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terça-feira, 26 de abril de 2022

USA & NATO vs Russia in Ukraine: A New World Order in the Horizon? II

 

The meeting between Russian Foreign Minister Sergey Lavrov and Chinese Foreign Minister Wang Yi, in the Chinese eastern city of Huangshan on March 30, is likely to go down in history as a decisive meeting in the relations between the two Asian giants.

The meeting was not only important due to its timing or the fact that it reaffirmed the growing ties between Moscow and Beijing, but because of the resolute political discourse articulated by the two top diplomats.

In Huangshan, there was no place for ambiguity. Lavrov spoke of a new ‘world order’, arguing that the world is now “living through a very serious stage in the history of international relations” in reference to the escalating Russia-Ukraine/NATO conflict.

“We, together with you (China) and with our sympathizers,” Sergei Lavrov added with assuredness, “will move towards a multipolar, just, democratic world order.”

For his part, Wang Yi restated his country’s position regarding its relations with Russia and the West with precise words, some of which were used before in the February 4 meeting between Russian President Vladimir Putin and his Chinese counterpart, Xi Jinping. “China-Russia cooperation has no limits … Our striving for peace has no limits, our upholding of security has no limits, our opposition towards hegemony has no limits,” Wang said.

Those following the evolution of the Russia-China political discourse, even before the start of the Russia-Ukraine war on February 24, will notice that the language employed supersedes that of a regional conflict, into the desire to bring about the reordering of world affairs altogether.

Though the readiness to push against US-led western hegemony is inherent in both countries’ political objectives, rarely did Moscow and Beijing move forward in challenging western dominance, as is the case today. The fact that China has refused to support western economic sanctions, condemn or isolate Russia is indicative of a clear Chinese forward thinking policy.

Moreover, Beijing and Moscow are clearly not basing their future relation on the outcome of the Ukraine war alone. What they are working to achieve is a long term political strategy that they hope would ultimately lead to a multipolar world.

Russia’s motives behind the coveted paradigm shift are obvious: resisting NATO’s eastern expansion, reasserting itself as a global power and freeing itself from the humiliating legacy of the post-Soviet Union. China, too, has a regional and global agenda. Though China’s ambitions are partly linked to different geopolitical spheres – South and East China Seas and the Indo-Pacific region – much of Beijing’s grievances, and priorities, overlap with those of Moscow.

Aside from the direct economic interests between Russia and China, who share massive and growing markets, they are faced with similar challenges: both are hoping to gain greater access to waterways and to push back against US-western military advancements in some of the world’s most important trade routes.

It was no surprise that one of Russia’s top strategic priorities from its war with Ukraine is to widen its access to the Black Sea, a major trade hub with a sizable percentage of world trade, especially in wheat and other essential food supplies.

Like Russia, China too has been laboring to escape US military hegemony, particularly in the Indo-Pacific. The exponential rise in the Chinese military budget – estimated to grow by 7.1% in 2022, speaks of the way that China sees its role in world affairs, now and in the future.

The US trade war against China, which was accelerated by former US President Donald Trump, was a clear reminder to Beijing that global economic power can only be guaranteed through an equal military might. This realization explains China’s decision to open its first overseas military base in Djibouti, in the very strategic Horn of Africa, in 2017, in addition to Beijing’s military moves in the three artificial islands in the South China Sea, and its latest military deal with Solomon Islands in the South Pacific.

While the Russian and Chinese motives, as enunciated by top officials on both sides are clear – to “move towards a multipolar world order” – the US and its allies are not motivated by a specific, forward thinking political doctrine, as was often the case in the past. Washington simply aims to contain the two rising powers as stated in the yet-to-be officially released 2022 National Defense Strategy (NDS). According to the NDS, “the growing multi-domain threat posed by the (People’s Republic of China) PRC” is the primary challenge to US interests, followed by the “acute threats” posed by Russia.

Considering the complex interests of both Russia and China, and the fact that the two countries are facing the same mutual enemy, chances are the war in Ukraine is merely a prelude to a protracted conflict that will manifest itself through economic, political and diplomatic pressures and even outright wars.

Though it is premature to speak about the future of this global conflict with certainty, there is little doubt that we are now living in a new era of global affairs, one which is fundamentally different from the decades that followed the dissolution of the Soviet Union.

Equally true, we also know that both China and Russia will be key players in shaping that future, which could indeed push us away from US-OTAN hegemony and “towards a multipolar world order”.

The bell tolls for the American Empire.

That is in case US’s Government & Oligarchs Ukraine dangerous game doesn’t take us to a new World War that would be the end of us all.  



quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O sistema chinês no controle das águas

O papel da China no mundo da água suscitou curiosidade. Para esclarecê-lo um pouco, resolvi abordá-lo pelos rios e represas que compõem a personagem. Começando pelos mais imponentes.
A Barrragem das Três Gargantas no rio Yangtze (o terceiro do mundo após o Amazonas e o Nilo) na província de Ubei, é o segundo maior complexo hidrelétrico do planeta (Itaipu é o primeiro).
Este reservatório de 1.084 km² com capacidade de 18.200 megawatts é a realização de um sonho que durou 80 anos, de Sun Yat-Sen em 1919, Mao Tse-Tung, Teng Xiao-Ping, até o presidente Jiang Zemin decidir a construção em 1992 com 1767 votos a favor, 177 contra e 664 abstenções sem precedentes no Congresso Nacional do Povo (CNP). A controvérsia levantada pelas previsões negativas dividiu o voto, mas o sistema autoritário é que teve voz ativa.
O projeto começou mal. Problemas tecnológicos, praga de corrupção, custos mirabolantes financiados por investidores privados – o Banco Mundial negou crédito logo que viu a longa lista de irregularidades: 13 cidades, 140 cidadezinhas e 1.350 vilarejos inundados, 1.2 milhões de pessoas desalojadas com grande dificuldade de realojamento, 600 km² de florestas e terras agrícolas inundadas, e um impacto ambiental igualmente desmesurado.
Além destas catástrofes inaugurais, hoje constata-se a sedimentação galopante do reservatório, perda de milhares de espécies em vias de extinção, recuo do delta do rio, elevação do sal à superfície e outras ocorrências perigosas. Mas a bem da verdade, o açude passou em um teste (além do fornecimento energético previsto) importante ao resistir estoicamente à enxurrada avassaladora da inundação de maio protegendo muitas vidas.
Em contrapartida, a submersão de centenas de fábricas, minas e descargas de lixo, assim como a proliferação de centros industriais agregados, jogaram no rio a poluição que os cientistas temiam e contaminaram as águas até na superfície, coberta de detritos. Como as consequências são visíveis, até cientistas locais e membros do governo vêm manifestando preocupação com o impacto social e ambiental das Três Gargantas.
A erosão nos reservatórios tem provocado resvalamentos e ameaçado o ecossistema mais rico do leste do mar da China, mas a preocupação maior dos especialistas é que o peso da água provoque também uma indução sísmica – como o terremoto em Sichuan, em 2008, causado pela construção da represa de Zipingpu no planalto tibetano.
Fala-se a meia-voz na Europa que a Barragem das Três Gargantas é um modelo de desastre permanente e evitável, mas ninguém levanta a voz para impedir a China de replicá-lo em casa e fora.
Pequim tem uma cascada de projetos unilaterais de usinas em algumas de suas bacias mais biodiversas e prístinas, como no rio Mekong (que é o segundo do mundo em piscosidade, após o Amazonas) que compartilha com Birmânia, Thailândia, Laos, Cambodia e Vietnã, no rio Nu que compartilha com a Thailândia e a Birmânia e no Yangtze e afluentes próximos da nascente.
Este ano Birmânia, Camboja, Laos, Thailândia e Vietnam sofreram com a maior seca dos últimos 50 anos, que deixou milhões de pessoas sem água. E apesar de estudos científicos mostrarem que ela foi causada por um volume reduzido de chuvas, estes cinco países em reunião em Bangkok para discutir sobre as causas e consequências do desastre, apontaram o gigante de cima. Para eles a China é a culpada e não adiantou nada o representante do CNP negar e levantar o argumento de um simples fenômeno natural.
No final, os Estados afetados lhe solicitaram mais informação, mais cooperação, e mais coordenação nas construções de obras hidráulicas no Mekong. Desde então a China começou uma campanha para tentar mudar a percepção de que seus açudes estão sequestrando água. Ainda não conseguiram convencer ninguém. Continuam tentando e ao mesmo tempo tocando mais de 80 obras hidrelétricas no Mekong e seus afluentes, com a mesma política.
Agora que o gigante asiático aprendeu o milionário caminho das águas, não recusa nenhum contrato. Os Governos e companhias internacionais (inclusive brasileiras) o ajudou a custear e construir a Barragem das Três Gargantas e Xangai aprendeu a lição direitinho. O país não para de oferecer seus préstimos alhures sem nenhuma preocupação com o impacto social ou ambiental dos projetos. Seus bancos e empresas estão envolvidos na construção de 257 barragens em 59 países africanos e do sudeste asiático. Incluindo os projetos polêmicos de Kamchay, no Camboja, de Mphanda Nkuwa, em Moçambique e Merowe, no Sudão (com o qual, além de tecnologia, o gigante asiático coopera com soldados e armas para o Darfur).
Nada freia sua capitalização das riquezas planetárias, mesmo sabendo que em vários casos há melhores soluções do que desapropriar, inundar cidades e revolucionar o ecossistema.
Irrelevam a Comissão Mundial de Barragens (World Comission on Dams, WCD www.dams.org/) criada pelo Banco Mundial e o IUNC (International Union for Conservation of Nature http://www.iucn.org/) para estudar durante dois anos todos os aspectos da questão hidrelétrica e hidráulica (mil projetos em 79 países).
“Embora as barragens contribuam para o desenvolvimento humano, em demasiados casos o preço para garantir lucros têm sido altos demais para as populações desalojadas, para os cidadãos que as custeiam e para o meio-ambiente.” Foi o veredito final da WCD.
A estatística mostra que a construção das usinas ativas no mundo desapropriaram entre 40 a 80 milhões de pessoas e muitas destas nunca recuperaram uma moradia comparável ou aceitável. E em inúmeros casos as usinas levaram a perdas irreversíveis de espécies, ecossistemas, e os esforços para amenizar estes impactos têm sido infrutíferos.
Para prevenir o irremediável a WCD apresentou ideias inovadoras para a planificação de barragens e normas que sugerem a avaliação dos direitos e dos riscos de todas as partes interessadas antes de iniciar uma obra hídrica. A Comissão estabeleceu sete prioridades estratégicas e 26 guias de ação durante cinco etapas importantes do processo decisório de construção. Várias instituições internacionais ratificaram estas recomendações. O Banco Mundial e outros investidores internacionais as seguem à risca. Daí terem se retirado das obras de Iluli na Turquia.
A China parece não ter lido nem a primeira linha. As empresas brasileiras especializadas já devem ter cópia e espera-se que pesem os danos ecológicos, os prejuízos humanos e insistam na aplicação das diretivas da WCD antes de embarcarem em obras hidrelétricas na nossa América e pelo mundo afora.
A minha amiga versada em ecologia de campo e de estudo, leu todas as regras e apresentou três propostas que para um leigo parecem óbvias: Construir açudes em menor quantidade e de melhor qualidade; focalizar recursos em melhores soluções de desenvolvimento; derrubar barragens que estejam causando danos irremediáveis.