nine-month process [of talks], which ends on April 29".

Estava, já que os Estados Unidos ficaram despeitados e decidiram parar as tais Peace Talks.
O interessante é que a maioria dos 26 prisioneiros a serem soltos no fim de março (parte de um acordo de libertação de mais de uma centena) são palestinos cidadãos de Israel.
Binyamin Netanyahu, como sempre, culpou os palestinos pela crise e disse que "the PA was quick to unilaterally request to join the treaties, and had substantially violated the understandings that were reached with American involvement". A última frase foi para liberar os estadunidenses de sua mediação partidária.
Esqueceu de mencionar que Tel Aviv gelou em seus bancos os impostos de renda e alfandegários coletados em uma contravenção flagrante do Proctocolo de Paris que Isarael assinou em 1994 com a OLP. Ato que Sa'eb Erekat, o negociador palestino oficial, chamou, sem papas na língua, de "piracy" e "theft".
E Israel é recidivista. Há pouco tempo, em 2012, procedeu à mesma pirataria quando os palestinos conseguiram ser recebidos na ONU como non-member state.
No ano anterior fizera o mesmo quando a UNESCO acolheu a Palestina em seu seio parisiense.
Em 2008, também atrasou bastante a transferência de fundos após o ex-primeiro ministro Salam Fayyed pedir para a União Europeia e a Organisation for Economic Cooperation and Development (OECD) não estreitarem suas relações com Israel.
Esta chantagem financeira de Israel com a Autoridade Palestina já virou corriqueira, pois Tel Aviv sabe que este terrorismo financeiro não tem nenhuma consequência. Para eles. Se fosse outro país, sanções e reclamações teriam chovido copiosamente; e se fosse outro país que estivesse ocupando outro durante tanto tempo, a OTAM já o teria bombardeado várias vezes e os soldados da ONU já estariam nas fronteiras para estabelecer a lei internacional. Porém, ...   
Os palestinos andam dizendo que Israel está usando esta última leva de prisioneiros a serem libertados (centenas mais continuarão detidos de qualquer jeito por tempo indeterminado) para extrarir mais concessões. "Israel has refused to release the last tranche because they wanted a trade-off. Sometimes it's 'prisoners for [more] settlements'; now it's 'prisoners for talks' and recently it's been 'prisoners for [incarcerated US spy Jonathan] Pollard'. They want to use the last group [of prisoners] for blackmail."
E quem vive sequestrando gente, terra, água e dinheiro, está acostumado a fazer chantagem e acha que é um processo normal. Como os bandidos que no Brasil fazer os tais sequestros relâmpagos como se fossem a um caixa eletrônico sacar dinheiro deles e não alheio e como se aterrorizar a vítima não fosse um ato de covardia e sim um passeio.

Enquanto isso em Jerusalém grupos ultra-sionistas que há meses vêm ganhando terreno no complexo Al-Haram al-Sharif  - "Esplanada das mesquitas", em árabe, (que abriga a mesquita al-Aqsa construída sobre uma rocha - daí o nome Cúpula da Rocha dado por Israel - em que supõe-se eram realizados sacrifícios contra os quais Jesus se rebelou e que foram extintos com o cristianismo), ocuparam o recinto sob as barbas dos soldados da IDF indignando até o rei da Jordânia, que é normalmente passivo no que se relaciona à ocupação - promesse feita aos Estados Unidos com quem seu país tem estreitas relações.
Só pra lembrar, estima-se a fundação de Jerusalém a 4.000 anos Antes de Cristo. É importante para as três religiões monoteístas: Judaismo, Cristianismo e Islamismo. Atualmente a cidade antiga é dividida em quatro bairros (cristão, armênio, judeu, muçulmano) e é cercada de um muro com onze portões dos quais apenas sete continuam acessíveis.
Dentro da cidade há um grande complexo que desde 691 DC abriga a mesquita e dependências consideradas o terceiro lugar sagrado islâmico. Antes da invasão Otomana era um complexo cristão com uma basílica dedicada a Nossa Senhora, escola e hospital, como todas as contruções cristãs tradicionais. E antes disso foi o templo isaelita do rei Herodes (construído nas ruínas do templo de Salomão) destruído pelos romanos no fim do I° Século da era cristã.
De vez em quando Israel, aleatoriamente, só admite a entrada na mesquita de homens de menos de 50 ou 40 anos.
O pátio do complexo é aberto a visita de pessoas de todas as religiões. Entretanto, há uma parte reservada apenas aos cultos muçulmanos. É lá que grupos sionistas de extrema-direita têm penetrado sem consideração.
Aliás, há poucas semanas um funcionário da União Europeia alertou para os problemas vindouros em um relatório interno que vazou na imprensa israelense. "There remains a significant risk that incidents at this highly sensitive site, or perceived threats to the status quo, may spark extreme reactions locally as well as across the Arab and Muslim world."
O rei da Jordânia interveio talvez para evitar que Israel imponha uma divisão de controle do complexo al-Haram al-Sharif e exija acesso a judeus no recinto sagrado. Possibilidade real e que incendiaria os países árabes. Pois seria um repeteco do que aconteceu em Hebron com a tomada da mesquita Ibrahimi e a ocupação israelense do que os judeus chamam de Túmulo dos Patriarcas. Lugar em que no dia 25 de fevereiro de 1994 o terrorista sionista Baruch Goldstein matou 29 palestinos e feriu 125 que estavam orando.
O rei da Jordânia não está nada satisfeito com as manobras israelenses e já reclamou em altos brados por vias diplomáticas das "grave violations of international and humanitarian law, as well as a threat to the peace agreement between Jordan and Israel." Ora, a Jordânia tem um acordo com a Autoridade Palestina de conservação dos sítios sagrados na Jerusalém ocupada e já não gosta nada de Israel ficar com todo o fruto do turismo sendo eles que mantêm os sítios arrumados.
Vamos seguir este assunto de perto porque ainda vai dar pano pra manga, com Netanyahu e Lieberman no comando.

Finalizando com a reconciliação do Fatah e do Hamas, o invasor mor Binyamin Netanyahu ousou vociferar que "He [Abu Mazen] has to choose. Does he want peace with Hamas or peace with Israel? You can have one but not the other. I hope he chooses peace, so far he hasn't done so."
E logo cancelou as reuniões de Peace Talks previstas e ordenou um bombardeio no norte da Faixa de Gaza matando e ferindo doze pessoas inclusive crianças.
Abu Mazen por sua vez afirma que o pacto assinado com Ismail Haniyeh não contradiz em nada as negociações de paz e sim as legitimizam, já que agora deverão envolver todas as partes interessadas e as decisões tomadas serão finalmente implementadas sem vozes dissonantes.
Negociar sem o Hamas é negociar no vazio hipotético que não leva a nada porque aliena uma grande parte dos palestinos.
Para demonstrar que os palestinos unidos estão com boa vontade, já anunciou que o novo governo vai admitir a existência do Estado de Israel. O que é um passo larguíssimo que deixa Tel Aviv sem argumentos contra o Hamas, pois era nesta tecla que batia sem parar.
Quanto a Ismail Haniyeh, o chefe do Hamas na Faixa de Gaza, estava rindo para as paredes ao anunciar "This is the good news we have to tell the people: the era of discord is ended!"
Desta vez parece que estão fazendo as pazes de verdade.
A data das eleições será anunciada logo que a diplomacia resolver os detalhes com a ONU e a União Europeia.
Em um mundo menos desigual, as Nações Unidas aproveitariam a deixa para impor as leis internacionais e finalmente tomar providência para livrar-nos desta vergonha mundial que é a ocupação e a limpeza étnica da Palestina.
Não custa nada sonhar.
Enquanto quem tem o poder para tal não age de maneira moral, o cidadão comum continua com o recurso pacífico de exprimir seu desacordo boicotando e divulgando o status quo infame.


Enquanto isso, a opressão e a repressão israelense continuam na Cisjordânia