domingo, 8 de junho de 2014

Guerra ou Paz, that is the question

“What a terrible thing war is, what a terrible thing!”
"Que coisa horrível é a guerra, que coisa horrível!"
Liev Nikolayevich Tolstói, em Guerra e Paz

"What is the cause of historical events? Power. 
What is power? Power is the sum total of wills transferred to one person. 
On what condition are the will of the masses transferred to one person? 
On condition that the person express the will of the whole people. 
That is, power is power. That is, power is a word the meaning of which we do not understand.” LNT
"O que causa eventos históricos? O poder.
O que é poder? Poder é a somatória de vontades transferidas para uma pessoa.
Em que condição as vontades das massas são transferidas para uma pessoa?
Na condição que esta pessoa exprima o desejo de seu povo todo.
Isto é, poder é poder. Isto é, poder é uma plavra cujo significado não entendemos." 

O mês de maio na Europa foi o de comemoração do Armistício da Segunda Guerra Mundial. As comemorações se estenderam até junho, quando os líderes dos países vitoriosos e vencida (a Alemanha e sua representante, Angela Merkell, admirável de dignidade ) se encontraram na França para celebrar o desembarque estadunidense na Normandia em 1944. No ano seguinte seria a infantaria russa que "salvaria a pátria" na frente oriental liberando os campos de concentração e chegando até Berlin, enquanto os aliados bombardeavam, do alto. 
Estes eventos me lembraram a mini-série alemã Unsere Mütter, Unsere Väter - Nossas mães, Nossos pais, que recomendo com entusiasmo. A quem ainda não assistiu, foi internacionalizada com o prefixo "Generation War" e foi passada na BBC, portanto pode ser baixada em algum site em VO com legenda em inglês e talvez até em espanhol.
Os filmes hollywoodianos sobre o assunto acabam me irritando por causa da romantização da guerra, do heroismo dos protagonistas, e do maniqueísmo insuportável que induz a crença que os Estados Unidos são o berço de soldados bravos que saem ao socorro dos necessitados a fim de proteger sua liberdade e a liberdade alheia com um altruísmo sem falhas.
É de amargar.
Mas o que mais me horripila é Hollywood incutir nos jovens a ideia errônea que apesar da violência (horrenda), há nobreza em guerra.
Não há.
Não há nenhuma nobreza em nenhuma em guerra.
Toda guerra é vil e todos os envolvidos, civis e militares, acabam cometendo no mínimo uma vileza que atormentará, quem tem consciência, a vida inteira.
Tirar a vida de outrem é anti-natural. Matar tem consequências até nos bandidos. Deixa sequelas indeléveis, às vezes invisíveis, e mesmo quando não são claramente nocivas ao que cometeu o crime ou à sociedade em que vive, prejudicam a pessoa ou outrem de maneira furtiva. 
Há uma frase chave no seriado (trailer abaixo), pronunciada por um jovem poeta que vira soldado, que define a verdade absoluta e irrefutável: Guerra desperta em cada pessoa o que ela tem de pior, seus piores sentimentos e o pior de sua personalidade. Guerra é o palco de situações de stress, conflito, perigo iminente elevados à potência máxima em comparação aos quais se vive no quotidiano levemente - e que mesmo em dose baixa, regulada, já revelam coisas más de si-mesmo, lá dentro. 
Revelar o que a pessoa tem de pior é a primeira e última verdade sobre guerra. O que vem no meio de ambas é o recheio de açõezinhas desumanas que desumanizam quem as comete e quem as sofre, de maneira diferente.
É por isso que Tony Blair e George W. Bush deveriam estar sendo julgados no Tribunal de Háguia, em vez do ex-Primeiro Ministro inglês estar pleiteando a presidência da Europa. Shame on him! Com o poder limitado que tinha em seu país cometeu um crime bárbaro destruindo o Iraque, imagine com o poder da Europa! Shame on him e em quem lhe paga (e a outros ex-) uma fortuna para palestrar. Que eu saiba, dirigir um país não dá nenhuma cultura e nenhum conhecimento do mundo. 

"I hate war as only a soldier who has lived it can, only as one who has seen its brutality, its futility, its stupidity." Dwight Eisenhower

Pois é, Barack Obama assumiu o governo dos Estados Unidos esquecido desta frase do ex-presidente Eisenhower. Ganhou um Nobel da Paz precipitadíssimo, baseado só em sua origem étnica e em promessas, e continuou as guerras. Indiretamente, como no Iraque; diretamente, como no Afeganistão; financeira e discursivamente, como na Síria e na Ucrânia; tecnologicamente, como nos drones armados que matam civis e "terroristas" aqui e acolá; cinematograficamente, oferecendo os meios do Pentágono à propaganda subliminar estadunidense através dos filmes holywoodianos; espionando, furtando segredos industriais de seus aliados; fomentando desordem em países em que o governo o desobece, como no Brasil, Turquia, Ucrânia, e outros mais em que a juventude vive grudada em redes sociais.
Os Estados Unidos não aprenderam nenhuma lição das guerras que fomentaram, nem das que monitoraram na calada, nem das que participaram.
Ou melhor, aprenderam da Segunda Guerra uma lição amoral: que guerra lhes traz prosperidade.
Mas isto não é lição nem aprendizado.
Dito isso, se eu fosse estadunidense teria votado em Barack Obama nas duas vezes em que foi candidato. Pois nos Estados Unidos, geopoliticamente, trata-se sempre de escolher entre dois males, e nesses casos, a pessoa com alguns valores humanistas e comprometida com multinacionais menos nocivas, que causam menos mal ao mundo. Pois o nosso problema é a relação deles com o mundo. Política interna é problema deles, só deles. Como deveriam ser nacionais os problemas dos países nos quais eles se metem mergulhados em devaneios. Como gostam de seara alheia!
(E agora, para completar, se meteram a cobrar, como a Máfia, de empresas financeiras estrangeiras que comercializam em dólar com países que eles, os Estados Unidos, bloqueiam. É de amargar. Agora perderam a ombridade e partiram para a bandidagem econômica. Se a multa ao banco BNP Paribas francês vingar, a chantagem vai ser um tiro no pé que vão pagar caro. É um precedente que vai levar o mundo inteiro, sobretudo os BRICs a pensar: mais cedo ou mais tarde vai sobrar pra nós... é melhor começarmos a negociar em outra moeda... E aí a jurupoca vai piar. Pois o crescimento estadunidense de 3% é uma quimera. Crescimento de um país que em cinco anos aumentou mais sua dívida pública em mais de 30%- de 12 a 16 trilhões de dólares! É brincadeira. O leão invisível é uma recessão da pesada. Quanto mais cedo se mudar a moeda comercial internacional, melhor será.
O franco suiço seria o ideal. Moeda estável em um país apolítico onde o dinheiro não tem cor, nem religião, nem raça, só valor comercial.
A mudança de moeda comercial me faz lembrar outra agressão mais do que desnecessária que destruiu um país inteiro e desestabilizou os vizinhos por causa de ganância gringa. A do Iraque. A razão invisível da invasão do país e da execução de Saddam Hussein era que ele estava mobilizando a OPEP para que deixassem de negociar o petróleo em dólar. E sem a moeda como valor de câmbio internacional, os Estados Unidos desmoronam na hora. (Com a chantagem ao BNPP vão começar outra guerra, esta, economico-financeira que perderão a médio prazo e aí terão de parar as demais.)

A única ação positiva que Obama fez (ou está fazendo sem fazer) desde que está no governo foi sucumbir à pressão de seus dois "segundos" católicos - vice-presidente Joe Biden e secretary of state John Kerry - e fazer ouvidos moucos a Binyamin Netanyahu, à AIPAC, e reconhecer, "com restrições", é claro! timidamendo, o novo governo de união Fatah e Hamas recém-formado.
Se Obama não fosse negro eu poderia usar nossa expressão banal "macaco está virando gente". Mas neste caso não posso porque apareceria alguém para dizer que é racista. Mas não é. Gente é gente. Macaco é animal. Quem mistura os dois é que tem problema.
O problema maior dos Estados Unidos é que seus presidentes dizem coisas tão inverossímeis e absurdas que nós jornalistas, e o leitor consciente, ficam boquiabertos com a sem-vergonhice. Quando é bobagem, a gente só ri. Mas quando leva a conflito inter-Estado, como agora, com esta questão ucraniana, dá vontade de dizer pra tomarem vergonha na cara e pararem de brincar de guerra só pra ganharem mais uns tostões furados que só vão adiar sua queda.
Para pessoas de bom senso, era óbvio que a Normandia era o lugar ideal para um encontro "improvisado" entre os presidentes da Rússia e da Ucrânia (ocorrido e bem sucedido) e os presidentes da Rússia e dos Estados Unidos que incentiva o conflito. Mas não.
O medo que Obama tem Putin é tanto que transformou-se em ogeriza destrutiva. Em vez de buscar o diálogo e aceitar a aproximação da diplomacia moscovita, primeiro Obama encontrou Petro Poroshenko em Warsóvia, capital do país que o Kremlin considera vital à sua segurança, já que todas as vezes que a Rússia foi invadida o exército inimigo entrou pela Polônia.
A visita em si já foi uma provocação totalmente desnecessária e mal-vinda.
E lá, o que ele diz ao recém-eleito presidente de um país dividido, em chamas e que precisa urgentemente dialogar com Moscou (além das promessas de mundos e fundos para que os poloneses os deixem instalar base militar lá)?  
Ele diz, Russia is a bully.
E não para aí. Faz pose de John Wayne em pele de George Clooney e quer dar lição de moral, falando em anos negros do século XX. Peraí, Vietnã, Iraque, Palestina, ditaduras na América Latina, Guantánamo, Líbia, e a própria Ucrânia! Quem foi mesmo o patrocinador e protagonista dos horrores de tudo isso?
O comportamento que caracteriza a memória seletiva da Casa Branca exige que eu introduza duas frases de mais um escritor. Desta vez um francês do século XVII, François de la Rochefoucauld: L'hypocrisie est un hommage que le vice rend à la vertu - A hipocrisia é uma homenagem que o vício presta à virtude. La vérité ne fait pas tant de bien dans le monde que ses apparences y font de mal - A verdade não faz tão bem ao mundo quanto sua aparência faz dano.
Em um mundo ideal, o sujo, imundo, não falaria do mal lavado. Sobretudo por próprio interesse militar de controle do ainda não conseguiu controlar no mundo.

Voltando ao Generation War, os três episódios mexeram comigo não apenas por causa da relatividade da História e da estória de cinco amigos - despedem-se no início da guerra marcando encontro para o Natal do mesmo ano quando celebrariam juntos a vitória, a expansão territorial, a erradicação dos povos e dos males que os sufocavam para implantarem o Grande Reich do qual um futuro redourado da Alemanha dependia. Conforme a propaganda nazista.
A emoção veio da história, dos fatos, do dia a dia, da brutalidade que transforma seres humanos em animais. Do horror de ver os sonhos individuais de cinco jovens diferentes unidos pela amizade, cheios de vida e de planos para um futuro recente, se transformarem em máquinas de guerra, pura e simplesmente. Pior do que isso, bucha de canhão, para os soldados, bestas enviadas ao matadouro por um homem, um único homem, que dava ordens horríveis a outros homens que as executavam.
Não consigo entender como alguém, como um governante, como uma população, opte pela guerra em vez do diálogo. É incompreensível. É intolerável. É injustificável.
E é claro que em um mundo de pessoas eminentemente éticas, as ordens cruéis, de líderes desnaturados, não seriam executadas - como faziam os soldados cristãos no início do cristianismo na clandestinidade - e os warmongers que governam teriam de sentar e negociar em vez de assassinar estrangeiros e compatriotas. Pois como diz o grande Tolstói em seu Guerra e Paz que conta a história da violenta invasão napoleônica da Rússia e a relatividade histórica: "To us, it is incomprehensible that millions of Christian men killed and tortured each other because Napoleon was ambitious or Alexander was firm, or because England's policy was astute or the Duke of Oldenburg was wronged. We cannot grasp what connection such circumstances have with the actual fact of slaughter and violence: why because the Duke was wronged, thousands of men from the other side of Europe killed and ruined the people of Smolensk and Moscow and were killed by them.”
O resultado dessa obediência anti-natural de jovens educados para respeitar a vida é o desastre pós-guerra. Como por exemplo a do Afeganistão, uma guerra contemporânea à qual muitos países ocidentais se solidarizaram obrigados para pagar justamente a dívida contraída com os EUA na Segunda Guerra Mundial. Só a Austrália perdeu mais soldados em solo nacional, por suicídio em trauma pós-guerra, do que no terreno, em combate.
Não há nada de romântico em guerra. Daí a importância de uma obra de ficção próxima da realidade. Ninguém sai de guerra sem sequela. Nem os que brincam de guerra eletrônica de olhos vidrados.

Cada pessoa que assiste ao Generation War vê o seriado de uma maneira.
Meus colegas ingleses, acostumados a analisar eventos, primeiro se indignaram com a "humanização" dos soldados e dos cidadãos alemães que foram cúmplices ativos ou passivos do nazismo. Em seguida, eles se perguntaram se ao analisar a História não cometiam o mesmo erro de carregar na tinta ao pintar o inimigo e romantizar ao falar sobre o seu lado. Atitude louvável.  
Quanto a mim, brasileira e de uma geração em que a Segunda Guerra foi aprendida na escola com uma ótica do vencedor, à qual o Brasil estava aliado, eu vi no seriado um testamento de repetição histórica.
Como a estória é contada por um dos rapazes, tenente da Wehrmacht - exército alemão, ela mostra a tática nazista transposta ao terreno dos soldados. A estratégia política implementada pelos militares que cumprem as ordens primeiro recalcitrantes e com o passar do tempo e do desgaste físico e moral, como máquinas.
...“Millions of men, renouncing their human feelings and reason, had to go from west to east to slay their fellows, just as some centuries previously hordes of men had come from the east to the west slaying their fellows.” LNT  
Minha emoção, o aperto no peito, não veio por causa do passado e sim por causa do presente. De ver a história do filme se repetindo na minha frente desde a década de oitenta do século XX, apenas quatro após o fim da Segunda Guerra. Apenas.
... “Each man lives for himself, uses his freedom to achieve his personal goals, and feels with his whole being that right now he can or cannot do such-and-such an action; but as soon as he does it, this action, committed at a certain moment in  time, becomes irreversible, and makes itself the property of history, in which is has not a free but a predestined significance. ” LNT  
Os cinco amigos poderiam ser cinco rapazes e moças israelenses em 2014. Com a diferença que todos iriam para o mesmo lugar, oprimir a mesma gente.
A propaganda nazista, publicada no Mein Kampf, que os alemães liam e em cujo autor, Adolf Hitler, acreditavam como se fosse deus encarnado, lembra a propaganda sionista pregada por Avigdor Lieberman, pela AIPAC, e incrementada por Binyamin Netanyahu, Edhu Barak, Shimon Peres, e outros da mesma laia que governa Israel década após década praticando coisas abomináveis.
Por ter visitado Auschwitz, ter sido uma boa aluna de História de Geopolítica, já desconfiava desta semelhança histórica. Vendo a história contada pelos alemães minhas suspeitas se confirmaram: os israelenses aprenderam com os nazistas e seguem sua prática à risca na Palestina.
É terrível. É o presente que machuca, que maltrata. O passado só deveria servir de ensinamento construtivo.
Em um mundo em que a moralidade fosse praxe.

“It was necessary that millions of men in whose hands lay the real power - 
the soldiers who fired, or transported provisions and guns - 
should consent to carry out the will of these weak individuals...”  LNT

Generation War retrata a mentalidade da época e a execução das ordens no terrenos.
Primeiro a paranóia de que os judeus como um todo religioso eram os maiores vilões e se Hitler não agisse eles destruiriam seu país e o futuro dos alemães - como vêm fazendo os governos sucessivos de Israel com a propaganda do "perigo intrínseco que os palestinos representam".
Segundo, as invasões dos países vizinhos não-arianos cujos campos e cidades garantiriam prosperidade à Alemanha com o grande Reich abrindo as perspectivas de expatriação em formas de mini-colônias nos territórios ocupados pela força das armas - como fazem os israelenses na Ocupação, como se os palestinos fossem peões removíveis, descartáveis, para a raça superior ocupar suas terras ancestrais e fazê-las prosperar para os israelitas que merecem sempre mais, devido à sua superioridade.
Terceiro, a destruição de residências com propósito de intimidação e de limpeza de campo visual. Os nazistas queimavam as casas com as famílias dentro. Os israelenses as abocanham com os Bulldozers com o mesmo propósito e sem o menor constrangimento.
“The strongest of all warriors are these two - Time and Patience.” LNT
Quarto, a duração de uma guerra além da previsão temporal e acima do limite de renovação de tropas. Na Alemanha nazista, foi a sucessão de mortes que levou ao recrutamento de meninos de até 13 anos - Em Israel estão indo mais longe; com a queda no recrutamento dos jovens judeus-israelenses, estão pressionando os cristãos palestino-israelenses a ingressarem na IDF para matarem seus parentes do outro lado da Linha Verde. A diferença é que os meninos alemães estavam intoxicados pela propaganda nazista e nela acreditavam piamente, enquanto que os cristãos árabes-israelenses têm notícia do que a IDF faz com seus familiares na Cisjordânia e na Faixa de Gaza (não tanto pela mídia israelense, pelo que filtra dos territórios palestinos ocupados e pelo que lhes contam os padres) e por isso objetam a contribuir com a raiz real dos males regionais.
Quinto, a espera, a fome, a sede, o cansaço e a impunidade que transformam rapazes bem criados em ladrões, predadores, bandidos uniformizados. Os soldados da Wehrmacht pilhavam os lares poloneses e russos para se alimentarem. Os soldados da IDF pilham os lares palestinos para a IDF economizar e levam "lembranças", se instalam à vontade e depredam a moradia da família, de passagem.
Sexto, a visão nazista dos judeus serem uma sub-raça desprezível que merecia ser extinta. Como os sionistas consideram os palestinos; " animais", como dizem, ou simples objetos em um espaço que os ocupantes querem vagar para seus "elevados" co-religionários judeus se instalarem.  

"The same question arose in every soul: 
"For what, for whom, must I kill and be killed?" LNT

E por último, os alemães começaram a guerra com auto-estima elevada, impulsionados pela pseudo-nobreza de sua tarefa, e com o passar dos meses, dos anos, se depararam com a inutilidade e bestialidade de seus atos e com a consciência do julgamento que os esperava por tamanha barbaridade - os russos morriam aos milhões em todas as frentes de combate, mas avançavam, avançavam, pois defendiam sua terra e lutavam por sua liberdade, e por ondem os alemães passavam semeavam ressentimento, ódio, desastre.
Exatamente como a primeira geração de israelenses que começou lutando por um Estado, por valores que consideravam válidos, e depois disso vieram os das gerações seguintes que lutam por objetivos vergonhosos que os diminuem a seus próprios olhos e fazem com que os estrangeiros os desprezem.    
Até o uso da chantagem para garantir uma rede de espionagem de irmão contra irmão deve ter sido importada dos campos de concentração. Pois em guerra é assim. No final das contas, todo mundo quer salvar a pele e todo mundo espera que o companheiro de armas, o vizinho do lado, receba a punição ou a bala, em seu lugar. E no final do dia, o que se quer mesmo é estar vivo e de barriga cheia.
O instinto de preservação individual e dentro do grupo é humano, apesar da desumanidade intrínseca à sua aplicação em situações extremas. Os judeus não são exceção. Os palestinos também não. 
É uma minoria, mínima, que preserva a integridade absoluta em quaisquer situações de ameaça e perigo.
Os outros 99,9 por cento se rendem à expectativa alheia e às suas próprias fraquezas. É humano, dizem. Os que recuperam sua humanidade a posteriori têm problema de consciência e tentam redimir o mal causado. Foi o que fez a sociedade alemã no pós-guerra.
É o que fazem os reservistas da IDF Breaking the Silence.

“A man's every action is inevitably conditioned by what surrounds him and by his own body.” LNT

Neste domingo, 08 de junho, Mahmoud Abbas e Shimon Peres estão no Vaticano a convite do Papa para uma "oração" conjunta. 
Como se sabe, o Presidente de Israel não tem nenhum poder concreto, concentrado nas mãos do Primeiro Ministro. Ou seja, nas mãos do ogro Binyamin Netanyahu que está longe de aprovar qualquer processo de conciliação que obstacule seus projetos de limpeza étnica. Portanto, Shimon Peres foi ao Vaticano cumprir seu papel de relações públicas e não de interlocutor político. Em suma, um golpe publicitário de demonstração de " boa vontade" enquanto Netanyahu dá a resposta violenta sionista ao governo unificado palestino: A construção de mais 1.500 unidades de colonização em invasões/"assentamentos" judeus na Cisjordânia. Se não fosse tão espertinho, Shimon Peres poderia ser chamado de fantoche. Não pode. Fantoche não tem vontade. Peres tem, a sionista, a de Netanyahu, embora venda imagem contrária.
“Every reform by violence is to be deprecated, because it does little to correct the evil while men remain as they are, and because wisdom has no need of violence.” LNT
O Presidente da Autoridade Palestina é outra história. Estava enfraquecido, mas fortaleceu-se com a nova composição do governo unitário. A reaproximação do Fatah e Hamas, ou seja, a reunião da OLP (Organização da Libertação da Palestina, que Yasser Arafat encabeçava) como era no início, reforça sua autoridade. Contanto que não se deixe intimidar por Netanyahu e seus cúmplices e volte atrás.
O segundo passo são as eleições marcadas para o fim do ano. Cruciais.
O terceiro é a eleição de Marwan Barghuti à Presidência. O verdadeiro herdeiro de Yasser Arafat. O homem que canaliza o respeito de todas as facções militares e de todos os partidos palestinos. O homem que o próprio Desmond Tutu chama de Nelson Mandela palestino. (Eu, pessoalmente, acho Barghuti melhor, pois embora seja consensual e tenha se tornado pacifista após militância ativa na resistência militar quando dirigia o Tanzim - braço armado de Abu Ammar (Yasser Arafat) e do Fatah - não tem rabo preso em nenhum lugar e não sente necessidade de agradar sempre.)
Aí, os problemas da ocupação serão resolvidos na marra ou calmamente.
Aí palestinos e israelenses viverão lado a lado, se entre-ajudando, como bons vizinhos. Olhando pra frente.
A extensão das colônias, a imigração de "bons judeus religiosos" para a Jerusalém ocupada, são gestos que o "moralista" Barack Obama, tão bonzinho, deveria condenar e deixar a ONU agir mandando soldados para derrubar o muro construído além da Linha Verde, evacuar os invasores, e fazer Israel respeitar as leis internacionais.
Aí o mundo diria: Rogue State of Israel, nunca mais! Viva a paz de israelenses e palestinos vivendo lado a lado, de um lado e de outro, submetidos às leis do Estado em que estão instalados!
Paz, até outro povo desmemoriado, em outro lugar, repita a História errada.

“It seems as though mankind has forgotten the laws of its divine Saviour, Who preached love and forgiveness of injuries, and that men attribute the greatest merit to skill in killing one another.” LNT

Talvez eu tenha resolvido fazer essa digressão sobre guerra neste domingo também por causa da visita do Papa ao Oriente Médio.
Antes de falar nisso, abro parênteses para voltar a citar Tolstói: Como há caras repulsivas no mundo! Para mim, até 2006, as mais repulsivas eram as de Augusto Pinochet e Ariel Sharon. Tony Blair e George W. Bush seguiam, mas com menos veemência porque cometem o mal por ambição, ignorância e não por maldade intrínseca. Penso.
Depois de 2006, continuo com aversão à cara de Tony Blair e outros de então, como Avigdor Lieberman, Shimon Peres, etcétera. A de Binyamin Netanyahu é a pior.

A visita do papa Francisco a Israel e à Jerusalém ocupada só confirmou o mau-caratismo do Primeiro Ministro israelense. Obrigar o Papa a prosternar-se no memorial às vítimas de atentados da resistência palestina foi um golpe baixo indígno até de indivíduos de seu naipe.
Porém, Abu Mazen (Mahmoud Abbas) recebeu Francisco como um amigo, emocionado e sorridente. Portanto, quando Netanyahu forçou a barra o bem já fora feito e não havia como apagar a imagem da parada espontânea de Francisco no "muro da vergonha", "muro do  apartheid, que corta Belém como uma jararaca.

Francisco quebrou o protocolo e fez seu terceiro gesto político em favor da Palestina fazendo uma pausa para meditação diante do muro. E não em qualquer lugar. No pedaço em que estava pichado Free Palestine, do lado de uma menininha com a bandeira hasteada. A imagem seria mostrada rapidamente nas telinhas e gravada e exposta em todos os jornais do mundo que não são controlados pelo lobby pro-ocupacionista. Na Inglaterra foi capa até do Financial Times. Na França, de nenhum dos grandes jornais... No Brasil não sei se algum editor foi autorizado a publicá-la com destaque...

O primeiro gesto político do Papa foi ir a Belém diretamente de Amman, sem passar por Tel Aviv como fazem todos os chefes de Estado e tinham feito outros papas. 
Francisco teve coragem de fazer o gesto político, simbólico e de peso, de chamar e tratar a Palestina como Estado. Teria sido mais contundente se em Israel só tivesse ido ao muro das lamentações e ao monumento ao holocausto, mas seu amigo argentino-rabino deve ter usado sua influência para que agradasse a gregos e troianos.
De qualquer jeito, foi um comportamento cristão. Mas foi claro que o Papa tomou o partido do presente. 

A Segunda Guerra, o holocausto, fazem parte do passado do qual os mea culpa nunnca acabam e parecem nunca bastar. O presente abominável é a ocupação da Palestina e a repetição da História da vítima virando algoz e se condenando à instabilidade.
A luta de hoje é contra a ocupação, o muro do apartheid e a limpeza étnica não mais na Europa e sim na palestina, diária, posta na prática por pessoas que se dizem religosas. 
Nesta história contemporânea de ocupação, como nas precedentes, todo mundo perde. O ocupado, que sofre dia e noite e resiste; e o ocupante que se auto-condena a viver em sobressalto e empenha sua alma no processo de usurpação.

Não vou jogar pedra no Francisco por ele ter agradado os israelenses, embora eu não gostaria que tivesse feito nem que fizesse, porque fez mais do que todos os chefes de Estado que visitaram a região fizeram. Inclusive Barack Obama, François Hollande e nossos presidentes. 
Ao se referir aos territórios ocupados desde 1967 como Palestina, o Papa afirmou publicamente o estatuto conferido pela ONU em 2012. Estatuto que foi, reiterada e raivosamente, rejeitado por Tel Aviv e Washington - onde ninguém se lembra da frase sábia de Dwight Eisenhower: Peace and justice are two sides of the same coin.
Como seria bom que lembrassem. O reconhecimento, de fato, sem chantagens, do atual governo palestino unitário e o respeito ao resultado das futuras eleições seriam um primeiro passo, largo.
Já falei em um blog anterior sobre a verdadeira teoria sionista de Theodor Herzl, portanto hoje cedo a palavra a Uri Avnery, tão surpreendido quanto eu com esta parada do Papa, para explicar quem foi ele e o que era seu "sionismo", de fato. Depois continuo embaixo.


"During his short visit to Israel, Pope Francis laid a wreath on the grave of Theordor Herzl. That was not a usual gesture. Foreign heads of state are obliged to visit Yad Vashem, as did the Pope, but not the grave of Herzl. It is not like the Tomb of the Unknown Soldier in Paris.  
So why Herzl’s grave? 
Obviously, this gesture was intended to emphasize the Zionist character of the state.
Herzl was the founder of modern political Zionism. He is officially called “the Visionary of the State”. His is the only picture decorating the Knesset plenum hall. If we had saints, he would be St. Theodor.
Probably, Francis did not give another thought to this gesture. If so, it’s a pity. The Argentine Pope could have found a lot of interest in this colorful Viennese journalist and playwright.
Because if Herzl had had his way, Francis would have been greeted by President Peres and Prime Minister Netanyahu in Spanish. He would have honored Herzl’s grave in the Jewish State somewhere south of Buenos Aires.
If Francis had never heard of this episode, he is not the only one. The vast mass of Israelis has not either. It is not taught in Israeli schools. It is hidden rather shamefully.
Israelis know about “Uganda”. Shortly before his early death, Herzl was invited by the British government to implement his ideas in part of British East Africa (actually, it was the Kenyan highlands, a plateau with a mild climate, which later became a part of Kenya.)
By that time, Herzl had despaired of getting Palestine from the Turkish Sultan. The Kenyan project, which could be implemented at once, attracted him and his main supporter, Max Nordau, who advised him to take it at least temporarily, as a “night asylum”.
But the Russian Zionists, the bulwark of the movement, rebelled. Palestine or nothing. Herzl was overruled by his admirers and died soon after of a broken heart, it was said.
This episode is well known. Much has been written about it. Some would say that if during the 1930s a Jewish Commonwealth had existed in Africa, many European Jews could have been saved from the Nazis.
But the Argentine chapter has been erased. It did not fit the image of the Visionary of the State on the walls.
Herzl's long trek to Zionism started when, as a Hungarian-born Jewish student in Vienna, he encountered anti-Semitism. His logical mind found the answer. Being a playwright, he described the scene: all Austrian Jews, except himself, would march in an orderly fashion to the Cathedral and convert en masse to Catholicism. The pope would have been enthusiastic.
However, Herzl soon learned that neither would the Jews accept baptism (“the Jews are afraid of water,” Heinrich Heine once joked), but the nationalist Goyim did not dream of accepting them into their ranks. How could they? Jews were everywhere, in many different countries, so how could they sincerely join any national movement?
That’s when Herzl had his historic insight: if the Jews could not join any of the national movements that were mushrooming in Europe, why shouldn’t they constitute themselves as a separate, new-old nation?
For Herzl, that was a sober, rational idea. No God involved, no Holy Scriptures, no romantic nonsense. Palestine did not enter his mind. Nor had he any interest in the religious fantasies of Christian Zionists in Britain and the US, like Alfred Balfour.
Herzl’s project was fully completed, up to the smallest detail, and written down in the brochure that became the Zionist Bible “Der Judenstaat”, before he even started to think seriously about the place where it should be realized.
The pamphlet started as a speech he made to the “family council” of the Rothschilds, the richest Jews on earth. He expected them to finance the project.
The text is immortalized in his Diaries, a very well-written document covering several books. On page 149 of the first book of the original German print, after explaining his plans, he remarks that “I can tell you everything about the ‘promised Land’ except its location.” This will be left to a conference of outstanding Jewish geographers, who will decide where to set up the Jewish state, after examining all the geological, climatic, “in short, the natural circumstances, taking into account the most modern investigations”. It is a “purely scientific” decision to make.
In the end, when the pamphlet came out under the title “Der Judenstaat”, the location was almost ignored. Less than a page was devoted to it, under the expressive title: “Palestine or Argentina?”
Herzl clearly preferred Argentina. The reason for this has also been forgotten.
A generation before Herzl, Argentina consisted mainly of the north of the country, around Buenos Aires. The vast south, called Patagonia, was almost empty.
At the time, Argentina started a campaign of conquest, that many today consider genocidal. The indigenous pre-Columbian population, including a tribe of “giants” (two meters tall) was annihilated or pushed out. That was called, almost in Zionist fashion, “the desert campaign”.
Such genocidal campaigns were at the time quite usual. The US ran one against the “red Indians”. The Germans committed genocide in today’s Namibia, and the mass-murderer was feted in the Kaiser’s Germany as a national hero. The King of the Belgians did something similar in the Congo.
What Herzl saw with his mind’s eye was a huge new country more or less empty, just waiting to be turned into a Jewish state. He thought that the Argentine government would give it up for money. The remaining local population could be pushed out or enticed to move somewhere else, but “only after they had exterminated all wild animals.”
(Anti-Israeli propagandists use this sentence as if it was aimed at the Palestinians. That is quite untrue. Herzl could not possible have written such a thing about Palestine as long as the Muslim Caliph was the sovereign of the country.)
...Herzl detested Palestine. Most of all he detested Jerusalem.
Curiously enough for the prophet of Zionism, he long refused to visit Palestine. He crisscrossed Europe from London to St Petersburg, from Istanbul to Rome, in order to meet the Great of the World, but did not set foot in Jaffa until he was practically compelled by the German Kaiser.
Wilhelm II, a romantic and rather unstable type, insisted on meeting the Leader of the Jews in a tent near the gates of Jerusalem. It was in November, the mildest month in this country, but Herzl suffered terribly from the heat, especially as he would not take off his heavy European suit.
...Herzl fled the town and the country as quickly as he could. The Holy City, for which his successors are today ready to shed much blood, looked to him ugly and dirty. He escaped to Jaffa, and there climbed in the middle of the night onto the first available ship going to Alexandria. He claimed to have heard rumors about a plot to kill him.
All this could have been food for the pope’s reflections, if he had been focused on the past. But Francis lives in the present and held out his arms to the living, especially the Palestinians.
Instead of entering the land through Israel, like everybody else, he borrowed a helicopter from King Abdallah II and flew directly from Amman to Bethlehem. This was a kind of recognition of Palestinian statehood. On his way back from Bethlehem to the helicopter, he suddenly asked to stop, went up to the occupation Wall and laid his hands on its ugly concrete, as his predecessors had done at the Western Wall. His prayer there could only be heard by God.
From there the pope flew to Ben-Gurion airport, as if he had just arrived from Rome. He marched on the red carpet between Peres and Netanyahu (since neither of the two would cede the honor to the other).  I don’t know what the pope found to talk about with this shallow duo, but I would surely have enjoyed listening in to a conversation between the two intelligent Argentinians, Francis and Herzl."

"The majority of people paid no attention to the general course of events 
but were influenced only by their immediate personal interests.” LNT

Pois é, como disse Uri, ao nomear a Palestina com nome prório e alto, o Papa afirmou a nação como uma realidade moral que tem de ser endossada por todos os países e pessoas de boa vontade - os cristãos de porta-estandarte. Apelou claramente para uma solidariedade global em torno dos palestinos e seus direitos fundamentais.
Sua parada no muro do apartheid foi um momento dramático para quem lá estava. Era como se o desejo de todos os palestinos, vivos e assassinados, e também, porque não dizer, do desejo da maioria absoluta dos repórteres que cobrem este conflito amoral, houvesse se materializado por intervenção divina. Foi um momento pungente. Desses momentos raros na vida de um repórter. O de estar diante da História.
É a primeira vez na vida que uso esta palavra "pungente" fora do Hino, mas foi a primeira que me veio à mente; a mais adequada à estranha sensação de concretização de um anseio que por parecer inacessível nem é verbalizado, só de brincadeira, entre colegas, entre amigos. E se...!
Pois bem, e se...! Foi. Aconteceu de repente, num piscar de olhos, de maneira surpreendente.
A interrupção imprevista do cortejo, a parada na frente do muro, à distância ideal para a foto dentro do contexto em que o muro foi feito, seguida da oração com a cabeça baixa, encostada no cimento armado que separa Belém de Jerusalém, a mão apoiada neste cimento frio, a perder de vista, que é em si a odiada metáfora da crueldade israelense, da ilegalidade, da opressão do forte sobre o fraco,...
Enfim, a sequência de todos estes gestos espontâneos inspirados pelo Ser que Francisco representa na terra foi uma contribuição indelével da legitimidade da guerra justa, válida, a da resistência não-violenta pela emancipação que o Movimento Nacional Palestino espalhou pelo mundo e que o mundo vem abraçando através do boicote cidadão e da pressão sobre seus governantes sempre que possível.
Acho que nestas mais de três décadas de exercício jornalístico, de testemunho de conflitos, nunca vivi uma epifania semelhante a esta.

O papa Francisco reconhece seu dever e a importância da herança que recebeu  e da confiança que pelo menos um bilhão e duzentos milhões de católicos depositam nele.
Ele vem levando aos católicos, e também às outras centenas de milhões de protestantes, enfim, a todos os cristãos, a consciência dos tormentos que afligem o mundo contemporâneo.
Ele vem encarnando um espírito de justiça e uma espiritualidade sem precedentes na história da Igreja desde que ela distanciou-se dos valores impressos no Novo Testamento.
Francisco é um exemplo concreto de calor humano, simpatia, empatia com os pobres e oprimidos. Sua identificação com a brutalidade das vítimas de guerra é quase física.
Suas posições são concretas assim como são seus engajamentos. Seu comportamento está em fase com a atualidade, com os eventos que ocupam a mente de quem se preocupa consigo mesmo, com seu bairro, com seu estado, com seu país, e com o mundo do qual faz parte, fatalmente.
Que ele aponte para as atrocidades das guerras civis na Síria, na Ucrânia, ou para o sofrimento ao que o povo palestino vem sendo confrontado desde a Naqba, sua empatia é visível e credível.
O papa Francisco desafia os ocidentais a agirem como cidadãos peregrinos. A serem cidadãos de uma nação e de todas as nações unidas em interesse público. Ele responsabiliza, incita o cristão a agir da melhor maneira possível contra a injustiça flagrante e escondida.
O Francisco é um presente. Ele, a autoridade mais universalmente aclamada moral e espiritualmente, falou, mostrou o caminho, e lá em Washington Joe Biden e John Kerry ouviram, reconheceram o traçado, e estão tentando segui-lo contra todas as expectativas da quadrilha que ocupa e suga a Palestina.
A batalha vai ser ferrenha, pois Binyamin Netanyahu e sua corja vivem um desenfreado delírio racisto-megalomaníaco de limpeza étnica e expansão territorial para estabelecer o Grande Israel em cima de quantos lares destruírem e de quantos cadáveres pisarem. Binyamin Netanyahu quer Guerra e não Paz.

Mesmo sabendo disso, no domingo, dia 8 de junho, no Vaticano, o Papa disse ao Presidente palestino e ao Presidente israelense que eles têm de corresponder ao desejo de paz de seus povos respectivos e têm de encontrar a força para perseverar no diálogo.
E terminou com um pedido: "Peace making calls for courage, much more so than warfare." e a Deus,  "Instil in our hearts the courage to take concrete steps to achieve peace."
Abu Mazen (Mahmoud Abbas) disse que pediu para Deus "bring comprehensive and just peace to our country and region so that our people and the peoples of the Middle East and the whole word would enjoy the fruit of peace, stability and coexixtence."
Shimon Peres, que estava lá de bobeira já que estava para deixar a presidência, fez média: "It is within our power to bring peace to our children. This is our duty, the holy mission of parents."
Khaled Meshall, o líder do Hamas, concorda plenamente.
Binyamin Netanyahu, não deu um pio e continuou agindo. Ou seja, invadindo, invadindo, invadindo, em nome de seu projeto infame que diz ser "sionista". Palavra que usa de propósito para cooptar judeus mal-informados ou mal-intencionados, de fora, que financiam Guerra através das invasões civis na Cisjordânia.
Resta esperar que sejam menos do que ele imagina e que os que forem maus como ele, não sejam ricos... E que a PAZ predomine.

“The subject of history is the life of peoples and of humanity. To catch and pin down in words, that is to describe directly the life, not only of humanity, but even of a single people, appears to be impossible.”
“What a terrible thing war is, what a terrible thing!”
Liev Nikolayevich Tolstói, em Guerra e Paz

 
A mãe dos dois adolescentes palestinos assassinados friamente por um soldado da IDF em maio solicitou intervenção do Papa para a punição do/s culpados. A IDF "investigou" e "tomou providência", brandíssima, e agiu como se fosse um ato isolado. 
Não é. 
A diferença é que este foi registrado por uma câmera da ONG de Direitos Humanos B'Tselem no vídeo acima.

"Imagine a war breaking out between Israel and Jordan... what will be the first act of the occupation authority? Establish a settlement in Petra? Expropriate land near Aqaba? 
No. 
The very first thing will be to decree that the territory will henceforth be known as “Gilead and Moab”.
All the media will be ordered to use the biblical name. All government and court documents will adopt it. Except for the radical Left, nobody will mention Jordan anymore. All applications by the inhabitants will be addressed to the Military Government of Gilead and Moab.
Why? Because annexation starts with words.
Words convey ideas. Words implant concepts in the minds of their hearers and speakers. Once they are firmly established, everything else follows.
... Recently I listened to a speech by a left-wing politician, and was disturbed when she spoke at length about her struggle for a “political settlement” with the Palestinians.
When I remonstrated with her, she apologized. It was a slip of the tongue. She had not meant it that way.
In Israeli politics, the word “peace” has become poison. “Political settlement” is the vogue term. It is meant to say the same. But of course, it doesn’t.
“Peace” means much more than the formal end of warfare. It contains elements of reconciliation, of something spiritual. In Hebrew and Arabic, Shalom/Salaam include wellbeing, safety and serve as greetings. “Political settlement” means nothing but a document formulated by lawyers and signed by politicians.
... When the Israeli Left gives up the term Peace, this is not a tactical retreat. It is a rout. Peace is a vision, a political ideal, a religious commandment, an inspiring idea. Political Settlement is a subject for discussion.
Peace is not the only victim of semantic terrorism. Another is, of course, the West Bank.
All TV channels have long ago been ordered by the government not to use this term. Most journalists in the written media also march in step. They call it ”Judea and Samaria”.
“Judea and Samaria” means that the territory belongs to Israel, even if official annexation may be delayed for political reasons. “West Bank” means that this is occupied territory.
By itself, there is nothing sacred about the term “West Bank”, which was adopted by the Jordanian ruler when he illegally incorporated the area in his newly extended kingdom. This was done in secret collusion with David Ben-Gurion, Israel’s first Prime Minister, who wanted to erase the name “Palestine” from the map. The legal basis was a phony conference of Palestinian “notables” in Jericho.
King Abdallah of Jordan divided his fief into the East Bank (of the Jordan river) and the West Bank.
So why do we insist on using this term? Because it means that this is not a part of Israel, but Arab land that will belong – like the Gaza Strip - to the State of Palestine when peace (sorry, a Political Settlement) is achieved.
Until now, the semantic battle remains undecided. Most Israelis talk about the “West Bank”. “Judea and Samaria” has remained, in common parlance, the realm of the settlers.
The settlers, of course, are the subject of a similar semantic battle.
In Hebrew, there are two terms: Mitnahalim and Mityashvim. They essentially mean the same. But in common usage, people use Mitnahalim when they mean the settlers in the occupied territories, and Mityashvim when they speak about settlers in Israel proper.
The battle between these two words goes on daily. It is a fight for or against the legitimacy of the settlement beyond the Green Line. Up to now, our side seems to have the upper hand. The distinction remains intact. If someone uses the term Mityashvim, they are automatically identified with the political Right.
The Green Line itself is, of course, the leftist concept. It makes a clear distinction between Israel proper and the occupied territories. The color comes from the fact that this border - actually the 1949 armistice line – was always marked on the maps in green. Until.
Until the (left-wing) Minister of Labor, Yigal Alon, decreed that henceforth the Green Line would no longer be marked on any map. Under an old law dating back to the British Mandate, the government owns the copyright for all maps printed in the country, and the Minister of Labor was in charge.
This remained so until Gush Shalom sued the government in the Supreme Court. Our argument was that since on the two sides of this line different laws apply, the citizens must have a map that shows them what law they have to obey at a given place. The ministry gave in and promised the court that it would print maps with the Green Line marked.
For lack of an alternative, all Israelis use the term “Green Line”. Since Rightists do not recognize this line at all, they have not invented an alternative word. For some time they tried the term “Seam-Line”, but this did not catch on.
A LINE between what? At the beginning of the occupation, the question arose what to call the areas just conquered.
We of the peace camp called them, of course, “occupied territories”. 
The Right called them “liberated territories” and floated the slogan “Liberated territories will not be returned”, a catchy rhyme in Hebrew. 
The government called them “administered territories” and later “disputed territories”.
The general public just settled for “the territories” – and that is the term used nowadays by everybody who has no interest in stressing his or her political conviction every time these areas are mentioned.
This raises the question about the Wall.
When the government decided to create a physical obstacle between Israel and the Occupied Territories – partly for expansion, partly for genuine security reasons – a name was needed. It is built mainly on occupied land, annexing in practice large areas. It is a fence in open areas, a wall in built-up ones. So we simply called it “the Wall” or “the Fence”, and started weekly demonstrations.
The “Wall/Fence” became odious around the world. So the army looked around for a term that sounded non-ideological and chose “separation obstacle”. However, this term now appears only in official documents.
With whom are we negotiating about the Political Settlement? Ah, there is the rub.
For generations, the Zionist movement and the State of Israel denied the very existence of a Palestinian people.
In the 1993 Oslo Agreement, this idiotic pretense was dropped and we recognized the PLO as the “representative of the Palestinian people”. But the Palestinian state was not mentioned, and until this very day our government abhors the terms “Palestinian state” or “State of Palestine”.
Even today the term “Palestinians” evokes conscious or unconscious rejection. Most commentators speak about a political settlement with “our neighbors” – by which they do not mean the Egyptians, Jordanians, Syrians or Lebanese, but You Know Who.
In Oslo, the PLO negotiators strenuously insisted that their new state-in-the-making should be called the “Palestinian National Authority”. The Israeli side vehemently objected to the word “National”. So the agreement (actually a “Statement of Principles”) calls it the “Palestinian Authority” and the Palestinians themselves call it the “Palestinian National Authority”. Palestinians who need urgent medical treatment in Israeli hospitals are turned back if they bring financial documents signed by the “Palestinian National Authority”.
So the fight goes on along the semantic front. For me, the really crucial part is the fight for the word Peace. We must reinstate it as the central word in our vocabulary. Clearly, loudly, proudly.
As the hymn of the peace movement (written by Yankele Rotblit as an appeal by the fallen soldiers to the living) says:
“Therefore, sing a song to peace / Don’t whisper a prayer / Sing a song to peace / In a loud shout!”
Uri Avnery, 26/04/2014
Acima trailer e extratos com os irmãos do seriado Generation War e em seguida o comentário de Uri Avnery sobre os três episódios. Que a carapuça sirva.
"Even worse [about the nazi spirit in the series] is the deadening atmosphere of universal agreement. From the highest officer to the lowliest maid, everybody is repeating endlessly the propaganda slogans of the regime. Not out of fear, but because they believe every word of the all-pervading propaganda machine. They hear nothing else.
It is immensely important to understand this. In the totalitarian state, fascist or communist or whatever, only the very few free spirits can withstand the endlessly repeated slogans of the government. Everything else sounds unreal, abnormal, crazy. When the Soviet army was already fighting its way through Poland and nearing Berlin, people were unwavering in their belief in the Final Victory. After all, the Führer says so, and the Führer is never wrong. The very idea is preposterous.
It is this element of the situation that is difficult for many people to grasp. A citizen under a criminal totalitarian regime becomes a child. Propaganda becomes for him reality, the only reality he knows. It is more effective than even the terror.
This is the answer to the question we cannot abstain from asking again and again: How was the Holocaust possible? It was planned by a few, but it was implemented by hundreds of thousands of Germans, from the engine driver of the train to the officials who shuffled the papers. How could they do it?
They could, because it was the natural thing to do. After all, the Jews were out to destroy Germany. The communist hordes were threatening the life of every true Aryan. Germany needed more living space. The Führer has said so.
That’s why the film is so important, not only for the Germans, but for every people, including our own.
People who carelessly play with ultra-nationalist, fascist, racist, or other anti-democratic ideas don’t realize that they are playing with fire. They cannot even imagine what it means to live in a country that tramples on human rights, that despises democracy, that oppresses another people, that demonizes minorities. The film shows what it is like: hell."
Uri Avnery, 01/03/2014

domingo, 1 de junho de 2014

Israel vs Palestina: História de um conflito LV ter - Guerra do Líbano 2 (7/8 2006)



Israel e os Estados Unidos passaram meses concertando o plano de ataque ao Líbano na dita Segunda Guerra de 2006, embora a investida propriamente dita tenha sido súbita no tocante à infantaria.
O Pentágono propôs sua técnica preferida do Shock and Awe tão familiar à IDF que a pratica há anos na Palestina com o nome de Blitzkrieg, estratégia alemã utilizada com sucesso na Segunda Guerra Mundial.
Os nomes são em línguas diferentes, mas o método de padrinho e afilhado é o mesmo. E no Oriente Médio agem e no final da Copa do Mundo puseram em prática o processo de matracagem com bombas que visam pontos estratégicos do campo inimigo a fim de desconcertá-lo e ao mesmo tempo destroçar suas bases militares mais potentes.
Para os Estados Unidos tratava-se de apoiar seu afilhado e ao mesmo tempo provar uma teoria que experimentava desde a década de 30 raramente com o sucesso desejado. Quando a presa estava despreparada e pouco mobilizada a tal teoria funcionava. Sua super-potência aérea invadia subitamente seu espaço e bastava um delúgio de bombas lançadas de caças que iam e vinham nos ares além do alcance de anti-mísseis para conseguirem mergulhar o arredio Estado em inércia pasma que poupasse a preciosa vida dos soldados da USForce ou da IDF; vulneráveis em investidas terrestres sempre incertas.
Porém, quando o agredido não era marinheiro de primeira viagem, a estratégia dava com os burros n'água. Foi o caso no Líbano versão 2006. Mas os agressores poderosos nem imaginavam o que os esperava.
Após terem pouco tempo antes forçado este remédio venenoso pela goela dos afegãos e dos iraquianos, George W. Bush achava que desta vez daria certo. Que o Hizbollah, boquiaberto, cairia na goela do lobo com a maior facilidade.
A ideia era que a destruição sistemática e completa de todas as cidades do sul do Líbano levaria os libaneses a revoltar-se contra a "ditadura do Hizbollah" e a aclamar a família Hariri - sempre pronta a vender a alma para o diabo israelo-estadunidense mediante lucros pessoais.
No primeiro dia de bombardeio, a IDF, que executou o plano sozinha com toda a potência bélica já fornecida pelos Estados Unidos, cortou toda a comunicação entre o Norte e o Sul do país, danificou o aeroporto de Beirute ao ponto de torná-lo inutilisável, destruiu as reservas de gasolina, bloqueou os principais portos e impôs um embargo aéreo e marítimo para que o país ficasse ilhado. Ou melhor, só deixou uma rota aberta, a da Síria, logo cheia de famílias de refugiados.
Os libaneses ficaram sim em um sufoco danado. Mas o Hizbollah não foi sufocado e seus militantes estavam só esperando a hora do contra-ataque em seus bunkers sofisticados.
Quando os generais adversários se deram conta do erro de julgamento sobre o Hizbollah, "grupo terrorista que se impunha por intimidação e força", era tarde demais. Ehud Olmert ficou pasmado. (Seu padrinho gringo, George W. Bush, já vivia nesse estado...).
O bombardeio surtiu o efeito de desalojar um milhão de civis em poucos dias.
Milhares de libaneses foram buscar refúgio em países ocidentais e árabes onde tinham familiares, outros milhares foram para a Síria, e os demais milhares migraram para o norte do país onde esperavam ficar a salvo.
Estes refugiados internos que perderam moradias e familiares não receberam nenhum socorro do governo libanês - outro erro crasso dos agressores que queriam alienar o Hizbollah com a cumplicidade do dirigente nacional.
Na falta de auxílio público, dois líderes não-governamentais forneceram a ajuda urgente necessária com os magros meios dos quais dispunham - o general cristão da Corrente Patriótica Michel Aoun e o chefe do Hizbollah, Hassan Nasrallah.
(Esta substituição compulsória de meios privados a recursos públicos definiria o futuro político do Líbano.)
No desespero que reinava os refugiados palestinos eram quem estava psicologicamente mais bem preparado. Já fazia 58 anos que haviam sido banidos de sua terra, eram refugiados bem mais antigos e continuavam firmes com seus magros meios improvisados. Acolheram de braços abertos as novas vítimas - os libaneses que os toleravam bem que mal. Dividiram com elhes seus recursos e residências precárias até que fossem por sua vez bombardeadas.
Nessa os libaneses que estavam ao Deus dará em vez de considerar o Hizbollah responsável por seu infortúnio, como o plano israelo-estadunidense almejava, culparam a IDF que lhes despejava bombas, os Estados Unidos que armava a mão do agressor e o governo de Siniora que colaborava com o inimigo.
Erro de julgamento dos agressores que não entendem que o Hizbollah não é composto de terroristas estrangeiros e sim de cidadãos libaneses empurrados às armas por contingência regional. E mesmo sendo de religiões diferentes, no final das contas, na hora de um conflito externo, é o sentimento nacionalista que fala mais alto. Na classe popular, pois a elite, de maneira geral, pensa mesmo é como lucrar.

Outro erro no plano "infalível" gringo foi que os libaneses bombardeados durante 33 dias no sul por uma tempestade de bombas correspondentes à lançada sobre Hiroshima (sem o componete nuclear, mas com armas proibidas como a química - o fósforo branco, e a fragmentação que "paria" bombinhas que até hoje estouram perninhas e mãozinhas de crianças libanesas desprevenidas) além de não se virarem contra o Hizbollah e sim contra quem os agredia, não ficaram no estado de choque "em que deveriam" e sim em estado de alerta e ativos.
O Pentágono e Tel Aviv não contavam com as experiências anteriores de guerra, de bombardeios, que os libaneses haviam vivido intermitentemente nas décadas de 80 e 90 graças à ganância territorial do vizinho. Todo libanês com mais de 15 anos conhecia o barulho de bombardeios, o cheiro de pólvora e muitos, o gosto de chumbo e do fósforo queimando sua pele em uma chuva escaldante de pó branco que devora a pele e a carne.
Os de mais de 30 anos tinham seis anos no massacre de Sabrah e Shatila e se lembravam apenas vagamente dos horrores de 1982. O que não era caso dos ataques da década de 90. Já eram adolescentes e se lembravam bem dos corpos mutilados de seus compatriotas e quem sabe até de amigos e familiares. Portanto, não pretendiam cruzar os braços e esperar o repeteco do drama da ocupação que deixara o povo e o país exangue durante anos.
Em vez de perder as esperanças, velhos e jovens se prepararam a uma guerra longa e sem simpatia internacional, já que Israel consegue sempre convencer a grande mídia que é a vítima e não o algoz mesmo quando os fatos mostram o óbvio.
O Hizbollah resistiu com a ajuda dos compatriotas com garra e tecnologia inesperadas, mas ninguém achava que a vitória seria libanesa. Quando ganharam a guerra em pouco mais de um mês, a surpresa foi grande até para eles.
Ganhar é maneira de dizer, pois o Líbano estava em ruínas novamente, como na década de 80, e uma presa fácil para os 1% do planeta acostumados a vampirizar a desgraça alheia.

No segundo dia de ataque, a IDF bombardeou o que supunha ser a TV Al-Manar e a sede nacional do Hizbollah. Ambos situados em um bairro popular de Beirute. Porém, nem um nem outro foram aniquilados como os agressores esperavam. Al-Manar só interrompeu a programação por dois minutos e os membros do Hizbollah estavam refugiados em um bunker alhures, não lá.
Ao dar-se conta que a TV voltava a emitir em seguida e que nenhuma morte do Hizbollah fora anunciada, a IDF ficou atônita mas logo voltou à carga. Bombardeou o local, a rua residencial, durante seis dias ininterruptos a fim de destruir as supostas instalações subterrâneas que seu serviço de Inteligência havia assinalado.
Quando os assaltantes enxergaram o engano o sul de Beirute já virara um monte de escombros, a TV continuava transmitindo normalmente de local seguro e Nasrallah continuava firme no comando.
O resultado desta persistência no erro beneficiou psicologicamente o Hizbollah que saiu desta com fama de invencível contra uma das cinco Forças Armadas mais potentes e mais bem equipadas do planeta.
Fato indiscutível. Quero dizer a potência díspar dos beligerantes.
A IDF carpetou o Líbano de bombas jogadas dos seus F-15 ultra-modernos dia após dia destroçando as cidades sulistas como se fosse jogo eletrônico. Uma ofensiva sem precedente na história contemporânea de conflitos internacionais. Desde  a destruição de Hanoi em 1972 pela Força Aérea dos Estados Unidos, nenhum país e nenhum governante ousara recorrer a este tipo de bombardeio inclemente em zona urbana.
Aliás, este ato desalmado foi um sinal de fraqueza como foi o estadunidense no Vietnã. Embora a grande mídia se admirava com a "eficiência" da IDF, quem lê nas entrelinhas via outra coisa. O mau presságio para os atacantes - nenhum país do "primeiro mundo" sofrera tamanha derrota por uma guerrilha como os EUA foram derrotados pelos vietcongs na década de 70.
Mas Ehud Olmert e George W. Bush fizeram de conta que estavam ganhando. Presságio, aviso é para quem olha e enxerga além do próprio umbigo. O orgulho ferido leva a atos irracionais que parecem absurdos quando relatados a posteriori.
Quanto ao Hizbollah, por razões humanitárias e também por preocupação com sua imagem, restringiu-se a alvos militares no território inimigo. Conseguiu destruir um aeroporto da Força Aérea, o principal centro de transmissões eletrônicas, o quartel-general do Comando do Norte da IDF e causou bastante estrago em dois navios de guerra.
Civis foram atingidos e mortos nesses lugares. Sobretudo palestinos, pois a IDF teve e tem o cuidado de montar suas bases e estocagem de arsenal pertinho de cidades e bairros palestinos na Galileia e no norte de Israel.
Este "escudo humano" é de praxe. Usado constantemente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza onde os ocupantes põem meninos palestinos em cima dos tanques que atacam suas comunidades para que a Resistência não reaja à investida insidiosa.

[​IMG]Na hora em que a ONU declarou o fim da guerra, os libaneses desalojados se puseram em marcha de volta para suas cidades de origem e para as ruínas de suas moradias.
Em meia hora as estradas que levavam ao sul estavam engarrafadas.
Ao chegarem, acampavam nos estulhos de tijolos e pedras se recusando simbolicamente a ceder um milímetro da terra de seus antepassados. Esta onda humana forçou a infantaria israelense a acelerar a retirada.
O Exército israelense afirma ter destruído em 72 horas todas as rampas Sahar que o Irã fornecera ao Hizbollah. Alegação logo desmentida. Nasrallah afirmou e afirma que se quiser pode atingir Tel Aviv com a maior facilidade.
O que deve ser o caso, pois quando mais tarde a IDF ameaçou retomar os bombardeios e Nasrallah contra-ameaçou jogar um míssil em Tel Aviv, Israel recuou e deu o assunto de bombardeio (temporariamente) por encerrado.
Aliás, segundo Nasrallah, o Hizbollah só usou 1/9 de seu arsenal e é capaz de sustentar uma guerra idêntica durante onze meses. Um nono me parece um pouco de exagero, mas 3 ou 4/9 parece provável. Várias testemunhas comprovaram que muitas unidades anti-tanques não participaram dos combates - foram deixadas de reserva para a próxima vezes que o Líbano fosse atacado.
A moral da história de mais esta guerra amoral foi que a potência aérea dominante da IDF não serviu seus objetivos megalomaníacos e a infantaria foi um fiasco total.
Desde o começo a tentativa de penetração dos blindados fracassou e em muitos lugares teve de bater em retirada logo de cara. Embora uma das características militares que dão vantagem à IDF é sua capacidade de progressão rápida.
Na época, este fracasso foi definido pelos porta-vozes de Tel Aviv como uma tentativa prematura.
O certo é que o estratagema de bombardear o terreno para as tropas no solo poderem varrer um a um os focos de resistência foi um grave erro tático que definiu de cara o fim da guerra, embora a IDF tenha continuado a fazer estrados durante muitos dias mais.
Quanto aos soldados, acreditavam na propaganda de seus instrutores e superiores hierárquicos. Achavam que o Hizbollah fosse o que lhes fora apresentado - um grupinho terrorista de 250 a 500 gatos pingados carregados de armas sofisticadas. Coitados, pagaram caro para descobrir o contrário.
Hizbollah era realmente o que Hassan Nasrallah anunciara, 15 mil combatentes bem treinados.
Não precisava nem de serviços de Inteligência sofisticados como os da CIA e do Mossad para saber que as afirmações de Nasrallah não eram fanfarronadas. Fazia anos que ele organizava visitas da imprensa internacional a suas instalações com propósito dissuasivo. Queria alertar o inimigo e mostrar que era melhor não mexer com eles porque o Líbano do centro para baixo era uma caixa de marimbondos prontíssimos para picar. Enfim, que Israel ficasse dentro de seu próprio território já generosamente auto-traçado, dentro da fronteira de 1967, longe do Líbano e de preferência longe também dos Golã sírio e da Faixa de Gaza.
Israel tem problemas nessa região porque roubou território de todos os outros países em volta. Cobiça e expansão são incompatíveis com boa vizinhança e consequentemente com a paz.

No entanto, a retórica fantasiosa do terrorismo que assimila, sem nenhum critério objetivo, todo movimento patriótico a bandos fanáticos sempre convenceu os estadunidenses e os israelenses mais do que a realidade no terreno e a História.
Neste caso de 2006 no Líbano a contra-informação que engana os mal-intencionados e os incautos voltou a falar mais alto do que os fatos. Foi por isso que os soldados da IDF penetraram no Líbano defasados da realidade e sem saber muito bem porquê lutavam.
Nos ares, o domínio do invasor foi total do começo ao fim com seus caças estadunidenses e suas bombas implacáveis.
No solo, a guerra foi distante da descrepância do alto.
Os 60 mil reservistas que a IDF convocou às pressas entraram no Líbano pensando que estivessem em mais uma incursão assimétrica na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Lá seus cruéis, tanques e carterpillars armados dão cabo de casas e de resistentes precariamente armados que só conseguem resistir pouco tempo antes de serem enjaulados em um presídio qualquer de Israel onde serão torturados e esperarão anos em vão um julgamento que jamais será agendado.
O Líbano do Hizbollah não tinha nada a ver com a Palestina dos magros recursos da OLP, do Fatah e do Hamas.
O que os reservistas da IDF encontraram lá foi uma guerrilha armada de RPG-29 Vampire, de lança-foguetes modernos, de tropas bem formadas.
Defasagem total entre a expectativa ilusória e a realidade.
Os soldados da IDF estavam (estão) mal-acostumados com o povo palestino que vive sob ocupação há décadas e que eles oprimem como querem, devido à sua força bélica e às humilhações constantes às quais o submetem para subjugá-lo noite e dia sem parar.
O Hizbollah tem outra história. É composto de libaneses independentes que sabem do que Israel é capaz e querem continuar com a independência que prezam e que defendem com armas levadas do Irã com certa facilidade. Já que seu país é soberano e suas fronteiras são bem traçadas e devidamente respeitadas.
Portanto, a técnica do Blitzkrieg (uma das muitas que os governantes de Israel aprenderam com os nazistas) que ajudou os alemães em 1939, neste caso específico só serviu para matar civis indiscriminado-vergonhosamente.
No solo, a investida foi baseada nos tanques Merkava que ficaram logo pesados demais para enfrentar os impactos de uma artilharia cada vez mais sofisticada. (O que levaria a IDF, no futuro, a recorrer a uma nova técnica em novos tanques "testados" na Palestina contra os ocupados - folhá-los em uranium empobrecido para reforçar a blindagem).
No frigir dos ovos, os tanques que invadiram o Líbano foram presas fáceis para os RPG russos que o Hizbollah usava.
(No fim deste conflito, certos especialistas, considerando o malogro dos Merkava, conjeturaram o eventual banimento de tanques em guerra a partir deste fiasco - como a batalha de Azincourt marcou o fim das armaduras nos cavaleiros-soldados. Há alguns meses os israelenses anunciaram o fim da produção do tanque Merkava, considerado um dos melhores do mundo.
Seria o anúncio de uma nova era bélica?).

"Who is winning this war?
On the 15th day of the war, Hizbullah is functioning and fighting. That by itself will go down in the annals of the Arab peoples as as shining victory.
Can Hiizbullah be pusshed out of the border area?
The question is based on a misunderstanding of the essence of Hizbullah.
Not by accident is the organization call Hizb-Allah ("Party of Allah") and not Jeish-Allah ("Army of Allah"). It is a political organization, with deep roots in the Shiite population of South Lebanon. For all practical purposes, it represents this community. The Shiites are 40% of the Lebanese population, and together with the other Muslims they form the majority.
Hizbullah can be "moved" only if the whole Shiite population is moved - an ethnic cleansing that (I hope) no one is thinking about. After the war the population will return to their towns and villages, and Hizbullah will continue to flourish.
...True, Hizbullah was created by us. When the Israeli army invaded Lebanon in 1982, the Shiites received the soldiers with rice and sweets. They hoped that we would evict the PLO forces, who were in control of the area. But when they realized that our army was there to stay, they started a guerilla war that lasted for 18 years. In this war, Hizbullah was born and grew, until it became the strongest organization in all Lebanon.
But this would not have happened without massive Syrian support. Syria wants to get back the Golan heights, which have been officially annexed [unitalerally] to Israel....
...The Lebanese border will not become quiet until we reach an agreement with Syria. That is to say: until we give the Golan back...
How can one evaluate the conduct of the military campaign?
Dan Halutz will not enter the history books as one of the greatest captains of all time.
He pushed the government into this war, partly in order to cover up two embarrassing military failures: the Palestinian commando action in Kerem Shalom and the Hizbullah action on the Lebanese border. No officer has been called to bear responsibility for them. The ultimate responsibility rests, of course, with the chief-of-Staff.
Halutz, the first Chief-of-Staff who rose through the ranks of the Air Force, was convinced that he could finish it off by aerial bombardment, with the assistance of the artillery and navy. He was vastly mistaken. Even after sowing havoc in Lebanon, he did not succeed in vanquishing the opponent. Now he is compelled to do the one thing that everybody was afraid of: sending large land forces into the Lebanese quagmire.
On the 15th day of the war, not one of the aims is any nearer to being achieved. As far as Halutz is concerned, both as a strategist and as a commander, his marks are close to zero.
Have the civilians at the head of the government proved themselves?
After the elections, many people in Israel thought that a civilian era had begun, since both the Prime Minister and the Minister of Defense are complete civilians, without a military background. As it turns out, the opposite is the case.
History shows that political functionaries who succeed strong leaders are capable of doing terrible things. They want to prove that they, too, are strong leaders, that they have guts, that they can wage war. Harry Truman , who replaced Franklin Roosevelt, is responsible for what is perhaps the biggest war crime in history - the dropping of atom bombs on Hiroshima and Nagasaki. Anthony Eden, who succeeded Winston Churchill, started the foolish Suez war, in collusion with France and Israel.
The Olmert government started this war in shocking irresponsibility, without serious debate or deliberation. They were afraid to oppose the demands of the Chief-of-Staff, afraid to be branded as cowards.
Olmert has promised that after the war the situation in the region will be different from what it was before. Is there a chance of this?
Absolutely. But the new situation will be very much worse for us.
One of Hassan Nasrallah's aims is to unite Shiites and Sunnis in a common fight against Israel.
One has to realize that for centuries Sunnis and Shiites were mortal enemies. Many orthodox Sunnis consider the Shiites heretics. By coming to the aid of the Palestinians, who are Sunnis, Nasrallah hopes, among other aims, to forge a new alliance.
In the Middle East, a new axis may be coming into being, one that includes Hizbullah, the Palestinians, Syria, Iraq and Iran. Syria is a Sunni country. Iraq is now controlled by the Shiites, who wholeheartedly support Hizbullah. But the Iraqi Sunnis, who are waging a tough guerilla war against the Americans, also support Hizbullah.
This bloc enjoys a wide popularity among the masses throughout the Arab world, because of their fight against the USA and Israel. The opposite bloc, which includes Saudi Arabia, Egypt and Jordan, is losing popularity by the day. These regimes are considered by the masses as mercenaries of the Americans and agents of Israel. Mahmoud Abbas is strenuously trying to avoid being included in this category.
So what can be done about this?
To put an end to the Israeli-Palestinian conflict, which causes ferment throughout the Middle East.
To draw Hamas out of this hostile front, by negotiating with the elected Palestinian government.
To reach a settlement in Lebanon. For it to last, this settlement must include Hizbullah and Syria. This will oblige us to give the Golan back.
It should be remembered that Ehud Barak had already agreed to that and almost signed a peace treaty, similar to the one signed with Egypt, but unfortunately chickened out at the last moment for fear of public opinion."
Uri Avnery, July 2006.

Além da lição de estratégia, de tática e de armamento, a lição mais importante desta Guerra do Líbano foi a reiteração do valor das tropas e a razão intrínseca da luta.
Questão prática e um tanto filosófica.
Em suas operações de guerra/agressões mais violentas de Infantaria na Palestina e no Líbano, a IDF tem o costume de pôr as tropas de reservistas experientes na linha de frente. Os rapazes e moças que estão servindo Exército na hora do ataque são postos atrás, para apoio em caso de necessidade.
Os reservistas, até então, eram tidos como duros na queda e prontos a defender terreno adquirido e a conquistar novos espaços para expandir seu país conforme o sonho sionista.
Mas aí também o julgamento de Tel Aviv e Washington foi errado.
Esta geração de reservistas de 2006 não tinha nada a ver com os "heróis" da Hagannah e da IDF tradicional que lutava por um ideal; contestável, mas inegável.
Esta geração de reservistas das décadas de 90 do século XX e da primeira década do século XXI é uma geração que só conhece o serviço militar da ocupação.
Esta geração só conhece operações de caça em território palestino de presas relativamente fáceis de famílias desarmadas e de resistentes armados precariamente.
Esta geração só conhece a prática de manter a ordem. Sua luta é só de manutenção de um sistema expansionista de apartheid.
Esta geração é a que vem Breaking the Silence para dissuadir os jovens de servir Exército para não se transformarem em vulgares larápios quando não estropiadores de crianças e assassinos in/voluntários nos territórios palestinos ocupados.
Esta geração não sabe porquê luta e não tem nenhuma motivação para defender um sistema que muitos inclusive condenam e do qual cada vez mais israelenses com consciência se envergonham. A tal ponto que é mais que possível que seja através de recrutas israelenses que o Hizbollah obtém as cartilhas internas que traduz para o árabe e distribui aos seus aprendizes de guerrilha.
Era graças às informações adquiridas por meios de Inteligência que o Hizbollah conhecia a hierarquia da IDF e sabia direitinho da hierarquia do inimigo. Eram os chefes que eram visados para os batalhões ficarem acéfalos e os membros do Hizbollah deixarem para trás os soldados desmotivados e desgovernados.
O Hizbollah queria ganhar a guerra causando o mínimo de perdas civis e o mínimo de trauma porque sabe melhor do que ninguém - ou só como os palestinos aprenderam na marra, no íntimo, na carne - o custo emocional da perda e do sentimento de ódio e vingança que esta acarreta a curto, médio e longo prazo. Quanto menos israelenses voltassem para casa com ressentimento, melhor para eles, para os palestinos, para o Oriente Médio inteiro.

Trocando em miúdos, a ofensiva israelense no Líbano falhou em todas as suas pretenções estratégicas.
Para os Estados Unidos, falhou na vontade de remodelar as fronteiras do Oriente Médio. Em benefício próprio imediato, sempre ilusório e drástico, e de Israel (na mesma medida irresponsável) eliminando o Hizbollah antes de partir para a Síria (que estão conseguindo destruir por perigosos meios de terceiros) e depois o Irã.
Para o regime ultra-sionista de Israel o objetivo era expulsar as populações dos sul do Líbano para pouco a pouco anexar áreas e camadas freáticas, expandir sua zona petrolífera, confinar os palestinos em bantoustan no modelo dos da África do Sul da época do apartheid e eliminar a oposição do Hizbollah no governo Siniora.
Para os 1% de magnatas que controlam o mundo, a destruição do Líbano deveria permitir a reedição de uma vasta operação de reconstrução que já havia enriquecido na década de 90 uma patota interna que só pensa em dólar.
Os tiros dos três predadores saíram pela culatra.
Após a "retirada estratégica" de Israel Beirute estava em ruinas, mas as fronteiras do Líbano ficaram intatas.
As populações do sul retornaram e voltaram a tomar posse de sua terra.
O Hizbollah virou o partido mais importante do cenário político do Líbano.
Os libaneses cristãos e muçulmanos se reconciliaram em uma unidade, relativa, mas nacional.
A Síria retomou seu domínio regional até o baque da rebeldia bem orquestrada e bem armada por potências estrangeiras com agenda errada.
O Irã saiu reforçado com a vitória de seu aliado.
O Hizbollah esperou sentado o dinheiro dos organismos internacionais e acabou botando a mão na massa da reconstrução reforçando suas bases e obstaculando a especulação corrente no país após as guerras passadas.
O Líbano saiu bem machucado, cheio de cicatrizes, mas de cabeça alta.

O pior é que a derrota, como sempre acontece em conflitos armados, foi não apenas do derrotado e sim de todas as partes.
A guerra terminou do lado libanês com mais de mil civis mortos por bombardeios aéreos, mais um punhado de militantes do Hizbollah. Os feridos libaneses foram contados em milhares.
E do lado israelense com 119 soldados e 43 civis mortos. E dezenas de feridos.
Quando os Estados Unidos e Israel entenderam que não conseguiriam submeter o Hizbollah pela força levaram a ONU a aprovar a Resolução 1701 que colocava forças pacificadoras da UNIFIL no sul do Líbano para imobilizar o Hizbollah e tentar desarmar seus militantes.
Um escândalo diplomático.
Os dois cúmplices conseguiram em minutos o que há anos vêm negando à Palestina. Que a ONU instale tropas ao longo da Linha Verde, fronteira de 1967 reconhecida pelas Nações Unidas, para proteger a expansão israelense e a ocupação civil e militar da Cisjordânia.
Se isso tivesse sido feito quando Yasser Arafat solicitou, a ocupação faria parte da história e não seria um presente cada vez mais insuportável.
É a injusta Des/Ordem mundial dos dois pesos e duas medidas que abalam o equilíbrio e a paz no mundo e que envergonham os seres humanos.

No ano seguinte, vários relatórios de ONGs de Direitos Humanos e de Organismos Internacionais puseram os pingos nos iis e parte da mídia retratou-se após ter publicado comunicados de imprensa israelo-estadunidenses contra-informando sem questionar uma linha.
Na imprensa, o próprio jornal israelense Haaretz diria no ano seguinte que a Guerra do Líbano 2006 fora "a war initiated by Israel against a relatively small guerrilla group."
E na Justiça Internacional, relatórios revelaram que uma das justificativas para a resistência ativa do Hizbollah era pertinente e apoiada pelas Nações Unidas, cujos cartógrafos admitiram com pouca divulgação que o Líbano tinha direito de reclamar soberania na área das Fazendas Sheba'a.
Israel, que não se retirou do território surrupiado, teve o descabimento de retrucar que este não pertencia ao Líbano e sim à Síria... e que seria devolvido aos devidos proprietários em futuras Peace Talks com Damasco, embora o próprio Bashar el-Assad apoiasse a demanda libanesa de propriedade.
Ou seja, Israel admitia o roubo e anunciava que pretendia oferecer inescrupulosamente o produto da pilhagem à Síria (!?) certamente para acalmá-la temporariamente pelo roubo das colinas do Golã.
Isso foi no ano de 2007. E ficaria por isso. Como tudo que envolve as ações lamentáveis dos sucessivos governos de Israel. Se fosse outro país a imprensa e a OTAN teriam caído em cima. Mas Israel...
A grande mídia continuaria pronta a publicar os comunidados oficiais de Tel Aviv e Washington, e continuaria recalcitrante a publicar as denúncias e provas dos crimes cometidos por Israel na Síria, no Líbano e na Palestina.
(Mas isto pode não ser um status quo irreversível como parece e alguns dizem e sim mutável. Graças ao argumento contundente do boicote.

Porta-voz da IDF usa na CNN a tática do great deceiver Mark Regev para justificar o injustificável. 
Usa contra o Hizbollah os mesmos argumentos absurdos que usa contra o Hamas na Faixa de Gaza 
a fim de tentar justificar os massacres que Israel comete.

Outra alegação feita por Israel durante a guerra e divulgada pela grande mídia foi que fizera todos os esforços possíveis para proteger os civis durante os bombardeios. Ora, só de olhar para o número e localização das vítimas era óbvio que os esforços eram opostos do que dizia.
Um dos aspectos mais chocantes desta guerra foi o fato de Israel lançar, segundo um dos comandantes da IDF, 1 milhão e 200 mil bombas a fragmentação. Sendo estas parte de um lote de munição antiga fornecida pelos EUA com 50 por cento de margem de erro.
A ONU fez outro cálculo. Para seus investigadores estas bombas covardes foram cerca de 3 milhões, só nos últimos dias de ataque.
As "bombinhas", que são efetivamanete minas, foram jogadas no sul do Líbano de propósito para continuar a atingir os civis depois da guerra terminada. Como um presente envenenado às milhares de crianças que sobreviveram aos bombardeios. E por tabela, uma punição aos pais, a famílias inteiras, semanas, meses e anos após o fim da guerra.
Uma "lembrancinha" macabra deixada pelos Estados Unidos e Israel acostumados a deixá-las por ondem passam. (Não são os únicos, é claro, mas os que reincidem mais).
Só nos 12 meses seguintes ao cessar-fogo 30 libaneses morreram vítimas das tais bombinhas e 180 sobreviveram às explosões imprevisíveis perdendo "apenas" um ou alguns membros. Prefiro nem falar nos meses seguintes até atualmente.
O certo é que Israel em concertação com os Estados Unidos aproveitaram a oportunidade para tentar tornar o sul do Líbano inabitável para a população civil e para o Hizbollah.
ONGs de Direitos Humanos descreveram este ato frio e calculado como crime de guerra. Mas Dan Halutz, o então chief of staff de Israel, defendeu seu lado declarando que "the bombs should have been used only in open and unpopulated areas".
Desculpa tardia e esfarrapada. Mesmo que tivessem sido usadas desse jeito, nesses lugares, considerando a alta margem de erro do armamento obsoleto, era quase impossível apostar em zero ou poucas vítimas civis no pós-guerra.

Falando em pós-guerra, a IDF encomendou uma de suas investigações costumeiras para acalmar os organismos internacionais e, neste caso específico, acalmar a Casa Branca, já que não conseguiram impedir o vazamento da informação que os Estados Unidos haviam fornecido o armamento "vencido" para ficar livre deste e Israel alcançar seu objetivo.
O resultado preliminar, vazado à mídia israelense e calado na internacional, revelou que as bombas a fragmentação foram jogadas em centros populados em uma violação flagrante das leis internacionais. A ordem teria sido dada pelo comandante do Norte Uri Adam, segundo investigação estadunidense. O bode expiatório ideal, que foi repreendido, sem mais.
Depois do escândalo e do anúncio das investigações necessárias, o resultado destas demorou, demorou, demorou, até ninguém pensar mais nisso. Só os libaneses que até hoje sofrem nas pernas, nos braços, às vezes no corpo inteiro, além das sequelas do trauma, as consequências dessas bombinhas jogadas anos atrás. Como na Faixa de Gaza. Como na Cisjordânia.
Outra contra-informação divulgada pela grande mídia atenta aos comunicados de imprensa de Tel Aviv foi que Israel matou um número tão elevado de civis porque os combatentes do Hizbollah se escondiam entre eles para lançar seus foguetes.
A mesma desculpa indecente que Israel usa para "justificar" o assassinato de civis na Palestina, embora neste caso apoiada momentaneamente por Jan Egeland, um funcionário da ONU mal-informado ou mal-intencionado, que acusou o Hizbollah de "cowardly blending" à população. Informação extensamente divulgada. O desmentido, bem menos.
Quem estava no terreno sabia que como na Palestina este argumento de defesa era falso.
O Hizbollah investira esforço e dinheiro para desenvolver seu elaborado sistema de túneis e bunkers subterrâneos no campo, em zonas inabitadas onde escondia seu arsenal e de onde atacava quando a infantaria israelense avançava.
E se não fosse este fato concreto havia um outro abstrato óbvio para quem tem bom senso.
Os combatentes do Hizbollah têm famílias e os árabes são como nós brasileiros com as nossas. São importantes e presentes. E estas moravam no sul do Líbano. Portanto, como os resistentes palestinos, é improbabilíssimo que arriscassem as vidas dos pais, irmãos, cônjuges, filhos, lançando foguetes de dentro de casa ou em imediações de zonas urbanas vulneráveis.
Só quem acredita em uma coisa dessas é quem pensa como os ultra-sionistas, que palestino não tem alma, não é gente.

Nos meses que seguiram a guerra e sobretudo a Resolução 1701 que os Estados Unidos empurraram pela goela das Nações Unidas, os soldados da UNIFIL varreram o sul do Líbano para desarmar o Hizbollah (para que Israel ficasse tranquilo para voltar a invadir o Líbano e continuar sua limpeza étnica na Palestina sem nenhum empecinho de soldados da UNIFIL).
Nesta varredura localizaram 33 bunkers nos quais descobriram armas, inclusive foguetes e plataformas de lançamento destes, destruídos. O Hizbollah não queria deixar nada para trás. Com certeza levou o que conseguia carregar para esconderijos inacessíveis e para os que construiria mais tarde ao longo do rio Litani.
A imprensa israelense chama estes sítios do Hizbollah "nature reserves", como o jornal Haaretz admitiu no ano seguinte: "Most of the rockets fired against Israel during the war last year were launched from the 'nature reserves.'" Desmentindo assim o argumento da IDF que o Hizbollah teria usado civis como escudo como é costume na IDF. Apesar desta constatação não desmentida, comandantes da IDF repetiram que "will not hesitate to bomb – and even totally destroy – urban areas after it gives Lebanese civilians the chance to flee."
Confissão e ameaça contra civis, crimes de guerra que a ONU deixou de relevar. Por quê, só os EUA e Israel sabem. A falsa acusação de Israel contra o Hizbollah só pode ser atribuída a seu próprio comportamento anti-ético.
Foi Israel que construiu bases militares permanentes em áreas urbanas no Norte do país, na Galileia, em zonas com densidade de população israelo-palestina majoritária.
Bastava dar uma volta pela região para ver inclusive fábricas de armamentos, quartéis, e posições de artilharia montados perto e às vezes até dentro de cidades. Foi por isso que entre os 43 israelenses mortos 18 eram árabes.
Dito isso, em muitos casos é impossível saber com certeza onde os foguetes do Hizbollah aterrizaram. Não há como obter informação da IDF em relação às suas estruturas militares. Só as visíveis, como a usina nuclear que mesmo sendo visível e inegável é negada como se não existisse e que o mundo inteiro fosse idiota e tivesse de shut up.

Durante a guerra, o serviço de comunicação de Israel divulgou com alarde que um dos foguetes do Hizbollah caíra perto de um hospital. A grande mídia publicou em letras garrafais a "impiedade dos terroristas do Hizbollah". O que a mídia omitiu, por má-fé ou porque não sabiada verdade, foi que a IDF montara, de propósito, um quartel pertinho do tal hospital. O Hizbollah visara uma base inimiga militar de ataque e não um centro hospitalar, pois o Hizbollah também tem um Serviço de Inteligência bastante eficiente, considerando a correção dos mapas que encontrados no fim da guerra.
O problema é que o Hizbollah não primava, talvez um dia prime, pela precisão de tiro, devido à dificuldade de treinamento necessário deste tipo de arma ao ar livre. Sua liderança afirmou que as mortes de civis foram todas imprevistas, por erro de pontaria ou por estes estarem próximos demais do alvo militar. A prova é a morte dos 18 palestinos.
Porém, o Human Rights Watch, na época, apoiou a denúncia de Israel e dos Estados Unidos, como às vezes derrapa. Mas se retrara. Mais tarde, seus funcionários em Nazareth descobriram que toda comunidade civil atingida pelos foguetes do Hizbollah se encontrava próxima de uma base militar ou de uma bateria de artilharia israelense. Mas o relatório não podia ser publicado por causa da lei draconiana israelense que proibe a divulgação de informações militares.
O balanço do conflito leva à dedução que o Hizbollah comportou-se muito melhor do que Israel.
E o fato de Israel recusar-se a desocupar as Fazendas de Sheba'a em 2000 e de recusar-se a negociar a troca de prisioneiros proposta pelo Hizbollah, era uma justificação das ações do partido libanês mais válida do que as de Tel Aviv e Washington.
E durante o conflito Israel cometeu flagrantes crimes de guerra jogando bombas a fragmentação em zonas urbanas e bombardeando cidades onde sabia que os combatentes não estavam. Além de ter arriscado deliberadamente a vida de compatriotas com suas instalações militares próximas ou dentro de cidades em vez de protegê-los como devia.
Dito isto, o Hizbollah também tem culpa no cartório. Nasrallah não é nenhum santo, mas é mil vezes menos nefasto do Ehud Olmert, Ehud Barak, Binyamin Netanyahu e a corja de de ultra-sionistas que estão procedendo à limpeza étnica sistemática da Palestina.

Children of  Conflict

MAIN EVENTS, for the English readers.
July 12: Hizbollah raid into Israel to make prisoners.  According to Hassan Nasrallah, Hizbullah’s charismatic leader, the raid was not designed to provoke a war with Israel.  
First 72 hours after july 12, Hezbollah’s primary arsenals and marshaling points were targeted by the Israeli Air Force (IAF).
July 15, the IAF targeted Hezbollah’s leadership in Beirut. This attack also failed. At no point during the war was any major Hezbollah political figure killed, despite Israel’s constant insistence that the organization’s senior leadership had suffered losses. According to one US official who observed the war closely, the IAF’s air offensive degraded “perhaps only 7%” of the total military resource assets available to Hezbollah’s fighters in the first three days of fighting and added that, in his opinion, Israeli air attacks on the Hezbollah leadership were “absolutely futile”.
July 30, bombing of Qana. According to Lebanese Red Cross and Tyre hospital records, twenty-eight people were recorded killed in the attack on Qana. At least eight people in the homes survived the attack, some of whom were wounded. The dead ranged in age from nine months to 75 years. Hundreds of Lebanese and some international observers marched in the funeral.
August 1st, Under the pressure of US Secretary of State Condoleezza Rice Israel agreed to a 48-hour ceasefire. The ceasefire provided the first evidence that Hizbollah had successfully withstood Israeli air attacks and was planning a sustained and prolonged defense of southern Lebanon.  Hizbollah commanders honored the ceasefire at the orders of their political superiors. Hizbollah’s ability to cease fire meant that Israel’s goal of separating Hizbollah fighters from their command structure had failed.
The IDF’s senior commanders could only come to one conclusion – its prewar information on Hezbollah military assets was, at best, woefully incomplete or, at worst, fatally wrong. Hizbollah senior intelligence officials were able to “feed back” false information on their militia’s most important emplacements to Israel – with the result that Israel target folders identified key emplacements that did not, in fact, exist. On the other hand, Hezbollah’s ability to intercept and “read” Israeli actions had a decisive impact on the coming ground war. 
Israel, which depended on a highly sophisticated set of “frequency hopping” techniques that would allow their commanders to communicate with one another, underestimated Hezbollah’s ability to master counter-signals technology. The result would have a crucial impact on Israel’s calculation that surprise alone would provide the margin of victory for its soldiers. 
The Israeli political establishment was shocked by the failure of its forces to accomplish its first military goals in the war and had done almost nothing to prepare for the worst: the first meeting of the Israeli security cabinet in the wake of the July 12 abduction lasted only three hours. And while Olmert and his security cabinet demanded minute details of the IDF’s plan for the first three days of the war, they failed to articulate clear political goals in the aftermath of the conflict or sketch out a political exit strategy should the offensive fail. Olmert and the security cabinet violated the first principle of war – they showed contempt for their enemy.
In many respects, Olmert and his cabinet were captives of an unquestioned belief in the efficacy of Israeli deterrence. Like the Israeli public, they viewed any questioning of IDF capabilities as sacrilege. The Israeli intelligence failure during the conflict was catastrophic. It meant that, after the failure of Israel’s air campaign to degrade Hizbollah assets significantly in the first 72 hours of the war, Israel’s chance of winning a decisive victory against Hizbollah was increasingly, and highly, unlikely.
At the end, Israel failure was highly understandable.
Israel’s military strategy and planning rested on three assumptions.  The first assumption was that a heavy-handed military operation could both destroy Hizbullah’s military wing and erode popular support for the organization.  
Israel’s second assumption was that it could quickly defeat Hizbullah with limited costs and commitments, as it had done in the past.
Israel’s third assumption during the lead-up to the 2006 Lebanon War was that its military was ready for war with Hizbullah. On the eve of the conflict, Israeli Army personnel had little to no training or experience fighting an enemy as disciplined and capable as Hizbullah.  After the 2000 withdrawal from Lebanon, the IDF focused on combating low-disciplined low-tech Palestinian resistants. These militants, unlike Hizbullah, generally operate in small, lightly armed squads (about a dozen men) and lack formal military training.  A typical Israeli Army unit could easily outgun and outmaneuver most Palestinian militants. Hizbullah fighters, on the other hand, are well equipped and trained in modern infantry and guerilla tactics. By focusing their attention on Palestinian militants, Israeli soldiers became increasingly unprepared for combat against larger more disciplined enemies. Tank crews, for instance, had little or no experience operating their vehicles in open land combat. Many crews had spent more time as snipers on foot patrol sooting after unarmed targets than they did inside their vehicles; and when they did fight inside vehicles, they operated more like pillboxes or armored bulldozers. Without proper training and experience, Israeli tank crews were unprepared for combat inside their tanks while operating in open terrain that required large, complex maneuvers.
The combat effectiveness of Israeli brigade and division level units also suffered from the post-2000 shift in priorities.  Beginning in 2000, the IDF focused its training on small skirmishes and policing and repressing missions, not large combined arms battles.  Because of this shift, few brigade and division commanders had significant training or experience commanding large units in training environments or in the real world. The interwar focus on low intensity conflicts, which was necessary for confronting palestinian Resistance, reduced the IDF from the fighting force that it was in the 20th century to an organization that was best suited for safe stability operations.  The IDF, essentially, had lost its ability to conduct effective war operations.
In terms of equipment, Israel was also unprepared for war against Hizbullah.  During Hizbullah’s insurgency against the IDF in the 1990s, the Israelis had two distinct advantages over the militants: heavy armor and airpower.  Hizbullah understood that withstanding a future Israeli assault meant countering these two advantages.  In the interwar years, Hizbullah addressed its disadvantage by purchasingadvanced anti-tank guided missiles (ATGMs) that were manufactured by Russia (against the United States' wire-guided TOW missiles).  Armed with these advanced weapons, Hizbullah militants gained the ability to destroy any Israeli armored vehicle, including the Merkhava main battle tank (MBT)—the heaviest tank in the Israeli arsenal and, arguably, the best in the world. 
Hizbullah men were, unlike Israel's, highly prepared for war in southern Lebanon.  Onde of them said afterwards: “we were waiting for combat like a man awaits his bride.”
Once in southern Lebanon, the IDF was entering Hizbullah territory, where the militants could inflict tremendous damage on their enemy from prepared defenses, reducing the morale of the Israeli military, as it did in the 1990s. Forcing an Israeli ground incursion had the added benefit of reintroducing Israeli soldiers to southern Lebanon, which could rally public support behind Hizbullah, similar to what it did in the 1990s.
Psychological operations were a central element of Hizbullah’s defense against Israel.  Hizbullah’s psychological operations targeted three audiences: the Israeli people, the Lebanese people, and the international community.
To influence the Israeli people, Hizbullah relied on its rocket campaign. Hizbullah planners anticipated that they could reduce Israeli support for the war by making any Israeli victory a pyrrhic one. To win Lebanese public opinion, which the Israelis were trying to influence through firepower, Hizbullah relied on its extensive social services networks and media outlets. To reach the international community, Hizbullah was able to broadcast images of the death and destruction caused by the Israeli military strikes - generally banned from the media in Israel's operations in Palestine. For the first time, the world saw these images and outraged against Israel.
Western public opinion was beginning to shift, beginning to understand its israeli practices in Palestine and the palestinian ordeal.

Documentário israelense com reservistas da IDF: The Lebanon War 2006 (34')

"Thirty three days of war. The longest of our wars since 1949.
So what has been achieved for this terrible price?
"GLOOMY, HUMBLE, despondent," was how the journalist Yossef Werter described Ehud Olmert, a few hours after the cease-fire had come into effect.
Olmert? Humble? Is this the same Olmert we know? The same Olmert who thumped the table and shouted: "No more!" Who said: "After the war, the situation will be completely different than before!" Who promised a "New Middle East" as a result of the war?
The results of the war are obvious:
The prisoners, who served as casus belli (or pretext) for the war, have not been released. They will come back only as a result of an exchange of prisoners, exactly as Hassan Nasrallah proposed before the war.
Hizbullah has remained as it was. It has not been destroyed, nor disarmed, nor even removed from where it was. Its fighters have proved themselves in battle and have even garnered compliments from Israeli soldiers. Its command and communication stucture has continued to function to the end. Its TV station is still broadcasting.
Hassan Nasrallah is alive and kicking. Persistent attempts to kill him failed. His prestige is sky-high. Everywhere in the Arab world, from Morocco to Iraq, songs are being composed in his honor and his picture adorns the walls.
The Lebanese army will be deployed along the border, side by side with a large international force. That is the only material change that has been achieved.
This will not replace Hizbullah. Hizbullah will remain in the area, in every village and town. The Israeli army has not succeeded in removing it from one single village. That was simply impossible without permanently removing the population to which it belongs.
The Lebanese army and the international force cannot and will not confront Hizbullah. Their very presence there depends on Hizbullah's consent. In practice, a kind of co-existence of the three forces will come into being, each one knowing that it has to come to terms with the other two.
Perhaps the international force will be able to prevent incursions by Hizbullah, such as the one that preceded this war. But it will also have to prevent Israeli actions, such as the reconnaissance flights of our Air Force over Lebanon. That's why the Israeli army objected, at the beginning, so strenuously to the introduction of this force...
...This is how it goes: At long last, two days before the end, the land offensive started to roll. Thanks to our heroic soldiers, the men of the reserves, it was a dazzling success. And then, when we were on the verge of a great victory, the cease-fire came into effect.
There is not a single word of truth in this. This operation, which was planned and which the army spent years training for, was not carried out earlier, because it was clear that it would not bring any meaningful gains but would be costly in lives. The army would, indeed, have occupied wide areas, but without being able to dislodge the Hizbullah fighters from them.
The town of Bint Jbeil, for example, right next to the border, was taken by the army three times, and the Hizbullah fighters remained there to the end. If we had occupied 20 towns and villages like this one, the soldiers and the tanks would have been exposed in twenty places to the mortal attacks of the guerillas with their highly effective anti-tank weapons.
If so, why was it decided, at the last moment, to carry out this operation after all - well after the UN had already called for an end to hostilities? The horrific answer: it was a cynical - not to say vile - exercise of the failed trio. Olmert, Peretz and Halutz wanted to create "a picture of victory", as was openly stated in the media. On this altar the lives of 33 soldiers (including a young woman) were sacrificed.
The aim was to photograph the victorious soldiers on the bank of the Litani. The operation could only last 48 hours, when the cease-fire would come into force. In spite of the fact that the army used helicopters to land the troops, the aim was not attained. At no point did the army reach the Litani.
For comparison: in the first Lebanon war, that of Sharon in 1982, the army crossed the Litani in the first few hours. (The Litani, by the way, is not a real river anymore, but just a shallow creek. Most of its waters are drawn off far from there, in the north. Its last stretch is about 25 km distant from the border, near Metulla the distance is only 4 km.)
This time, when the cease-fire took effect, all the units taking part had reached villages on the way to the river. There they became sitting ducks, surrounded by Hizbullah fighters, without secure supply lines. From that moment on, the army had only one aim: to get them out of there as quickly as possible, regardless of who might take their place...
...Perhaps, in the end, it is logic that will win. Logic says: what has thoroughly been demonstrated is that there is no military solution. That is true in the North. That is also true in the South, where we are confronting a whole people that has nothing to lose anymore. The success of the Lebanese guerilla will encourage the Palestinian guerilla.
For logic to win, we must be honest with ourselves: pinpoint the failures, investigate their deeper causes, draw the proper conclusions.
Some people want to prevent that at any price. President Bush declares vociferously that we have won the war. A glorious victory over the Evil Ones. Like his own victory in Iraq.
When a football team is able to choose the referee, it is no surprise if it is declared the winner."
Uri Avnery, August 2006

Documentário libanês: Lebanon's 33 days war - The victims of the war (54')

Segue abaixo uma reflexão de Uri Avnery sobre a imprensa israelense mas que serve para a mídia dirigida de qualquer país. 
"Yesterday I switched on the TV and saw a person radiating self-assurance and explaining how our victory in Lebanon opens the way for the inevitable war with Iran. The analysis, composed almost entirely of clichés, was worthy of a high-school pupil. I was shocked to learn that the man was a former chief of the Mossad. Anyway, we won this war and we are going to win the next one. So there is no need at all for a commission of inquiry. What is there to inquire into? All we need is a few committees to clear up the minor slips that occurred here and there.
Resignations are absolutely out. Why, what happened? Victors do not resign! Did Napoleon resign after Waterloo? Did Presidents Johnson and Nixon resign after what happened in Vietnam? Did the Zealots resign after the destruction of the Temple?
Joking aside, the parade of Olmert's stooges on TV, on the radio and in the newspapers tells us something. Not about the achievements of Olmert as a statesman and strategist, but about the integrity of the media.
When the war broke out, the media people fell into line and and marched in step as a propaganda battalion. All the media, without exception, became organs of the war effort, fawning on Olmert, Peretz and Halutz, waxing enthusiastic at the sight of the devastation in Lebanon and singing the praises of the "steadfastness of the civilian population" in the north of Israel. The public was exposed to an incessant rain of victory reports, going on (literally) from early in the morning to late at night...
...The chicken-hearted "terrorists" of Hizbullah were hiding behind women and children and operating from within villages, quite unlike our Ministry of Defense and General Staff which are located in the heart of the most densely populated area in Israel. Our soldiers were not captured in a military action, but "abducted" like the victims of gangsters, while our army "arrests" the leaders of Hamas. Hizbullah, as is well known, is "financed" by Iran and Syria, quite unlike Israel, which "receives generous support" from our great friend and ally, the United States.
There was, of course, a difference of night and day between Hizbullah and us. How can one compare? After all, Hizbullah launched rockets at us with the express intent of killing civilians, and did indeed kill some thirty of them. While our military, "the most moral army in the world", took great care not to hurt civilians, and therefore only about 800 [1000] Lebanese civilians, half of them children, lost their lives in the bombardments which were all directed at purely military targets...
... Of course, among the almost one thousand people invited to the TV studios during the war to air their views, there were next to no voices criticizing the war itself. Two or three, who were invited for alibi purposes, were shown up as ridiculous weirdos. Two or three Arab citizens were also invited, but the talk-masters fell on them like hounds on their prey...
...All the media (except the internet sites) completely suppressed the news about the demonstrations against the war that took place almost daily and that grew rapidly from dozens to hundreds, and from hundreds to thousands...
...I do not think, by the way, that the behavior of our media was worse than that of their American colleagues at the start of the Iraq war, or the British media during the ridiculous Falklands/Malvinas war. But the scandals of others are no consolation for our own.
Against the background of this pervasive brainwashing, one has to salute the few - who can be counted on the fingers of both hands - who did not join the general chorus and did indeed voice criticism in the written media, as much as they were allowed to...
... The media called Hizbullah a "terror organization", evoking the image of a small group of "terrorists" with negligible capabilities. When it became clear that this is an efficient and well-trained military force with brave and determined fighters, effective missiles and other weapons, that could hold out against our huge military machine for 33 days without breaking, the disappointment was even more bitter.
After the media had glorified our military commanders as supermen and treated every one of their boasts with adulation, almost as if they were divine revelations, the disappointment was even greater when severe failures in strategy, tactics, intelligence and logistics showed up in all levels of the senior command...
...During the last few days, the wheel may be turning again. What? We did not lose the war after all? Wait, wait, we did win? Nasrallah has apologized? (By strict orders from above, the full interview of Nasrallah was not broadcast at all, but the one passage in which he admitted to a mistake was broadcast over and over again.)
The sensitive nose of the media people has detected a change of the wind. Some of them have already altered course. If there is a new wave in public opinion, one should ride it, no?
We call this the "Altalena Effect".
For those who don't know, or who have already forgotten: Altalena was a small ship that arrived off the coast of Israel in the middle of the 1948 war, carrying a group of Irgun men and quantities of weapons, it was not clear for whom. David Ben-Gurion was afraid of a putsch and ordered the shelling of the ship, off the coast of Tel-Aviv. Some of the men were killed, Menachem Begin, who had gone aboard, was pushed into the water and saved. The ship sank, the Irgun was dispersed and its members joined the new Israeli army.
29 years later Begin came to power. All the careerists joined him in haste. And then it appeared, retroactively, that practically everybody had been on board the Altalena. The little ship expanded into a huge aircraft carrier - until the Likud lost power and Altalena shrunk back to the size of a fishing boat.
The Second Lebanon War was a mighty Altalena. All the media crowded onto its deck. But the day after the war was over, we learned that this was an optical illusion: absolutely nobody had been there, except Captain Olmert, First Officer Peretz and Helmsman Halutz. However, that can change any minute now, if the trusting public can be convinced that we won the war after all.
As has been said before: in Israel nothing changes, except the past."
Uri Avnery. 02/09/2006

Journeyman: The Savage legacy of Israel's 2006 Libanon bombardement 

Entrevista com um membro do Hizbollah em novembro de 2006

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Cantora cristã Julia Boutros homenageia o Hizbollah